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sexta-feira, 5 de maio de 2023

Guardiões da Galáxia Volume 3


 Já dissera Tony Stark (Robert Downey Jr.) em “Vingadores-Ultimato”: O fim faz parte da jornada. Pois é exatamente isso que vem reiterar este terceiro volume da trilogia concebida por James Gunn, também ela dentro do Universo Marvel Cinematográfico, cujo mérito maior talvez seja o de ter provado, perante toda a indústria, que sim, personagens outrora obscuros e absolutamente desconhecidos, quando tratados com refinamento, talento e uma equipe competente à frente e atrás das câmeras podem converter-se em ícones pop de tanto ou mais sucesso que os personagens já famosos e estabelecidos. “Volume 3” representa, em inúmeros aspectos, o fim da jornada. É o fim dessa equipe que conduziu fãs e expectadores casuais pelos recônditos do espaço sideral do MCU, e é, acima de tudo, uma despedida do próprio James Gunn à esses personagens –aos quais ele não deixa de declarar em cada instante de filme um amor incondicional –prestes à assumir a importante função de chefe da DC Studios, concorrente da Marvel.

Para tanto, vindo todos esses personagens de dois longa-metragens anteriores –e da expressiva participação em pelo menos outros dois filmes dos “Vingadores” –“Volume 3” acaba tendo assim muitas pontas soltas para unir. Existe, por exemplo, a situação romanticamente incerta entre Peter Quill (Chris Pratt) e Gamorra (Zoe Saldana), ela assassinada por Thanos em “Vingadores-Guerra Infinita”, mas, tendo retornado como uma versão alternativa (e nada benigna) de si mesma de outra realidade –e, portanto, sem qualquer vínculo com a equipe que antes virou sua família e sem qualquer memória do romance que construiu, aos trancos e barrancos, com o apaixonado Quill; há também a situação de Adam Warlock (Will Poulter), ser poderoso ainda que ingênuo, criado pela alienígena Ayesha (Elizabeth Debicki), como nos foi mostrado numa das cenas pós-crédito do “Volume 2”, com o intuito inicial de vingança contra os Guardiões da Galáxia. Mas, acima de tudo, há Rocket Racoon (voz de Bradley Cooper), o guaxinim humanóide e cibernético que, ao lado do homem-árvore Groot (voz de Vin Diesel), é um dos personagens favoritos dos fãs desde o primeiro filme. James Gunn foi providencial ao reservar toda a triste e dolorosa história de origem de Rocket para este último capítulo: É seguro afirmar, Rocket é o coração de “Guardiões da Galáxia-Volume 3”.

Sua história –contada em pontuais flashbacks que revelam sua criação pelas mãos do cruel, detestável e poderoso Alto-Evolucionário (Chukwudi Iwuji, num dos mais odiosos vilões da Marvel) –é de uma tristeza, uma angústia e um desamparo que chega a espantar quem está habituado à galhofa e ao humor constante de James Gunn. Mal dá pra acreditar que um personagem praticamente gerado por computador em sua íntegra seja capaz de comover de tal maneira. Rocket precisa de ajuda. Para salvá-lo, os Guardiões da Galáxia –que, mais que um grupo, se consolidaram praticamente como uma família –formados por Quill, Nebula (Karen Gillan), Drax (Dave Bautista), Manthis (Pom Klementieff) e Groot, partem, de seu reduto em Luganenhum, para a Contra-Terra, planeta-laboratório onde o Alto-Evolucionário conduz seus experimentos atrozes brincando de Deus com a vida de incontáveis criaturas inocentes, tendo uma delas sido Rocket, no passado.

Contudo, o tempo mostrou que Rocket é mais do que um experimento imperfeito como seu criador acreditava: Sua inteligência evoluiu, diante da necessidade de viver e de sobreviver, tornando-o algo mais do que o Alto-Evolucionário almejava. Agora, porém, ele quer Rocket de volta, pois, na ânsia de trilhar o caminho de sonhou, apesar de todas as suas perdas e decepções, Rocket foi capaz de evoluir –e o Alto-Evolucionário não sabe como ele o fez, nem como repetir isso em suas outras criações; só sabe que irá dissecar cada fibra de Rocket para descobrir.

No caminho para tentar salvar a vida de Rocket –infectado por uma espécie de vírus plantado nele por Adam Warlock num ataque –os Guardiões da Galáxia, obviamente, vão se cruzar com Gamorra, agora aliada aos Saqueadores, piratas espaciais liderados por Stakar (Sylvester Stallone, numa ponta de puxo), cujos laços com Quill (como namorada) e com Nebula (como irmã) podem, quem sabe, serem restaurados nesse percurso.

É claro que, sendo este o alardeado Volume Final, espera-se deste filme, sobretudo, em sua parte final, as imprevistas guinadas definitivas que haverão de selar o desfecho da maior parte dos personagens (e a Marvel Studios já se provou capaz de fazê-lo com emoção e contundência em “Ultimato”) e, possivelmente, até mesmo uma morte impactante a marcar este como o encerramento da história que começou no primeiro filme. Hábil, travesso e inteligente, James Gunn –em estado de graça, seja no roteiro, seja na direção –brinca, inclusive, com isso o tempo todo. Ele nos leva de uma emoção à outra, saltando com inédita e elevada habilidade do casual e confortável bom humor à emoção incontida e inebriante, e revela, neste terceiro trabalho com os Guardiões, uma nova faceta: A capacidade de realizar uma obra inesperadamente tensa.

Elaborado com a usual e reconhecida profusão de efeitos visuais que a Marvel Studios habitualmente entrega, e para tanto, dono de uma amplitude técnica invejável, “Guardiões da Galáxia-Volume 3” tem uma trama recheada de idas e vindas frenéticas, ora divertidas, ora atordoantes, e vale-se brilhantemente do fato –um trunfo sem igual para a Marvel –de que já conhecemos esses personagens, nos importamos com eles, sentimos com mais empatia e eficácia suas agruras e lamentamos com muito mais autenticidade suas tristezas, e isso faz com que sua última aventura seja, afinal, uma despedida nossa também. Uma emoção verdadeira, da qual partilhamos com imenso prazer.

Obrigado pela aventura, Guardiões.

sexta-feira, 15 de maio de 2020

Thomas Crown - A Arte do Crime

Juntos, o ator Pierce Brosnan e o diretor John McTiernam realizaram o suspense de baixo orçamento “Delírios Mortais”, em 1985. catorze anos depois, em 1999, eles tornaram a se reunir nesta refilmagem de “Crown-O Magnífico”, na qual Brosnan –então já festejado como novo intérprete de “007” –almejava investir em um personagem marcante que o afastasse da esmagadora sombra de James Bond.
Trata-se de um esforço válido e admirável e –o melhor! –que resultou num filme excelente: “Thomas Crown” pega a trama básica do filme original dirigido por Norman Jewinson e a ela acrescenta percepções cínicas e mundanas dos anos 1990 de então –período ao qual sua premissa se encaixa com uma exatidão notável.
O milionário Thomas Crown, vivido com fleuma inabalável por Brosnan, cultiva uma fachada impecável de empresário dedicado, sofisticado, culto e satisfeito.
No roteiro melindroso que tece, o filme de McTiernam coloca seu protagonista como um dissimulador tão extraordinariamente competente que não é permitido nem mesmo ao expectador vislumbrar suas insatisfação –mas, ela está lá.
E é ela que leva Crown a organizar um assalto perfeito à uma galeria de arte.
A execução do assalto, por sinal, é primorosamente bem realizada, à frente e atrás das câmeras –contando ainda com a presença de um Vin Diesel ainda iniciante –embora seus autores sejam descobertos e capturados.
Contudo, o fracassado de tal operação já estava nos planos de Crown: Enquanto os assaltantes contratados por ele se dão mal, distraindo a eficiente estrutura de segurança do museu, Crown rouba pessoalmente uma pintura de Monet, o quadro mais valioso do local, com suas próprias mãos e sai andando pela porta da frente.
Roubo executado, eis que entra em cena aquela que circunstancialmente pode ser considerada a personagem principal de fato –no sentido de que é ela, e não Thomas Crown, os olhos da plateia –a investigadora da companhia de seguros Catherine Banning, vivida por uma belíssima e escultural Rene Russo que, do alto de seus 45 anos de então, demonstra química singular e afiada com Brosnan, aparece nua e dá um banho de sensualidade em muita atriz de vinte anos.
Cahterine sabe que o entediado Crown está envolvido até o pescoço com o ocorrido –prová-lo é, entretanto, o grande desafio dela e de seu parceiro, o investigador bem menos sofisticado interpretado por Denis Leary (de “O Espetacular Homem-Aranha”).
São hilárias as tentativas dele em fazer um cerco ao escorregadio milionário –como quanto tenta invadir a mansão dele com um mandato de busca em mãos, e Crown tem, entre seus amigos pessoais, o próprio advogado (vivido por Ben Gazzara), o que neutraliza qualquer burocracia que poderia beneficiar as ações do investigador.
A tática de Catherine, entretanto, é mais eficaz: Ela enreda (e desafia) Crown num terreno em que ele se julgava predominante, a sedução, ciente também de que não é por qualquer valor financeiro que ele empreendeu sua travessura, mas, para conferir algum desafio à sua vida tão estável. E é, de certa forma, como um desafio que Catherine se apresenta.
Assim, indo na contramão do cinema comercial habitual às plateias –e contrariando até mesmo o que se esperava do diretor John McTiernam, um especialista em ação –“Thomas Crown” revela-se uma obra onde a ação (ainda que ela exista) possue menos peso narrativo do que as guinadas de roteiro e as orientações íntimas dos personagens; ficamos até a última cena em dúvida acerca de qual é o real objetivo de Thomas Crown (e também quais são, de fato, seus sentimentos por Catherine), quando por fim seu plano final é revelado numa sequência brilhantemente dirigida, montada e roteirizada.

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

A Saga Velozes e Furiosos


Velozes e Furiosos
No ano de 2001 talvez ninguém tivesse idéia (nem mesmo seus realizadores) de que “Velozes e Furiosos” viria a ser uma franquia tão longeva e comercialmente marcante.
Visto hoje, o primeiro filme se revela tímido (em meio à trama policial, há uma única sequência realmente explosiva de perseguição de carro) e incrivelmente datado (os cabelos, atitudes e modismos do filme deixam bem claro que este já pertence a uma época que não é a atual).
Provavelmente pensado como um produto escapista de verão, o primeiro filme não faz um único esforço para ser original.
Seu enredo em particular se resume a um conceito que pega emprestado elementos de filmes lançados anos antes como a premissa do policial infiltrado presente tanto em “Atraídos Pelo Desejo” (com Charlie Sheen), quanto no ótimo “Caçadores de Emoção” (dirigido por Kathryn Bigelow, com Keanu Reeves e Patrick Swayze).
Uma quadrilha audaciosa tem roubado caminhões em L.A. munida de carros de corrida –os assaltos são executados sem paradas, em alta velocidade!
Logo, o policial Bryan O’ Connell (Paul Walker, no personagem pelo qual será sempre lembrado) é designado para infiltrar-se nesse meio e encontrar uma pista dos assaltantes.
Ele faz amizade com o experiente Dominique Toretto (Vin Diesel, roubando consideravelmente a cena) que lhe põe a par das complexidades do contexto.
Como é inevitável na cartilha de um roteiro pretensamente bom e envolvente (ainda que indiferente ao clichê), a amizade entre O’ Connell e Toretto cresce em paralelo aos indícios de que é ele o líder da misteriosa quadrilha.
Grande sucesso de bilheteria, o grande acerto de “Velozes e Furioso” foi a sua, digamos, romantização dos rachas e corridas de carro –mais ou menos, o quê “Top Gun” fez pelos pilotos de caça-aéreos: Uma roupagem de glamour, adrenalina e fascínio proporcionada pelo cinema (e que certamente não tem nada a ver com a realidade) indo de encontro às ansiedades de toda uma geração de expectadores ávidos por um filme que representasse suas aptidões.

+ Velozes + Furiosos
A primeira continuação seguiu assim um caminho convencional enquanto sequência –e, para variar, revelando-se menos interessante que o anterior...
Seu maior problema: Vin Diesel, grande responsável pelo sucesso do filme declinou de sua participação no filme; Diesel então investia pesado em sua carreira e, com outras duas franquias em potenciais para se ocupar (a aventura de espionagem “Triplo X” e a elogiada ficção científica “Eclipse Mortal”, com o personagem Riddick), ele desistiu de “Velozes e Furiosos” fazendo com que o protagonismo integral caísse sobre os ombros de Paul Walker e seu Bryan O’ Connell.
Na direção, substituindo Rob Cohen do filme original, entrou John Singleton (de “Os Donos da Rua”) que, em resposta às pressões corriqueiras desse tipo de produção acrescentou mais dinamismo à montagem, amplificou consideravelmente as cenas de corridas e fez do filme um mero policial de ação.
Continuando exatamente onde o primeiro filme parou –com O’ Connell renegado pela polícia após ter deixado que Toretto escapasse –reencontramos o ex-policial em disputas de rachas ilegais na fronteira com o México. O’ Connell é então requisitado em Miami para uma missão de tal maneira movediça que, se realizá-la, obterá perdão pelos desvios na missão anterior.
Este roteiro visivelmente agrega o personagem de Tyrese Gibson como forma de tentar substituir a presença de Vin Diesel, mas tanto esse esforço quanto as manobras executadas pelo diretor Singleton não contornam a redundância da produção.
Ainda assim, “+ Velozes + Furiosos” parece ter agradado seu público que se mostrou satisfeito com a prevenção dos elementos que constituíam o clichê desse gênero –uma característica que passaria a dominar a franquia.

Velozes e Furiosos 3-Desafio Em Tóquio
Por sua vez, quando foi lançado o terceiro filme da série "Velozes e Furiosos" pouco pareceu ter de relação com os anteriores (exceto uma citação surpresa perto do fim), inclusive abandonando sua trama policial e o elenco de protagonistas que surgiram nos outros filmes.
A idéia acabou lembrando um pouco o que havia sido feito em “Halloween III”, nos anos 1980 –também ele uma trama completamente à parte dos dois filmes anteriores.
Contudo, foi aqui que entrou o diretor Justin Lin, compensando tudo com um trabalho de ritmo e edição tão vertiginoso quanto criativo que pôs as peripécias dos demais filmes no chinelo –foi o próprio Lin quem capitaneou, mais tarde, uma espécie de reinvenção de “Velozes e Furiosos”, mas, antes vamos à trama deste terceiro filme...
Rapaz que arrumou muitos problemas em Los Angeles (terminando com uma enorme dívida após um racha de automóveis) é despachado para Tóquio onde seus familiares esperam que encontre um rumo na vida. Mas lá ele conhece um grupo que também participa de rachas ilegais, usando os carros inclusive para manobras impossíveis chamadas "driffting".
Curioso como certos conceitos de filmes oitentistas ainda influenciam o filme –mesmo estando ele desconectado da trama principal dos demais; aqui, muito lembra a premissa de “Karatê Kid 2”, substituindo as lutas, claro, por carros de corrida e suas manobras impossíveis.

Velozes e Furiosos 4
O filme que retoma a tradição de “Velozes e Furiosos” –ou, na opinião de alguns, a inicia de fato!
Justin Lin, o diretor e Chris Morgan, o roteirista, ambos responsáveis pelo terceiro filme, considerado um dos mais bem-acabados da série uniram-se ao agora produtor Vin Diesel, e juntos tomaram a decisão de resgatar o elenco do filme original, para fazer o que é a mais autêntica continuação do primeiro filme. Assim a dinâmica entre os personagens originais (uma das razões do sucesso do primeiro “Velozes e Furiosos”) interpretados pelo próprio Vin Diesel e por Paul Walker, é retomada, junto das alucinantes corridas de automóveis turbinados.
É aqui também que começa a se desenhar o grande subtexto proclamado pela saga (aplicado sem muita sutileza, como teria de ser mesmo...) no qual se enaltece o conceito de família.
O policial O’ Connell –aparentemente já tendo superado as conseqüências do primeiro filme –na perseguição a uma quadrilha cruza o caminho de um velho conhecido seu, um ex-criminoso que foi seu aliado no passado e que agora quer vingança pelo assassinato da namorada, Dominique Toretto –que o roteiro, a condução e a influência de Vin Diesel como produtor trataram de finalmente enfatizar como o protagonista de fato da franquia.
De forma inicialmente relutante, os dois unem forças mais uma vez para, juntos, enfrentarem os bandidos no terreno que mais dominam: as corridas de carro.

Velozes e Furiosos 5
Parte do tempo e do enredo despendido nos filmes que se seguiram foi empregado para unir muitas das pontas soltas deixadas por três filmes que não necessariamente se importavam em estabelecer conexões entre si.
Por sorte, os realizadores passaram a tratar a narrativa com coesão e unidade, justificando eventos pregressos que soavam banais e aleatórios –foi tão funcional que os fãs, neste filme e nos próximos, passaram a enxergar em “Velozes e Furiosos” uma sinergia entre os personagens e suas tramas paralelas semelhante ao que –pasmem! –a própria Marvel Studios vinha fazendo com seus heróis num universo compartilhado.
Também outra característica dos filmes de super-heróis logo começou a aparecer em “Velozes e Furiosos”: A ação em tintas cada vez mais implausíveis.
O quinto filme –para o qual o anterior já deixava um gancho palpitante ao final –acompanha Toretto numa tentativa de elucidar o misterioso assassinato de Letty (Michelle Rodrigues), sua companheira desde o primeiro filme, o que o leva a associar-se, mais uma vez, ao ex-policial O’ Connell, desta vez numa aventura em terras brasileiras.
Um dos apelos deste quinto filme foi a introdução, como vilão ocasional (nos filmes seguintes ele passou para o lado dos mocinhos), do brutamontes Hobbs, interpretado por Dwayne ‘The Rock’ Johnson: Afinal, Johnson e Diesel eram os dois grandes astros de ação do novo milênio, os mais autênticos sucessores de Schwarzenegger e Stallone.

Velozes e Furiosos 6
Se o filme anterior girava em torno da busca pelos assassinos de Letty, a sexta produção –que transfere sua ação para as ruas e auto-estradas de Londres, na Inglaterra –se inicia a partir da descoberta de que Letty, na verdade, não morreu. Todavia, ela não parece lembrar quem foi, visto que agora está aliada aos inimigos e comporta-se como se não conhecesse seus outrora aliados –nem mesmo seu amado Toretto!
Também a ‘Parte 6’ traz uma manobra sintomática à série: Hobbs, personagem de Dwayne Johnson e antagonista do filme anterior, por uma série de circunstâncias, se junta ao grupo e se torna mais um dos membros da ‘família’ –e esse é um tema que, a partir do quarto filme passou a definir os propósitos da série.
É Hobbs quem arregimenta Toretto e sua trupe (incluindo O’ Connell; Roman Pearce, o personagem de Tyrese Gibson introduzido no segundo filme e que, depois, ganhou um background de alívio cômico; e tantos outros) para perseguir e capturar o grupo mercenário de operações especiais liderado por Owen Shaw (Luke Evans, até então o vilão mais expressivo da série) ao qual Letty (por razões mirabolantes esmiuçadas ao longo do filme) está integrada.
A “Saga Velozes e Furiosos” neste ponto já havia atingido uma espécie de ápice: Suas bilheterias eram gordas e garantidas, seus fãs, entusiasmados e satisfeitos, e seus astros, na pior das hipóteses, agradecidos. O plano certamente era continuar assim indefinidamente; e a cena pós-crédito, que finalmente começava a conectar a narrativa do terceiro filme com todos os demais, deixava isso bem claro.
Contudo, como se sabe, durante as filmagens da ‘Parte7’ um acidente tirou a vida de Paul Walker, um dos protagonistas, levando a série para um outro rumo em geral e o sétimo filme para uma outra abordagem em particular.

Velozes e Furiosos 8
O quê nos leva ao oitavo filme.
Depois da estrondosa bilheteria do sétimo filme –em grande parte, impulsionada pelo fascínio mórbido e pelo viés emotivo da morte de Paul Walker –a produção ainda buscou, de forma nada lisonjeira, continuar capitalizando em cima de seu astro falecido: A afirmação de Diesel e dos envolvidos era que o filme anterior era “para Paul” e que o novo era “por Paul”...
Este novo filme, dirigido por F. Gary Gray, trazia como vilã a personagem de Charlize Theron (que trabalhou com Gray em “Uma Saída de Mestre”) –e todas as suas características (uma hacker, com recursos ilimitados e maldade megalomaníaca), já denunciavam o fato de que os filmes já haviam assimilado todo o absurdo fantasioso de referências ao estilo “James Bond” (inclusive com locações ao redor do mundo se sucedendo com a naturalidade de uma ida até a esquina!).
Conforme já havia acontecido antes, o vilão do filme anterior, Ian Shaw (Jason Statham, mais um emblemático marombado) por força das circunstâncias se torna um dos aliados, ao passo que o protagonista Toretto (com Vin Diesel ainda mais altivo e prepotente com a ausência de Paul Walker) tem uma curiosa reviravolta: Ele se alia à vilã contra seus amigos, num estratagema que vai sendo revelado aos poucos.
Assim, sem Vin Diesel para conduzir os momentos envolvendo os numerosos personagens que passaram a compor a galeria da série, a liderança de cena pesa assim sobre os volumosos ombros de Dwayne Johnson e Jason Statham, que revelam-se juntos o grande achado do filme: Tão primorosa é sua química em cena –inclusive em meio à ação e à pancadaria –que, logo, o estúdio tratou de viabilizar um derivado protagonizado pelos dois; desta vez, sem Vin Diesel para ficar atrapalhando!
A série “Velozes e Furiosos” em si, por outro lado, está prevista para durar dez filmes (!), restando ainda ser anunciado o lançamento dos próximos dois.

domingo, 30 de abril de 2017

Guardiões da Galáxia Volume 2

O primeiro filme dos Guardiões da Galáxia já aparece com freqüência nas listas de melhores filmes da Marvel Studios, e é bem provável que esta sua continuação direta passe, também ela, a integrar o apanhado de filmes mais prestigiados dessa editora tornada estúdio de cinema.
A razão é simples: James Gunn, roteirista e diretor do primeiro filme e deste também, retoma a trama e seus personagens com uma espontaneidade que poucas continuações têm.
Se no filme anterior, o terráqueo Peter Quill (Chris Pratt) auto-denominado Senhor das Estrelas, havia assumido para si a tarefa de gerenciar o grupo improvável formado por ele, a guerreira Gamorra (Zoe Saldana), o mercenário Drax (Dave Bautista), o guaximin Rockett (voz de Bradley Cooper) e a árvore ambulante Groot (que, nesta seqüência, é uma hilária e adorável versão bebê do personagem adulto com voz de Vin Diesel), nesta nova trama, esse objetivo se revela mais complicado do que parecia: Rockett, num ímpeto habitual, resolve roubar baterias alienígenas de um povo conhecido como Soberanos –baterias estas que deveriam salvaguardar de uma criatura.
Perseguidos pelos Soberanos, os Guardiões da Galáxia terminam encontrando Ego (Kurt Russell, sempre sensacional), um ser cósmico que se revela o verdadeiro pai de Peter (que ele procura desde o filme anterior), e o leva até seu planeta –na verdade, ele próprio É o planeta! –para lhe elucidar sua origem (e do porque, na realidade, ele é uma ameaça para todo o universo!).
Ao mesmo tempo, Rockett e Groot envolvem-se numa enrascada ao lado de Yondu (Michael Rooker, num dos melhores personagens deste novo filme), quando este sofre um motim promovido por seus piratas espaciais ao lado de Nebulosa (Karen Gillan), a vingativa irmã de Gamorra.
Entre os novos personagens que marcam presença estão a empara Manthis (Pom Klementieff), que os leitores de quadrinhos sabem que passará a integrar a equipe –e já demonstra aqui uma química hilariante com Dave Bautista –e rápidas aparições de Starhwak (Sylvester Stallone, que infelizmente não divide nenhuma cena com Kurt Russell para reeditar a parceria de “Tango & Cash”) e de outros saqueadores espaciais (vividos por Wing Rhames, Michelle Yeoh e Michael Rosenbaun), personagens que podem vir sem sombra de dúvidas a integrar uma nova equipe de heróis cósmicos da Marvel no futuro.
Ainda mais engraçado, vibrante e pontual em suas referências à cultura pop (assim como na primeira produção a seleção de canções da trilha sonora, com clássicos dos anos 1970, é de uma deleite espetacular) do que o filme anterior, este roteiro de Gunn volta seu olhar aos laços afetivos e familiares que unem seus interessantes personagens e explora maravilhosamente bem suas dinâmicas, obtendo sucessivas cenas que flutuam com naturalidade entre o humor, o drama, a tensão e a ação.

domingo, 25 de setembro de 2016

Guardiões da Galáxia

Até 2014, podia-se dizer que o Universo Marvel Cinematográfico vivia em sua zona de conforto: Os filmes individuais de seus heróis, fizeram sucesso e tiveram muito êxito em estabelecer os fundamentos desse universo, refletindo a mesma estrutura dos quadrinhos, culminando no filme “Os Vingadores”, onde todos se juntaram. A partir daí, eles podiam investir em intermináveis continuações, como pôde ser conferido com os divertidos, mas relativamente reciclados “Homem de Ferro 3” e “Thor-O Mundo Sombrio”, lançados em 2013.
No ano seguinte, contudo, a Marvel Studios mostrou que não estava para brincadeiras, e lançou dois projetos que estabeleciam muito bem os planos de aprimoramentos e melhoramentos almejados pelo estúdio –o espetacular “Capitão América-Soldado Invernal” e este “Guardiões da Galáxia”.
De longe, o projeto mais ousado já executado pela Marvel, “Guardiões...” não apenas era baseado em personagens completamente desconhecidos do grande público, como também –devido ao fato de ser uma aventura nos confins do espaço sideral –não oferecia muitas oportunidades para construir uma conexão imediata com os heróis mais famosos, além do detalhe desafiador de que dois de seus personagens principais eram um guaxinim falante e uma árvore ambulante (!).
O escolhido para capitanear a empreitada (e que recebeu relativa liberdade criativa da Marvel para tal) foi o diretor e roteirista James Gunn (de filmes díspares, independentes e inusitados como a ficção “Seres Rastejantes” e a comédia “Super”) que soube acrescentar à bem-sucedida receita de bons filmes da Marvel uma salutar irreverência.
A trama se inicia no ano de 1988 quando, ainda criança, o terráqueo Peter Quill é abduzido por uma nave alienígena que o leva da terra na mesma noite em que perde sua mãe. Vinte e seis anos depois, ele é um caçador de recompensas em outra galáxia auto-denominado ‘Senhor das Estrelas’ (personificado com excelência e bom humor por Chris Pratt), cujas atividades ilícitas o fazem prisioneiro ao lado de outras figuras inusitadas como a assassina verde Gamorra (Zoe Saldana, ótima), o tal guaxinim falante citado acima, Rocket (na voz de Bradley Cooper), seu melhor amigo Groot (por sua vez, a arvora ambulante, cuja voz de Vin Diesel diz apenas uma frase todo o filme: “Eu sou Groot!”), e o anti-social Drax (o ex-lutador Dave Bautista). Juntos pelo acaso, eles acabam compondo uma equipe que deverá salvar toda a galáxia do maligno Ronan, o Acusador (Lee Pace), cujos planos de grandeza envolvem apoderar-se do Orbe, uma das Jóias do Infinito, cobiçadas também pelo poderoso Thanos (Josh Brolin, afiando as garras para um personagem que deve ser um dos grandes antagonistas de um filme vindouro dos Vingadores).
O resultado foi um sucesso estrondoso, prova de que a Marvel tinha plena consciência de que haviam limites ainda não testados para a evolução (e direção) na qual os filmes adaptados de quadrinhos poderiam seguir, e muito desse êxito se deve ao tom contagiante e descontraído adotado pelo ótimo elenco.

sábado, 23 de abril de 2016

O Resgate do Soldado Ryan

Existem alguns filmes que já nascem clássicos. Ao assistí-los, somos invadidos por aquela rara sensação de que, por mais recentes que sejam, estamos vendo uma obra destinada a ser um clássico moderno, um filme do qual gerações iram falar e comentar nos anos vindouros.
Poucas foram as vezes em que tive essas sensação, mas um delas ocorreu em 1999, quando vi pela primeira vez “O Resgate do Soldado Ryan”, e fiquei assombrado já em sua meia hora inicial, quando testemunhamos a cena da invasão das praias da Normandia pelos aliados, e somos arremessados num caos assombroso de destruição e morte.
É uma cena que Spielberg atreveu-se a filmar com inéditos realismo e transgressão, valendo-se de uma linguagem documental e de uma montagem nunca menos que primorosa. A forma como ele escolheu registrar este filme poderoso tornou-se moda em todos os filmes subseqüentes que tratavam de cenas de conflito, ainda que em 1986, um filme desconhecido, o bielo-russo “Vá e Veja” já trouxesse muitos dos artifícios muito bem empregados por Spielberg.
Contudo, o filme que se segue àqueles trinta primeiros minutos acachapantes não é menos que magnífico: Sobreviventes daquele mesmo episódio, um grupo de soldados liderados pelo capitão Miller (Tom Hanks em uma de suas mais sensacionais interpretações) acaba por receber a mais incomum das missões; em uma guerra onde todos morrem aos borbotões, eles são incumbidos de encontrar e trazer de volta para casa um único soldado, James Francis Ryan, o mais novo de cinco irmãos, todos falecidos em combate.
Como no também primordial “A Lista de Schindler” salvar uma única vida, como os soldados iram descobrir, vale todo o esforço do mundo.
Um passo definitivo na direção do cineasta sério e respeitado que Spielberg veio a se tornar, “Soldado Ryan” é repleto de considerações e momentos magníficos, onde percebemos a diferença que faz um grande diretor: Sua maturidade surge em diversas situações, como na do soldado covarde que deixa um alemão matar seus inimigos ou na comovente revelação de quem o ancião do início do filme realmente é, e os motivos que o levaram até aquele cemitério. Spielberg parece por vezes se conter em sua tentativa de manipular as emoções do espectador; sua abordagem intenciona ser o de um documentarista, tanto que demoramos a perceber o quanto é bela e funcional a trilha sonora de John Willians.

Tal qual outros primorosos filmes que vieram depois, como “Munique”, Lincoln” ou “Ponte dos Espiões”, o diretor, famoso por fantasias como “E.T.”, parece abordar a História como forma de lembrar que a maldade que deflagrou acontecimentos atrozes no mundo é um lembrete, para que eles nunca se repitam.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Velozes e Furiosos 7

Nessas horas eu me sinto aquele cara que costuma nadar contra a corrente. Já que, hoje em dia, todo mundo gosta da franquia Velozes e Furiosos por uma série de distintas razões.
Eu sempre achei uma bobagem, uma mera justificativa para corridas incessantes de carro. Mas, um amigo meu, fã da série, insistia para que eu desse uma chance a ela, que deveria vencer meu preconceito e tal.
O quê me levou a rever alguns desses filmes, culminando no tão falado sétimo filme, aquele que meio mundo assistiu devido à curiosidade mórbida por ter sido o trabalho que o ator Paul Walker (falecido por acidente com as filmagens ainda no meio) não conseguiu completar.
É um filme de ação com todas as letras. Daqueles exemplares típicos de hoje em dia, onde a montagem acelerada faz muita gente se perder em cena.
Não é uma questão de vencer o preconceito: se você é desses que não gosta de ação desenfreada, descerebrada e inverossímil, este filme não é para você.
Interessante que, nesse sentido há uma progressão nítida nos filmes da série. O primeiro Velozes e Furiosos, lançado lá no ano 2001, salvo as corridas que abrem e fecham a trama, tem uma única corrida de carros o filme inteiro! O resto é uma história de policial infiltrado, com ecos de "Caçadores de Emoção".
A pecha "filme de corrida de carros" foi mais acentuadamente abraçada na continuação "+ Velozes +Furioso", realizada só com Paul Walker, sem a participação de Vin Diesel. Embora a quantia de cenas de raja tenha sido ampliada exponencialmente, essa continuação é tida hoje, com quase unanimidade, como o mais fraco dos filmes da série.
Talvez tenha sido isso que levou ao fato de o terceiro filme ser uma história completamente independente dos dois primeiros. "Velozes e Furiosos - Desafio em Tóquio" mostrava uma trama na qual um jovem norte-americano envolvia-se em rachas arrojados disputados no Japão, onde a modalidade "drifting" era a grande sensação. A ideia, talvez, fosse seguir uma nova história dali para frente. Ou contar uma nova história a cada filme, sei lá...
 O importante era que, no terceiro filme da série, a entrada do diretor Justin Lin promoveu uma interessante melhora na direção: "Desafio em Tóquio" pode não ser o melhor da série, mas é, certamente, um dos mais bem construídos, apesar de sua trama frustrar o expectador  com quase nenhuma ligação com os anteriores, salvo uma participação especialíssima de Vin Diesel no final.
Foi assim que as coisas passaram a tomar um outro rumo. Com Justin Lin confirmado como diretor, o quarto filme recuperava Vin Diesel, agora não apenas como astro, mas como produtor também.
Com ele, voltaram Paul Walker e todos os protagonistas do primeiro filme, numa clara intenção de revitalizar a saga.
E foi o quê ocorreu, o filme seguinte, "Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio" dava continuidade ao gancho explícito deixado no filme do quarto filme, e trazia toda a trupe para correr nas ruas do Brasil, aproveitando para introduzir novos personagens ao grupo, inclusive um ainda vilanesco Duaine "The Rock" Johnson.
Enquanto narravam suas histórias com cenas de rachas de carro cada vez mais e mais mirabolantes, os roteiros dos filmes, sobretudo o quinto e o sexto, aproveitavam para juntar pontas soltas: O amigo de Paul Walker que surge do nada no segundo filme reaparece, o japonês do terceiro (ainda que ele tenha morrido no fim daquele filme!) torna-se figura recorrente na série.
O quê nos leva, enfim, ao sétimo filme...
Filmes de ação são fetichistas, não há a menor dúvida, e o fetiche de "Velozes e Furioso" sempre foram os carros, ainda que, a partir do quarto filme, a série tenha ganhado um forte sub-texto sobre família.
Em "Velozes e Furiosos 7" as corridas são insanas. Certamente, as mais bem elaboradas e complexas de toda a série (ainda que percam de lavada para as maravilhas técnicas que podemos ver em "Mad Max - Estrada da Fúria"). Só que o fato de cada filme ter de superar as proezas do filme anterior leva a um problema: As cenas de ação como um todo -e não apenas as de corridas de carro -são de um exagero que pode até assombrar quem não está acostumado aos filmes da série. Temos uma perseguição onde os carros descem por ribanceiras inacessíveis como se descessem uma estrada asfaltada; um carro pulando de um edifício para outro em Abu Dabi; e, no fim, uma corrimaça envolvendo os carros tunados de sempre, um helicóptero e um drone, que destroem metade da cidade (!).
O fato de não contarem com a presença do falecido Paul Walker, mas apenas de metade de suas cenas filmadas, torna este um filme menos sólido que os anteriores em termos narrativos. Percebe-se que, ao contrário dos outros filmes, o personagem dele, Brian O'Connel, é deixado muitas vezes de lado em prol do Toretto, de Vin Diesel, o quê muda muito da dinâmica que tínhamos visto os dois estabelecer ao longo da série. E isso é uma pena.
Não é, nem de longe, um caso como "O Cavaleiro das Trevas" cuja tragédia do falecimento de Heath Ledger levou milhares de expectadores ao cinema, mas que não afetou em nada o nível estratosférico de qualidade do filme.
Aqui, percebe-se, até com certo lamento, os momentos em que Paul Walker provavelmente teria mais presença com seu personagem, mas que são suprimidos e contornados com ajustes ou piadinhas do roteiro, e isso nem sempre funciona (na verdade, quase nunca funciona!).
E então chega a dita da cena final, na qual o filme faz uma curiosa despedida do seu personagem, com Vin Diesel e sua trupe numa praia ensolarada, discutindo a partida do amigo, com uma evidente constatação de que ele não estará mais entre eles. Nesse momente, não parecem falar de Brian O'Connel, mas do próprio Paul Walker.
A cena é de uma emoção real e palpável, que deve ter justificado muitas das rasgadas críticas positivas ao filme. Ele e Vin Diesel emparelham seus carros lado a lado, e enquanto uma música toca (composta especialmente em homenagem a Paul Walker) um sucessão de cenas invade a tela, relembrando os momentos de Paul desde o primeiro filme, até este que se encerra. Onde ele se despede do público.
Os carros correm por um estrada que então se divide, e o carro de Paul Walker parte sozinho, numa outra direção, com a voz poderosa e solene de Vin Diesel despedindo-se dele, mas prometendo que vão se encontrar uma outra vez.
Pode ser (e é!) um filme imperfeito, mas este é (ao lado do genial "Divertida Mente" da Pixar) o final mais emocionante do ano.