Baseado numa creepypasta originalmente surgida no 4chan em 2019, e convertida numa lenda urbana com milhares de aficionados, este filme é dirigido por Kane Parsons, youtuber cujo canal dedicou-se a inúmeros vídeos explorando justamente a curiosidade em torno das tais backrooms – salas (a lembrar o ambiente claustrofóbico de um escritório) banhadas em uma luz amarela monocromática interligadas umas às outras formando aparentemente um labirinto infinito e provavelmente fora da realidade conhecida.
Se “Backrooms”, o filme (agora concebido pela
produtora A24), não chega a ser uma obra exatamente brilhante e imperdível, ele
consegue se fazer interessante e digno de certa atenção graças à sua precisa
inventiva e intrigante, ao seu elenco formidável e estelar (com Chiwetel
Ejiofor, indicado ao Oscar 2014 de Melhor Ator por “12 Anos de Escravidão” e a
norueguesa Renate Reinsve, indicada ao Oscar 2026 de Melhor Atriz por “Valor
Sentimental”), e à brilhante forma com que a construção dos cenários consegue
materializar os backrooms (algo de
deve colocar este filme entre os indicados a Melhor Design de Produção na
próxima cerimônia do Oscar).
Nos anos 1990, Clark (Chiwetel Ejiofor) é um
homem em crise. Ele conduz uma loja de móveis para a qual também grava uma
série de propagandas vexatórias fantasiado de pirata. A loja passa os dias às
moscas e as únicas pessoas dentro dela são Clark e seus dois funcionários, o
casal de namorados Bobby (Finn Bennett) e Kat (Lukita Maxwell). A vida pessoal
de Clark está igualmente lastimável: Ele ainda não se recuperou do divórcio –
acarretado por seu alcoolismo – e derrama muito de sua frustração nas sessões
de terapia com a Dra. Mary Kline (Renate Reinsve), cuja infância guarda alguns
traumas envolvendo a mãe agorafóbica.
Numa noite, Clark – que, desde o divórcio,
passou a dormir na loja – descobre algo estranho localizado no porão de lá: Uma
passagem desconhecida e invisível na parede que permite o acessar um local
estranho, uma série de salas que não acabam mais. Curioso com a descoberta,
Clark passa a explorar a sucessão de salas e percebe que elas são muito mais
numerosas (e intermináveis!) do que tinha imaginado.
Ele tenta contar tudo à Dra. Kline e, diante da
descrença dela, promete retornar com provas. Na sequência, chama Bobby e Kat
para, munidos de uma câmera, enfim explorarem as tais backrooms – a passagem de tempo nunca fica clara na narrativa
extremamente elíptica e intrigante do diretor Parsons, mas supõem-se que algum
tempo passou, pois, Clark demonstra um conhecimento já considerável do lugar.
Nada os impede, contudo, de encontrar seres
estranhos por lá, e terminarem atacados. Com o desaparecimento de Clark pelo
que talvez sejam algumas semanas – de novo, a passagem de tempo não fica clara
neste filme – a Dra. Kline resolve espiar em sua loja e encontra a passagem
para as backrooms, e nelas tenta
encontrar Clark bem como também uma saída.
A proposta de “Backrooms” mistura algo de
“Cubo” e de “O Iluminado” – do primeiro, extrai o senso de suspense aliado à
ficção científica a partir da ambientação que não oferece explicações fáceis,
do segundo, o diretor Parsons parece aproveitar uma direção criteriosa, vasta
em ângulos formidáveis de câmera e um preciosismo narrativo para com a
dramaturgia e o mistério da premissa que surpreendem pelo fato deste ser tão
somente seu primeiro trabalho na direção de longa-metragens.






