sábado, 23 de agosto de 2025

F1 - O Filme


 Após “Top Gun-Maverick”, o diretor Joseph Kosinski se especializou em obras arrojadas capazes de capturar objetos em alta velocidade. Certamente um respaldo e uma reverência a isso, esta produção assinada por Jerry Bruckheimer, traz todo o conhecimento técnico e cinético de Kosinski na direção para se sagrar como o mais brilhante e espetacular filme a retratar os âmbitos da Fórmula 1 até hoje –e trazer o piloto Lewis Hamilton também na produção não apenas garante a qualidade da obra como atesta o quanto seu roteiro vem abrilhantado por flagrantes de bastidores recriados por quem realmente os vivenciou.

O protagonista de “F1” é Sonny Hayes (vivido com a segurança já notória de Brad Pitt), um exímio piloto, incapaz, porém, de conjugar seu hábil talento na direção com o sucesso nas pistas –Hayes vive, em vez disso, de bicos provisórios nas mais diferentes modalidades de corridas automobilísticas, toda a vez que uma equipe precisa desesperadamente de um piloto de última hora.

Não deixa de ser nessas circunstâncias que o amigo de longa data, Ruben Cervantes (Javier Barden) o convoca para auxiliar uma equipe de Fórmula 1 da qual é proprietário –a Apx GP anda claudicante no campeonato; o carro projetado não corresponde às expectativas; a equipe se vê desanimada; os pilotos, ainda que promissores, não obtêm o resultado esperado; e o conselho da diretoria, diante do rendimento lastimável, está cogitando tirar a equipe das mãos de Ruben. Ele precisa de alguém como Sonny –um piloto que, ao cair de para-quedas dentro da equipe e do campeonato, seja capaz de chacoalhar as previsões pessimistas e surpreender.

E é assim que “F1” basicamente se desenvolve –amparado nos mais básicos expedientes desde que filmes de corrida se converteram num subgênero à parte do cinema hollywoodiano. A diferença é que, quem está aqui, sabe o que faz: Roteirizado por Ehren Kruger, o filme não se intimida ao mergulhar nos meandros complexos das corridas, seja na dinâmica política e profissional entre os membros da equipe, seja nos aspectos detalhados e definidos por alta tecnologia do maquinário utilizado, no entanto, seu trunfo real são os personagens e o competente arco dramático que os coloca em movimento do início ao fim.

Na Apx GP, Sonny deve trabalhar com o piloto novato Joshua Pearce (Damson Idris) que, apesar dos tropeços, começa a sinalizar ser uma futura estrela das pistas. Os egos, como é de se supor, logo colidem, e aí, talvez, esteja o grande truque do filme de Kosinski –não é exatamente a surpresa nos desenlaces que se seguem (estes podem ser vistos como previsíveis até), mas sim a execução primorosa, em termos e encenação e de cinematografia, com que tudo é conduzido.

A equipe da Apx GP é, em si, um organismo vivo e ruidoso o tempo todo: As dinâmicas que que se constroem com a chegada de Sonny são, em geral, saborosíssimas de se acompanhar –além da disputa entre o veterano e o novato (que atravessa estágios de antagonismo para chegar à amizade genuína), há também o envolvimento de Sonny com a diretora técnica Kate McKenna (Kerry Condon, de “Os Banshees de Inisherin”), as tensas (e, com frequência, desonestas) manobras políticas perpetradas nos bastidores, os detalhes peculiares envolvendo cada uma das corridas, e os humores distintos de cada membro da equipe a fervilhar durante os momentos-chaves.

Enfatizando menos a vitória e mais os revezes trilhados durante uma grande disputa, “F1” é cinema comercial em seu mais vibrante formato –bem lapidado, envolvente, satisfatório e prontamente ostensivo, em seu orçamento milionário, nas cenas tão belas quanto acachapantes que entrega. Seu sucesso de público e crítica não apenas faz dele alvo de certa atenção para premiações de cinema ainda vindouras, como também abre espaço para especulações sobre a possibilidade de uma continuação. Um dos rumores mais instigantes: A chance de um crossover com outro belo filme de corridas, também ele, merecedor a um bom tempo de uma continuação, “Dias de Trovão”.

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