O filme da diretora Vicky Jewson nada mais parece do que uma grande brincadeira a espelhar certa redundância comercial que contaminou o cinema comercial nos últimos anos: “Lindas e Letais” propõe uma ideia simples –tão simples, na realidade, que chega a ser quase um vislumbre –um grupo de bailarinas, devidamente paramentadas com trajes delicados de bailarinas, que se defronta (e vence!) um bando de violentos e truculentos gangsteres húngaros.
O enredo que é desenvolvido, portanto (com
roteiro assinado por Kate Freund), termina sendo uma grande justificativa (ora
inspirada, ora estapafúrdia) para que o público seja levado até a concretização
visual desse vislumbre, adornado com muito sangue e violência como é do gosto
todo particular do público ao qual este filme parece se dirigir: Aquele público
que, vez ou outra, consegue converter uma produção num sucesso cult ao perceber nele características
incomuns e diferenciadas de outros filmes.
A trama começa com a cinco bailarinas que
haverão de protagonizar toda essa sandice levada à sério, são elas Bones (Maddie
Ziegler, de “Amor Sublime Amor”, mas não confundir com a protagonista, Rachel
Zegler!), que como o nome sugere é osso-duro-de-roer (!); Princess (Lana Condor,
de “X-Men Apocalypse”), a típica patricinha filhinha de papai (ou, no caso, de
mamãe!); a evangélica Grace (Avantika, de “Meninas Malvadas”); e as irmãs Zoe (Iris
Apatow, de “Bem-Vindo Aos 40”) e Chloe, esta, surda-muda (e vivida por Millicent
Simmonds, de “Um Lugar Silencioso”). Formando um quinteto auspicioso, elas são
treinadas pela Sra. Davenport (Lydia Leonard), enviadas à Hungria e colocadas
por ela num ônibus que as leva para uma importantíssima apresentação em
Budapeste. Contudo, o tal ônibus atravessa uma floresta e, lá pelas tantas,
enguiça.
Prestes a anoitecer, perdidas no meio do nada
(e, em pouco tempo, debaixo de chuva) as garotas percorrem a estrada vazia até
encontrarem o único casarão a vista ao longo de quilômetros –trata-se de uma
espécie de bar/boate, além de recorrente ponto de encontro para mafiosos
húngaros, daquela categoria perigosa e inconsequente que o cinema costuma, vez
ou outra, registrar. O local é administrado por Devora Kasimer (Uma Thurman,
tornando explícita a referência já bastante óbvia que o filme faz à “Kill Bill”) que já havia sido, outrora, uma bailarina, entretanto, engana-se quem
achar, num primeiro momento, que esse detalhe servirá para Devora se compadecer
das desamparadas meninas: Implacável, Devora conduz um negócio que segue sob o
olhar nada lisonjeiro da máfia húngara e sua prioridade é conter os ímpetos
violentos de Pasha Marcovic (Tamás Szabó Sipos), filho mimado e incorrigível de
Lothar Marcovic (Michael Culkin, de “O Quinto Elemento”), o mais temido
gangster local.
Quando Pasha mata a Sra. Davenport com um tiro
na cabeça (!) – ela refutou uma tentativa grosseira de assédio da parte dele –
a primeira atitude de Devora é trancar todas as portas e saídas do lugar,
impedindo a fuga de testemunhas do homicídios; leia-se, as inocentes bailarinas
que estavam junto de sua professora.
Contudo, as meninas logo se dão conta do perigo
e logo, também, providenciam sua retaliação: Elas dão-se conta de que podem,
sim, confrontar em pé de igualdade aqueles gangsteres fora de forma, e que,
devido ao árduo treinamento de balé, possuem juntas uma predisposição física e
uma capacidade para superar a dor muito maior que seus prepotentes adversários.
Em uma cena específica, as cinco bailarinas executam a dança de “Suíte
Quebra-Nozes” enquanto exterminam os mafiosos valendo-se de armas brancas em
seus braços e sapatilhas!






