A brincadeira que o advogado Sebastian (o
sempre fabuloso Ricardo Darin) trava com seu casal de filhos pequenos é das
mais inocentes: Moradores do sétimo andar do edifício onde está sua mãe –Sebastian
e ela são divorciados –os pequenos apostam com o pai, toda vez que este vai
leva-los na escola, que chegam ao andar térreo pelas escadas antes que ele
chegue pelo elevador. Delia, a mãe (interpretada pela espanhola Belén Rueda) já
o alertou sobre essa brincadeira, mas, no princípio do filme ele cede aos
pequenos e permite que eles façam uma vez mais.
É aí que o pesadelo hitchcockiano habilmente
concebido pelo diretor Patxi Amezcua irá se operar.
No térreo, a aguardar pelas crianças, Sebastian
se alarma ao ver que eles não chegam: Sumiram –ou melhor, foram sequestrados!
–em algum ponto entre o 1° e o 7° andar.
Como? Por que? E por quem?
Envolvido num julgamento notório cujos
desdobramentos definitivos ocorreriam numa audiência marcada para aquele mesmo
dia, Sebastian está convencido de que foram criminosos a mando do réu que
sumiram com seus filhos a fim de impedi-lo de aparecer no tribunal.
Mas, nada, absolutamente nada fica claro neste
magistral e enxuto suspense argentino –nem mesmo o desaparecimento de fato das
crianças: Durante um tempo considerável a direção e o roteiro jogam com a
incerteza do expectador e do personagem principal negando, até a medida do
possível, a confirmação de que o que ocorreu realmente foi um sequestro.
É nesse princípio que reside um dos brilhos
maiores de “Sétimo”: Na certeza de que, no que diz respeito ao suspense, menos
é mais, e justamente por isso, na condução cadenciada, calibrada, e por fim,
alarmante que o filhe ganha, as resoluções de suas dúvidas chegam sempre no
momento certo –quando o expectador já está afundado na cadeira de apreensão.
Uma lição e tanto, assimilada com uma maestria
que normalmente só cinema argentino costuma exercer.
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