Mostrando postagens com marcador Zoe Saldana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Zoe Saldana. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Amsterdam


 Escrito e dirigido pelo mesmo David O’Russell que surpreendeu público e crítica com “O Lado Bom da Vida” e “Trapaça”, “Amsterdam” passou despercebido quando foi lançado em 2022. A intriga verborrágica, mirabolante e intrincada que ele descortina (ainda que ampara em fatos reais, a chamada Conspiração Empresarial de 1933) não caiu no gosto dos expectadores, e a condução de O’Russell –como sempre, inclinada ao fascínio por tipos disfuncionais e por uma sistemática estranheza –não ajudou a tornar mais apetecível uma obra que, em sua indefinição, parece não pertencer a gênero nenhum: Durante suas mais de duas horas de duração, “Amsterdam” reúne elementos de film noir, suspense conspiratório, drama, comédia de humor negro e thriller político, tudo numa roupagem desigual que remete à década de 1930.

O enredo cheio de melindres gira em torno de três grandes amigos: Os soldados Burt Berendsen (Christian Bale), Harold Woodman (John David Washington, de “Resistência”) e a enfermeira Valerie (Margot Robbie). Em meados de 1918, Burt e Woodman se conheceram no front da Primeira Guerra Mundial e logo foram despachados para o hospital em que Valerie servia. A amizade foi instantânea –bem como o romance entre Harold e Valerie –e os três logo fugiram para Amsterdam a fim de viver um sonho até o limite do tolerável.

Entretanto, Burt, casado com a abastada Beatrice Vandenheuvel (Andrea Riseborough), precisou voltar para a América, trazendo Harold à reboque. Quinze anos depois, os dois trabalham numa clínica médica de quinta categoria para soldados veteranos em Nova York –Burt como médico-cirurgião, Harold como advogado –quando são procurados por Elizabeth Meekins (a cantora Taylor Swift), certa de que seu pai, o Senador Meekins, não morreu de causas naturais ao voltar de uma viagem à Europa.

Durante a autópsia, perpetrada por Burt e pela enfermeira Irma St. Clair (Zoe Saldaña), eles descobrem que o Senador foi envenenado e, quando dão por si, são tragados para dentro de um furacão: Na sequência, Elizabeth é assassinada, a culpa recai sobre Burt e Harold que logo se tornam os principais suspeitos aos olhos da polícia –personificada nos paspalhos personagens de Matthias Schoenaerts e Alessandro Nivola. Ao fugirem, Burt e Harold dão início à sua própria investigação a fim de limpar seus nomes, quando reencontram novamente Valerie, e vão descobrindo uma trilha de pistas que irá levá-los até um influente político de Washington (Robert De Niro) e, por fim, à uma terrível verdade acerca de um mal inominável que começa a despontar em certos governos totalitários da Europa, como a Itália e a Alemanha, E acredite, essa é só a ponta do iceberg!

Uma sinopse descrita em características normais não dá conta das idas e vindas, da deliberada excentricidade e da atmosfera de incomum ironia que persiste durante todo o tempo no filme de O’Russell, e embora esse elemento seja certamente grande parte de seu charme e diferenciação, ele é também seu calcanhar de Aquiles –o diretor O’Russell sempre foi muito afeito à esquisitices pontuais em suas narrativas. Em alguns casos, esse gosto curioso e apurado resultou em obras que foram capazes de contornar o estranhamento para surpreender ou até emocionar seu público; em outros –sobretudo seus trabalhos de início de carreira como a bizarra comédia romântica “A Mão do Desejo”, o inconformista “Flying With Disaster” e o filme sobre e para loucos (!) “Huckabees” –o produto final acabava sendo tão distante das convenções que simplesmente não se revelava palatável ao público. É esse o caso, aqui, de “Amsterdam”.

Não é que não seja um bom trabalho (ele é), não é que seu elenco não esteja bem (Christian Bale, pra variar, se mostra excelente, e os nomes estelares da produção só mostram o quanto a reputação de O’Russell é positiva), não é que o roteiro seja ruim (muito pelo contrário, ele reúne com certa maestria elementos díspares que poderiam, com menos talento, jamais surgirem tão bem ordenados numa narrativa) e nem que a direção de O’Russell deixe a desejar (seu manejo das inúmeras facetas de gêneros que se presta a abordar é extremamente elegante e inspirado,e nunca soa forçado ou cansativo), mas o fato é que “Amsterdam”, na sua originalidade tão contundente, provavelmente, está condenado a ser um cult-movie, uma obra incompreendida que, nos anos ou décadas por vir, será redescoberta por cinéfilos e admiradores que o enaltecerão, observando nele as qualidades que não foram notadas na sua época.

terça-feira, 4 de março de 2025

Os Vencedores do Oscar 2025


 Foi a noite da consagração de Sean Baker que saiu com nada menos que quatro estatuetas debaixo do braço (Produtor –que ele recebeu pela categoria principal, de Melhor Filme –Diretor, Roteiro Original e Montagem), e olha que “Anora” nem era o franco favorito. Assim como ocorreu em 2020 com “Parasita”, ele só começou a crescer na Temporada de Premiações nas últimas semanas demonstrando em cerimônias como o PGA, o DGA ou o Critic’s Choice que os votantes finalmente haviam descoberto um dos filmes mais deliciosos do ano, que já havia vencido a Palma de Ouro em Cannes.

Por sinal, quando todos acreditavam que a estatueta de Melhor Atriz estava entre Demi Moore e Fernanda Torres, eis que a jovem Mike Madison é anunciada a vencedora, despertando alguma reclamação nas redes sociais brasileiras –não, este definitivamente não é o mesmo caso de Gwyneth Paltrow em 1999; Mike Madison realmente MERECEU o Oscar!

Nós do Brasil, contudo, temos mais motivo para celebrar mesmo: Prestes a fazer 100 anos, o Oscar finalmente concede o prêmio de Melhor Filme Internacional a uma produção brasileira, coroando o avanço qualitativo de nossa cultura cinematográfica, e honrando uma obra que superou a barreira do idioma e das legendas para emocionar o público mundo afora.

O reflexo do quão disputada foi a premiação deste ano é que, salvo os cinco prêmios para “Anora”, houve uma distribuição parcimoniosa para todos os filmes –até mesmo “Wicked”, favorito para levar as categorias técnicas, se contentou com apenas dois prêmios, Melhor Figurino e Melhor Design de Produção. Os únicos favoritismos incontestes, do início ao fim, foram os de Zoe Saldaña e Kieran Culin como coadjuvantes.

MELHOR FILME

"Anora"

MELHOR DIREÇÃO

"Anora", Sean Baker

MELHOR ATRIZ

Mike Madison, "Anora"

MELHOR ATOR

Adrien Brody, "O Brutalista"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Zoe Saldaña, "Emília Perez"

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Kieran Culkin, "A Verdadeira Dor"

MELHOR LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

"Flow"

MELHOR FOTOGRAFIA

"O Brutalista"

MELHOR FILME INTERNACIONAL

"Ainda Estou Aqui" (Brasil)

MELHORES EFEITOS VISUAIS

"Duna-Parte 2"

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"In The Shadow Of The Cypress"

MELHOR FIGURINO

"Wicked"

MELHOR SOM
"Duna-Parte 2"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

"A Substância"

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

"Wicked"

MELHOR DOCUMENTÁRIO

“No Other Land"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

"The Only Girl In The Orchestra"

MELHOR CURTA-METRAGEM

“I’m Not A Robot"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

"O Brutalista"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"El Mal", de "Emília Perez"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

"Anora"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

"Conclave"

MELHOR MONTAGEM

"Anora"

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Os Indicados Ao Oscar 2025


 Na manhã de quinta-feira, foram anunciados os indicados ao maior prêmio do cinema, isso num período em que Los Angeles –sede habitual da premiação –enfrenta uma calamidade de incêndios sistemáticos em sua costa litorânea, o que alimenta o protesto de muitos que até exigem uma espécie de cancelamento da cerimônia, ou mais especificamente, uma alteração no formato normalmente pomposo da festa para uma exibição mais austera com o objetivo de arrecadar donativos para as pessoas prejudicadas pelo fogo. O próprio anúncio dos indicados foi atraso duas vezes (sua data inicial era 17 de janeiro, depois mudado para o dia 19, e agora finalmente concretizado neste 23 de janeiro de 2025).

Ainda assim, a lista de indicados nos permite vislumbrar o ano espetacular que 2024 foi para o cinema, entregando uma variedade espantosa de fantásticos trabalhos, entre os quais, uma produção brasileira que finalmente quebrou um jejum de décadas e está indicada entre algumas das principais categorias. Vamos lá:

Melhor Filme

“Anora”

“O Brutalista”

“Um Completo Desconhecido”

“Conclave”

“Duna-Parte 2”

“Emilia Pérez”

“Ainda Estou Aqui”

“Nickel Boys”

“A Substância”

“Wicked”

Melhor Direção

Sean Baker por “Anora”

Brady Cobert por “O Brutalista”

James Mangold por “Um Completo Desconhecido”

Jacques Audiard por “Emilia Pérez”

Coralie Fargeat por “A Substância”

Embora sejam dez indicados na categoria de Melhor Filme (incluindo a inédita presença do brasileiro “Ainda Estou Aqui”), pode-se dizer que os Melhores Filmes do Ano de fato (e que constariam entre os indicados caso o número de vagas ainda fosse restrito à cinco como antigamente), são aqueles que surgem na categoria de melhor Direção –entretanto, sobram objeções para a presença de “Emília Pérez” (que, embora venha sendo bem aceito nos EUA, coleciona críticas e reprovações em todo o resto do mundo). Aliás, “Emília Pérez” assim como “O Brutalista”, (justamente os dois maiores favoritos) veem sofrendo uma polêmica recente onde profissionais acusam ambas as produções de lançar mão do uso de Inteligência Artificial, o que pode enfraquecer suas campanhas, algo que pode perfeitamente beneficiar o primoroso “Anora”, de Sean Baker.

Melhor Ator

Adrien Brody, por “O Brutalista”

Timothée Chalamet, por “Um Completo Desconhecido”

Colman Domingo, por “Sing Sing”

Ralph Fiennes, por “Conclave”

Sebastian Stan, por “O Aprendiz”

Melhor Atriz

Cynthia Erivo, de “Wicked”

Karla Sofía Gascón, de “Emilia Pérez”

Mikey Madison, por “Anora”

Demi Moore, por “A Substância

Fernanda Torres, por “Ainda Estou Aqui”

Se por um lado a categoria de Melhor Ator traz Adrien Brody como um favorito isolado e sem concorrentes mais fortes, a de Melhor Atriz, por outro, está disputadíssima: Entre as melhores atuações do ano, a maravilhosa Mikey Madison compete diretamente com a favorita Demi Moore (que ganhou muitos pontos com seu discurso emotivo no Golden Globe, mas ainda é uma incógnita já que a Academia não aprecia filmes de terror), assim como seguem firme na disputa Cynthia Erivo (num desempenho que predominou em todas as premiações do ano) e Karla Sofia Gascón (cuja agressiva e eficiente campanha da Netflix destaca o fato de ser a primeira atriz trans a concorrer ao prêmio). Nessa competição, a brasileira Fernanda Torres surge com chances bastante reais de trazer o Oscar para o Brasil, visto que ela conquistou o prêmio de Atriz Dramática no Golden Globe e vem fazendo uma campanha bastante sólida nos EUA.

Melhor Ator Coadjuvante

Yura Borisov, por “Anora”

Kieran Culkin, “A Verdadeira Dor”

Edward Norton, “Um Completo Desconhecido”

Guy Pearce, de “O Brutalista”

Jeremy Strong, de “O Aprendiz”

Melhor Atriz Coadjuvante

Monica Barbaro, por “Um Completo Desconhecido”

Ariana Grande, por “Wicked”

Felicity Jones, por “O Brutalista”

Isabella Rossellini, por “Conclave”

Zoe Saldaña, por “Emilia Pérez”

Sempre as categorias mais fáceis de serem antecipadas –e a tendência desta temporada parece imitar a das anteriores –os Coadjuvantes seguem firme com seus favoritos bem definidos: Dificilmente o Oscar vai escapar das mãos de Kieran Culkin no caso dos Atores (ainda que eu tenha ficado feliz com a indicação inesperada de Yura Borisov), e de Zoe Saldaña, no caso das Atrizes (talvez, o único prêmio que “Emília Pérez” deve conquistar sem suscitar controvérsias).

Melhor Figurino

“Um Completo Desconhecido”

“Conclave”

“Gladiador II”

“Nosferatu”

“Wicked”

Melhor Cabelo e Maquiagem

“Um Homem Diferente”

“Emilia Pérez”

“Nosferatu”

“A Substância”

“Wicked”

Melhor Trilha Sonora Original

“O Brutalista”

“Conclave”

“Emilia Pérez”

“Wicked”

“Robô Selvagem”

Melhor Design de Produção

“O Brutalista”

“Conclave”

“Duna-Parte 2”

“Nosferatu”

“Wicked”

Melhor Edição

“Anora”

“O Brutalista”

“Conclave”

“Emilia Pérez”

“Wicked”

Melhor Som

“Um Completo Desconhecido”

“Duna-Parte 2”

“Emilia Pérez”

“Wicked”

“Robô Selvagem”

Melhores Efeitos Visuais

Alien-Romulus

“Better Man”

“Duna-Parte 2”

Planeta dos Macacos-O Reinado

“Wicked”

Melhor Fotografia

“O Brutalista”

“Duna-Parte 2”

“Emilia Pérez”

“Maria Callas”

“Nosferatu”

As categorias técnicas, de modo geral, refletem as lembranças dos votantes em “Duna-Parte 2” (certamente o favorito para Efeitos Visuais), em “Wicked” (onde ele obteve sua soberania em número de indicações”), em “Nosferatu”, e em “Gladiador II” (mais lembrado por estrear num período do ano propício para a lembrança dos membros da Academia), além também do completo esquecimento de “Furiosa-Uma Saga Mad Max”, tecnicamente perfeito (e digno de constar entre muitas das categorias), mas também um dos grandes fracassos do ano.

Melhor Filme Internacional

“Ainda Estou Aqui” (Brasil)

“The Girl with the Needle” (Polônia)

“Emilia Pérez” (França)

“The Seed of the Sacred Fig” (Irã)

“Flow” (Letônia)

Melhor Animação

“Flow”

Divertida Mente 2

“Memoir of a Snail”

“Wallace e Gromit-Avengança”

“O Robô Selvagem”

A indicação na categoria de Filme Internacional fecha a coroação de “Ainda Estou Aqui”, lembrado em três das mais importantes categorias do Oscar (em 2004, “Cidade de Deus” obteve quatro indicações, mas em categorias menores: Direção, Roteiro Adaptado, Fotografia e Montagem). Seu grande concorrente é certamente o onipresente “Emília Pérez”, seguido de perto pelo elogiado “The Seed of The Sacred Fig” e até mesmo pela fascinante animação “Flow” que chega fortíssima em Melhor Animação, roubando o favoritismo de “Robô Selvagem”.

Melhor Curta-Metragem em Live-Action

“A Lien”

“Anuja”

“I’m Not a Robot”

“The Last Ranger”

“The Man Who Could Not Remain Silent”

Melhor Animação em Curta-Metragem

“Beautiful Men”

“In the Shadow of the Cypress”

“Magic Candies”

“Wander to Wonder”

“Yuck!”

Melhor Roteiro Adaptado

“Um Completo Desconhecido”

“Conclave”

“Emilia Pérez”

“Nickel Boys”

“Sing Sing”

Melhor Roteiro original

“Anora”

“O Brutalista”

“A Verdadeira Dor”

“Setembro 5”

“A Substância”

Melhor Canção Original

“El Mal”, de “Emilia Pérez”

“The Journey”, de “The Six Triple Eight”

“Like a Bird”, de “Sing Sing”

“Mi Camino”, de “Emilia Pérez”

“Never Too Late”, de “Elton John-Never Too Late”

Melhor Documentário

“Black Box Diaries”

“No Other Land”

“Porcelain War”

“Soundtrack to A Coup D’Etat”

“Sugarcane”

Melhor Documentário de Curta-Metragem

“Death By Numbers”

“I am Ready, Warden”

“Incident”

“Instruments of a Beating Heart”

“The Only Girl in the Orchestra”

É isso aí, saberemos quem serão os vencedores (e se o Brasil vai, enfim, conseguir um tão aguardado Oscar) na noite do dia 2 de março, quando forem anunciados os ganhadores durante a cerimônia.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2025

Os Vencedores do Globo de Ouro 2025


 Eu ainda insisto nesse hábito de chamar a premiação de Globo de Ouro, quando na verdade, imprensa, crítica especializada e público já chamam Golden Globe... mas, a despeito disso, tivemos uma ideia, neste domingo dia 5 de janeiro de 2025, dos prováveis favoritos à temporada de prêmios em geral, e ao Oscar em particular, ou será que não? E no meio disso tudo, um bem-vindo sopro de orgulho para nós, brasileiros!

Vamos lá, às categorias de cinema:

MELHOR FILME DE DRAMA

O Brutalista

MELHOR FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL

Emilia Pérez

MELHOR DIREÇÃO

Brady Corbet (O Brutalista)

MELHOR ATOR EM FILME DE DRAMA

Adrian Brody (O Brutalista)

O favoritismo até então claudicante de “Emilia Pérez” confirmou-se com suas quatro vitórias no Globo de Ouro –incluindo a categoria de Filme em Língua Não Inglesa, derrotando o Brasil –o mesmo parece valer (embora com um pouco menos de intensidade por parte da crítica) para “O Brutalista”, logo atrás com três prêmios; curioso que o ator Adrien Brody, após sua consagração com “O Pianista” há uns vinte e dois anos atrás, volta aos holofotes e às premiações com um personagem bastante parecido. Embora tenha saído de mãos vazias (apesar de muitas indicações e de ostentar até então um considerável favoritismo), “Anora” tem sido bastante lembrado nas indicações de praticamente todos os prêmios de Melhor do Ano, o que pode favorecê-lo se a maré virar para o seu lado no futuro da temporada.

MELHOR ATRIZ EM FILME DE DRAMA

Fernanda Torres (Ainda Estou Aqui)

O grande momento da noite, pelo menos para nós, aqui no Brasil. Não havia uma favorita na categoria de Atriz Dramática, embora as concorrentes de Fernanda Torres fossem fortes (e, pelo menos, Tilda Swinton, de “O Quarto Ao Lado”, fosse apontada por algumas casas de apostas como provável vencedora), isso culminou com sua emocionante vitória, o que pavimenta seu caminho para uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz, seguindo os passos da mãe Fernanda Montenegro –ela também foi indicada o Globo de Ouro de Atriz Dramática em 1999 (conquistado, na ocasião, por Cate Blanchet por “Elizabeth”), lembrando que, no Oscar, quando foi indicada, foi lamentavelmente preterida por Gwyneth Paltrow. Espera-se que desta vez a Academia e os votantes (que não são mais os mesmos!) não repitam esse erro.

MELHOR ATOR EM FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL

Sebastian Stan (Um Homem Diferente)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Zoe Saldana (Emilia Pérez)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Kieran Culkin (A Verdadeira Dor)

Muitas caras relativamente novas na premiação para cinema. Com dois astros vindos –veja só! –da Marvel Studios (Sebastian Stan, o Soldado Invernal; e Zoe Saldana, a Gamora de “Guardiões da Galáxia”) para a consagração em obras de gente grande. Mas, Sebastian realmente mereceu por seu belíssimo trabalho, e a entrega de Zoe Saldana à sua personagem (o que inclui um número musical cheio de energia) é uma das grandes surpresas de “Emilia Pérez”. Finalmente, o já premiado Kieran Culin começa a migrar de sua área habitual, a TV, para o cinema, garantindo o único prêmio da noite para o filme escrito e dirigido por Jesse Eisenberg.

MELHOR ATRIZ EM FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL

Demi Moore (A Substância)

Dona do discurso mais emocionante da noite, Demi Morre surpreendeu muita gente (incluindo ela própria) ao ser anunciada como vencedora na categoria de Melhor Atriz Cômica –até porque o terror “A Substância”, ainda que magnífico, está longe de ser uma ‘Comédia ou Musical’ como alardeado na categoria... –quando muitos já esperavam uma vitória de Karla Sofía Gascón, por “Emilia Pérez”, ou de Mikey Madison, por “Anora”, apontadas como as favoritas. Como a própria Demi afirmou, esse é seu primeiro prêmio conquistado na carreira como atriz; e deu uma vontade danada de vê-la indicada ao Oscar para ver onde isso vai dar!

MELHOR ANIMAÇÃO EM LONGA-METRAGEM

Flow

MELHOR ROTEIRO

Peter Straughan (Conclave)

MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESA

Emilia Pérez (França)

Uma pena o belíssimo “Robô Selvagem” ter perdido para “Flow” que foi pouco falado, pelo menos, por aqui. No entanto, críticos de todos os cantos estão reiterando ser essa, realmente, a grande animação de 2024, e não o longa-metragem da Dreamworks. “Emilia Pérez” simplesmente arrebatou o prêmio de Filme em Língua Não Inglesa, definindo-o como o favorito para essa temporada, ao menos, nessa categoria. Uma pena para “Ainda Estou Aqui”... Na categoria de Melhor Roteiro, “Conclave” parece prevalecer como sua única chance de vitória nas outras premiações.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"El Mal", Camille, Karla Sofía Gascón e Zoe Saldana (Emilia Pérez)

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

Trent Raznor e Aticcus Ross (Rivais)

CONQUISTA CINEMATOGRÁFICA E DE BILHETERIA

Wicked

A Canção Original de “Emilia Pérez” já era quase uma barbada, isso porque o filme de Jacques Audiard concorria já com duas canções (mesmo procedimento que houve com “Barbie” ano passado) e “El Mal” tem, de fato, uma execução poderosa, certamente um dos grandes momentos do longa. A trilha sonora ficou com Trent Raznor e Aticcus Ross (os mesmos de “A Rede Social”) definindo o único prêmio para o filme de Lucca Guadagnino, e o troféu de Conquista Cinematográfica e de Bilheteria para “Wicked” acabou soando como um prêmio de consolação (impressão que já havia se dado ano passado), quando minha torcida era mesmo para “Deadpool & Wolverine”.

Agora é possível afirmar que a Temporada de Prêmios realmente começou; em uma semana teremos Critics Choice Awards, depois Bafta, SAG e tudo o mais, até culminarmos no Oscar, do qual ainda não temos as indicações. Quem viver, verá!

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Os Indicados Ao Globo de Ouro 2025


 Nesta última segunda-feira foram anunciados os nomes dos indicados ao Globo de Ouro 2025, a ser realizado no dia 5 de janeiro de 2025. Prêmio de cinema e TV conduzido pelo Impressa Estrangeira, o Globo de Ouro –ou Golden Globe –já foi visto como uma prévia do Oscar, embora muitas decisões e escolhas promovidas nos últimos anos tenham afastado essa impressão. No entanto, ainda é parte fundamental da temporada de prêmios, e certamente vai interferir (e antecipar) muitas características que integrarão a cerimônia do careca dourado. Vamos às indicações e às considerações (lembrando que aqui só serão mencionados os indicados de cinema):

Melhor filme dramático

"O Brutalista"

"Um Completo Desconhecido"

"Conclave"

"Duna-Parte 2"

"Nickel Boys"

"Setembro 5"

Melhor filme de comédia ou musical

"Anora"

"Rivais"

"Emilia Perez"

"A Verdadeira Dor"

"A Substância"

"Wicked"

Primeira mudança: Agora as categorias predominantes contam com um limite de seis vagas (e não cinco como em anos anteriores), o que eleva os nomeados para as duas categorias de Melhor Filme para doze! Assim como seu brilhante antecessor, o mais brilhante ainda “Duna-Parte 2” sofreu uma ligeira esnobada do Globo de Ouro, embora deva reinar majestoso nas categorias técnicas do Oscar. Surgem com algum favoritismo aqui “Emilia Perez” –líder em indicações, com dez –e “O Brutalista” –sete indicações –“Emilia Perez”, por sinal, saiu fortíssimo do Festival de Veneza em maio, mas havia perdido algum fôlego quando estreou com uma ou outra crítica negativa. Muitos comemoraram a inclusão (inclusive noutras expressivas categorias) do ousado “A Substância”, caminhando a passos largos para virar o grande cult-movie de 2024 (e para ganhar improváveis, ainda que merecidas, indicações ao Oscar). Embora o aguardado filme de Luca Guadagnino “Queer” tenha ficado de fora da categoria principal (entre outras razões por não ter agrado boa parte da crítica), o seu “Rivais”, lançado com atraso no início do ano, foi capaz de se manter memorável para conquistar uma nomeação. E a campanha de “Wicked”, que entre outras estratégias providenciais agendou seu lançamento para o final de ano, deu frutos obtendo um bom números de indicações.

Melhor atriz de filme dramático

Pamela Anderson, "The Last Showgirl"

Angelina Jolie, "Maria Callas"

Nicole Kidman, "Baby Girl"

Tilda Swinton, "O Quarto Ao Lado"

Fernanda Torres, "Ainda Estou Aqui"

Kate Winslet, "Lee"

Os brasileiros ficaram em polvorosa quando, nesta categoria, surgiu nossa querida Fernanda Torres, que parece repetir os passos da própria mãe, Fernanda Montenegro, que culminou indicada a Melhor Atriz na cerimônia do Oscar 1999. Fernandinha pode refazer esses mesmos passos, contudo, aqui ela disputa com um sex-symbol de décadas passadas retornando à ribalta por meio de um projeto corajoso e surpreendente (Pamela Anderson); duas atrizes que costumam equilibrar atuações elogiáveis com estrelato inquestionável (Nicole Kidman e Angelina Jolie); uma elogiada intérprete inglesa defendendo o primeiro filme falado em inglês de Pedro Almodóvar (Tilda Swinton) e uma premiada atriz, tarimbada em obter aclamação nas premiações (Kate Winslet).

Melhor direção

Jacques Audiard, "Emilia Perez"

Sean Baker, "Anora"

Edward Berger, "Conclave"

Brady Corbet, "O Brutalista"

Coralie Fargeat, "A Substância"

Payal Kapadia, "Tudo O Que Imaginamos Como Luz"

Edward Berger (de “Nada de Novo no Front”) e Jacques Audiard (de “O Profeta”) não são estranhos às premiações, mas certamente são presenças bastante inesperadas (bem como os longa-metragens que realizaram) as de Brady Corbet, Coralie Fargeat, Sean Baker (de “Projeto Flórida”) e Payal Kapadia. Na esteira da repercussão positiva em Cannes, o favorito é Baker, cujo “Anora” saiu premiado com a Palma De Ouro (embora conte com um total de apenas cinco indicações), mas muita coisa pode mudar.

Melhor ator em filme dramático

Adrien Brody, "O Brutalista"

Timothée Chamalet, "Um Completo Desconhecido"

Daniel Craig, "Queer"

Colman Domingo, "Sing Sing"

Ralph Fiennes, "Conclave"

Sebastian Stan, "O Aprendiz"

Esperava-se que o jovem Timothée Chamalet fosse indicado por “Duna-Parte 2”, no entanto, ele saiu-se com essa prodigiosa atuação vivendo Bob Dylan no filme de James Mangold, seus competidores mais expressivos certamente são Daniel Craig quebrando de vez a imagem de James Bond (e defendendo com unhas e dentes a única indicação de “Queer”), o elogiado trabalho de Ralph Fiennes e Sebastian Stan, o Soldado Invernal da Marvel Studios, que este ano conseguiu emplacar duas indicações no Globo de Ouro.

Melhor atriz em filme de comédia ou musica

Amy Adams, "Canina"

Cynthia Erivo, "Wicked"

Karla Sofía Gascón, "Emilia Perez"

Mikey Maddison, "Anora"

Demi Moore, "A Substância"

Zendaya, "Rivais"

Melhor ator em filme de comédia ou musical

Jesse Eisenberg, "A Verdadeira Dor"

Hugh Grant, "Herege"

Gabriel LaBelle, "Saturday Night"

Jesse Plemons, "Tipos de Gentileza"

Glen Powell, "Assassino Por Acaso"

Sebastian Stan, "Um Homem Diferente"

Parece haver um consenso entre os críticos e votantes do Globo de Ouro (que já foi percebido, ao longo dos anos, no Oscar também) de que, se um filme possue um gênero indefinido, ou mesmo incategorizável, ele é indicado à Melhor Comédia ou Musical –só assim para entender as indicações nessa categoria para Hugh Grant pelo terror “Herege” (no qual ele está surpreendente, diga-se) e para Jesse Plemons (que venceu em Cannes!) pelo estranho, porém fascinante “Tipos de Gentileza”. O mesmo ocorre em Melhor Atriz de Comédia ou Musical para Demi Moore no nada engraçado “A Substância”, todavia, entre as mulheres prevalace o irônico favoritismo de Karla Sofía Gascón, a primeira atriz trans na História indicada ao prêmio (uma manobra que dificilmente deixará de ser repetida pelo Oscar), já entre os Atores, o favorito ainda parece incerto, mas seria muito interessante ver o belo trabalho de Glen Powell, num dos filmes mais sensacionais do ano, ser recompensado.

Melhor atriz coadjuvante

Selena Gomez, "Emilia Perez"

Ariana Grande, "Wicked"

Felicity Jones, "O Brutalista"

Margaret Qualley, "A Substância"

Isabella Rossellini, "Conclave"

Zoe Saldana, "Emilia Perez"

Melhor ator coadjuvante

Denzel Washington, "Gladiador II"

Kieran Culkin, "A Verdadeira Dor"

Guy Pierce, "O Brutalista"

Jeremy Strong, "O Aprendiz"

Yura Borisov, "Anora"

Edward Norton, "Um Completo Desconhecido"

Em Atriz Coadjuvante, as duas colegas de “Emilia Perez”, a jovem Selena Gomez e a bem-sucedida Zoe Saldana, terão de enfrentar o fascínio da crítica e a aprovação do público despertados pela sensacional Margaret Qualley em “A Substância”, embora hajam grandes chances para a veterana Isabella Rossellini e para a sempre talentosa Felicity Jones, correndo por fora, a cantora Ariana Grande deve encarar a indicação como um prêmio.

Em Ator Coadjuvante, é um pena que o sempre fabuloso Denzel Washington não tenha maiores chances (talvez, se o filme fosse melhorzinho...), resta os grandes trabalhos de atores consagrados como Edward Norton e Guy Pierce em disputa com a surpresa das presenças de Kieran Culkin (finalmente mostrando em cinema o potencial que já exibia na série de TV “Sucession”) e Jeremy Strong (cujo “O Aprendiz” é uma produção pulsante).

Melhor animação

"Flow"

"Divertida Mente 2"

"Memórias de Um Caracol"

"Moana 2"

"Wallace & Gromit-A Vingança"

"Robô Selvagem"

As coisas mudam: Outrora favoritos incontestáveis na categoria animação, a Pixar (representados pela continuação de um longa-metragem que, anos atrás, simplesmente arrebatou o prêmio) já não surge este ano tão imbatível assim, o que aumenta as merecidas chances para o novo “Wallace & Gromit” e para os mais alternativos “Flow” e “Memórias de Um Caracol”, mas... quer saber? Quem merece o prêmio mesmo à a Dreamworks que entregou, com o emocionante “Robô Selvagem” uma das melhores animações do ano (e ele ainda está indicado em Melhor Trilha Sonora!). “Moana 2”, o representante da Disney no páreo nem conta –sua presença entre os indicados é protocolar em função da importância do estúdio, mas ele nem tem tanta qualidade para constar por aqui.

Melhor canção original

"Beautiful That Way", "The Last Showgirl"

"Compress/Repress", "Rivais"

"El Mal", "Emilia Perez"

"Forbbiden Road", "Better Man"

"Kiss The Sky", "Robô Selvagem"

"Mi Camino", "Emilia Perez"

Melhor trilha sonora

"O Brutalista"

"Conclave"

"Robô Selvagem"

"Emilia Perez"

"Rivais"

"Duna-Parte 2"

Melhor filme estrangeiro

"Tudo O Que Imaginamos Como Luz" (Índia)

"Emilia Perez" (França)

"A Garota da Agulha" (Dinamarca)

"Ainda Estou Aqui" (Brasil)

"A Semente do Figo Sagrado" (Alemanha)

"Vermiglio" (Itália)

“Emilia Perez” aparece na categoria de Filme Estrangeiro assim como na de Filme de Comédia ou Musical”, o que já o torna automaticamente o favorito da categoria, comprometendo as chances do brasileiro “Ainda Estou Aqui” –de repente, a mesma história de 1999 parece se repetir... –entretanto, o indiano “Tudo O Que Imaginamos Como Luz” também segue forte na disputa.

Melhor roteiro

"Emilia Perez"

"Anora"

"O Brutalista"

"A Verdadeira Dor"

"A Substância"

"Conclave"