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domingo, 5 de janeiro de 2025

Ligadas Pelo Desejo


 Primeiro filme realizado pelas Irmãs Wachowski –algo como um experimento do estúdio, a fim de avaliar se eram capazes de fazer um filme antes de viabilizar o orçamento para seu mais ambicioso projeto, um certo épico de ficção científica chamado “Matrix”... –“Bound” possui obviamente uma economia de recursos que define este tipo de realização, no entanto, cumpre seu papel ao exibir uma dupla de diretores (ou melhor, diretoras) em pleno domínio de ritmo e clima de sua narrativa numa obra esperta, original e equilibrada que une elementos noir com um inconformismo pós-moderno que muito remete ao cinema dos Irmãos Coen: Em suma, uma produção indicativa de talentos promissores.

Numa proposta bastante arrojada para a época (anos 1990), mas que hoje tornou-se um bocado lugar comum em muitas produções de cinema e TV, a trama de “Bound”, embora flerte com expedientes de gênero prontamente reconhecíveis como o já mencionado suspense noir e o filme de gangster, tem a audácia de centralizar esses elementos ao redor de um casal de lésbicas (!). Assim como no brilhante “A Criada”, realizado décadas depois, a trama que se desenvolve a partir de alianças, mentiras e traições características de um filme dos anos 1950 e 60 (que parece fascinar seus realizadores) traz não um homem e uma mulher (inescapavelmente uma femme fatale) às voltas com intrigas das quais precisam se safar para escapar juntos e com vida, mas, na verdade, duas mulheres!

Os pivôs dessa inusitada intriga (de novo, inusitada para a época) são Corky (vivida por Gina Gershon, de “Showgirls”) e Violet (vivida por Jennifer Tilly, de “A Fuga” que, dois anos antes, havia sido indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “Tiros Na Broadway”, de Woody Allen). Recém-saída da penitenciária, Corky, sempre marrenta e arredia, arruma emprego como encanadora de um prédio do subúrbio caindo aos pedaços –palco para o desenrolar de toda a trama. Tal prédio, serve de moradia provisória para o casal Caesar (Joe Pantoliano) e Violet (a autêntica femme fatale do filme), e para os eventuais encontros que ele, um capanga contratado da máfia, tem com os gangsteres que pagam seus serviços.

Desprezadas pelos obtusos personagens masculinos, atentas e cientes a todos os desdobramentos pela força das circunstâncias (Corky, é encanadora e, por isso, está sempre ouvindo as negociações que se sucedem nos apartamentos ao lado; enquanto, Violet, no subestimado papel de esposa-troféu, fica por dentro de todas as conversas, alianças e traições das quais participa o marido), as duas pouco a pouco criam um laço afetivo –que descamba, pelo menos em uma cena, para um tórrido interlúdio sexual! –e descobrem que Caesar tem planos de trair seus chefões empregadores, incriminá-los e fugir com seu dinheiro debaixo do braço. Uma vez formando um casal, Corky e Violet têm agora um plano, digamos, paralelo: Ludibriar Caesar em sua traição contra os chefões, e enganar a todos, deixando os homens para trás e fugindo com o dinheiro.

No entanto, é com assassinos sem escrúpulos que as duas estão lidando, e escapar de sua retaliação, caso sejam desmascaradas, será algo que nem toda a esperteza do mundo poderá fazer por elas.

Inovador pelo protagonismo LGBT tão a frente de seu tempo (uma proposta que não deixa de pegar carona nas tendências eróticas adotadas pelo cinema hollywoodiano dos anos 1990), “Bound” certamente terminou à sombra da bombástica realização que as Irmãs Wachowski entregaram poucos anos depois, o que não o impede de ser um trabalho notoriamente interessante e válido, hoje pouquíssimo lembrado.

quarta-feira, 21 de março de 2018

O Destino de Júpiter

É fato que as Irmãs Wachowsky nunca mais conseguiram repetir o feito (um tanto quanto singular) de criar algo tão antológico e marcante quanto “Matrix” –nem em suas bem acabadas continuações elas chegaram a obter esse êxito.
Não que não tivessem tentado: Nas últimas décadas, eles... ops, desculpem, elas (!) entregaram uma versão live-action para cinema frenética, ainda que pouco eficaz, do anime “Speed Racer”, e uma ambiciosa (e presunçosa) adaptação do complexo romance de David Mitchell, “A Viagem”.
A sua tentativa mais próxima, contudo, de criar uma saga nos mesmos moldes comerciais de “Matrix” foi mesmo este “O Destino de Júpiter” que ironicamente parece beber da fonte de outra grande saga da ficção científica: “Star Wars”.
Embora ainda haja algo que remete ao conceito de “Matrix” na premissa de um mundo fantástico que se esconde debaixo de uma fachada de realidade normal, é certamente a criação de George Lucas que mais influencia os seres extraterrestres e as intrigas espaciais de ordem intergaláctica que norteiam este filme freqüentemente estranho, onde é difícil dizer se essa estranheza resulta por ser proposital ou porque as realizadoras não tiveram desenvoltura para evitá-la.
Interpretada com a habitual solidez da belíssima Mila Kunis, a protagonista, a jovem Júpiter Jones, vem a ser filha de imigrantes ucranianos que vivem em Nova York a encarar os revezes de uma vida paupérrima: Sua rotina é acordar de madrugada e limpar latrinas.
Todavia, Júpiter (cujo nome lhe foi dado pelo pai, apaixonado astrônomo falecido) como dita a cartilha hollywoodiana de tramas com tal apelo, não é uma pessoa comum –e isso se nota quando surgem em seu encalço seres vindos do espaço, uns desejosos de matá-la, outros, de protegê-la. E nesse ponto, as Wachowsky perdem completamente a chance de realizarem o aplicado trabalho de ação que exerceram em sua obra mais famosa, dando às cenas vertiginosas de “Destino de Júpiter” um registro convencional e desanimado.
A resposta para as atribulações mirabolantes que se abatem sobre a perplexa protagonista na primeira parte do filme é inesperada: Júpiter vem a ser a encarnação de uma rainha espacial do passado, em cuja herança está todo o planeta Terra!
Uma vez que ela, agora descoberta, se tornou alvo das conspirações de seus próprios herdeiros (entre os quais o mais proeminente é um efeminado e constrangedor Eddie Redmayne, pouco antes de levar o Oscar de Melhor Ator por “A Teoria de Tudo”), ela precisa contar com a ajuda do agente Caine (Channing Tatum, visivelmente o fetiche das diretoras), uma mistura atlética e supina de canino e humanóide (!), já que afinal todos os traiçoeiros membros de sua ‘família real’ estão de olho da Terra que, na realidade, trata-se do maior celeiro (!) de hospedeiros de todo o universo –as raças mais evoluídas têm uma tecnologia que os permite migrar de um corpo jovem para outro sem jamais serem alcançados pelo envelhecimento e pela morte.
Assim sendo, tal e qual seu cultuado "Matrix", as Irmãs Wachowski tentaram criar uma trama inusitada (no que, a princípio, elas seriam exímias), onde as camadas normais da realidade ocultam um mundo todo diferente, dotado de mitologia e complexidade próprias. Sua intenção se perde da pretensão de fazer desta uma nova e grandiloquente saga –pontuada por suas descabidas reflexões existenciais de botequim –e na execução frouxa cujos equívocos vão se acumulando até soarem incabíveis: Para se ter uma idéia do desleixo, existem dois clímax que se sucedem da mesma forma e com as mesmas justificativas (quase como uma mesma cena repetida duas vezes!).
O detalhismo rebuscado, e o esmero visual poderiam até ter feito deste um espetáculo acima da média, não tivessem desta vez as Wachowski errado de maneira tão espetacular: Esta tremenda demonstração de negligência resultou em vergonhosas indicações de Piores do Ano no Framboesa de Ouro 2015, concorrendo diretamente com “Cinqüenta Tonsde Cinza”.

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Animatrix

Uma idéia que fazia todo o sentido já que a animação japonesa em geral, e “Ghost In The Shell” em particular, foram influências fundamentais para “Matrix”.
São nove episódios realizados em diferentes e magistrais estilos de animação, que ramificam a história da trilogia "Matrix", com muito mais propriedade e maestria, diga-se, do que as duas continuações do primeiro filme.
"Vôo Final de Osires" de Andrew R. Jones, mostra a tripulação humana da nave Osires, e cujos integrantes têm uma especialíssima participação nos filmes, às voltas com uma terrível descoberta. Feito com a mesma técnica de “Final Fantasy”, e como ele, brindado com uma ultra-realista animação por computação gráfica (os eventos deste episódio em especial levam diretamente às continuações).
"O Segundo Renascer Parte 1 e 2" de Mahiro Maeda, conta a épica história da origem da Matrix e a dolorosa guerra entre humanos e máquinas, do ponto de vista do lado vitorioso: As máquinas. A raça humana surge assim como os grandes vilões da narrativa, dando um viés inédito ao conceito criado pelos Irmãos Wachowsky. De longe, o melhor de todos os episódios, não é apenas o segmento de qualidade superior, juntas, as duas partes formam uma das mais brilhantes, poderosas e reflexivas animações já concebidas.
"Era Uma Vez Um Garoto" de Shinichirô Watanabe, traz a triste e alienada rotina de um jovem colegial que vive fora da realidade e acaba fazendo amizade com um certo Neo. Seu interesse são as informações extraídas do computador, e os segredos que parecem esconder a verdade por trás do mundo como ele o conhece. O protagonista deste conto profundamente denso e fatalista (talvez o mais pungente de todos) também chega a aparecer nas continuações.
"Coração de Soldado" de Yoshiaki Kawajiri, o mesmo realizador de “Ninja Scroll”, revela a brutal prova de fogo para se tornar membro da tripulação de uma nave no deserto e desolado mundo real de “Matrix”, onde os tripulantes têm de confrontar as máquinas, e poucos elementos são de fato confiáveis.
"Recorde Mundial" de Takeshi Koike, criador do anime “Aeon Flux”, mostra a história de um atleta que consegue sair da Matrix, sem o subterfúgio da pílula vermelha (como mostrado no primeiro filme), mas fazendo-o praticamente por acaso, ao empregar um esforço e uma concentração sobrehumanos.
"Além da Realidade" de Kôji Moromoto, é uma aventura em que uma moça, junto de outras crianças, encontra uma casa abandonada onde, aparentemente as leis da física não são obedecidas. Lá eles brincam, desafiam a gravidade e se divertem com fenômenos cientificamente impossíveis, sem ter consciência de que, na verdade, eles se depararam com um defeito na Matrix, e que, dentro em breve, uma equipe de agentes chegará ao local.
"História de Detetive", também de Shinichirô Watanabe, feito em preto e branco, o quê lhe confere um indefectível clima de film noir, traz um investigador particular atrás de pistas nebulosas que terminam o levando até Trinity (a personagem de Carrie Anne-Moss, nos filmes), assim como também os perigosos e mortais agente à serviço da Matrix.

"O Robô Sensível" de Peter Chung, mostra um robô encontrado por humanos e submetido por eles a uma espécie de lavagem cerebral, na qual possíveis sentimentos simulados (como desejo, ou até mesmo amor) são estimulados para que ele torne-se um recruta a favor da causa humana. No desfecho, contudo, ele faz essa opção só quando já é tarde demais.

Matrix Reloaded e Revolutions

Se fosse parar utilizar uma palavra para definir cada um dos filmes da trilogia “Matrix”, elas seriam ‘espanto’, para o primeiro e revolucionário filme, ‘expectativa’ para o segundo, “Matrix Reloaded”, lançado em maio de 2003, e ‘decepção’ para o terceiro e último, “Matrix Revolutions”, lançado aproximadamente seis meses depois, numa estratégia um pouco parecida com o lançamento de “De Volta Para O Futuro 2 e 3”, em 1990, e os clássicos franceses “Jean de Florete” e “A Vingança de Manon”, em 1986.
Na sequência de sua luta, e de toda a humanidade, contra a opressão das máquinas, Neo se defronta com novos personagens e novos acontecimentos, que o levam, junto de Morpheu e sua amada Trinity a um plano definitivo para encerrar a guerra e libertar a humanidade presa ao mundo virtual.
Um ataque à cidade subterrânea de Zion (a última cidade humana povoada da Terra) é descoberto, dando aos humanos opositores das máquinas um prazo apertados para sobrepujá-las. Isso agrega urgência ao plano tão acarinhado de Morpheu, que inclui a libertação de uma entidade conhecida como O Chaveiro, e o uso de suas capacidades para penetrar no núcleo de consciência da Matrix, onde os poderes espantosos de Neo (explorados neste segundo filme em sequências assombrosas) poderão libertar todos os humanos prisioneiros daquele sistema.
Todos esses desdobramentos levam Neo a se encontrar com o Arquiteto, o idealizador supremo da Matrix, que trás consigo desconcertantes revelações.
Aguardadíssima pelo público, devido ao forte status Cult que o primeiro filme logo conquistou, esta continuação de "Matrix" terminou por se mostrar um impressionante espetáculo visual com pelo menos duas cenas (a perseguição de carro e a luta contra 200 agentes) capazes de deixar qualquer um boquiaberto.
Os diretores (Andy e Larry Wachowsky) mostravam um domínio técnico tão arrojado quanto o que demonstraram no filme original, chegando até a fazer com que “Reloaded” tirasse um certo proveito de ser justamente o ‘filme do meio’: Como a trama já não tinha um início, e sabia-se de antemão que não teria um desfecho, eles trabalharam com a expectativa do público, criando uma história que levantava ainda mais dúvidas e enigmas a respeito da Matrix, e trazendo novos personagens, como Merovingian (Lambert Wilson), Persephone (interpretada pela sempre deslumbrante italiana Monica Bellucci), o próprio Chaveiro (Randall Duk Kim), e por fim o Arquiteto (Helmut Bakaitis), que só acrescentavam mais mistério ao desenlace, reservado para o terceiro filme graças ao gancho aflitivo deixado na última cena.
O quê reservou à “Matrix Revolutions” a mais ingrata das tarefas: Responder a questões que não necessariamente teriam respostas plausíveis (e se você assistiu a meia hora final de “Reloaded”, sabe exatamente do quê eu estou falando), e dar um respaldo, desta vez sem subterfúgios, para todas as altíssimas expectativas levantadas, o quê, se pensarmos melhor, era desde sempre, algo impossível.
Dessa maneira, quando “Revolutions” se inicia, a guerra definitiva contra as máquinas já se aproxima. E isso leva Neo a encarar seu destino dentro da Matrix, e seu maior inimigo, o Agente Smith, após ser resgatado por Morpheu e Trinity de um limbo ao qual foi jogado no final nebuloso de “Reloaded”.
Após todas as pontas soltas e perguntas sem respostas deixadas pelo filme anterior, esperava-se demais deste terceiro e derradeiro filme.
O que talvez explique por que ele é um pouco decepcionante.
A despeito da excelência da parte técnica, bastante explorada nos filmes anteriores, a história não soube esclarecer de modo satisfatório tantas dúvidas deixadas no ar (Qual o propósito de personagens como Merovingian e Persephone? Que relação têm a Oráculo e o Arquiteto? Como e por quê os poderes de Neo acabaram se manifestando na realidade? De onde surgiu o ‘escolhido’, já que o Arquiteto deu a entender que ele era parte da Matrix?), respondendo-as de uma maneira rasa, quase deixando-as de lado, e focando bastante na ação ininterrupta que domina muito da metade final do filme, e que parecia muito mais bem-feito e inovador nos episódios anteriores.

Num ano em que o cinema contou com um filmaço de qualidade sem precedentes como “O Senhor dos Anéis-O Retorno do Rei”, as duas esperadas continuações de “Matrix” amargaram a frustração de não se equiparar ao filme original.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Matrix

A inovação pulsa de todos os âmbitos deste cultuado trabalho dos Irmãos Wachowsky, seja no aspecto técnico ou temático. Mesmo hoje, dezessete anos depois de seu lançamento, ele ainda preserva uma atmosfera de ineditismo, de arrojo.
Olhando em perspectiva, dá até para ver o quanto “Matrix” era necessário: O Século XX ficava para trás e, naqueles idos de 1999, o cinema estava ainda devendo um grande filme que falasse de maneira genuinamente instigante, sobre realidade virtual.
Os Wachowsky, contudo, foram além e montaram toda uma mitologia, rica e complexa, em cima dessa proposta, capturando a imaginação das platéias e de toda a geração de expectadores formados nos cínicos anos 1990, onde aprenderam a achar que não havia nada que não soubessem e que, em última instância, não haveria nada que os surpreenderia.
Ao chegar às salas de cinema, “Matrix”, mesmo com a concorrência acirrada de “Star Wars Episódio 1 –A Ameaça Fantasma”, mostrou que eles estavam errados.
E é irônico, portanto, que a premissa do filme parte do princípio de que, a realidade que conhecemos, é uma mentira: Neo (Keanu Reeves, num dos grandes papéis de sua vida) é um hacker que pressente, na incompletitude lisérgica de sua vida, uma inadequação que, ele suspeita, pode significar algo mais; um indício de que o mundo tem mais segredo do que lhe é permitido enxergar por meio de sua ininterrupta fachada cotidiana.
Se a vigilância ante suas aparentemente triviais ações é um sinal disso, Neo já tem: Ele é procurado por 'agentes' liderados por um ameaçador, reptiliniano e primorosamente sarcástico Smith (Hugo Weaving, sensacional), dispostos a acompanhar de perto seus passos a fim de encontrar um lendário líder terrorista conhecido como Morpheu.
Certa noite, a revelação que Neo tanto procurou vem até ele: Guiado pela misteriosa Trinity (Carrie Anne-Moss, uma baita personagem de ação) Neo descobre que a humanidade sem saber é prisioneira das máquinas que mantêm os humanos num estado vegetativo enquanto induzem todos a uma realidade virtual denominada Matrix.
Após escapar dessa espécie de prisão (numa guinada de ambientação dentre as mais radicais e soberbas do cinema), ele junta-se a um grupo de revolucionários fugitivos liderados pela sabedoria de Morpheu (o magnífico Laurence Fishburne).
Eles acreditam na lenda de um homem predestinado a desenvolver grandes poderes dentro da Matrix, e assim livrar toda a humanidade. Eles acreditam que, depois de muitos anos, Neo tem uma forte possibilidade de ser esse homem.
Mesmo em sua sinopse, “Matrix” pode ser elaborado de diversas maneiras diferentes (na jornada do herói que remete a arquétipos presentes até mesmo na história do Rei Arthur; nas citações frequentes e à época inusitadas à filosofias orientais e um existencialismo incomum ao gênero; no subtexto questionador da realidade que o colocou lado a lado de grandes obras do final do milênio como "Clube da Luta"; e na visão desigual de conceitos tecnológicos que empregou ideias oriundas de nichos tidos então como alternativos entre as opções temáticas de blockbusters), e a maioria desses ângulos distintos deixaria muitas das sutilezas do roteiro de lado, embora, no final das contas, o filme dos Wachowsky acabe se impondo mesmo como um assombroso espetáculo de efeitos especiais que redefiniu paradigmas dos filmes de ação e ficção científica.