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sábado, 22 de fevereiro de 2020

O Artista do Desastre

Não havia como James Franco interpretar Tommy Wiseau nesta reconstituição apaixonante, apaixonada e heróica dos bastidores do filme “The Room” (hoje dono do infame título de pior filme de todos os tempos) se ele também não viesse a dirigir a produção. Como também não haveria como ele dirigir esta produção se não viesse também a interpretar, ele próprio, o seu protagonista: A personalidade de Wiseau (ou ao menos aquela inacreditável faceta que ele permitiu revelar ao mundo) é indissociável da fauna curiosa e, não raro, perplexa que ele reuniu ao seu redor, da iniciativa inconseqüente e destrambelhada de se lançar como cineasta e do filme absurdamente bizarro que disso tudo resultou.
O grande brilho deste trabalho é, portanto, a compreensão incondicional que James Franco possui dos estranhos impulsos de vaidade que acometeram seu protagonista e que foram interpretados pelo público em geral como cacoetes bisonhos de alguém sem noção. Da mesma forma que sua atuação emula uma admiração salutar, sua narrativa reconhece algo mais onde todo o resto enxergou só galhofa: Uma vontade genuína de expor seus sentimentos por meio da arte.
Do início ao fim os olhos da plateia –porque Wiseau é um personagem deveras singular para isso –o hesitante candidato a ator Greg Sestero (Dave Franco, irmão de James) só consegue superar suas inibições no palco graças ao incentivo um tanto estranho vindo do mais estranho ainda Tommy, que James Franco interpreta com o primor equilibrado e imersivo que lhe valeu o Globo de Ouro 2018 de Melhor Ator em Comédia ou Musical.
Esquisito num nível quase irreal, Tommy Wiseau é aquele tipo de personagem que seria completamente inacreditável se não existisse de fato: Fala com um sotaque bisonho e frequentemente indiscernível, tem um comportamento completamente fora da realidade e preserva um mistério em torno de si mesmo (e de como ele conseguiu ter tanto dinheiro) que torna tudo ainda mais intrigante –ele conta para todos que veio de Nova Orleans, crente de que alguém acredita nesse papo furado!
Justamente por conta dessa alienação extrema experimentada por ele, Wiseau transforma o melhor amigo Greg no foco central de seus planos de vida e juntos os dois vão morar em Los Angeles, tentar a sorte como atores profissionais.
Os primeiros anos –o filme se inicia no fim da década de 1990 –os confrontam com diversos infortúnios e rejeições e, sem conseguir emprego, eles têm a ideia de fazer, eles mesmos, um filme para que possam estrelar como atores.
Tommy, o dono afinal de todo o dinheiro que vai bancar a maluquice, escreve o roteiro que ele mesmo estrela, dirige e produz, com Greg como seu principal coadjuvante.
“O Artista do Desastre” se incumbe assim de todo o non-sense que rondou de ponta a ponta as filmagens de “The Room”, desde cenários desnecessariamente confeccionados em estúdio, até presepadas inacreditáveis (todas elas, claro, protagonizadas, por Wiseau), algumas inclusive que podem ser conferidas no próprio filme que acabou realizado, uma das obras mais absurdas e sem pé nem cabeça da história do cinema –e, por isso mesmo, um fenômeno cult como atestam os depoimentos reais no começo de Kevin Smith, J.J. Abrahams, Lizzy Caplan, Adam Scott e muitos outros..
Embora houvesse material para tanto, o que James Franco realiza não é uma comédia escrachada, mas um esforço conciliatório de chamar o público a compreender a quase sempre incompreensível personalidade de Wiseau, aproximar-se dele, vencer as barreiras de sua esquisitice e vê-lo como um pessoa de verdade.
Na interpretação minuciosa com a qual consegue replicar sem afetação os trejeitos de seu protagonista (e isso, em si, é quase um milagre) e na condução algo estóica do cinema independente em gestação que registra, o filme realizado por Franco pulsa de admiração e bem-querer, seguindo pelo caminho das pedras para ser nem tanto uma comédia de riso frouxo, mas, um belo trabalho sobre cinema e para cinema onde está em foco uma das mais fascinantes, patéticas e tocantes personalidades a aparecer nas telonas.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

O Expresso Polar

Já tendo um Oscar debaixo do braço (por “Forrest Gump”) e feito, anos depois, pelo menos dois filmes bastante superiores ao seu consagrado trabalho (“Contato” e “Náufrago”), o diretor Robert Zemeckis parecia não ter mais nada a provar nem a si mesmo, nem a ninguém mais; deixou então que sua carreira entrasse numa espécie de ‘fase experimental’ onde explorou –por meio de alguns longas animados de qualidade claudicante –os limites da computação gráfica em substituição à encenação humana.
O primeiro –e talvez até hoje, melhor –filme dessa fase foi o natalino “Expresso Polar”, no qual Zemeckis contava com Tom Hanks, dublando e personificando pelos quatro dos personagens do filme, incluindo o cobrador do trem (que, de fato, tem suas feições recriadas), o fantasma descrente e o Papai Noel.
O livro de Chris Van Allsburg no qual se baseia, realmente era de uma linguagem cuja transição para cinema não seria satisfatória com uma filmagem em termos e condições normais: Zemeckis empregou uma técnica de captura de performance ainda sem arestas aparadas (ainda era a época do lançamento em cinemas de “O Senhor dos Anéis” que trazia o personagem Gollum, uma ressonante inovação nessa área) para materializar na tela as ilustrações da maneira fiel ao tom de gravura que o livro trazia.
É noite da Véspera do Natal quando um garotinho defronta-se com sua própria incredulidade e anseia por uma prova de que o Papai Noel realmente existe. Como ele pode morar no pólo norte (que os livros de ciência afirmam ser inabitável)? Como pode voar num trenó puxado por renas?
Perturbado por essas dúvidas, ele assiste, com desconfiança, a execução dos rituais natalinos domésticos (a meia na lareira, o leite com os biscoitos deixados para o bom velhinho) e vai dormir. Entretanto, durante a noite para sua surpresa, um imenso trem expresso para em frente a sua casa (onde antes sequer havia trilhos!).  E o cobrador o recebe com a promessa de levá-lo, junto de outras crianças, ao pólo norte, suposto lar do famoso velhinho. Ele embarca trajado em seus pijamas, como também estão trajadas de pijamas as inúmeras outras crianças que ocupam o vagão. No curso dessa viagem, ele faz amizades, enfrenta perigos e ainda conhece um fantasma, uma espécie de personificação de todas as suas dúvidas.
No entrecho final, como prometido, o Expresso Polar os levará à morada do Papai Noel, habitada por elfos pequeninos e irrequietos que nunca param de trabalhar, e o garotinho irá encontrar um equilíbrio otimista e tocante entre suas certezas e suas crenças.
Ao valer-se da inovadora técnica da captura de performance –que, nota-se, ainda seria muito aprimorada até funcionar a contento –Robert Zemeckis realiza uma série de seqüências que seriam humanamente impossíveis de serem encenadas, com direitos a números musicais e movimentos/enquadramentos de câmera inacreditáveis.
Tecnicamente, “O Expresso Polar” é uma obra datada, até mesmo pela disposição em ser apenas um passo, em meio a toda uma caminhada, rumo à uma evolução tecnológica constante e exponencial; seu grande apelo, porém –provavelmente o acerto de Zemeckis neste trabalho –é sua mensagem humanista de esperança traduzida com bastante propriedade num filme infantil e enternecedor.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Ponte Para Terabítia

Jesse (Josh Huthcerson, o Peeta de “JogosVorazes”) vive a rotina de um garoto colegial no interior norte-americano: Sofre o bullying habitual dos colegas valentões, administra as relações diversas com os professores e as professoras (incluindo uma paixão platônica pela bela professora de música vivida por Zooey Deschanel), e em casa passa despercebido pela truculência do pai (Robert Patrick, o T-1000 de “Exterminador do Futuro 2”) e pelas intermináveis implicâncias de suas irmãs.
Aos poucos, seu dia-a-dia adquire uma nova coloração quando se estreita sua amizade com Leslie (Anna Sophia Robb), a nova aluna do colégio, também ela alvo de certo bullying e, por acaso, filha dos moradores de uma casa nas proximidades da sua.
Filha de pais escritores que, no geral, não lhe dão atenção, Leslie sofre uma indiferença com a qual Jesse se identifica –e o encanto natural da jovem Anna Sophia Robb faz todo o resto!
A medida que aprofundam sua amizade, as duas crianças criam juntas um mundo de imaginação chamado Terabítia cujo acesso eles pressupõem ser o bosque local que sempre visitam juntos.
Do enredo que predomina em sua quase totalidade ao trabalho ginasiano e pouco esforçado do diretor Gabor Csupo, tudo neste “Ponte Para Terabítia” sugere um filme genérico, daqueles que nos deparamos incontáveis vezes na TV sem que desperte qualquer interesse.
E é esse tipo de filme que ele é em seus dois primeiros terços.

No entanto, o terço final tem uma guinada bastante inesperada –difícil, porém, é alguém assisti-lo hoje sem saber o que vai acontecer –que dá um viés dramático renovado à desajeitada mescla de drama colegial e fantasia juvenil que vínhamos vendo até então. Uma sacada com lances autobiográficos da autora Katherine Paterson que valorizava o livro que ela escreveu e que valoriza o filme do qual foi adaptado.

domingo, 22 de novembro de 2015

Jogos Vorazes - A Esperança Parte Final

E então chegou a hora. Chegou da hora de descobrir qual será o desenlace da guerra que irá transformar Panem para sempre.
Chegou a hora de sabermos para qual lado penderá o coração de Katniss: se para o lado de Peeta, o garoto com quem ela sobreviveu aos Jogos Vorazes no primeiro filme, e ao Massacre Quaternário, no segundo, e que no terceiro viu ser transformado numa arma para matá-la; ou se para o lado de Gale, o seu melhor amigo, com quem ela aprendeu a caçar para alimentar a mãe e a irmã, e que era a única pessoa em quem ela confiava, pelo menos, até ser levada para os Jogos, e tudo então se transformar.
Chegou, afinal, a hora de acompanharmos esses personagens, e cada um de seus percalços nos últimos passos de sua trajetória.
Tantas são as tramas, tantas são as emoções herdadas de todos os filmes anteriores, que é quase impossível este aqui não ter uma atmosfera toda especial, e o diretor Francis Lawrence parece ter completa consciência disso: Cada enquadramento, cada cena é um esforço de pura minúcia em fazer desta uma obra condizente com sua fonte literária: Os livros escritos por Suzanne Collins, relatando a saga da menina Katniss Everdeen, com emoções vivazes, uma conscientização inédita de seu público em relação às mazelas do mundo ao seu redor, e uma dedicação rigorosa ao critério da necessidade: Tudo, absolutamente tudo está ali a serviço da história, e Suzanne Collins não tem dó de sacrificar seus personagens (mesmo os mais queridos), nem as emoções do público, em nome desse princípio.
Nos vinte minutos finais, o filme parece nos lembrar (em pequenos e preciosos detalhes) que “Jogos Vorazes” está chegando ao seu fim: Não mais veremos Katniss outra vez (e na interpretação cheia de força e de vida de Jennifer Lawrence, essa constatação ganha ainda mais tristeza); não mais veremos Josh Hutcherson interpretar Peeta Melark (e, talvez, por perceber isso, aqui, o ator finalmente dá ao personagem toda a energia que ele merecia). Este filme, é portanto, a despedida de todos eles. Gale Hawthorne, Effie Trinket, Haymitch, Prim, Finnick. Todos aqueles cujos destinos acompanhamos no coração dessa revolução.
A câmera de Francis Lawrence enlaça seus personagens, num ritmo todo particular, como se o diretor fosse incapaz de deixá-los partir para sempre.
Ao fim, após tantas cenas poderosamente tensas, de perigos desconcertantes, e sensações atrozes, ele escolhe encerrar seu filme em família, lembrando-nos aquilo que é mais precioso.

Não poderia ser melhor.

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Jogos Vorazes - A Esperança Parte 1

Os Jogos Vorazes ficaram para trás. Katniss Everdeen sobreviveu à brutal arena do filme anterior às custas de sua quase morte. Retomando de onde a história foi interrompida, o filme mostra as repercussões do ataque da Capital sofridas sobretudo no Distrito 12. 
Panem agora está em guerra. De um lado, estão os rebeldes, liderados pela presidente Coin do até então extinto Distrito 13, que têm em Katniss, o seu grande símbolo. Do outro, a Capital, controlada pela mão de ferro do presidente Snow, que irá valer-se do precioso prisioneiro Peeta, para tentar desacreditar a rebelião e desestabilizar Katniss. Mas ela precisa assumir seu papel no confronto, caso contrário o futuro de todos aqueles que ama pode acabar condenado. 
Terceira parte da famosa saga juvenil, já preparando o terreno para seu grande desfecho. 
O roteiro de Danny Strong apresenta maturidade e austeridade notáveis para um filme de apelo jovem, e o artifício de repartir o último livro em dois filmes (a exemplo de “Harry Potter” e “Crepúsculo”) deu autonomia para trabalhar de forma detalhista cada meandro da trama, sem pressa nem omissões. O resultado é dos mais interessantes. 
Nesse sentido, o bom trabalho do diretor Francis Lawrence (que mostrou-se excelente no filme anterior) consegue finalmente ir além do livro, dando realce narrativo, puramente cinematográfico, à cenas que poderiam ser banais ou sub-aproveitadas: E o exemplo mais perfeito talvez seja a arrepiante cena em que a música “A Árvore-Forca” é cantada. 
Neste terceiro e vigoroso episódio, a série enfim engloba elementos que vinha ensaiando desde seu início, com certa timidez. Mas agora, as sequências podem emular cenas que vão de influências tão distintas e viscerais quanto “Falcão Negro Em Perigo” (as cenas de batalha são de um requinte criterioso) à “1984 de Orwell” (a opressão do estado, e  poder da mídia da manutenção dessa mesma ordem), o quê é um feito e tanto quando lembramos que esta é, em princípio e em essência, uma saga para jovens. 
E a atriz Jennifer Lawrence continua surpreendendo com seu imenso talento.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Jogos Vorazes - Em Chamas

Seis meses após ter vencido os Jogos Vorazes, Katniss Everdeen tem um novo desafio pela frente: encarar o "tour da vitória" que a levará pelos distritos de Panem, e durante o qual ela terá de encenar o romance fictício que tinha iniciado em plena arena com o jovem Peeta para que saissem vivos. Para o maquiavélico Presidente Snow tal encenação é fundamental: a própria Katniss é um símbolo vivo da iminente revolução que se desenha em Panem, e provar, em frente às câmeras que ela é subserviente à Capital, tornou-se uma necessidade urgente. Caso contrário, ele precisará livrar-se dela, valendo-se do vindouro Massacre Quaternário. 
A continuação primorosa de “Jogos Vorazes” beneficiou-se, e muito, da troca de diretores: Saiu o realizador do primeiro filme, o razoável Gary Ross, e entrou Francis Lawrence, de filmes como “Eu Sou A Lenda”, “Constantine” e “Água Para Elefantes”. Apesar de seu currículo ainda modesto, bastante inclinado para filmes comerciais pouco memoráveis, ele trouxe uma noção de ritmo mais apurada para a saga, tendo a sensatez de reproduzir a identidade visual que Ross imprimiu ao primeiro filme, deixando claro que são, a rigor, um só filme dividido em capítulos, e acrescentou um acabamento visual mais elaborado, ressaltando tudo o quê funcionou no primeiro (muita coisa) e deixando de lado aquilo que não deu certo (pouquíssimas coisas). 
A reunião de talentos para trabalhar no roteiro também foi particularmente feliz neste episódio: Os produtores chamaram dos roteiristas prestigiados e oscarizados: Simon Beaufoy (de “Quem Quer Ser Um Milionário?”), e Michael Abndt (de “Pequena Miss Sunshine”, usando aqui o pseudônimo de Michael DeBruyn). E eles souberam capturar magnificamente as importâncias de determinados momentos da narrativa, enfatizá-las e dispô-las ao longo do filme, dando um andamento primoroso (o mais bem acertado da saga até agora), o que pode ser visto como um milagre em se tratando do fato de que este é o capítulo do meio, ou seja, sem um prólogo e sem um desfecho. 
Todo esse esforço serviu para moldar um dos melhores filmes adolescentes dos últimos anos, uma saga juvenil com pinceladas de inteligência política abrilhantada pela magnífica presença da estrela Jennifer Lawrence.

terça-feira, 17 de novembro de 2015

Jogos Vorazes

Quero fazer uma recapitulação dessa saga, agora que a quarta e última parte se aproxima de sua estréia nos cinemas. 
Gosto muito da saga, não apenas porque sou fascinado pela trama dos livros, ou porque ela é bem-feita de fato, mas também porque a série onde conhecemos a personagem de Katniss Everdeen é onde o mundo descobriu também sua intérprete, a pra lá de fantástica Jennifer Lawrence (por mais que ela tivesse uma indicação ao Oscar pelo anterior “Inverno da Alma”). 
No futuro, Panem é a nação que outrora foi a América do Norte. Agora controlada pela Capital e dividida em doze distritos pobres, Panem é palco de um reality show mortal: os Jogos Vorazes. Cada ano, os doze distritos devem sortear um casal de adolescentes a serem enviados numa arena artificial a céu aberto onde devem lutar até que sobre só um, assistidos por todo o país. Em meio a essa opressão, a jovem Katniss Everdeen, de 16 anos, se oferece para tomar o lugar de sua irmã menor quando esta é sorteada. Katniss tem a seu favor o fato de saber manusear arco e flecha –forma com a qual provia sua família após a morte de seu pai –e a titubeante aliança do garoto Peeta. Contra ela, porém, estão todos os outros jovens competidores, que não irão hesitar em matar uns aos outros. 
Lembro até hoje do quanto fiquei fascinado com essa premissa muito antes de sair o filme: Quando ela ainda era somente o livro escrito por Suzanne Collins. Enérgico, brutal e sentimental, “Jogos Vorazes” era um sopro de ar fresco em meio às histórias tão batidas saídas de sagas infanto-juvenis: A melhor delas, “Harry Potter” já tinha se encerrado após sete livros (e oito filmes), e todos os que possuíam bom gosto ainda eram assombrados por um certo “Crepúsculo”. 
A promessa de “Jogos Vorazes” portanto era algo até meio inédito: Uma saga juvenil, mas com elementos políticos e distópicos, interessante e pertinente o suficiente para interessar a adultos também. 
Pena que o filme, quando por fim foi lançado, revelou-se mais fraco do que se supunha; algo normal em se tratando de adaptações literárias. 
A verdade era que o diretor, Gary Ross, embora não tenha feito um trabalho ruim, foi negligente com muitos dos elementos fundamentais do livro: Ele reduziu (para não dizer, removeu completamente!) a história de Peeta e do pão, o que deixou sem embasamento muito das motivações do personagem e até mesmo da própria Katniss. Alterou (ou amenizou) o comportamento de muitos personagens, como Haymitch e Effie, e no lugar disso, acrescentou coisas desnecessárias, como várias cenas mostrando a atuação de Seneca Crane, como idealizador dos Jogos. Essa idéia podia até ter rendido mais, mostrando desdobramentos da trama que a narrativa em primeira pessoa do livro não podia mostrar, mas do modo como foi feito, todas essas cenas ficaram simplesmente redundantes. 
Por sorte, haviam muitas coisas boas: O elenco, de modo geral, é fantástico (o quê dizer da interpretação de Jennifer Lawrence, na medida certa para viver Katniss!), o desenho de produção é deslumbrante nos mais diferentes aspectos e o filme conservou força suficiente da história do livro. 
E as coisas estavam prestes a melhorar (e muito) no segundo filme.