Mostrando postagens com marcador Russ Meyer. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Russ Meyer. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Faster, Pussycat! Kill! Kill!

As mulheres têm seios protuberantes e proeminentes. Além deles, suas personalidades são indomáveis, furiosas, quase inconformadas.
Desse estilo tão desigual que destacou Russ Meyer como um realizador de fato em meio às hordas de operários-padrões da produção do sexploitation, o mais cultuado de seus filmes, “Faster, Pussycal! Kill! Kill!” se destaca por trazer aquelas características ainda num estágio contido. Uma moderação que ele abandonou nas obras seguintes.
Não quer dizer que ele não dedica todo o filme a esses elementos: Já no prólogo imediatista, um locutor reflete sobre a violência traduzida, sobretudo, na forma de mulheres que levam os homens a perder a cabeça.
É um grupo de mulheres assim que protagoniza a trama: Dançarinas de strip-tease, as provocantes Varla (Tura Satana), Rosie (Haji) e Billie (Lori Williams) aproveitam sua folga para percorrer o deserto em seus carros –e esse será, a rigor, o cenário e o contexto de todo o filme!
Pelos diálogos agressivos, logo notamos que Varla e sua turma não são garotas indefesas. Elas provam isso atacando um jovem casal que aparece por ali: Matam o rapaz (com golpes de karatê!) e sequestram a garota (Susan Bernard). Ela será testemunha de todas as barbáries e barbaridades que elas irão praticar até o final, o que inclui uma súbita atenção despertada por uma família de homens –o patriarca paralítico e mau-caráter; seu filho mais novo, forte e tapado; e o mais velho, sensato e responsável –que esconderam uma vasta quantia em dinheiro roubado.
Ainda que preserve certo zelo ao enredo, o filme de Russ Meyer se vale dele como justificativa para a exposição contínua de Varla e suas comparsas, vistas pelas lentes do diretor como fetiches ambulantes.
Como todo cult-movie, “Faster Pussycat! Kill! Kill!” ostenta cenas, personagens e situações que influenciaram diversos outros filmes –Quentin Tarantino que o diga –embora num primeiro olhar pareça uma obra mais simples do que sua fama leva a supor.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Faster, Pussycat! Kill! Kill!

É difícil apreender os elementos que tornam um filme cultuado. Realizado por Russ Meyer em 1965, “Faster, Pussycat! Kill! Kill!” é um desafio à essa capacidade de compreensão da dicotomia entre o quê o público pensa querer e aquilo que, no fim das contas, ele realmente deseja.
Não que o filme seja ruim: Ele só não é melhor que muitos produzidos antes e depois, e que amargaram relativa indiferença.
São seus muitos elementos, justapostos e reunidos em circunstâncias singulares que o fazem ser objeto de adoração entre pessoas como Quentin Tarantino e Robert Rodrigues (em cuja obra se encontra muito da ressonância deste filme), em grande medida, é justo afirmar que nem o próprio Russ Meyer (a exemplo de tantos outros realizadores de filmes que caíram nas graças de um grupo de adoradores) conhecia o apelo da obra que estava criando. Naquela década, ele queria era lançar-se como diretor de cinema, e seus trabalhos tinham a sinceridade de refletir o quê ele mesmo queria ver na tela: Mulheres fartas e carnudas em algum contexto fetichista erotizado ao máximo possível.
Nessa esteira, diversos filmes foram produzidos: “Wild Gals Of The Naked West”, “Heavenly Bodies”, “Lorna” e tantos outros.
Em “Pussycat!” ele logrou reunir elementos novos, como carros de corrida, lutas e uma trama psicodélica sobre roubo, enquanto mirava uma narrativa mais cinematográfica do que suas incursões anteriores no soft porn.
É claro que “Pussycat!” tem muitas características de soft porn também, mas eles surgem até num nível moderado que pode surpreender (e em alguns casos, decepcionar) aqueles que hoje procurarem pelo filme orientados pelos comentários a respeito dele e de seu fetichismo que povoam a internet.
A trama se passa toda num deserto desolado onde ex-strippers, lideradas por uma certa Varla (a opulenta Tura Satana) resolvem romper com a sociedade e a lei. A primeira providência dessas rebeldes é atacar um casal de namorados, cujo rapaz, membro de uma quadrilha, entrega a elas a localização de seu bando e junto com isso o lugar onde esconderam dinheiro roubado.
O que se segue é uma história ligeiramente sem noção na qual traições e reviravoltas se sucedem contrapondo os homens perplexos e pouco confiáveis às mulheres insinuantes e cheias de atitude.