Do alto de seus 69 anos, a ex-estrela pornô e ex-apresentadora Robin Byrd é o centro deste documentário, fornecendo suas impressões no presente atual do período em que encabeçou um válido esforço para manter abertas as discussões em torno de sexualidade, orientações sexuais e doenças transmissíveis numa época em que, como tudo o mais, esses temas eram tratados como tabu.
Pouco conhecida do público brasileiro, Robin
Byrd foi uma jovem nova-iorquina que, ao adquirir logo cedo independência da
casa dos pais (com quem tinha uma relação no mínimo turbulenta), já envolveu-se
com a cena underground de Nova York e
com o ebuliente mercado dos filmes pornográficos – eram os anos 1970, e a
liberdade de expressão, a contracultura e a libertinagem deram um novo enfoque
à uma indústria (a da pornografia) que outrora era completamente nichada e
segregada: Após um fenômeno como o do filme “Garganta Profunda”, até mesmo
filmes pornôs recebiam tratamento de cinema! O filme pornô de maior sucesso e
evidência a contar com Robin no elenco foi o hoje clássico “Debbie Does
Dallas”.
Logo, essa abertura levou Robin para a TV, onde
um canal aberto de alcance regional (o Canal J da Manhattan Cable TV) exibia um programa durante as madrugadas
intitulado “Hot Legs” – inicialmente, ela fazia aparições no show, mas com a
alternância na equipe técnica a frente e atrás das câmeras, Robin logo
tornou-se a apresentadora e também a produtora, mudando seu título para “The
Robin Byrd Show”, mais tarde, passando a ser exibido pelo Canal 35 de Nova
York.
Não demorou muito para que a desenvoltura
natural, o carisma fora do comum, e o despojamento admirável de Robin começasse
a chamar a atenção do público que elevou consideravelmente a audiência do
horário. Durante o período em que esteve no ar – que comporta basicamente de
1977 a 1998 – o “The Robin Byrd Show” abordou tópicos que se fizeram
necessários e pertinentes como a desmistificação da pornografia, a inovadora
campanha para o uso de camisinha em plenos anos 1980 (o auge do temor diante da
AIDS, uma doença ainda desconhecida), a representatividade dos grupos
homossexuais e a luta (judicial, inclusive) para o impedimento das restrições
de censura às produções de cunho sexual nas grades televisivas, entre vários outros
assuntos.

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