Ao lado do anterior “Noites Brutais”, este “A Hora do Mal” inscreve o diretor Zach Cregger (produtor de outro filme de terror do ano de 2025, o bom “Acompanhante Perfeita”) entre os mais geniais estetas do terror na atualidade –o que ele nos entrega aqui é uma obra que compreende as dinâmicas de uma narrativa e as emprega para contar (e muito bem) uma história construída com zelo e maneirismo, brilhantemente inclusa naquela característica categoria onde os contos assim relatados têm a peculiar capacidade para nos envolver e nos amedrontar em igual medida.
O subúrbio de Maybrook, na Pensilvânia, viveu
(como relata a pueril narração em off
do início) um caso singular na misteriosa noite em que 17 crianças despareceram
sem deixar vestígios. Elas apenas levantaram de suas camas às 2:17 da madrugada
(como atestaram as câmeras de segurança de algumas das casas) e simplesmente
saíram correndo pela noite, com os braços abertos (numa possível alusão à Kim
Phuc Phan, a menina vista pelo mundo todo em filmagens dos anos 1960, ao ser
uma das vítimas atingidas por napalm durante a Guerra do Vietnam), para não
mais serem vistas.
O caso alarma a comunidade e intriga as
autoridades, e na esteira desse mistério, o diretor Zach Cregger fragmenta seu
filme em seis personagens específicos que assumem certo protagonismo (cada um
nomeando um dos capítulos que compõem o filme) e cujas trajetórias particulares
acabam gradualmente elucidando um mistério que em princípio aparentava ser
insolúvel.
A primeira é “Justine” (interpretada por Julia
Garner, a Surfista Prateada de “Quarteto Fantástico-Primeiros Passos”),
obviamente, a professora dos alunos que desapareceram –sim, as 17 crianças eram
todos alunos de uma mesma sala de aula! –e que, por
conta da mórbida coincidência, torna-se a principal suspeita do desaparecimento
aos olhos da comunidade e dos pais aflitos.
Logo depois vem “Archer” (Josh Brolin, também
um dos produtores executivos), pai indignado de um dos meninos desaparecidos
disposto a mover uma investigação por conta própria –e passar por cima de quem
for preciso para descobrir a verdade.
O terceiro é “Paul” (Alden Ehrenreich),
policial do distrito outrora romanticamente envolvido com a própria Justine,
agora, entretanto, casado, às voltas com seus próprios problemas e confusões:
Além de ex-alcóolatra é um policial relativamente destemperado o que acirra
seus ânimos perante do Chefe de Polícia (seu sogro ainda por cima!).
O quarto é “Anthony” (Austin Abrams, da série
“Euphoria”, quase irreconhecível) sem-teto e viciado local, cujo hábito ilícito
de invadir propriedades atrás de pequenos furtos o fará ser o primeiro a
descobrir o real paradeiro das crianças, e a tentar tomar alguma atitude de
olho na gorda recompensa de 50.000 dólares oferecida pelos pais.
Em quinto lugar vem “Marcus” (Benedict Wong, de
“Doutor Estranho”) o diretor homossexual da escola, o primeiro a deparar-se com
a grande personagem do filme, a horrivelmente peculiar e perversamente exótica
Tia Gladys (vivida primorosamente pela veterana Amy Madigan, ganhadora do Oscar 2026 de Melhor Atriz Coadjuvante), que traz consigo todas as respostas (e todos
os spoilers) da trama.
O sexto e último protagonista (e, logo, aquele
cujo enredo preenche todas as lacunas) é “Alex” (o pequeno Cary Christopher), o
18º aluno da classe de Justine, exatamente o único que, por motivos nebulosos,
não desapareceu junto com os demais.



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