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domingo, 18 de outubro de 2015

O Segredo dos Seus Olhos

São poucos os filmes que podem se beneficiar da mescla tão apurada de gêneros distintos que o veterano e desenvolto diretor Juan Jose Campanella obtém aqui.
Ele relata a trama do oficial de justiça já aposentado que decide escrever um romance baseado em um caso investigativo do qual se incumbiu anos atrás, (um violento estupro seguido de homicídio) e que as leis burocráticas, as relações complexas entre seus colegas (incluindo seu único amigo, alcóolatra, e a jovem chefe de secretaria, por quem era secretamente apaixonado), e a própria furtividade do verdadeiro culpado insistiam em complicar.
Esse registro passeia pelo óbvio –o filme de suspense e policial investigativo –mas, trata também de surpreender o expectador com lances convincentes de romance (a química entre Ricardo Darín e Soledad Villamil –que já fizeram juntos “O Mesmo Amor, A Mesma Chuva”, também de Campanella –é impecável) e de comédia; tudo isso constrói um filme de imenso poder de envolvimento, provido de personagens pulsantes e humanos, com os quais o expectador não tarda a se importar.
Como se não bastasse, o diretor ainda entrega uma obra de grande envergadura técnica com pelo menos uma cena (a perseguição ao assassino dentro de um estágio lotado) na qual o trabalho de edição (ou a ausência dele, já que a cena parece realizada toda ela sem cortes!) merece aplausos.
Vencedor do Oscar 2010 de Melhor Filme Estrangeiro (derrotando o favoritíssimo "A Fita Branca" da Áustria) é um magnífico drama policial, exemplo perfeito do austero e elegante cinema produzido atualmente na Argentina.
Belo também o trabalho do sempre excelente ator Ricardo Darín ("Nove Rainhas").

sábado, 10 de outubro de 2015

O Mesmo Amor, A Mesma Chuva

Notável, este filme argentino, que reúne Ricardo Darín e Soledad Villamil sob a direção de Juan José Campanella anos antes do aclamado "O Segredo dos Seus Olhos".
A trama, até menos romântica do quê pode parecer, fala dos encontros e desencontros, ao longo de quase duas décadas, de um casal cuja paixão começa fulminante, mas aos poucos, cai numa rotina, atravessando diversos humores: Decepção, rancor, esperança...
Cheio de perspicácia, o roteiro faz pertinentes comentários sobre a transição política que a Argentina atravessou durante a década de 1980, o quê ressalta bem a desenvoltura e a competência dos realizadores de cinema daquele país, ao tratar de temas distintos que vão da intimidade de uma relação à dois às questões trabalhistas envolvendo a liberdade de imprensa daquele período.
Encantadora é a química entre Darín e Villamil, ela inclusive, belíssima. Ricardo é sempre competente, mas interessante notar o quanto o tempo lhe fez bem: Ele é um ator muito melhor conforme vai envelhecendo.
Deixo como lembrança do filme uma linda frase dita por ele:
" Amor, heroísmo, paixão. Quem me mandou escrever sobre coisas que nem conheço? Eu deveria escrever sobre o medo. Sou perito. Por medo, faço um trabalho que odeio. Por medo, perdi você. "