Mostrando postagens com marcador Mathieu Amalric. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mathieu Amalric. Mostrar todas as postagens

domingo, 25 de setembro de 2016

Maria Antonieta

A carreira cinematográfica de Sofia Coppola recebeu grande ajuda e incentivo de seu pai, o ilustre Francis Ford. Mesmo antes quando (ainda bem jovem) Sofia experimentou alçar vôos como atriz, seu pai a ajudou –ele deu a ela um papel fundamental em “O Poderoso Chefão Parte 3”, com resultados insatisfatórios.
Depois que ela decidiu tornar-se diretora, ele produziu todos os seus filmes, de “As Virgens Suicidas” até o mais recente “Bling Ring-A Gangue de Hollywood”, deixando bem claro, para o pai e para o mundo, o estilo que ela adotaria para contar histórias.
Em algum momento dessa filmografia notável que Sofia construiu, Coppola, o pai, tentou colocá-la num projeto que tivesse mais a sua cara.
Leia-se: Um trabalho suntuoso, com tinturas épicas. Mais clássico do que alternativo.
O resultado foi “Maria Antonieta” que, polarizado entre os estilos bastante díspares do pai (produtor) e da filha (diretora) transfigurou-se não em uma cinebiografia da célebre rainha da França, mas em um esforço de tentar entender sua personalidade, estranhamente localizado numa área nebulosa entre o intimista e o espalhafatoso.
Com uma carreira que já a gabaritava como veterana no cinema, a relativamente jovem atriz Kirsten Dunst (que ganhou muita fama como Mary Jane nos filmes do “Homem-Aranha”, de Sam Raimi, e já havia trabalhado com Sofia em “As Virgens Suicidas”) entregou uma interpretação engajada e rica em minúcias, bem ao gosto de sua diretora, para a princesa austríaca, Maria Antonieta, que num casamento arranjado, aos 14 anos, é arrancada do seu ambiente familiar e arremessada na corte francesa, como esposa do reticente e infantil rei Louis XVI (Jason Schwartzman) –que, à propósito, ela mal conhecia!
A narrativa de Sofia Coppola, assim, a acompanhará dos 14 aos 27 anos, mostrando muito do período em que ela teve de aprender a lidar com as complicadas exigências sociais e políticas de um posto de monarca, dando à trajetória de Maria Antonieta uma ótica que a aproxima das meninas sem perspectiva de “As Virgens Suicidas” e da deslocação e do vazio existencial experimentado pelos personagens de “Encontros e Desencontros”.
Uma visão que, é bom lembrar, atribui certa simpatia à ela, o quê contraria bastante a idéia que a França, em geral, faz dela, sempre lembrando-a com aversão.
Nesse ensejo, Sofia também cria um painel de afresco da própria realeza do período ao qual essa jovem rainha pertenceu, retratando-a como um grupo de pessoas sem muito que fazer a não ser mergulhar no hedonismo e na futilidade, algo possível só pela riqueza e ostentação da classe em que se encontravam. Elementos da narrativa que Sofia parece sublimar no que diz respeito à superficialidade, mas que revelam-se cruciais para os rumos que a trama toma –inclusive em termos históricos.
De quebra, ainda tirou, do cotado como favorito "Diabo Veste Prada", o Oscar de Melhor Figurino em 2007.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

O Escafandro e A Borboleta

Até que ponto as limitações físicas realmente engessam o ser humano? A partir de qual terrível momento a arte não encontra mais expressão?
O diretor  Julian Schnabell mergulha neste lírico e inusitado conto de desamparo, baseado em um fato real, para aventurar-se nas intrincadas respostas à essas perguntas.
Seu protagonista está preso dentro de si mesmo, vítima de um derrame que lhe deixou somente os movimentos do olho esquerdo: Tudo que ele pode, portanto, fazer, é piscar.
Contudo, dentro dele, transborda a necessidade de se fazer ouvir, e tendo ele sido um bem-sucedido editor em Paris, há deveras muitas ideias que palpitam em sua mente, todo o tempo.
Fazendo jus a esse personagem principal, Schnabell compõe um filme feito de minúcias que se somam umas às outras, de lembranças que formam um afresco, um poema visual sobre a vontade pungente de viver e estar no mundo.
Rodeado por um time de lindas enfermeiras, e por uma série de escolhas estéticas que afastam o naturalismo e o realismo da história (e ela já tem realidade demasiada o bastante), ele tem a ideia de, nessas mesmas condições, escrever um livro. E acaba dando início, assim, em sua jornada.
Existem momento em que ele discorre sobre a fé e a religiosidade com um padre, e outros, onde a dicotomia entre suas lembranças pulsantes de outrora e sua condição de enfermo criam uma desigual impressão. Intrigante, também, a presença do grande Max Von Sydow como pai do protagonista.
Tudo neste filme é simbolismo e metáfora. E cabe ao expectador colher as que lhe são mais memoráveis, para tratá-las e interpretá-las segundo sua sensibilidade.
Para mim, entre outras coisas, as cenas de desmoronamentos de geleiras rodadas de trás para frente no final do filme são um convite à reflexão. Mas há muitas, muitas outras. O quê torna a obra de Schnabell, assim, riquíssima.

sexta-feira, 30 de outubro de 2015

007 Quantun Of Solace

Sequência direta de "Cassino Royale" (e direta mesmo! Ela começa exatamente na cena em que o filmes anterior acaba, e ao longo de sua duração, reforça ainda mais a sensação de que não é um outro filme, mas na realidade um apêndice...). 
Dando continuidade à obsessiva caçada pelos responsáveis pela morte de sua amada Vesper, ocorrida em "Cassino...", Bond descobre os indícios da existência de uma organização internacional que controla o crime em nível global e parece ter tentáculos que se estendem até ao imaculado Serviço Secreto Britânico. Ele chega a descobrir a identidade de um de seus membros, um inescrupuloso magnata que explora as minas de sal da América do Sul (vivido por Mathieu Amalric, do fenomenal "O Escafandro e A Borboleta", uma presença bem menos interessante do que Mads Mikkelsen em "Cassino..."). No percurso de sua investigação Bond cruza com uma moça em busca de vingança, como ele. 
Em seu segundo filme como James Bond, o ator Daniel Craig dá continuidade ao excelente trabalho de "Cassino Royale", pena que esta continuação esteja aquém da qualidade daquele filme, muito provavelmente devido à substituição do diretor (sai o competente Martin Campbell, do anterior, e entra o irregular Marc Foster). Pelo fato da trama citar uma organização tentacular (e que tem toda a pinta de ser a Spectre, embora na época os realizadores estivessem impedidos por questões autorais de utilizar esse nome), espera-se que o novo filme traga algumas referências justamente à este daqui. Veremos...

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

O Grande Hotel Budapeste

Mustafa, misterioso senhor e proprietário do nostálgico e decadente Grande Hotel Budapeste relata a um jovem escritor a história de como tornou-se dono do lugar. 
Quem ocupa o centro de sua história é Gustave M, o concierge do local em meados dos anos 20. 
Figura a um só tempo triste e cômica, Gustave tinha olho de gavião para pequenos detalhes e um grande coração, no qual cabiam todas as suas idosas, ricas e carentes hóspedes. 
Tornado herdeiro por uma dessas amantes, Gustave envolve-se em enrascadas que o levam a prisão, e depois a uma fuga surreal e farsesca. 
Fiel a sua sensível, caricata e desigual filmografia (que vai dos brilhantes "Três É Demais" e "Excêntricos Tennebauns", passando pelos irregulares "A Vida Marinha de Steve Sizou" e "Viagem À Darjeeling", até o recente e magistral "Moonrise Kingdom"), o diretor e roteirista Wes Anderson constrói esta narrativa espirituosa e humana a partir dos escritos do autor vienense Stefan Zweig, abrilhantada por uma luminosa interpretação de Ralph Fiennes.