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terça-feira, 15 de maio de 2018

Dias Incríveis


Dirigido por Todd Philips (que depois sagrou-se com “Se Beber Não Case”), “Dias Incríveis” é uma das mais divertidas comédias da década de 2000, exatamente por remeter com propriedade ao estilo besteirol que predominou no gênero durante os anos 1980.
De fato, os protagonistas trintões, Mitch (Luke Wilson), Beanie (Vince Vaughn, afiadíssimo) e Frank ‘The Tank’ (Will Ferrell, ladrão absoluto das cenas) eram adolescentes no mesmo período em que filmes como “Porky’s-A Casa do Riso e do Amor” e “O Último Americano Virgem” eram adorados pela juventude.
A possibilidade de resgatar essa liberdade ou, melhor dizendo, essa libertinagem (mesmo que ela nunca tivesse existido de fato, estando só no campo das fantasias) é a motivação que os impulsiona.
E tudo começa quando Mitch, ao flagrar a esposa (Juliette Lewis, uma ponta relâmpago) na cama com outro, se desilude com as mulheres.
Beanie e Frank seus dois melhores amigos (casados, sendo que esse último vivencia as primeiras experiências do convívio matrimonial) não permitem que fique muito tempo na desilusão: Eles tiram proveito do fato de que Mitch vai morar numa casa localizada na república de um campus universitário para promover as maiores festas de arromba com direito a mulheres maravilhosas (entre elas estudantes) que até tiram a roupa lá pelas tantas –afinal, como todo bom entendedor sabe, a nudez gratuita é pré-requisito tão fundamental a esses filmes quanto os impropérios verbais e as piadas de baixo calão.
Eis que os três –sempre sob a ameaça de uma crise de meia idade –têm agora um novíssimo e extravagante estilo de vida para usufruir, como adorados mentores (e veteranos) de uma irmandade a qual os candidatos se estapeiam pela oportunidade de ingressar –e a fauna reunida em torno dos protagonistas é tão engraçada quanto eles próprios: Com destaque para o velhinho Blue (Patrick Cranshaw); as intervenções dele ao lado de Frank são as melhores piadas do filme!
Os mesmos atores –Vince Vaughn, Will Ferrel, Luke Wilson, além de Ben Stiller e Owen Wilson, irmão de Luke –se reuniram esporadicamente ao longo de uma série de filmes de comédia ao longo das duas últimas décadas (como “Penetras Bons de Bico”, “Starsky & Hutch” e outras), mas é quase certo que “Dias Incríveis” conseguiu manter-se como o melhor de todos.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Show de Vizinha

Na cena que abre o filme, a música “Under Pressure”, do Queen, irrompe em cena, ilustrando as lembranças, já em tom de precoce nostalgia, de uma série de formandos com diferentes impressões de seus anos de escola, até então chegar ao protagonista Matthew Kidman (o ótimo Emily Hirsch, de “Na Natureza Selvagem”); é um momento inebriante que já indica a capacidade desigual deste filme do diretor Luke Greenfield para cativar –sua edição dinâmica, divertida e emotiva já oferece um diferencial no gênero de comédias à beira da vulgaridade a que pertence.
Prestes a se formar no colegial, Matthew, como todo adolescente de hormônios à flor da pele, assombra-se com a beleza de sua nova vizinha, a loira, sexy e espetacular Danielle (Elisha Cuthbert, da série “24 Horas”, deliciosa como nunca).
Para sua surpresa, e de seus amigos de escola, ela parece disposta a se envolver com ele. Mas, sua alegria dura só até um de seus amigos descobrir que ela é, na verdade, uma atriz pornô.
Não é tão original quanto pode parecer a postura que o diretor Greenfield adota aqui: Muito de seu filme inspira-se na comédia oitentista “Negócio Arriscado”, que lançou Tom Cruise (que, no ano seguinte faria “Top Gun”) e até chegou a concorrer a algumas categorias do Globo de Ouro.
Como naquele divertido e bem calculado trabalho (hoje, infelizmente, bastante esquecido pelo público), este é uma comédia ligeira amparada, é verdade, em boa parte no apelo da belíssima atriz Elisha Cuthbert junto ao público adolescente, no entanto, possui uma série de méritos próprios (certamente, a seleção de músicas pop da trilha sonora é um deles) que resultam num entretenimento simpático e divertido, repleto dos impropérios e sacanagens típicos das comédias adolescentes.

P/S: Repare como, num dos pôsteres de divulgação do filme na foto acima, a arte se assemelha, e muito com o pôster oficial do espanhol “De Salto Alto”, de Pedro Almodóvar!