terça-feira, 16 de junho de 2026

Nas Montanhas dos Gorilas


 Calcada em cima da interpretação espetacular de Sigourney Weaver – pela qual ela foi premiada com o Globo de Ouro de Melhor Atriz Dramática e indicada ao Oscar de Melhor atriz ao lado de Glenn Close (“Ligações Perigosas”), Melanie Griffith (por “Uma Secretária de Futuro”, filme que também contava com Sigourney no elenco, tendo sido indicada, naquele ano, também a Melhor Atriz Coadjuvante por este trabalho), Meryl Strep (“Um Grito na Escuridão”) e, a vencedora, Jodie Foster (“Acusados”) – este belo trabalho reconstitui com alguma pomba e circunstância –e uma imodesta tendência à romantização –a vida de Dian Fossey, estudiosa pioneira em primatologia, o estudo dos primatas em geral e dos gorilas em particular.

1965. Os gorilas são uma espécie em extinção e não há, num futuro imediato, esperança de reverter esse quadro desesperador. Durante uma palestra do Dr. Louis Leakey (Iain Cuthbertson), a professora Dian Fossey (Sigourney), até então com experiência apenas com crianças portadoras de deficiência, se apresenta voluntariamente disposta a embarcar para a África e realizar o tão almejado e difícil senso dos animais restantes, a fim de colher dados para saber quantos haviam restado – e quanto tempo ainda existiriam.

Enfrentando severos obstáculos num primeiro momento, (a região escolhida para a pesquisa na África do Sul, se encontrava imersa numa violenta guerra civil, impossibilitando a permanência dela por lá), ela e o fiel carregador Sembagare (John Omirah Miluwi) encontram o lugar ideal numa afastada e enevoada montanha em Ruanda, na qual uma vasta família de gorilas estabeleceu morada.

Obtendo uma gradual aproximação dos animais, Fossey não apenas consegue o dados para a pesquisa como faz espetaculares descobertas sobre a vida animal e se torna uma defensora ferrenha de suas vidas, chegando  a ser tomada como uma bruxa pelos nativos locais, os Batwa, que até então caçavam gorilas para vender suas mãos e suas cabeças como troféu para caçadores no mercado negro.

Ela se envolve com o fotógrafo da financiadora da pesquisa, a National Geographyc, Bob Campbell (Bryan Brown, de “Os Pássaros Feridos”) e com o passar dos anos ganha reconhecimento entre núcleos acadêmicos por todo o mundo, a ponto de arregimentar – através de acordos com políticos – um grupo de seguranças para o perímetro das montanhas, e até mesmo novos estudantes dispostos a tentar seguir seus passos.

No entanto, para Dian, tudo o que importa são os gorilas e sua preservação e sobrevivência, um sacrifício que, até o fim, ela se dispôs a levar à extremos.

O diretor Michael Apted – em geral, um desenvolto operário-padrão que nunca se preocupou com expressões mais autorais – se equilibra entre uma realização assombrada por convencionalismo (e nesse sentido, há aspectos do filme que envelheceram mal, bem como passagens inteiras que se revelam extremamente datadas) e momentos bastante inspirados (há impressionantes imagens que capturam a desmedida Sigourney Weaver se aproximando realmente dos imensos gorilas e recriando muitos momentos experimentados pela verdadeira Dian Fossey).

Hoje considerado um clássico, “Nas Montanhas dos Gorilas” teve cinco indicações ao Oscar: Além de Melhor Atriz (Sigourney com sua brilhante atuação é sem sombra de dúvida o grande suporte da produção), Melhor Roteiro Adaptado (entre outros pequenos detalhes notáveis, repare na sutil crítica ao hábito tabagista da protagonista que vai deteriorando sua saúde ao longo dos anos), Melhor Montagem (cujo vencedor foi “Uma Cilada Para Roger Rabbit”), Melhor Trilha Sonora (acima de tudo, um gesto de homenagem ao veterano Maurice Jarre, de produções como “A Filha de Ryan” e “A Missão”) e Melhor Mixagem de Som.

Nenhum comentário:

Postar um comentário