Depois do ótimo desempenho de público e crítica de “Ataque Ao Prédio”, lançado em 2011, o diretor Joe Cornish adquiriu o que se costuma chamar de “benção do projeto seguinte”: Liberdade criativa total para tocar a ideia que lhe viesse à cabeça e o aval de sua produtora (a britânica Working Title, no caso) para um orçamento mais polpudo. O trabalho que ele concebeu tinha muitas características já notadas em “Ataque...”: Um conceito de fantasia (a remeter obras dos anos 1980), uma roupagem juvenil sem, no entanto, abrir mão de certo discernimento autoral e, neste caso em específico, uma proposta inglesa até a medula. Afinal de contas, o épico cult “Excalibur” (dos anos 1980, aliás, perceba o padrão!) é uma das produções favoritas de diversos outros cineastas, vide Zack Snyder, que acrescentou inúmeras referências ao filme de John Boorman em seu “Batman Vs Superman”.
Pois, em muitos momentos, “The Kid Who Would Be King” é quase uma declaração de
amor à “Excalibur” e à lenda arturiana dos cavaleiros da Távola Redonda; em
outros, ele é quase uma colagem desengonçada e cara de pau...
O protagonista Alex (Louis George Serkis, de “Extermínio-O
Templo dos Ossos”, filho de Andy Serkis) é um jovem meio nerd daqueles que
invariavelmente acabam protagonizando aventuras ao estilo oitentista – é vítima
de bullying no colégio, mas ainda conserva um coração valoroso, justo e
disposto a ajudar os fracos e oprimidos, que neste caso costuma ser, quase
todos os dias, seu melhor amigo, Bedivere (Dean Chaumoo), afrontado pelos
valentões escolares Lance (Tom Taylor, de “A Torre Negra”) e Kay (Rhianna
Dorris).
Vivendo só com a mãe (Denise Gough, da série “Andor”),
Alex sabe muito pouco a respeito do pai que nem chegou a conhecer – as pistas
mais significativas parecem ser as deixadas num livro antigo para crianças que
conta justamente a lenda do Rei Arthur e de sua espada mágica Excalibur. Por meio
do livro, Alex descobre (e nós também, como público) que a inimiga jurada de
Arthur, sua meia-irmã Morgana Le Fey (Rebecca Ferguson, pouco aproveitada como
poderia ter sido) foi confinada pelo mago Merlin e pelos Cavaleiros da Távola
Redonda num sepulcro subterrâneo, de onde, seus poderes, na atualidade, logo
haverão de retirá-la.
É quando a própria espada Excalibur se
apresenta para Alex, como o escolhido, e ele conhece um garoto com uns
parafusos a menos, na realidade, o mago Merlin disfarçado (o jovem e
histriônico Angus Imrie, de “Mickey 17”) que, como é seu papel, haverá de guiar
esse novo escolhido no embate contra Morgana e suas forças maléficas.
E a situação é mais ou menos assim: Ao longo de
quatro dias, um eclipse solar permitirá que Morgana e seus lacaios (soldados
esqueléticos em chamas) invadam a Inglaterra e o mundo, até lá, eles só podem
fazê-lo à noite, quando apenas Alex e seus companheiros terão o poder de enxerga-los.
Instruído por Merlin (que ocasionalmente consegue assumir sua forma real, na
qual é interpretado por Patrick Stewart), Alex deve primeiro encontrar seus
cavaleiros – que, além de Bedivere, vem a ser também Lance (cujo antagonismo
evoca a mesma intriga que havia entre Arthur e Lancelot) e Kay – e depois,
descobrir, na qualidade de escolhido, o caminho para eliminar Morgana.






