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quinta-feira, 17 de julho de 2025

Superman


 Há uma sensação curiosa e até deliberada a tomar conta do expectador já nos primeiros minutos de “Superman”: A de que a história que começamos ali a acompanhar já está em progresso e de que a pegamos, por assim dizer, ‘com o bonde andando’. Essa sensação provavelmente é um objetivo proposital da parte do diretor e roteirista James Gunn –como este filme em si é o ponto de partida de mais uma nova empreitada na tentativa de consolidar um Universo DC Comics nos cinemas, à exemplo do Universo Marvel Cinematográfico (a empreitada anterior, capitaneada por Zack Snyder foi um desfile de fracassos), o protagonista já chega habitando um mundo povoado de superseres –os chamados ‘metahumanos’ –alguns dos quais comparecerão sem cerimônia e sem timidez neste filme mesmo.

Detentora dos direitos dos personagens da DC Comics (a maior concorrente da Marvel nos quadrinhos), a Warner Bros Estúdios, na ânsia de finalmente acertar não hesitou em ciscar no terreno do vizinho –e não foi nem a primeira vez: Assim como em 2008, quando chamou o diretor de “X-Men”, Bryan Singer, para realizar “Superman-O Retorno”, a Warner prontamente contratou James Gunn (que na Marvel Studios foi responsável por toda a ótima Trilogia “Guardiões da Galáxia”) não só para encarregar-se deste novo filme do Superman, mas para ser a mente criativa por trás de todo um novo esforço para materializar um Universo DC a partir do zero, a começar, portanto, por seu mais emblemático superherói.

O conceito com o qual Gunn inicia seu filme é arrojado: Ele simula a impressão de ler uma história em quadrinhos real, na qual encontramos um herói já estabelecido (sem histórias de origem por aqui) e cujos percalços já flagramos em andamento. Não há exatamente um início e a miríade de narrativas que aqui parecem se deflagrar certamente não encontrarão, tão cedo, um desfecho. O maquiavélico Lex Luthor (Nicholas Hoult, num registro austero que felizmente deixa para trás tentativas pífias de agregar humor ao personagem) tem a intenção de minar a popularidade de Superman (o ótimo David Corenswet) para aí então matá-lo. Nos primeiros minutos de filme ele já alcança esse intento: Do alto de seus espantosos poderes, Superman acaba derrotado por um adversário que Luthor encomendou, um certo Martelo da Borávia.

No entanto, os planos de Luthor vão mais longe: Ele quer encontrar o esconderijo de Superman (neste caso, no Ártico, onde a Fortaleza da Solidão alberga os resquícios da tecnologia kriptoniana), voltar a opinião pública (que, por enquanto, o adora) contra ele, para aí então, confiná-lo numa prisão especial onde planeja tirar sua vida com sadismo.

O Superman, por sua vez, faz o que todas as encarnações anteriores do personagem buscaram fazer: Praticar o bem e salvar o máximo de pessoas –a diferença é que, desta vez, esses objetivos não parecem distorcidos por maneirismos de estilos ou por vícios de linguagem.

É bem verdade que a narrativa se atropela e ameaça se perder em meio à tantas informações, tantas idas e vindas e tantos personagens com considerável background a se desenvolver, entretanto, James Gunn é hábil o suficiente para nunca perder o foco no cerne da questão narrativa, a rixa existencial e pessoal entre Superman e Lex Luthor, bem como a relação, ainda cautelosa e hesitante, entre o próprio Superman e sua identidade civil, Clark Kent, com a repórter Lois Lane (a linda Rachel Brosnahan). Assim, chega até a ser chocante que justamente o elemento que torna este Superman tão diferenciado em relação às últimas transposições para o audio-visual seja justamente aquele elemento que sempre deveria ser atrelado à ele: A luz, a esperança e a inspiração que, como herói, o Superman sempre representou. No papel de Superman/Clark Kent, David Corenswet se ampara mais na lição primordial deixada pelo saudoso Christopher Reeve e menos na amargura inapropriada com a qual Henry Cavill foi obrigado a carregar seu Superman. Aqui, por diversos meios e pelos mais variados fatores, Superman volta a ser símbolo de tudo o que almejamos como seres humanos –e essa mensagem se vê muito bem contextualizada num filme que não omite seus desdobramentos políticos (Superman acaba mal visto publicamente por tentar parar um guerra SEM as devidas autorizações governamentais), suas complexidades factuais (diante de outros heróis com poderes, ele precisa se posicionar e se provar enquanto um defensor da justiça) e nem a ambiguidade de suas ideologias (desvencilhando-se do perigo de enaltecer um ser supremo, o diretor retrata Superman, mesmo com seus poderes, nas mais diversas circunstâncias de vulnerabilidade).

O resultado desta demonstração íntegra e intrínseca de pleno conhecimento do material-fonte (os quadrinhos) é um filme vibrante, colorida, esperançoso, agitado e francamente promissor. Ao contrário de 1979, hoje em dia, não basta Superman provar que o homem pode voar, ele precisa mostrar que seus valores e tudo aquilo que representa (e que faz dele o maior de todos os superheróis) são convicções inabaláveis retradas pelos mais talentosos e sinceros artesãos de cinema.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Os Indicados Ao Globo de Ouro 2024


 Mal nos acostumamos com a ideia de que o frenesi de 2023 entrou em sua reta final, e já temos entre nós a lista dos indicados ao Globo de Ouro do ano que vem! O que já confirma algumas previsões para uma certa estatueta dourada; e aponta para algumas surpresas também. Eis, portanto, os indicados nas categorias de cinema:

MELHOR ANIMAÇÃO EM LONGA-METRAGEM

The Boy and The Heron

Elementos

Homem-Aranha Através do Aranhaverso

Super Mario Bros

Suzume

Wish

MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESA

Anatomia de uma Queda (França)

Folhas de Outono (Finlândia)

Io Capitano (Itália)

Vidas Passadas (Estados Unidos)

Society of the Snow (Espanha)

Zona de Interesse (Reino Unido/Estados Unidos)

MELHOR FILME DE DRAMA

Anatomia de Uma Queda

Assassinos da Lua das Flores

Maestro

Oppenheimer

Vidas Passadas

Zona de Interesse

MELHOR FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL

Air

American Fiction

Barbie

The Holdovers

Segredos de um Escândalo

Pobres Criaturas

A categoria de animação tem, em “Homem-Aranha Através do Aranhaverso”, seu maior favorito, com a boa repercussão de “Super Mario Bros” e o fascínio recente provocado por “Suzume” colocando-os logo atrás. Na categoria dos estrangeiros, curiosamente, dois filmes produzidos (e, portanto, representando) os EUA concorrem a Melhor Filme em Língua Não Inglesa, tratam-se de “Vidas Passadas”, produzido pela A4 e falado, em sua maior parte no idioma sul-coreano, e o britânico “Zona de Interesse”, dirigido por Jonathan Glazer (de “Sob A Pele”), cuja trama é toda falada em alemão. Além disso, esses dois e mais o francês “Anatomia de Uma Queda” concorrem também na categoria maior de Melhor Filme de Drama. Contudo, nessas categorias principais, apesar da presença intimidadora da grande obra de Scorsese, “Assassinos da Lua das Flores”, quem reina supremo são “Oppenheimer” (em Drama, com 8 indicações) e “Barbie” (em Comédia e Musical, com 9, o recordista!), mostrando que a dobradinha nos cinemas ocorrida no meio do ano ainda está a fascinar público e crítica. Interessante será vermos para qual deles a predileção do Oscar irá pender, uma que vez que lá os filmes concorrerão todos numa só categoria.

MELHOR ATOR EM FILME DE DRAMA

Bradley Cooper (Maestro)

Leonardo DiCaprio (Assassinos da Lua das Flores)

Colman Domingo (Rustin)

Barry Keoghan (Saltburn)

Cillian Murphy (Oppenheimer)

Andrew Scott (Todos Nós Desconhecidos)

MELHOR ATRIZ EM FILME DE DRAMA

Annette Bening (NYAD)

Lily Gladstone (Assassinos da Lua das Flores)

Sandra Hüller (Anatomia de uma Queda)

Greta Lee (Vidas Passadas)

Carey Mulligan (Maestro)

Cailee Spaeny (Priscilla)

MELHOR ATOR EM FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL

Nicolas Cage (Dream Scenario)

Timothée Chalamet (Wonka)

Matt Damon (Air)

Paul Giamatti (The Holdovers)

Joaquin Phoenix (Beau Tem Medo)

Jeffrey Wright (American Fiction)

MELHOR ATRIZ EM FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL

Fantasia Barrino (A Cor Púrpura)

Jennifer Lawrence (Que Horas Eu Te Pego?)

Natalie Portman (Segredos de um Escândalo)

Alma Pöysti (Folhas de Outono)

Margot Robbie (Barbie)

Emma Stone (Pobres Criaturas)

Entre os atores, até agora ninguém parece mais relacionado ao prêmio do que o irlandês Cillian Murphy, embora Cooper e Dicaprio tenham chances de crescer ao longo da temporada. Na categoria de intérprete cômico, em meio à nomes de grande estatura como o sempre amado pelo público Nicolas Cage, o ótimo Timothée Chalamet e os sempre competentes Paul Giamatti e Matt Damon, além de Joaquim Phoenix, surpreendentemente indicado pelo terror “Beau Tem Medo” (há quem lamente ele não concorrer em Ator Dramático por “Napoleão”, eu certamente não sou uma dessas pessoas), o favoritismo acabou indo para Jeffrey Wright por seu trabalho em “American Fiction”, premiado no Festival de Toronto e, recentemente, no People’s Choice Awards.

Entre as atrizes, muitos torcem por uma vitória da excelente Lily Gladstone na categoria de drama, ela que é uma das forças maiores do filme de Scorsese, a despeito da forte concorrência de Annette Bening; na categoria de comédia, podemos perceber que Jennifer Lawrence, nem fazendo uma comédia chula e vulgar consegue perder a predileção do público e da crítica (embora o seu filme também seja realmente bom), mas ela tem de enfrentar a franca favorita ao prêmio, Margot Robbie, a Barbie em pessoa!

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Willem Dafoe (Pobres Criaturas)

Robert de Niro (Assassinos da Lua das Flores)

Robert Downey Jr (Oppenheimer)

Ryan Gosling (Barbie)

Charles Melton (Segredos de um Escândalo)

Mark Ruffalo (Pobres Criaturas)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Emily Blunt (Oppenheimer)

Danielle Brooks (A Cor Púrpura)

Jodie Foster (NYAD)

Julianne Moore (Segredos de um Escândalo)

Rosamund Pike (Saltburn)

Da'vine Joy Randolph (The Holdovers)

MELHOR DIREÇÃO

Bradley Cooper (Maestro)

Greta Gerwig (Barbie)

Yorgos Lanthimos (Pobres Criaturas)

Christopher Nolan (Oppenheimer)

Martin Scorsese (Assassinos da Lua das Flores)

Celine Song (Vidas Passadas)

MELHOR ROTEIRO

Greta Gerwig & Noah Baumbach (Barbie)

Tony McNamara (Pobres Criaturas)

Christopher Nolan (Oppenheimer)

Eric Roth & Martin Scorsese (Assassinos da Lua das Flores)

Celine Song (Vidas Passadas)

Justine Triet & Arthur Harari (Anatomia de uma Queda)

Seria esta a grande chance de Robert Downey Jr. (inclusive para chegar ao Oscar como forte favorito)? É o que, até aqui, está parecendo. Entre as coadjuvantes mulheres, Jodie Foster parece destacar-se soberana, entretanto, os trabalhos de Julianne Moore e Da’Vine Joy Randolph (de “Cidade Perdida”) têm tempo para crescerem até a premiação.

Na categoria de diretores, temos a disputa que parece monopolizar as atenções entre Christopher Nolan e Greta Gerwig (com ligeira vantagem para Nolan em vista da natureza mais séria de seu filme), com Martin Scorsese correndo, por enquanto, por fora. É de se supor que a Imprensa Estrangeira compense, entre Nolan e Gerwig, aquele que perder em Direção com o prêmio de Roteiro.

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

Jerskin Fendrix (Pobres Criaturas)

Ludwig Göransson (Oppenheimer)

Joe Hisaishi (The Boy and The Heron)

Mica Levi (Zona de Interesse)

Daniel Pemberton (Homem-Aranha Através do Aranhaverso)

Robbie Robertson (Assassinos da Lua das Flores)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"Addicted to Romance, Bruce Springsteen (She Came to Me)

"Dance the Night", Mark Ronson, Andrew Wyatt, Dua Lipa, Caroline Ailin (Barbie)

"I'm Just Ken", Mark Ronson, Andrew Wyatt (Barbie)

"Peaches", Jack Black, Aaron Horvath, Michael Jelenic, Eric Osmond, John Spiker (Super Mario Bros)

"Road to Freedom", Lenny Kravitz (Rustin)

"What Was I Made For", Billie Eilish O'Connell, Finneas O'Connell (Barbie)

CONQUISTA CINEMATOGRÁFICA E DE BILHETERIA

Barbie

Guardiões da Galáxia Vol. 3

John Wick 4

Missão Impossível - Acerto de Contas Parte 1

Oppenheimer

Homem-Aranha Através do Aranhaverso

Super Mario Bros

Taylor Swift: The Eras Tour

A categoria Conquista Cinematográfica e de Bilheteria é uma das duas novas categorias criadas pelo Globo de Ouro para esta nova edição –e franca favorita para deixar de existir já no ano que vem... –aparentemente feita para premiar o desempenho na bilheteria de projetos que levam o público às salas nesses tempos de streaming (o que justifica a presença, entre os indicados, do show de Taylor Swift). Nesse sentido, nenhum deles merece mais a ovação do que “Barbie”, a grande bilheteria de 2023.

A entrega dos prêmios e revelação dos ganhadores será realizada no domingo, dia 7 de janeiro de 2024.

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Guardiões da Galáxia Volume 3


 Já dissera Tony Stark (Robert Downey Jr.) em “Vingadores-Ultimato”: O fim faz parte da jornada. Pois é exatamente isso que vem reiterar este terceiro volume da trilogia concebida por James Gunn, também ela dentro do Universo Marvel Cinematográfico, cujo mérito maior talvez seja o de ter provado, perante toda a indústria, que sim, personagens outrora obscuros e absolutamente desconhecidos, quando tratados com refinamento, talento e uma equipe competente à frente e atrás das câmeras podem converter-se em ícones pop de tanto ou mais sucesso que os personagens já famosos e estabelecidos. “Volume 3” representa, em inúmeros aspectos, o fim da jornada. É o fim dessa equipe que conduziu fãs e expectadores casuais pelos recônditos do espaço sideral do MCU, e é, acima de tudo, uma despedida do próprio James Gunn à esses personagens –aos quais ele não deixa de declarar em cada instante de filme um amor incondicional –prestes à assumir a importante função de chefe da DC Studios, concorrente da Marvel.

Para tanto, vindo todos esses personagens de dois longa-metragens anteriores –e da expressiva participação em pelo menos outros dois filmes dos “Vingadores” –“Volume 3” acaba tendo assim muitas pontas soltas para unir. Existe, por exemplo, a situação romanticamente incerta entre Peter Quill (Chris Pratt) e Gamorra (Zoe Saldana), ela assassinada por Thanos em “Vingadores-Guerra Infinita”, mas, tendo retornado como uma versão alternativa (e nada benigna) de si mesma de outra realidade –e, portanto, sem qualquer vínculo com a equipe que antes virou sua família e sem qualquer memória do romance que construiu, aos trancos e barrancos, com o apaixonado Quill; há também a situação de Adam Warlock (Will Poulter), ser poderoso ainda que ingênuo, criado pela alienígena Ayesha (Elizabeth Debicki), como nos foi mostrado numa das cenas pós-crédito do “Volume 2”, com o intuito inicial de vingança contra os Guardiões da Galáxia. Mas, acima de tudo, há Rocket Racoon (voz de Bradley Cooper), o guaxinim humanóide e cibernético que, ao lado do homem-árvore Groot (voz de Vin Diesel), é um dos personagens favoritos dos fãs desde o primeiro filme. James Gunn foi providencial ao reservar toda a triste e dolorosa história de origem de Rocket para este último capítulo: É seguro afirmar, Rocket é o coração de “Guardiões da Galáxia-Volume 3”.

Sua história –contada em pontuais flashbacks que revelam sua criação pelas mãos do cruel, detestável e poderoso Alto-Evolucionário (Chukwudi Iwuji, num dos mais odiosos vilões da Marvel) –é de uma tristeza, uma angústia e um desamparo que chega a espantar quem está habituado à galhofa e ao humor constante de James Gunn. Mal dá pra acreditar que um personagem praticamente gerado por computador em sua íntegra seja capaz de comover de tal maneira. Rocket precisa de ajuda. Para salvá-lo, os Guardiões da Galáxia –que, mais que um grupo, se consolidaram praticamente como uma família –formados por Quill, Nebula (Karen Gillan), Drax (Dave Bautista), Manthis (Pom Klementieff) e Groot, partem, de seu reduto em Luganenhum, para a Contra-Terra, planeta-laboratório onde o Alto-Evolucionário conduz seus experimentos atrozes brincando de Deus com a vida de incontáveis criaturas inocentes, tendo uma delas sido Rocket, no passado.

Contudo, o tempo mostrou que Rocket é mais do que um experimento imperfeito como seu criador acreditava: Sua inteligência evoluiu, diante da necessidade de viver e de sobreviver, tornando-o algo mais do que o Alto-Evolucionário almejava. Agora, porém, ele quer Rocket de volta, pois, na ânsia de trilhar o caminho de sonhou, apesar de todas as suas perdas e decepções, Rocket foi capaz de evoluir –e o Alto-Evolucionário não sabe como ele o fez, nem como repetir isso em suas outras criações; só sabe que irá dissecar cada fibra de Rocket para descobrir.

No caminho para tentar salvar a vida de Rocket –infectado por uma espécie de vírus plantado nele por Adam Warlock num ataque –os Guardiões da Galáxia, obviamente, vão se cruzar com Gamorra, agora aliada aos Saqueadores, piratas espaciais liderados por Stakar (Sylvester Stallone, numa ponta de puxo), cujos laços com Quill (como namorada) e com Nebula (como irmã) podem, quem sabe, serem restaurados nesse percurso.

É claro que, sendo este o alardeado Volume Final, espera-se deste filme, sobretudo, em sua parte final, as imprevistas guinadas definitivas que haverão de selar o desfecho da maior parte dos personagens (e a Marvel Studios já se provou capaz de fazê-lo com emoção e contundência em “Ultimato”) e, possivelmente, até mesmo uma morte impactante a marcar este como o encerramento da história que começou no primeiro filme. Hábil, travesso e inteligente, James Gunn –em estado de graça, seja no roteiro, seja na direção –brinca, inclusive, com isso o tempo todo. Ele nos leva de uma emoção à outra, saltando com inédita e elevada habilidade do casual e confortável bom humor à emoção incontida e inebriante, e revela, neste terceiro trabalho com os Guardiões, uma nova faceta: A capacidade de realizar uma obra inesperadamente tensa.

Elaborado com a usual e reconhecida profusão de efeitos visuais que a Marvel Studios habitualmente entrega, e para tanto, dono de uma amplitude técnica invejável, “Guardiões da Galáxia-Volume 3” tem uma trama recheada de idas e vindas frenéticas, ora divertidas, ora atordoantes, e vale-se brilhantemente do fato –um trunfo sem igual para a Marvel –de que já conhecemos esses personagens, nos importamos com eles, sentimos com mais empatia e eficácia suas agruras e lamentamos com muito mais autenticidade suas tristezas, e isso faz com que sua última aventura seja, afinal, uma despedida nossa também. Uma emoção verdadeira, da qual partilhamos com imenso prazer.

Obrigado pela aventura, Guardiões.

terça-feira, 24 de maio de 2022

Serena


 Iminente milionário da indústria madeireira do centro-oeste norte americano dos anos 1930, George Pempleton (Bradley Cooper) conhece a impetuosa Serena (Jennifer Lawrence), com quem não tarda a casar-se, numa daquelas situações comuns aos matrimônios orquestrados antigamente. Serena revela-se um achado: Não só é linda e sem frescuras, com também é perspicaz e implacável no gerenciamento dos negócios do marido. Quando uma tragédia abate-se sobre o casal, porém (ela perde o bebê que trazia na barriga e a capacidade de ter filhos), Serena também revela outra característica: a psicose. E seu alvo passa a ser justamente o filho bastardo que seu marido tivera, anos antes, com uma humilde empregada. Estreando no cinema americano, a diretora Suzanne Blier, vinda do elogiado “Brothers” e do oscarizado “Em Um Mundo Melhor”, não consegue fazer jus a seus trabalhos realizados em sua Dinamarca natal e comete uma série de más escolhas que minam a qualidade de seu filme e da atuação de Jennifer Lawrence.

sexta-feira, 22 de março de 2019

Nasce Uma Estrela

Por muito tempo, Clint Eastwood acarinhou este projeto, a mais nova versão de uma premissa que vem sendo sistematicamente reaproveitada pelo cinema ao longo das gerações –há, até então, cinco versões de “Nasce Uma Estrela”! –inclusive muito foi ventilado o nome de Beyonce como protagonista.
Entre aquelas idas e vindas que são muito comuns no cinema comercial, o projeto terminou nas mãos do astro Bradley Cooper –possivelmente com alguma recomendação de Eastwood com quem ele filmou “Sniper Americano” –que aproveitou para fazer desta a sua estreia como diretor de cinema. E que estreia!
Encarando também o principal papel masculino –o que é surpreendente, sendo que além de atuar e dirigir, ele também tem de cantar e tocar instrumentos de forma convincente em cena –Bradley interpreta Jackson Maine, um famoso cantor country colhido no turbilhão de vícios que costumam levar um artista à decadência. Logo no início, ele vai a um bar de drag queens em busca de bebida e se surpreende com a inesperada performance de uma artista notável: Trata-se da estrela de fato do filme, Ally, vivida pela popstar Lady Gaga, dando à personagem evidentes características dela própria.
Jackson deixa-se fascinar pelo talento em estado bruto dela e, logo passa a usar de seus recursos para tê-la sempre por perto, permitindo até que ela cante com ele no palco (magnífica a cena em que eles cantam juntos a música vencedora do Oscar de Melhor Canção deste ano, a belíssima e poderosa “Shallow”) –proporcionando, enfim, sua chance de ascender ao estrelato.
É o que acontece: A medida que Ally acompanha Jackson em sua turnê, contribuindo com suas próprias músicas e apresentações –e a medida também que o romance entre os dois se consolida –Ally adquire rapidamente sua própria fama e autonomia como artista.
No entanto, Jackson, que tem lá seus próprios demônios com os quais lidar –seu alcoolismo, seu vício em drogas e seu próprio espírito indomável –entra numa espiral descendente de degradação em paralelo com a ascensão artística de Ally; e esse paradoxo de oposição experimentado pelos dois personagens principais lembra a trajetória (com características similares) vista no ganhador do Oscar, “O Artista” –apesar disso, não se enganem, este filme aqui é infinitamente superior!
Impressiona, a segurança com que Bradley Cooper conduz o filme, tirando enorme proveito do exemplo e da experiência adquirida com outros diretores com os quais colaborou –especialmente notável em seu estilo são as influências do próprio Eastwood e de David O’ Russell –Lady Gaga está arrebatadora, equilibrando sua exuberância como cantora a uma certa introspecção como atriz, e dessa feliz reunião de talentos, “Nasce Uma Estrela” extrai sua grande força: O brilho geral de todos os envolvidos contribui para evidenciar a imensa força perene nesta premissa que une, com rara habilidade, os fascinantes meandros do surgimento de uma celebridade, as engrenagens íntimas de um romance, os efeitos transformadores da mentoria e as abissais consequências de uma derrocada artística e pessoal.
Uma obra absolutamente admirável.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Se Beber, Não Case 2 e 3

O primeiro “Se Beber Não Case” ao mesmo tempo que era ótimo –e essa qualidade rendeu gorda bilheteria, sucesso de crítica e o Globo de Ouro de Melhor Filme de Comédia em 2009 –também se bastava em si mesmo tendo começo, meio e fim bem definidos.
Todavia, era questão de tempo que tanto êxito se traduzisse num novo filme.
Aguardado com expectativa pelos fãs numerosos arrebanhados pelo ótimo primeiro filme, a continuação foi lançada em 2011, debaixo de pelo menos uma polêmica bastante tola: A tatuagem em um dos personagens que reproduzia em caráter de homenagem a mesma tatuagem de Mike Tyson (a mais falada participação especial do primeiro filme), o que não impediu o tatuador Victor Whitmill de tentar processar os produtores do filme –as cópias em homevideo tiveram que ter seu lançamento atrasado em meses para que, segundo instrução dos advogados de Whitmill, a referência à tal tatuagem fosse digitalmente removida.
Contudo, vamos falar do filme em si.
Desta vez, não mais em Las Vegas, mas, na Tailândia, acompanhamos o casamento não de Doug (Justin Bartha que, ao contrário do que se esperava, não tem sua participação aumentada no filme, e permanece alheio aos acontecimentos) e sim de Stu (Ed Helms) que (também ao contrário do que se esperava) não vai se casar com a personagem de Heather Graham do filme anterior, mas sim com uma mocinha de descendência tailandesa (a bonitinha Jamie Chung, de “Sucker Punch” e “Sin City-A Dama Fatal”).
Como era de se imaginar, a cerimônia terá a presença do grande amigo Phil (Bradley Cooper, aquele que melhor soube administrar a carreira após do sucesso do primeiro filme) e do inacreditavelmente lesado Alan (Zach Galifianakis) que, após os acontecimentos do filme original, se vê ligeiramente ressentido pelo afastamento do “bando de lobos”.
A nova reunião representa a oportunidade para mais uma festa de arromba durante a despedida de solteiro de Stu, entretanto, na manhã seguinte, mais uma vez, uma presepada os aguarda: Sem lembrança das confusões da noite anterior –veja só... –eles se deparam com fato de que agora o irmão da noiva (e futuro cunhado de Stu) desapareceu (!), e precisam reunir indícios de tudo que aprontaram na noite anterior para descobrir onde ele está antes do prazo-limite do casamento.
Como se pode perceber, o filme em si pode não ser visto como uma continuação apenas, mas sim como uma reprodução do filme original, com alterações pontuais –mas, que não são contundentes o suficiente para que qualquer um não perceba a semelhança gritante na trama dos dois.
E como o frescor sempre possui um sabor melhor do que o requentado, é óbvio que o primeiro filme é infinitamente superior a este!

Se o segundo filme foi consequência do sucesso do primeiro, então pode-se perfeitamente afirmar que o terceiro filme foi, por sua vez, uma consequência das críticas mais comuns dirigidas à continuação –afirmando ser ela (não sem uma certa razão) uma mera refilmagem da história do original.
Com efeito, “Se Beber Não case 3” vai buscar material numa trama que se afasta de acontecimentos similares aos outros dois filmes.
O imaturo Alan envolve-se num inacreditável acidente envolvendo uma girafa –uma cena que mostra a dificuldade considerável encontrada pelos realizadores em fazer rir de fato neste terceiro filme –o que culmina numa sucessão de infortúnios que levam seus amigos, o chamado “bando de lobos”, à decisão radical de interna-lo numa clínica para doentes mentais.
A caminho de lá, Phil, Stu, Doug e o próprio Alan são abordados violentamente por Marshall (o sempre eficiente John Goodman) com uma encrenca que os persegue desde o primeiro filme: O insano gangster Leslie Chow (na interpretação aloprada de Ken Jeong) escapou da prisão (para onde tinha ido no filme anterior) em posse de milhões de dólares em barras de ouro roubadas de Marshall, e como seus únicos amigos são eles –Alan tem trocado e-mails com Chow desde então! –Phil, Stu e Alan são os únicos capazes de encontra-lo; dessa forma, Marshall sequestra Doug sob a promessa de mata-lo senão lhe for entregue Chow.
Com base nessa premissa um tanto sombria, mas de fato esforçada em se afastar de similaridades óbvias em relação aos outros filmes, o terceiro filme tenta assim, fazer graça e conduzir seus personagens a um desfecho digno, inclusive, levando sua ação de volta a Las Vegas na segunda metade, proporcionando assim diversas referências ao primeiro filme.
Tem lá seus momentos, por uma série de razões objetivas: Porque os personagens já são conhecidos do público e é agradável acompanha-los em suas peripécias; porque o diretor Todd Phillips se não exerce genialidade, ao menos, empresta ritmo aos acontecimentos; e porque o elenco em geral é competente, descontraído e bem entrosado –com as contribuições particulares de John Goodman, Ken Jeong e de Melissa McCarthy, numa ponta.
Nenhum desses elementos, porém, diz respeito a qualquer qualidade do filme propriamente dito, o que faz deste terceiro (e certamente último) exemplar da série, uma obra claudicante.
A trilogia que começou pulsante e levando um improvável sopro de ineditismo ao acomodado gênero de comédia terminou com aquilo que tinha orgulho de não ser: Um filme com pouca graça.

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Indicados Ao Oscar 2019


Os indicados ao Oscar 2019 foram anunciados. Vamos a eles:

Melhor Filme
Pantera Negra
Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Green Book-O  Guia
Roma
Nasce Uma Estrela
Vice

O público ainda se encontra extasiado pelas sete indicações de “Pantera Negra”, que inclusive se estendem até a mais importante nomeação –a de Melhor Filme –todavia, os filmes mais importantes na categoria, aqueles que têm a chance de ganhar o prêmio de fato são “Green Book” (que ganha cada vez mais força junto à crítica) e “Nasce Uma Estrela” (desde sempre um favoritíssimo), entretanto, nenhum goza de mais prestígio no momento do que “Roma” que obteve o maior número de indicação (dez) e ostenta uma excelência que levou a Academia a uma inédita aceitação das produções de streaming (às quais ele pertence) reconhecendo assim o cinema como uma arte que transcende os formatos impostos do passado.

Melhor Ator
Christian Bale, Vice
Bradley Cooper, Nasce Uma Estrela
Rami Malek, Bohemian Rhapsody
Viggo Mortensen, Green Book-O Guia
Willem Dafoe, No Portal da Eternidade

Bradley Cooper e Willem Dafoe perderam o Globo de Ouro de Ator em Drama para Rami Malek, e sua aplaudida personificação de Fred Mercury; Viggo Mortensen perdeu o mesmo prêmio para Christian Bale (desta vez, na categoria de Comédia), cuja transformação física quase sempre surte efeito positivo nos votantes da Academia.
Embora muitos críticos apreciem com ressalvas o trabalho de Rami Malek, há certa coerência em pensar que o Oscar de Melhor Ator pode ser o único prêmio válido e real para “Bohemian Rhapsody” –e o mesmo argumento pode valer para “Vice”, também.
Meu palpite é que o vencedor será definido no SAG Awards!

Melhor Atriz
Lady Gaga, Nasce Uma Estrela
Yalitza Aparicio, Roma
Glenn Close, A Esposa
Olivia Colman, A Favorita
Melissa McCarthy, Poderia Me Perdoar?

A atriz de “Roma” –que muitos críticos afirmavam ser uma injustiça sua ausência em algumas premiações –pegou muitos de surpresa aparecendo nesta categoria que, ninguém duvida, irá ficar polarizada entre Glenn Close e Lady Gaga; até mesmo a vencedora do Globo de Ouro de Melhor Atriz de Comédia ou Musical, Olivia Colman, surge à sombra delas.
Provavelmente o prêmio ficará com Glenn Close visto que já chegou a hora dela ser reconhecida com um Oscar –o quê ela, sendo a grande atriz que é, nunca levou!
Não que Lady Gaga vá sair da cerimônia de mãos abanando: Sua vitória na categoria de Melhor Canção Original é considerada certa.

Melhor Direção
Spike Lee, Infiltrado na Klan
Pawel Pawlikowski, Guerra Fria
Yorgos Lanthimos, A Favorita
Alfonso Cuarón, Roma
Adam McKay, Vice

Parece difícil acreditar, mas esta é a primeira indicação ao Oscar de Spike Lee, um dos diretores essenciais para a aceitação de temáticas minoritárias no cinema norte-americano no início dos anos 1990, e ela veio por um filme brilhante e aclamado, explosivo em seu tema como é de agrado de Lee.
Surpresa mesmo, porém, é a presença do polonês Pawel Pawlikowski (diretor do celebrado “Meu Amor de Verão”) quando muitos esperavam ver ali Bradley Cooper ou Peter Farrelly. Ainda assim, as atenções se voltam para Alfonso Cuarón que, cinco anos depois de “Gravidade”, fez mais uma obra que promete arrebatar prêmios.

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams, Vice
Marina de Tavira, Roma
Regina King, Se A Rua Beale Falasse
Emma Stone, A Favorita
Rachek Weisz, A Favorita

Outra surpresa foi o aparecimento de Marina de Tavira (por “Roma) ocupando o lugar que poderia ter sido de Claire Foy, por “O Primeiro Homem” –filme que foi bastante esquecido em muitas categorias.
Vencedora do Globo do Ouro, Regina King aparece com ligeiro favoritismo –há quem acredite que possa ser esse o único prêmio de expressão de “Se A Rua Beale Falasse” –mas, muitos apostam na força de Amy Adams para quem ela começa a perder mais terreno.

Melhor Ator Coadjuvante
Mahershala Ali, Green Book-O Guia
Adam Driver, Infiltrado na Klan
Sam Elliot, Nasce Uma Estrela
Richard E. Grant, Poderia Me Perdoar?
Sam Rockwell, Vice

Talvez, a única categoria (ao lado de Filme Estrangeiro) onde o vencedor já é certo: Será muito improvável que Mahershala Ali perca o prêmio, que ele já ganhou, dois anos atrás, por “Moonlight-Sob A Luz do Luar” –aliás, só para constar, o premiado do ano passado (Sam Rockwell, por “Três Anúncios Para Um Crime”) está ali, a disputar com ele...

Melhor Edição
Infiltrado na Klan
Bohemian Rhapsody
A Favorita
Green Book-O Guia
Vice

Melhor Animação
Os Incríveis 2
Ilha de Cachorros
Mirai
WiFi Ralph-Quebrando A Internet
Homem-Aranha No Aranhaverso

Ao repetir exatamente a mesma lista dos indicados ao Globo de Ouro, imagina-se que o Oscar repetirá também sua premiação: O ótimo “Homem-Aranha No Aranhaverso”, que vem, por sinal, amealhando diversos prêmios.
Curioso notar como os outros estúdios finalmente conseguiram igualar a genialidade narrativa que em animações, até outro dia, era exclusividade da Pixar e da Disney –que surgem na disputa com “Os Incríveis 2” e “WiFi Ralph”.

Melhor Fotografia
Guerra Fria
Roma
Nasce Uma Estrela
A Favorita
Nunca Deixe de Lembrar

Melhores Efeitos Visuais
Vingadores-Guerra Infinita
Christopher Robin
O Primeiro Homem
Jogador Nº 1
Han Solo-Uma História Star Wars

Notável a lembrança de três filmes estrangeiros na categoria de Melhor Fotografia (“Roma” já era esperado, mas “Guerra Fria” e “Nunca Deixe de Lembrar” foram surpresas) sendo que dois deles são filmados em preto & branco!
Nos Efeitos Visuais, “Guerra Infinita” proporcionou tanta comemoração quanto as numerosas indicações de “Pantera Negra” –vale lembrar que, até então, nenhum filme da Marvel Studios jamais levou um Oscar!

Melhor Roteiro Original
A Favorita
No Coração das Trevas
Green Book-O Guia
Roma
Vice

Melhor Roteiro Adaptado
A Balada de Buster Scruggs
Infiltrado na Klan
Poderia me Perdoar?
Se a Rua Beale Falasse
Nasce Uma Estrela

Um grande suspense que antecipou os anúncios dizia respeito se a Academia iria se render à necessidade de reconhecimento de grandes obras realizadas pelas plataformas de streaming (no caso, a Netflix) ao nomear “Roma”.
Daí a surpresa que, não apenas o filme de Cuarón apareceu entre os indicados como também o belo trabalho dos Irmãos Coen, “A Balada de Buster Scruggs”, foi merecidamente lembrado na categoria de Melhor Roteiro Original, assim como na da Figurino e Canção Original.

Melhor Filme Estrangeiro
Cafarnaum (Líbano)
Guerra Fria (Polônia)
Nunca Deixe de Lembrar (Alemanha)
Roma (México)
Assunto de Família (Japão)

Melhor Canção Original
All of The Stars - Pantera Negra
The Place Where the lost things go - O Retorno de Mary Poppins
Shallow - Nasce uma Estrela
I'll Flight - RBG
When a Cowboy Trade... - A Balada de Buster Scrugss

Melhor Documentário em Curta-Metragem
Black Sheep
End Game
Lifeboat
A Night at the Garden
Period.

Melhor Documentário em Longa-Metragem
Free Solo
Hale County this Morning , This Evening
Minding the Gap
RBG
Of Fathers and Sons

Melhor Design de Produção
Pantera Negra
A Favorita
O Primeiro Homem
O Retorno de Mary Poppins
Roma

Melhor Figurino
A Balada de Buster Scrugss
Pantera Negra
A Favorita
O Retorno de Mary Poppins
Duas Rainhas

Melhor Mixagem de Som
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
O Primeiro Homem
Roma
Nasce Uma Estrela

Melhor Edição de Som
Pantera Negra
Bohemian Rhapsody
O Primeiro Homem
Um Lugar Silencioso
Roma

Melhor Maquiagem
Border
Vice
Duas Rainhas

As categorias técnicas representam a melhor chance de “Pantera Negra” sair com algumas estatuetas debaixo do braço, ainda que hajam filmes bem cotados e merecedores nas de Melhor Design de Produção, Melhor Figurino (“A Favorita”, em ambos), Melhor Mixagem (“O Primeiro Homem”, já que não concorre a quase nada), e Melhor Edição de Som (“Um Lugar Silencioso”, outro apontado como um dos grandes injustiçados deste ano).

Melhor Curta em Animação
Animal Behaviour
Bao
Late Afternoon
One Small Step
Weekends

Melhor Curta-Metragem
Detainment
Fauve
Marguerite
Mother
Skin

Melhor Trilha Sonora
Nicholas Britell – Se a Rua Beale Falasse
Alexandre Desplat – Ilha de Cachorros
Ludwig Göransson – Pantera Negra
Marc Shaiman – O Retorno de Mary Poppins
Terence Blanchard - Infiltrado na Klan

A entrega dos prêmios será dia 24 de fevereiro.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Os Indicados Ao Globo de Ouro 2019


A temporada de prêmios começou. A lista divulgada hoje traz os concorrentes ao prêmio conferido pela Imprensa Estrangeira, o Globo de Ouro que, no passado, já foi o mais confiável dos termômetros para o Oscar. Eis os indicados somente nas categorias de cinema:

Melhor Roteiro
Alfonso Cuaron, por “Roma”
Deborah Davis e Tony McNamara, por “A Favorita”
Barry Jenkins, por “Se a Rua Beale Falasse”
Adam McKay, por “Vice”
Peter Farrelly, Nick Vallelonga e Brian Currie, por “Green Book-O Guia”

Melhor Diretor
Bradley Cooper (“Nasce Uma Estrela”)
Alfonso Cuaron (“Roma”)
Peter Farrelly (“Green Book-O Guia”)
Spike Lee (“Infiltrado na Klan”)
Adam McKay (“Vice”)

Melhor Filme Drama
“Infiltrado na Klan”
“Bohemian Rhapsody”
“Se a Rua Beale Falasse”
“Nasce Uma Estrela”

Melhor Musical ou Comédia
“Podres de Rico”
“A Favorita”
“Green Book-O Guia”
“O Retorno de Mary Poppins”
“Vice”

Além da predominância até já esperada do elogiadíssimo “Roma” e de “Vice”, a nova empreitada de Adam McKay depois da consagração com “A Grande Aposta”, o que surpreendeu foi a ausência de “O Primeiro Homem”, de Damien Chazelle, nas categorias principais.
Mas, nenhuma surpresa foi maior do que a lembrança de “Pantera Negra”, tornando-se assim o primeiro filme da Marvel Studios a concorrer em um prêmio de expressão –e ainda por cima na categoria de Drama, convenhamos, mais prestigiada que a de Musical ou Comédia.

Melhor Animação
“Ilha de Cachorros”
“Mirai”
“WiFi Ralph”
”Homem-Aranha no Aranhaverso”


Muitos trabalhos ainda inéditos no Brasil, como “WiFi Ralph” e “Homem-Aranha no Aranhaverso” disputam este prêmio tornando difícil apontar o favorito, mas “Os Incríveis 2” vem com o aval da Pixar e da Disney.
Penso que o prêmio ficará entre ele e a continuação de “Detona Ralph”.

Melhor Filme Estrangeiro
“Capernaum” (Líbano)
“Girl” (Bélgica)
“Never Look Away” (Alemanha)
“Roma” (Itália)
“Shoplifters” (Japão)

Imagina-se que, como ocorreu a quatro anos atrás, deva haver um predomínio do trabalho de Alfonso Cuaron nas premiações.
Nesta categoria não parece haver concorrente mais forte do que “Roma”, no entanto, a Imprensa Estrangeira pode ter conhecimentos a respeito de um desses indicados que nós ainda não temos.
Agora, mistério mesmo é como o Oscar irá se comportar em relação à Roma (que é um filme da Netflix!) se sua supremacia artística se confirmar ao longo desta temporada.

Melhor Ator Coadjuvante
Mahershala Ali (“Green Book-O Guia”)
Timothee Chalamet (“Beautiful Boy”)
Adam Driver (“Infiltrado na Klan”)
Richard E. Grant (“Can You Ever Forgive Me?”)
Sam Rockwell (“Vice”)

Com exceção de Richard E. Grant, os demais indicados são todos grandes atores surgidos nos últimos anos; não será fácil optar entre o fulgor de Sam Rockwell, o minimalismo de Adam Driver, a introspecção precisa de Timothée Chamalet e o surpreendente timing cômico de Mahershala Ali.

Melhor Atriz Coadjuvante
Amy Adams (“Vice”)
Claire Foy (“O Primeiro Homem”)
Regina King (“Se a Rua Beale Falasse”)
Emma Stone (“A Favorita”)
Rachel Weisz (“A Favorita”)

Eis que finalmente “O Primeiro Homem” aparece nesta categoria (ele só torna a reaparecer na de Trilha Sonora Original), representado justamente por Claire Foy que teve um 2018 promissor no cinema; com o papel de Lisbeth Salander em “A Garota Na Teia da Aranha” e este daqui ela começa a dar passos largos para obter na tela grande o mesmo reconhecimento que já tem na TV na série “The Crow”.
Quando à grande dúvida sobre as atrizes de “A Favorita” –ninguém sabia em quais categorias as três seriam colocadas –pelo menos o Globo de Ouro optou por colocar as mais famosas (Emma e Rachel) como coadjuvantes e a única desconhecida como atriz principal –já falamos dela...

Melhor Ator em Drama
Bradley Cooper (“Nasce Uma Estrela”)
Willem Dafoe (“At Eternity’s Gate”)
Lucas Hedges (“Boy Erased”)
Rami Malek (“Bohemian Rhapsody”)
John David Washington (“Infiltrado na Klan”)

Embora o público dê seu referendo aos trabalhos de Rami Malek e Bradley Cooper (este, é bom lembrar, também é diretor do filme), quem vem crescendo consideravelmente em rodas de apostas é a magnífica atuação de Lucas Hedges.

Melhor Atriz em Drama
Glenn Close (“The Wife”)
Lady Gaga (“Nasce Uma Estrela”)
Nicole Kidman (“O Peso do Passado”)
Melissa McCarthy (“Can You Ever Forgive Me?”)
Rosamund Pike (“A Private War”)

Embora a interpretação de Nicole Kidman seja apontada como uma das melhores do ano (e da sua carreira também) muito se aposta que esta seja finalmente a chance de Glenn Close ser premiada –não no Globo de Ouro, que ela venceu em duas ocasiões, mas no Oscar! Como o Globo de Ouro, bem como muitas das demais premiações, apontam o favoritismo que costuma se confirmar na festa do Oscar, é natural que ela saia na frente aqui.
Além de Nicole, ela tem a concorrência fortíssima de Lady Gaga, numa performance muito aplaudida por público e crítica.
Uma pena, porém, que não houve espaço para uma indicação para Tony Collette e seu poderoso trabalho no assustador “Hereditário”.

Melhor Ator em Comédia ou Musical
Christian Bale (“Vice”)
Lin-Manuel Miranda (“O Retorno de Mary Poppins”)
Viggo Mortensen (“Green Book-O Guia”)
Robert Redford (“The Old Man and the Gun”)
John C. Reilly (“Stan & Ollie”)

Entregando a excelência habitual com a qual nos acostumamos, Christian Bale e Viggo Mortensen chegam exigindo respeito, bem como o veterano Robert Redford que, a exemplo de Daniel Day-Lewis ano passado, anunciou sua aposentadoria de frente das câmeras.
É difícil, no entanto, ignorar o brilho e a emoção de John C. Reilly (debaixo de quilos de maquiagem) como Oliver Hardy na cinebiografia de o Gordo e o Magro, “Stan & Ollie”.

Melhor Atriz em Comédia ou Musical
Emily Blunt (“O Retorno de Mary Poppins”)
Olivia Colman (“A Favorita”)
Elsie Fisher (“Eighth Grade”)
Charlize Theron (“Tully”)
Constance Wu (“Podre de Ricos”)

Embora tenha a mesma importância na trama e o mesmo tempo de cena que suas companheiras de elenco, Emma Stone e Rachel Weisz, a desconhecida Olivia Colman ganhou a indicação como protagonista em detrimento da nomeação de suas colegas como coadjuvantes.
É essa indefinição uma das desvantagens dela na busca pelo prêmio que ela terá de disputar com os sempre bons trabalhos de Emily Blunt (na continuação de um clássico que as premiações podem insistir em lembrar), de Charlize Theron e de Constance Wu –possivelmente a favorita –num dos filmes-sensação da temporada.

Melhor Trilha Sonora Original
Marco Beltrami por “Um Lugar Silencioso
Alexandre Desplat por “Ilha de Cachorros”
Ludwig Göransson por “Pantera Negra”
Justin Hurwitz por “O Primeiro Homem”
Marc Shaiman por “O Retorno de Mary Poppins”

Melhor Música Original
All the Stars, de “Pantera Negra”
Girl in the Movies, de “Dumplin’”
Requiem for a Private War, de “A Private War”
Revelation, de “Boy Erased”
Shallow, de “Nasce Uma Estrela”

Nas categorias de Trilha Sonora e Música, “Pantera Negra” (que concorre em ambas) vai precisar disputar, no primeiro caso, com um filme magistral no uso da dinâmica entre o som e o silêncio (o muito digno de prêmios, “Um Lugar Silencioso” que infelizmente só foi lembrado aqui), e com um clássico dos musicais repaginado em toda sua glória (“Mary Poppins”).
Já no quesito Música Original, muitos acham improvável que “Nasce Uma Estrela” saia de mãos abanando.

A entrega dos Globos de Ouro ocorre dia 6 de janeiro.