O esteta cinematográfico Brian De Palma se popularizou com grandes obras de suspense – são aclamadas as suas variações de Alfred Hitchcock nos anos 1970 e 80 como “Trágica Obsessão”, “Dublê de Corpo” e “Vestida Para Matar” – contudo, durante a própria década de 1980, ele chegou a experimentar com alguns gêneros diferentes; tais como filme de guerra (“Pecados de Guerra”), épico gangster (“Scarface” e depois, “Os Intocáveis”), comédia (“Quem Tudo Quer Tudo Perde”) e outros. Essa busca o levou, já quase adentrando os anos 1990, à adaptação do best-seller de Tom Wolf, “A Fogueira das Vaidades” e, com isso, a uma espinhosa recepção da crítica com a qual o normalmente elogiado e enaltecido De Palma não estava muito acostumado.
Tudo começa num espetacular plano-sequência (um
dos tantos exemplos de arrojo e virtuosismo técnico que De Palma adora plantar
em seus filmes) onde vemos o jornalista beberrão Peter Fallow (Bruce Willis)
experimentando um improvável momento de glória com a publicação de seu livro
“The Real McCoy and The Forgotten Lamb”. Automaticamente percebemos que a
condição de Fallow normalmente nunca foi assim de bajulação – e o próprio
Fallow, com sua narração em off, irá
retroceder no tempo a fim de esclarecer como ele chegou nesse improvável
momento, além de também revelar, segundo ele, o verdadeiro protagonista da
história, Sherman McCoy, interpretado por Tom Hanks.
Corretor de Wall Street, bem-apessoado,
anglo-saxão e protestante, Sherman McCoy aparenta ser, num primeiro momento,
promissor em todos os âmbitos de sua vida seja o profissional (o emprego lhe
garante uma rica moradia em Manhattan) ou o pessoal (é casado com a melindrosa
e perdulária socialite Judy, interpretada por Kim Cattrall). Sherman tem também
como amante a insinuante Maria Ruskin (Melanie Griffith), casada com um
milionário italiano muito mais velho.
Numa de suas escapadas, Sherman resolve buscar
Maria no aeroporto – em regresso de uma de suas corriqueiras viagens ostensivas
à Europa – e, ao decidir passar a noite com ela, envolve-se numa sucessão de
eventos banais que, mais tarde, se revelam ser o estopim de sua derrocada: Na
rodovia, ele perde a saída rumo à Manhattan e acaba indo parar com seu carro (e
com Maria de carona) no Bronx, onde a vizinhança normalmente mais temerosa que
a elegância de Manhattan logo começa a amedrontá-los. Ao parar e sair do
veículo para remover um pneu que obstruía o caminho, Sherman se envolve num
incidente com dois jovens moradores. Maria se apavora e, na sucessão de
acontecimentos, os dois partem em alta velocidade do local, buscando voltar
para onde moram e esquecer aquele breve apuro.
No entanto, um dos rapazes aparentemente
machucou-se com mais gravidade do que poderia se imaginar: Ele – um certo Henry
Lamb – bateu com a cabeça (logo seus familiares presumem que foi atropelado), e
a escalada de complicações o deixa em coma no hospital, com sua mãe
inconsolável, e com o pastor local, o irascível Reverendo Bacon (John Hancock),
comprando briga com a mídia a fim de fazer estardalhaço, chamando a atenção
para as causas sociais de sua comunidade.
Logo, é uma bola de neve que começa a se
formar: O outrora desacreditado jornalista Peter Fallow fica sabendo da
história e elabora uma matéria bombástica sobre o assunto, demonizando o
motorista misterioso que não parou para prestar ajuda. A repercussão cada vez
maior do caso chega ao prefeito, Abe Weiss (F. Murray Abraham), que, de olho
numa reeleição, transforma a procura pelo tal motorista num circo midiático.
Quando – contra todas as hipóteses – as
investigações finalmente chegam à Sherman McCoy, ele, transtornado pela culpa,
cede à pressão e confessa, ainda que tenha sido Maria quem estivesse no volante
na ocasião do incidente.






