Calcada em cima da interpretação espetacular de Sigourney Weaver – pela qual ela foi premiada com o Globo de Ouro de Melhor Atriz Dramática e indicada ao Oscar de Melhor atriz ao lado de Glenn Close (“Ligações Perigosas”), Melanie Griffith (por “Uma Secretária de Futuro”, filme que também contava com Sigourney no elenco, tendo sido indicada, naquele ano, também a Melhor Atriz Coadjuvante por este trabalho), Meryl Strep (“Um Grito na Escuridão”) e, a vencedora, Jodie Foster (“Acusados”) – este belo trabalho reconstitui com alguma pomba e circunstância –e uma imodesta tendência à romantização –a vida de Dian Fossey, estudiosa pioneira em primatologia, o estudo dos primatas em geral e dos gorilas em particular.
1965. Os gorilas são uma espécie em extinção e
não há, num futuro imediato, esperança de reverter esse quadro desesperador.
Durante uma palestra do Dr. Louis Leakey (Iain Cuthbertson), a professora Dian
Fossey (Sigourney), até então com experiência apenas com crianças portadoras de
deficiência, se apresenta voluntariamente disposta a embarcar para a África e
realizar o tão almejado e difícil senso dos animais restantes, a fim de colher
dados para saber quantos haviam restado – e quanto tempo ainda existiriam.
Enfrentando severos obstáculos num primeiro
momento, (a região escolhida para a pesquisa na África do Sul, se encontrava
imersa numa violenta guerra civil, impossibilitando a permanência dela por lá),
ela e o fiel carregador Sembagare (John Omirah Miluwi) encontram o lugar ideal
numa afastada e enevoada montanha em Ruanda, na qual uma vasta família de
gorilas estabeleceu morada.
Obtendo uma gradual aproximação dos animais,
Fossey não apenas consegue o dados para a pesquisa como faz espetaculares
descobertas sobre a vida animal e se torna uma defensora ferrenha de suas
vidas, chegando a ser tomada como uma
bruxa pelos nativos locais, os Batwa,
que até então caçavam gorilas para vender suas mãos e suas cabeças como troféu
para caçadores no mercado negro.
Ela se envolve com o fotógrafo da financiadora
da pesquisa, a National Geographyc, Bob
Campbell (Bryan Brown, de “Os Pássaros Feridos”) e com o passar dos anos ganha
reconhecimento entre núcleos acadêmicos por todo o mundo, a ponto de arregimentar
– através de acordos com políticos – um grupo de seguranças para o perímetro das
montanhas, e até mesmo novos estudantes dispostos a tentar seguir seus passos.
No entanto, para Dian, tudo o que importa são
os gorilas e sua preservação e sobrevivência, um sacrifício que, até o fim, ela
se dispôs a levar à extremos.
O diretor Michael Apted – em geral, um
desenvolto operário-padrão que nunca se preocupou com expressões mais autorais –
se equilibra entre uma realização assombrada por convencionalismo (e nesse
sentido, há aspectos do filme que envelheceram mal, bem como passagens inteiras
que se revelam extremamente datadas) e momentos bastante inspirados (há
impressionantes imagens que capturam a desmedida Sigourney Weaver se
aproximando realmente dos imensos gorilas e recriando muitos momentos
experimentados pela verdadeira Dian Fossey).






