Mostrando postagens com marcador Bill Hader. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bill Hader. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 7 de outubro de 2019

It - A Coisa Parte 2

Dono da honraria de maior bilheteria para um filme de terror de toda a história do cinema, o “It-A Coisa Parte 1” deixou uma expectativa considerável a ser superada pela parte 2 –e já se presumia uma certa infelicidade da parte do projeto uma vez que sabíamos que o elenco infantil (responsável por grande parte do apelo irresistível daquele filme) não retornaria sendo que os personagens seriam mostrados em idade adulta, exatos vinte e sete anos depois dos acontecimentos anteriores.
A saída do diretor Andy Muschetti foi criar um pretexto para que as crianças voltassem; na forma de sucessivos flashbacks que não só acometem com frequência à narrativa principal como também recebem uma justificativa bastante poderosa dentro de sua premissa, o que termina por modificar algumas considerações da trama e a afasta bastante do que se passa no livro original de Stephen King –do qual o “Parte1” era tão magnificamente fiel.
Algumas coisas são até deduzíveis: Sabemos que Pennywise, a entidade maligna que assume na maior parte das vezes e das cenas a forma de um tenebroso palhaço assassino (interpretado com notável caracterização por Bill Skarsgaard) não morreu de fato no final do filme anterior; e também sabemos, por informações pregressas, que ele desperta a cada vinte e sete anos com sede de sangue, passando a assombrar novamente a desolada cidadezinha de Derry.
Dentre os sete jovens amigos que integravam o Clube dos Perdedores –os responsáveis pela derrota de Pennywise –somente Mike (Isaiah Mustafa) ficou na cidade; e por razões que descobriremos mais tarde somente ele reteve memórias mais nítidas do ocorrido e da promessa que, na emocionante cena final, todos eles fizeram.
Quando os indícios do retorno da criatura ficam claros –inclusive com uma cena perturbadora de morte mostrada já no início, um bocado indicativa da disposição do diretor Muschetti em preservar em seu filme a ênfase num pavor muito mundano e contundente apontada por Stephen King em toda sua obra –Mike decide contactar um a um seus antigos amigos, que deixaram Derry para seguir suas vidas.
É assim que, numa sequência formidável, somos apresentados aos personagens em sua nova versão (e aos atores que os interpretam, todos escolhidos com zelo de tal maneira absoluto que eles realmente parecem os intérpretes infantis envelhecidos, detalhe aproveitado em diversas cenas que intercalam o passado e o presente): Bill, agora vivido por James MacAvoy, tornou-se autor e roteirista de cinema; o hipocondríaco Eddie (James Ransone) tornou-se analista, e casou-se com uma esposa implicante e repressora a espelhar de tal maneira sua mãe que termina interpretada pela mesma atriz (!); a única garota do grupo, Beverly (agora vivida pela absurdamente maravilhosa Jessica Chastain), casou-se –com um marido violento que é descartado logo em sua primeira cena; enquanto que o gordinho Ben, apaixonado por ela desde a infância, tornou-se arquiteto e deixou de ser gordinho ganhando a fisionomia malhada do ator Jay Ryan; o divertido Ritchie, uma das melhores presenças do primeiro filme, ganhou uma nova versão à altura, com o ótimo Bill Hader; e Stan (Andy Bean), por sua vez (por razões que convêm não dizer), tem aqui sua participação bastante reduzida.

Todos vão assim parar em Derry, onde a ameaça de Pennywise os aguarda, bem como lembranças das quais eles se desprenderam –em grande parte, explicado pelo fato do poder do próprio Pennywise exercer esse esquecimento sobre quem de lá se afasta. Daí Mike (que foi o único a permanecer em Derry) ser o único a lembrar de tudo.
Num recurso meio oportunista, o roteiro sugere que as próprias memórias que o expectador compartilha com os personagens (correspondentes aos eventos do primeiro filme) não representam sua totalidade: Daí o reaproveitamento dos protagonistas juvenis do outro filme em novas cenas feitas especialmente para esta produção. Muitas delas dão uma forte impressão de encheção de lingüiça (apenas para preservar na continuação a maioria dos elementos do sucesso anterior), entretanto, veem também abrilhantadas por um agridoce sabor de nostalgia e uma técnica primorosa da parte do diretor Muschetti.
O Clube dos Perdedores tem, pois, que reunir alguns artefatos especiais (todos inerentes ao apreço pessoal de cada um) para a execução de um ritual onde será revelada a verdadeira forma da Coisa (na verdade, um alienígena milenar de poderes metafísicos) por meio do qual ele por fim pode ser morto.
Dentro dessa estrutura –a árdua preparação para o ritual, a procura individual por cada um dos artefatos, as consequentes aparições fantasmagóricas de Pennywise ao longo disso, as informações acerca de sua origem e o emprego de alguns outros elementos (inclusive ideias novas que afastam este filme do livro) –a realização de Andy Muschetti não faz a menor questão de esconder as imodestas proporções que fazem dele uma espécie de “Senhor dos Anéis” do gênero terror: Em escala e em extensão (sua duração atinge quase as três horas!), “It-A Coisa Parte 2” apresenta uma abrangência e uma amplitude que poucos, quiçá filme nenhum de terror chegou a ostentar antes.
É por isso que, embora traga um trabalho visivelmente contagiante e apaixonado pelo material que manipula, a direção de Muschetti encontra justamente o problema de um excesso de fascínio por seu próprio conteúdo que compromete a solidez da narrativa em seu terço final –o conflito contra Pennywise se estica demais porque Muschetti toma muito tempo se enamorando dos personagens para deixa-los com tanta facilidade. Ele se apega demais a detalhes não tão necessários assim, e com isso perde o foco.
Nada que desvaneça o fato de ser esta uma obra belíssima e perfeitamente capaz de agradar por completo seu público –ela simplesmente não consegue igualar o sensacional filme ao qual busca dar continuidade.

terça-feira, 30 de outubro de 2018

O Bom Gigante Amigo


A primeira colaboração direta de Steven Spielberg com os Estúdios Disney (se não incluirmos a participação da Touchstone Pictures na distribuição de “Cavalo de Guerra”) se esforça para unir os valores familiares e infantis das obras conhecidas do estúdio com a habilidade notória do realizador em conceber grandes obras de fantasia –nesse sentido, a sensação de manter uma tradição é mais forte do que qualquer experimentação autoral.
Até mesmo Melissa Mathison (a roteirista de “E.T.”) foi trazida à equipe na intenção de proporcionar à obra –que adapta uma obra de Roald Dahl –o verniz das icônicas fantasias do diretor.
Num clima que une habilmente a percepção de tempo e lugar presente nos trabalhos de Dahl, a atmosfera (bem como a técnica magistral) de Spielberg e o manejo emocional e lúdico de Melissa Mathison, nos é mostrada a rotina um tanto estranha da órfã Sophie (Ruby Barnhill, uma pequena prova viva da habilidade de Spielberg em arrancar magníficas interpretações de crianças): Sem qualquer compatibilidade com as outras crianças do orfanato londrino onde mora, a menina –que sofre de insônia –troca o dia pela noite, zanzando de madrugada.
Não demora muito para, nessas condições, ela fazer uma descoberta: Da janela do orfanato, ela avista uma figura improvável esgueirando-se pelas ruas iluminadas de Londres, um gigante (vivido, num delicado trabalho de captura de performance por Mark Rylance, ator que, desde “Ponte dos Espiões”, tem marcado presença constante nos filmes de Spielberg).
Testemunha involuntária da existência dele, Sophie é capturada e levada por ele até a longínqua Terra dos Gigantes, onde mora.
Entretanto, o gigante se revela bondoso –ao contrário dos demais de sua espécie, todos maiores que ele, malvados de verdade e que inclusive gostam de raptar crianças para devorá-las! –criando, com Sophie, um belo laço de amizade; ela passa a chama-lo de BGA, sigla de Bom Gigante Amigo.
Vegetariano (ele só come ‘chuchubobrinha’ um vegetal da Terra dos Gigantes, o quê lhe conferiu a estatura menor que a dos outros gigantes cuja dieta consiste de carne), a ocupação maior de BGA é a de colher os sonhos das crianças –era isso que ele fazia em Londres quando Sophie o surpreendeu –e, por vezes, manipulá-los; transformando, por exemplo, pesadelos em sonhos bons (a materialização de tais cenas é um atestado da perícia e da sensibilidade de Spielberg na lida com efeitos visuais).
A partir daí, Sophie e BGA unem-se na tentativa de advertir a rainha da Inglaterra do grande e desconhecido perigo representado pelos gigantes. E a cena, quando por fim BGA conhece a rainha (Penelope Wilton, da série “Downton Abbey”) e junto dela tem uma engraçada e protocolar sessão de chá, é divertidíssima na sátira inocente que tece do comportamento inglês.
Longe de almejar qualquer conflito mais acentuado –o quê na opinião de alguns representa seu ‘calcanhar de Aquiles’ –“O Bom Gigante Amigo” é um título deliberadamente mais humilde, mais pueril e mais ingênuo em meio à exuberante filmografia de Spielberg, que a cada ano consegue agregar novas e impressionantes obras.

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Ligeiramente Grávidos


O filme responsável por revelar o ator Seth Rogen, o talentoso diretor de comédias Judd Apatow –tão mais notável pela rara demanda de talentos genuínos para esse gênero que Hollywood possui –e por promover uma aparentemente auspiciosa transição (que não se concretizou) da bela atriz Katherine Keigl da TV (onde fazia o seriado “Grey’s Anatomy”) para o cinema é, com mérito, considerado um dos melhores da década de 2000-2010.
Ilustra com propriedade a máxima de que a mais simples história pode adquirir ares notáveis desde que realizada com habilidade.
No caso, não existe qualquer intenção de inovação na trama que une romance e comédia, a respeito de dois indivíduos incompatíveis, mas cujos caminhos se cruzam num enlace afetivo –uma comédia romântica, veja só!; Ben (Rogen, extremamente carismático) é um maconheiro de 23 anos que mal se dá conta de que deixou a adolescência.
Alisson (Heigl, linda e interessante) é funcionária de uma rede de TV, bela, ambiciosa e não raro com olhos só para o trabalho.
Após uma noite de bebedeira onde ela comemora uma aguardada promoção e ele, junto dos amigos alienados, faz o de sempre, esse improvável casal descobre que tem pelo menos uma coisa em comum: Eles terão juntos um filho!
Nos hilários nove meses que se seguem à gestação, eles irão descobrir cada qual as responsabilidades da paternidade, os contra-tempos da vida a dois, e encontrarão, inesperadamente, carinho e companheirismo um no outro.

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Superbad - É Hoje!


Nos créditos iniciais coloridos e animados, nas músicas que tocam no início e no final e até mesmo na natureza sugestiva de seu título original, “Superbad” já deixa clara a referência à blaxploitation que estranhamente o domina.
É curiosa essa opção do diretor Greg Mottola, já que, na superfície, uma coisa nada tem a ver com a outra.
Lançado praticamente junto com “Ligeiramente Grávidos” e “O Virgem de 40 Anos” –filmes que serviram como uma espécie de revelação para Judd Apatow, sua equipe e seu astro, Seth Rogen –“Superbad” foi tomado pela crítica erroneamente como um outro exemplar do humor de Apatow.
Ledo engano: Embora assuma a produção deste trabalho, o humor bem mais ácido e anárquico de “Superbad” espelha muito mais o estilo do próprio Seth Rogen (que assume as funções de roteirista –a trama é parcialmente inspirada num episódio de sua própria juventude –de produtor executivo e ainda atua num dos papéis coadjuvantes).
Com efeito, os dois jovens protagonistas são Seth e Evan (Evan Golberg, também roteirista e produtor executivo do filme).
Interpretados respectivamente por Jonah Hill e Michael Cera (o primeiro um pouco irritante, o segundo ligeiramente disperso), eles são dois adolescentes às voltas com os dilemas juvenis dos últimos dias de ensino médio: Querem por que querem ter suas primeiras experiências sexuais; aí então, poderão orgulhar-se de não ter chegado virgens na faculdade (!).
A oportunidade dos sonhos, para ambos, parece surgir na festa ocorrida na casa de Jules (Emma Stone, num de seus primeiros papéis no cinema) –afinal, Seth há algum tempo tem interesse nela; assim como Evan na amiga dela, Becca (Martha MacIsaac).
Durante a festa, eles poderão embebedá-las e, com isso, ter o quê querem.
Detalhe importante: Seth e Evan são incumbidos por Jules de levar as tais bebidas alcoólicas para a festa. E, sendo todo esse pessoal menor de idade, a única maneira de obter essas bebidas é usando a identidade falsa de Fogell (Christopher Mintz-Plasse, de “Kick Ass”, no personagem que praticamente o tornou objeto de culto), segundo a qual ele tem o ostensivo nome de ‘McLovin’ (!).
Dessa forma, lá vão Seth, Evan e McLovin atrás das bebidas, numa missão que inicialmente parece simples, mas que os expedientes tão comuns às comédias tornarão movediça e recheada de confusões: A loja de conveniência é assaltada durante a compra e os policias chamados para a ocorrência (Bill Hader e o próprio Rogen, impagáveis), imaturos e enrolados, só complicam ainda mais as coisas para o perplexo McLovin.
Enquanto isso, Seth e Evan acabam indo à uma outra festa, essa promovida e comparecida por adultos, de onde têm a arriscada idéia de levar as bebidas.
Na elaboração das situações que remetem até a uma agridoce nostalgia, não obstante o teor de besteirol e os impropérios abundantes, “Superbad” remete à um tipo de comédia muito comum nos anos 1980, embora suas referências cinematográficas mais paulatinas sejam mesmo, como dito, os blaxploitation dos anos 1970 –e no fim, ele não esconda o fato de ambientar-se, afinal, nos anos 2000; como atestam os usos de celulares em cena.
É um caldeirão de influências anacrônicas que Greg Mottola faz para dali extrair um novo tipo de comédia: No desfecho, quando as situações parecem seguir um rumo normal e certamente previsível, o roteiro de Rogen e Goldberg agrega um inesperado viés humano e afetivo.
As garotas, Jules e Becca, não são, afinal, conquistas sem importância e, por isso, os detalhes mais picantes e sexuais de seu flerte são deixados de lado pela narrativa.
Assim como a amizade entre Seth e Evan é colocada num curioso outro prisma no trecho final –que pode ser visto como engraçado por alguns expectadores, ou até absurdo por outros –eis aí, porém, um detalhe bastante comum que se observa no trabalho de Rogen: A ênfase na genuína e amorosa amizade que pode surgir entre os homens.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Ressaca de Amor


Impregnado do senso de humor norte-americano e algo sofisticado que virou tendência após o sucesso de “Ligeiramente Grávidos”, de Judd Aptow (que, aliás, é produtor do filme), este “Ressaca de Amor” é –como todas as outras produções que vieram dessa trupe –uma observação bem-humorada (ao seu jeito) das idiossincrasias sentimentais, ainda que todo o seu enredo se abasteça sistematicamente de tristeza e sofrimento.
Peter (Jason Segel, também roteirista do filme) sofre copiosamente pelo fora que recebeu. Seu namoro com Sarah Marshall (Kristin Bell) já era deprimente antes mesmo disso: Atriz famosa, ela era estrela da série de TV onde ele era apenas o compositor da trilha sonora.
Aconselhado a afogar as mágoas numa viagem paradisíaca, Peter vai para um resort no Havaí e se hospeda no mesmo hotel onde descobre, mais tarde, que sua ex também está (!), agora acompanhada do novo namorado, a estrela do rock Aldous Snow (Russel Brand, cujos trejeitos estranhamente lisérgicos roubam com facilidade a cena).
O personagem de Brand, diga-se, ganhou logo depois um filme só seu, “O Pior Trabalho do Mundo”, dirigido pelo mesmo Nicholas Stoller que se encarrega deste “Ressaca de Amor” –mas, voltemos ao protagonista: Apesar de sua má sorte e da comiseração de Peter, a providência vem em seu socorro –como toca num filme de ficção maniqueísta –na forma da linda recepcionista do hotel (Mila Kunis, deslumbrante) que resolve ajudá-lo.
Da forma como se desenvolve, “Ressaca de Amor” não esconde que é metade dor de cotovelo (a rejeição retratada em todas as suas angústias ora ridículas, ora comoventes; a ex-namorada com ares de megera), metade fantasia masculina (a personagem da recepcionista que não somente é linda e compadecida, mas também disponível, perspicaz, inteligente e carinhosa; tudo que a ex não é).
O que vemos então, nesta amostra imperfeita, mas longe de ser lamentável, do estilo de humor difundido por Aptow e sua turma, é um filme que começa falando sobre a incapacidade de aceitar a separação, e pouco a pouco se torna uma comédia romântica –para alguns, uma ilustração ácida e debochada da imatura mentalidade masculina que parte do ressentimento para ir de encontro à idealização.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Descompensada

Espontaneidade é via de regra quando se faz comédia. E o diretor Judd Apatow compreende isso muito bem. O espaço capturado por sua câmera centraliza o ator, sempre, e dá-lhe ampla margem para o improviso. É a partir disso, desses lampejos de criatividade conjunta que Apatow e seu elenco terminam por criar o filme que assistimos. E quando temos Amy Schumer em cena (tão protagonista quanto roteirista do filme) a integridade existencial do texto está garantida.
E esta é, sim, uma comédia existencial, daquelas que chegam a irritar como narrativa, enquanto não encontram seu foco. Felizmente, com o talento de Amy e Apatow isso não demora muito a acontecer.
Escritora de uma revista de assuntos gerais, Amy vem a ser um efeito colateral em forma de mulher moderna: não é necessariamente carente, pois não lhe faltam conhecidos com os quais se relaciona bem mais além da questão da amizade. Não chega a ser uma mulher linda, mas não é feia, contudo, é desregrada com relação à bebida é à escolha de seus parceiros, e muitas vezes o faz de propósito, como se quisesse negligenciar o papel inevitável de mulher séria e certinha tão bem ocupado por sua irmã mais nova.
Ao fazer uma entrevista para uma matéria que assume a contragosto, Amy conhece um cirurgião esportivo (o divertido Bill Hader) e, aos trancos e barrancos, engata uma espécie de romance, que parece conduzí-la à mesma situação de todas as outras mulheres: um relacionamento sério.
A grande diferença da criação de Amy Schumer em relação ao arquétipo atual da mulher romanticamente enrolada (ou seja, Bridget Jones) é que Amy enxerga os relacionamentos de uma maneira ainda mais problematizada (e a cena inicial, hilária, já dá conta de esclarecer o porquê disso). Há uma outra diferença também, o tipo de humor: Enquanto “Bridget Jones”, tanto o filme quanto o livro, vinha abrilhantado com o típico humor britânico, este “Descompensada” carrega num humor muito mais norte-americano, de difícil execução é bem verdade, mas muito do agrado do diretor Apatow, o qual ele e Amy Schumer conseguem tirar de letra.

domingo, 26 de julho de 2015

Dois Lados do Amor

Eis um bem vindo filme incomum no aborrecido circuito comercial.
A história da gênese deste projeto é, ela própria incomum, e merece ser contada para uma melhor compreensão do filme que dali se originou.
Notável e promissor realizador de curta-metragens, o roteirista e diretor Ned Benson concebeu uma história de amor dividida em dois pontos de vista, que esmiuçava assim, não somente os detalhes pertinentes a uma trama de romance, mas também as percepções distintas de cada uma das partes. A importância de determinados personagens para um, em detrimento do pouco significado que eles têm para o outro. Ou mesmo a distinção até extrema com que cada pessoa enxerga o mesmo fato. E tão rica essa história era que exigia, assim, uma divisão.
 Dessa forma, nasceram dois filmes com o mesmo título (The Disappearance of Eleanor Rigby ), que o circuito alternativo dos festivais de cinema independente receberam como sendo "His" e "Her", ou seja, "Ele" e "Ela". Assim, a experiência como um todo resultava em assistir dois filmes de uma hora e meia de duração cada um.
Mas, e ao ser lançado em cinemas, ou locadoras (como foi unicamente o caso, aqui no Brasil)?
Bem, para isso foi criada uma versão "They", isto é: "Eles", uma junção de ambas as versões, que é o que será resenhado aqui.
Sabendo de antemão desse formato prévio com que foi planejado, é até interessante acompanhar o filme (que não se enganem, é fascinante por si só!): percebe-se a dicotomia de certas cenas que teriam um tratamento numa e em outra versão.
O resultado é um filme de pouco mais de duas horas. Uma história de amor, que não é sobre o amor, mas sobre os trágicos percalços que o amor tem que superar, quando as coisas dão muito errado.
Jessica Chastain, particularmente, está sensacional na interpretação intimista que entrega: ela é um tanto quanto melhor que seu parceiro, o esforçado James McAvoy, e muito melhor que boa parte do elenco de apoio (que tem muita gente boa, como Willian Hurt, Isabelle Hupert, Viola Davis e Bill Hader, é importante dizer!).
O final do filme é um caso quase à parte. Daqueles em que um grupinho reunido fica mais tempo falando dos três minutos daquela última cena do que do resto do filme inteiro. Como alguns dos mais instigantes trabalhos do cinema, este é um caso em que tudo está aberto à interpretações.
O quê não deixa de ser sensacional!