Lançado em 2002, pegando o gancho comercial de “O Sexto Sentido”, de 1999, que havia despertado no público o interesse por tramas macabras, sobrenaturais e pontuadas por guinadas surpreendentes, “O Chamado” atreveu-se a refilmar “Ringu”, de Hideo Nakata, que por sua vez tratava-se da adaptação de um mangá (quadrinho japonês) de terror da autoria de Koji Suzuki.
A década de 1990, no Japão, havia sido
prolífica para que realizadores de cinema explorassem o medo por meio de uma
emergente tecnologia que mudava irreversivelmente a vida e os relacionamentos
modernos –o advento da internet e da telefonia móvel com os celulares –com
isso, os japoneses observaram, antes de todo mundo, o viés pessimista até mesmo
fatalista, que esses elementos poderiam acarretar como a alienação, o
isolamento e a insegurança. Surgiram daí obras como as produções perpetradas
por Kiyoshi Kurosawa, “Cure” e “Kairo” (este também refilmado nos EUA, como
“Pulse”), e “Uma Chamada Perdida” (o original de Takashi Miike, sobre um
celular amaldiçoado, também depois refilmado). Com “O Chamado”, Hollywood
importou para os EUA essas inquietações que, concretizadas em bons e eficientes
filmes, faziam sucesso no Japão e começavam a gerar cultuadores em todo o
mundo.
Dirigido por Gore Verbinski (festejado diretor
vindo da publicidade que viria a dirigir a primeira trilogia de filmes de
“Piratas do Caribe”), “O Chamado” –ou “The Ring” –soube substituir o contexto
japonês pelo norte-americano com uma sucessão de boas ideias e escolhas felizes
que fizeram do projeto uma produção certeira e bem calibrada.
Na cidade de Seatle (ambientação norte-americana
que substitui com exatidão apropriada os subúrbios de clima chuvoso do filme
japonês), a jornalista Rachel Keller (a bela Naomi Watts, então recém-revelada
no espetacular “Cidade dos Sonhos”) descobre durante o funeral de sua sobrinha
um mistério que desperta sua curiosidade profissional: Uma adolescente saudável
que morreu sem explicações dentro do próprio quarto.
Rachel descobre que não apenas sua sobrinha,
mas outras três amigas também morreram misteriosamente, segundo constam os
boatos, após assistir uma fita de VHS misteriosa cujo conteúdo ninguém sabe.
Uma lenda urbana: Muitos afirmam à ela que toda pessoa que assistir tal fita
morrerá em uma semana.
É claro que, em suas investigações, Rachel não
irá demorar para encontrar a tal fita amaldiçoada e assisti-la –em princípio,
uma série de estranha imagens que não parecem fazer sentido algum –e, no
decorrer dos sete dias antes que a maldição se concretize (a estrutura básica
da narrativa) ela tentará elucidar o mistério, descobrir de onde a fita vem,
como surgiu, porque deflagra tal maldição aos incautos que têm acesso à ela e,
o mais importante, procurar encontrar um meio de neutralizar seu efeito e
tentar sobreviver.
Nesse percurso sombrio, onde desdobramentos
inesperados ocorrem –não só seu ex-esposo (Martin Henderson) assiste a fita
logo depois como também, inadvertidamente, o seu filho pequeno de sete anos,
Aidan (David Dorfman, de “O Massacre da Serra Elétrica”), tornando a
investigação ainda mais urgente e pessoal –Rachel se depara com a sinistra
história de Samara (Daveigh Chase, de “Donnie Darko”), uma jovem paranormal
morta décadas antes, diretamente relacionada à essa maldição.
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