Primeiro trabalho do diretor e roteirista Phillip Ridley, este “The Reflecting Skin” tem inúmeros elementos e características em comum com seu filme seguinte, o igualmente estranho e cul, porém, não tão bem resolvido “Paixões Na Floresta”. Ambos falam sobre obsessão, sobre os desenganos aos quais nossas crenças limitantes podem nos levar, e trazem personagens isolados, quase alienados, ameaçadores em seu fanatismo pessoal.
Nascido e crescido em Idaho, numa comunidade
rural norte-americana – o chamado White
trash, retratado em produções distintas como “Inverno da Alma” ou “Eu, Tonya” – o garotinho Seth Dove (Jeremy Cooper) passa os dias a aprontar com
seus amigos, Eben (Codie Lucas Wilbee) e Kim (Evan Hall) em meados dos anos
1950. Seu irmão mais velho, Cameron (Viggo Mortensen), partiu para lutar no
Pacífico, deixando uma atmosfera de incerteza entre seus pais, a neurótica Ruth
(Sheila Moore) e o taciturno Luke (Duncan Fraser, de “O Predador”),
proprietários de um pequeno e decadente posto de gasolina.
Além deles, há um grupo de rapazes pouco
confiáveis que rondam a bordo de um Cadillac preto pelas redondezas – bem... há
mais alguém: A viúva Sra. Dolphin Blue (Lindsay Duncan, de “Sob O Sol da Toscana” e “Birdman”) que, no breve contato que tem com o pequeno e
influenciável Seth, desperta nele a suspeita de que poderia ser ela uma
vampira! – pouco antes, Seth acompanhou a leitura de um romance pulp sobre vampiros com seu pai que o
impressionou (até mesmo a vampira desenhada na capa lhe remeteu à viúva Dolphin!).
Ao longo dos dias, eventos sombrios somente
reforçam as suspeitas do garoto: Seu amiguinho Eben desaparece para então ser
encontrado morto numa cisterna próxima, e uma sensação de perigo parece pairar
sobre todos.
Mesmo os comportamentos um tanto excêntricos de
Dolphin não ajudam muito – ela se mostra uma mulher atormentada pelo
incompreensível suicídio do marido ocorrido um dia após terem se casado (!),
além disso, Seth e Kim a flagram se tocando quando invadem sua casa para espiar
(!) – uma vez mais o tema da sexualidade fortemente reprimida que Ridley voltou
a empregar em “Paixões Na Floresta”.
Com o suicídio do pai (que ateou fogo em si
mesmo após ser acusado pela polícia local pela morte do jovem Eben), Cameron
volta para casa carregando severos traumas da guerra e trazendo memórias
particularmente perturbadoras envolvendo bombardeios atômicos.
Para aflição de Seth, Cameron passa a se
envolver com Dophin – e mesmo os efeitos de deterioração por radiação no corpo
do irmão mais velho, o pequeno Seth atribui ao vampirismo de Dolphin, o que
leva o garoto a uma atitude irreversível já no desfecho do filme.






