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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Jogo Pela Sobrevivência


 Filmes sobre náufragos numa ilha deserta existem aos montes –provavelmente em função do grau de interesse e fascínio que essas situações-limites despertam no público –e vão desde o romântico “A LagoaAzul”, ao antológico “Náufrago”, com Tom Hanks, passando pelas duas versões de “Por Um Destino Insólito” (uma dirigida por Lina Wertmüller com Giancarlo Giannini; a outra, por Guy Ritchie, com Madonna).

“Three” –ou “Jogo Pela Sobrevivência” –poderia ser definido como uma quase refilmagem dessas duas últimas obras citadas tal é o grau de semelhanças em sua premissa. Entretanto, como em qualquer caso, ele busca oferecer um diferencial, sendo pretensamente o embate entre dois machos alfas pela única fêmea disponível –o que remete o regresso do homem civilizado à barbárie como visto também em “O Senhor das Moscas” –mas, acaba se destacando mesmo por trazer a deslumbrante Kelly Brook em extasiantes cenas de bikini (ou às vezes, até sem ele!).

O início em terra-firme mostra o casal Jennifer (Kelly) e Jack (Billy Zane, se achando o máximo em sua canastrice) partindo para um cruzeiro particular junto de outros amigos num iate cujo requinte já denuncia a elevada classe à que pertencem. Empregado nesse barco, o explosivo Manuel (o péssimo Juan Pablo Di Pace, além de qualquer esperança) tem, logo ali no cais, uma calorosa discussão com a ex-namorada; a mesma que, mais tarde, realiza uma mandinga para azarar a vida do infeliz.

Com efeito, em alto-mar, o iate sofre um incêndio obrigando todos a deixar a embarcação e partir para os botes. Após uma tempestade, Jennifer consegue checar sozinha, a nado, numa ilha deserta e recebe, pouco depois, a companhia de Manuel: São os dois, portanto, os únicos sobreviventes do naufrágio.

Ao longo dos dias, eles constroem um relacionamento cúmplice definido pela atração explícita que Manuel passa a expressar por Jennifer, no entanto, não tardam a descobrir Jack, ferido e desorientado ali por perto. Assim, a dinâmica que perdura por todo o restante do filme é a de um tenso triângulo amoroso: Jack se mostra ameaçador, triturado por ciúmes pelo tempo que sua mulher passou com o outro –e durante o qual ele supõe que coisas nada ortodoxas aconteceram –já, Manuel se ressente da posição de minoria proletária e classe-média que, mesmo ali, tentam lhe impor, e reage a tudo violentamente.

Há um equilíbrio de tensões e forças em constante provação: Jack tem um isqueiro (logo, o fogo); Manuel tem um faca. Jack é o marido de Jennifer e, ladino, usa isso como vantagem existencial sobre o outro; Manuel sabe onde e como caçar nos recifes para obter comida.

Por sua vez, Jennifer, o ponto de desequilíbrio e de discórdia nessa rivalidade, oscila entre um e outro, procurando se manter leal à Jack e ao laço conjugal de civilização que lhe une a ele (e ali, cada vez mais passível de questionamento), mas não deixa de ceder gradualmente aos desejos manifestos por Manuel.

Essa richa primitiva de ordem afetiva –e que reflete uma curiosa alegoria da luta de classes –é o que movimenta o drama (mais até que a sobrevivência mencionada no título nacional) e que conduz tudo à uma tragédia.

Além de toda a infinidade de filmes sobre náufragos que vieram antes dele, “Three” lembra muito também a circunstância concebida no suspense “Faca Na Água”, de Roman Polanski, embora essa referência talvez escape ao conhecimento do diretor e roteirista Stewart Raffill; ainda que seu trabalho seja envolvente pelo simples atrativo básico da boa ideia central, sua condução é frouxa, seu roteiro, claudicante, e da narrativa que elabora salvam-se, quando muito, as ocasionais tomadas paradisíacas, e a presença encantadora e sedutora de Kelly Brook, apesar de sua beleza ser inverossímil para a situação periclitante em que é submetida.

Entretanto, como pivô essencial da intriga que explica e justifica toda a trama, sua formosura (e gostosura!) é apropriadamente o único elemento que permanece marcante na memória do expectador depois do filme terminado.

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Piranha


Na cena que abre “Piranha”, o diretor Alexandre Aja já eleva suas pretensões mirando numa referência não ao clássico B de Joe Dante que ele aqui refilma, mas no clássico genuíno que o próprio filme de Dante emulava –“Tubarão”, de Steven Spielberg –ao colocar em cena o ator Richard Dreyfuss (membro do elenco daquele filme) num personagem muito similar (e com figurinos similares!) só para morrer minutos depois.
Integrante de uma expressiva leva de jovens realizadores franceses que fizeram notáveis obras de terror na década de 2000, Alexander Aja (que também dirigiu a refilmagem de “Quadrilha de Sádicos”, o estilizado “Viagem Maldita”) parece compreender os elementos que compõe a diversão do cinema bagaceira –ao qual “Piranha” sempre orgulhosamente se incluiu –e os potencializa aqui; leia-se, sangue, violência e nudez em doses cavalares para o público adolescente.
Vindo de um lago subterrâneo que um terremoto deu acesso à superfície, um cardume de piranhas pré-históricas ganha um verdadeiro banquete: Acabam libertadas quando a cidadezinha de Victoria Lake vive seu auge turístico das férias de primavera –uma putaria generalizada que os americanos costumam chamar de ‘spring break’ –e seus lagos se encontram apinhado de jovens de biquíni, para desespero da xerife do lugar, vivida por Elisabeth Shue.
Seu pesadelo, aliás, é duplo: Além dos banhistas que não tardam a virar comida de peixe, seu filho mais velho Jake (Steve R. McQueen), ao invés de cuidar dos caçulas, envereda num tour pelos lagos da região ao lado da espevitada Kelly (Jessica Szohr), ciceroneando o cineasta pornô Derrick Jones (Jerry O’ Connell, de “Conta Comigo”, num apropriado histrionismo) e duas beldades espetaculares, atrizes pornô em potencial (uma delas a absurdamente deliciosa Kelly Brook). O grupo logo é cercado pelas implacáveis piranhas cuja sanha de sangue e vísceras o filme não tem pudor em escancarar.
Não verdade, esse teor apelativo e sensacionalista acaba se mostrando sua grande diversão. Paradoxalmente, o filme de Aja derrapa mesmo nos momentos em que tenta se levar a sério: No romance de convenção entre Jake e Kelly; na tensão por assim dizer que cerca os personagens adultos e numa série de desnecessários subterfúgios científicos para justificar a natureza das piranhas –que se mantém inverossímil no final das contas.