O lendário filme dono da única cena de sexo da carreira de Sandra Bullock passa à crônica cinematográfica exatamente por isso; por trazer a belíssima e consagrada estrela (à época, 1993, ainda uma desconhecida) numa sequência erótica que, apesar do sexo simulado, traz um despojamento que a faz parecer quase explícita. Não é por acaso, portanto, que este trabalho, engavetado pelos próprios realizadores à época da produção, descontentes com o pífio resultado final, só foi lançado em homevideo no final da década, depois que Sandra havia sido catapultada ao estrelato.
“Inferno Selvagem” – ou “Fire On The Amazon” –
já evidencia em sua procedência que nada muito promissor haveria de emergir
dali: O diretor é o peruano Luis Llosa, realizador do clássico B non-sense “Anaconda” (como todos sabem,
memorável por sua ruindade!) e de um dos mais destrambelhados filmes de ação
estrelados por Sylvester Stallone nos anos 1990, “O Especialista”. Já, a
produção é assinada por Roger Corman que, longe das elegantes adaptações de
Edgar Allan Poe dos anos 1960 e das ficções inventivas (ainda que vulgares) dos
anos 1980, resolveu bancar, nos anos 1990, algumas das produções mais mambembes
de sua carreira.
“Fire On The Amazon” possui, em algum lugar
entre seus tantos equívocos, um enredo que busca expor os malefícios do
desmatamento e a tentacular corrupção entre os seringueiros da floresta
amazônica. Seu protagonista, o displicente fotojornalista R.J. O’Brian (o
péssimo Craig Sheffer, de “Nada É Para Sempre”) cai de paraquedas no que parece
ser uma conspiração: Correspondente americano na Bolívia, ele fica sabendo do
assassinato de um líder seringueiro dedicado ao ativismo ambiental e à proteção
da floresta contra os desmatadores.
Disposto a investigar as causas do assassinato
(cujas pistas plantadas apontam deliberadamente para os índios da tribo Zingari),
R.J. acaba preso por policiais corruptos na mesma cela em que se encontra um
índio, capturado para servir de bode expiatório nessa mesma investigação.
Libertado graças à influência de Alyssa Rothman
(Sandra Bullock, de longe, a única coisa satisfatória e relevante no filme),
uma ativista relutante que ele conheceu dias antes, no velório do falecido,
R.J. resolve seguir o corpo do dito ‘culpado pelo crime’ – que rápida e
convenientemente apareceu morto! – levado pelos membros de sua tribo rio acima
para os procedimentos fúnebres.
Na tribo, após alguns percalços pela mata, R.J.
e Alyssa conhecem o líder Ataninde (Juan Fernández, de “Crocodilo Dundee 2” e
“Kinjite-Desejos Proibidos”), ciente da tentativa das autoridades locais em
tentar incriminar seu povo, mas avesso à buscar, entre eles, alguma justiça –
entretanto, é óbvio para qualquer um os rumos previsíveis no arco narrativo
desse e dos demais personagens.
Percebe-se, em várias frentes, o quanto as
intenções do diretor Luis Llosa (aqui também produtor) e das roteiristas Luana
Andrews, Catherine Cyran e Beverly Gray miravam numa obra de engajamento,
urgência e fervor como “Salvador-O Martírio de Um Povo”, de Oliver Stone (que,
inclusive, contava com Juan Fernández em seu elenco), mas, acabaram
desembocando numa mescla desajeitada de filme investigativo, aventura selvagem
e ação policial terceiro-mundista com sua pobreza orçamentária ficando evidente
em quase todos os momentos – até mesmo naqueles em que a produção lança mão de
artifícios para parecer maior do que é.
Mas, e a tal cena de sexo de Sandra Bullock?






