terça-feira, 25 de agosto de 2026

Sem Censura - A História de Robin Byrd


 Do alto de seus 69 anos, a ex-estrela pornô e ex-apresentadora Robin Byrd é o centro deste documentário, fornecendo suas impressões no presente atual do período em que encabeçou um válido esforço para manter abertas as discussões em torno de sexualidade, orientações sexuais e doenças transmissíveis numa época em que, como tudo o mais, esses temas eram tratados como tabu.

Pouco conhecida do público brasileiro, Robin Byrd foi uma jovem nova-iorquina que, ao adquirir logo cedo independência da casa dos pais (com quem tinha uma relação no mínimo turbulenta), já envolveu-se com a cena underground de Nova York e com o ebuliente mercado dos filmes pornográficos – eram os anos 1970, e a liberdade de expressão, a contracultura e a libertinagem deram um novo enfoque à uma indústria (a da pornografia) que outrora era completamente nichada e segregada: Após um fenômeno como o do filme “Garganta Profunda”, até mesmo filmes pornôs recebiam tratamento de cinema! O filme pornô de maior sucesso e evidência a contar com Robin no elenco foi o hoje clássico “Debbie Does Dallas”.

Logo, essa abertura levou Robin para a TV, onde um canal aberto de alcance regional (o Canal J da Manhattan Cable TV) exibia um programa durante as madrugadas intitulado “Hot Legs” – inicialmente, ela fazia aparições no show, mas com a alternância na equipe técnica a frente e atrás das câmeras, Robin logo tornou-se a apresentadora e também a produtora, mudando seu título para “The Robin Byrd Show”, mais tarde, passando a ser exibido pelo Canal 35 de Nova York.

Não demorou muito para que a desenvoltura natural, o carisma fora do comum, e o despojamento admirável de Robin começasse a chamar a atenção do público que elevou consideravelmente a audiência do horário. Durante o período em que esteve no ar – que comporta basicamente de 1977 a 1998 – o “The Robin Byrd Show” abordou tópicos que se fizeram necessários e pertinentes como a desmistificação da pornografia, a inovadora campanha para o uso de camisinha em plenos anos 1980 (o auge do temor diante da AIDS, uma doença ainda desconhecida), a representatividade dos grupos homossexuais e a luta (judicial, inclusive) para o impedimento das restrições de censura às produções de cunho sexual nas grades televisivas, entre vários outros assuntos.

Entre uma e outra sequência de histórias incríveis capturadas em meio aos anos 1970, 80 ou 90 – ilustradas por um assombroso e abundante resgate de imagens de arquivo – acompanhamos uma Robin Byrd já envelhecida lidando com as consequências da demência do marido, Shelly Byrd (que atuou como diretor e administrador financeiro de seu show durante os anos em que foi realizado), e com questões como a preservação do vasto e inestimável acervo em fitas de VHS de seu programa de TV, um gesto encorajado por inúmeros amigos pessoais, mas que, por uma série de questões logísticas e técnicas, obrigaria Robin a abrir mão das milhares de fitas guardadas, a fim de que fossem convertidas em formato digital e devidamente preservadas na Biblioteca Nacional do Congresso.

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