Num primeiro momento, os indícios em torno do filme “O Fim da Rua” – ou “The End Of Oak Street”, no original – não eram animadores: O trailer parecia convencional e genérico (fruto de um péssimo desempenho da equipe de marketing), o seu produtor creditado era J.J. Abrahams (cujo último trabalho em cinema foi dirigindo a atrocidade “Star Wars-A Ascensão Skywalker”), sem falar de uma, digamos, defasagem sofrida pelo tema “dinossauros” aos olhos do público após os filmes um tanto irregulares e medíocres da franquia “Jurassic World”. Mas, havia um detalhe despercebido: A direção e o roteiro estavam à cargo de David Robert Mitchell, realizador vindo das fileiras de filmes independentes e autor de algumas pérolas do gênero terror, entre elas o notável “A Corrente do Mal”. E eis que esse é um detalhe que fez toda a diferença.
Ambientado nos anos 1980 (mais precisamente
julho de 1982), “O Fim da Rua” acompanha a Família Platt, formada pela mãe,
Denise (Anne Hathaway), o pai, Gregg (o sempre eficaz Ewan McGregor), e os
filhos, a jovem Audrey (Maisy Stella), e o adolescente Brian (Christian
Convery, de “O Urso do Pó Branco”). Os primeiros minutos de filme serve
maravilhosamente a uma construção minuciosa de personagens que já não é mais
tão usual ao preguiçoso cinema comercial de hoje em dia: Denise foge das
frustrações domésticas dedicando-se à uma atividade de escrito de esconde de
todos os seus familiares; e Gregg, que não contou a ninguém que perdeu o
emprego à algumas semanas, busca compensar isso fazendo bicos de entregador de
pizza. São moradores de um bairro norte-americano absolutamente normal de
subúrbio com suas casas lado a lado das residências de outros vizinhos. Numa
noite, entretanto, a normalidade vira de pernas pro ar: Após uma súbito clarão
branco, e uma estranha mudança na impressão das coisas – a chuva que caia
simplesmente desaparece e alguns deles sentem seus ouvidos estalando (sinal de
uma alteração na pressão atmosférica) – eles descobrem, no outro dia, que a
vizinhança conta agora que alguns animais bastante ameaçadores: Seres
pré-históricos, dinossauros que existiram na Terra há milhões de anos atrás.
Logo, eles descobrem que não são os dinossauros
que estão no tempo errado: De alguma forma, todo o perímetro que envolve o
bairro inteiro foi transportado para a Pré-História!
O traquejo do diretor Mitchell em trabalhar o
terror e a tensão veem bem a calhar: A sensação de urgência e de perigo que ele
consegue imprimir à narrativa devem muito ao Steven Spielberg da década de 1980
e de 1990 (vide, óbvio, “Jurassic Park”) – os excelentes efeito visuais
que materializam os dinossauros trazem uma interessante realidade animal, e tal
qual o realizador de “Tubarão”, Mitchell emprega essas ferramentas
digitais com criatividade e inteligência, sabendo explorar a sugestão, embora
Spielberg dificilmente fosse criar cenas de tão elevado teor sangrento como ele
faz em alguns momentos de ataques de dinossauros. O recado é dado e permeia
todo o filme: Ninguém está seguro, nem mesmo os personagens principais!
“O Fim da Rua”, portanto, ao moldar uma
premissa que mais parece um episódio de “Além da Imaginação” com tanto fervor,
autenticidade e competência em praticamente todas as suas áreas (Anne Hathaway,
particularmente, está ótima e vivendo um 2026 impressionante!), acaba
irmanando-se àquelas aventuras escapistas, mas nem por isso menos sensacionais
que abrilhantavam as telas da década de 1980.






