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terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Sangue Jovem

Empenhado, o diretor e roteirista Julius Avery capricha no conto de traição e criminalidade do qual seu filme se ocupa: As caracterizações de seus atores, com suas feições de periculosidade e cara fechada, são esmeradas –mais do que suas atuações propriamente ditas, e seu trabalho tem aquele despojado refinamento do qual muitas vezes os filmes norte-americanos se beneficiam, mesmo aqueles de qualidade mais discutível.
Com uma apropriada câmera na mão a registrar o realismo de um cárcere sujo e brutal, acompanhamos a chegada do jovem J.R. (Brenton Thwaites, de “Piratas do Caribe-A Vingança de Salazar”) na prisão e suas tentativas em adaptar-se à perigosa rotina.
Entre perigos que espreitam a todo momento na forma de prisioneiros abusadores, ele conquista pouco a pouco a afeição do criminoso australiano Brendan Lynch (Ewan McGregor, sempre muito bom) que o protege até que sua pena de três meses se conclua –Brendan pegou uma pena de vinte anos!
Ao sair, portanto, J.R. tem uma dívida a pagar. E o processo por meio do qual irá quitá-la não tarda a se iniciar: J.R. participa da audaciosa fuga que consegue tirar Brendan de dentro da prisão e já se encontra incluso nos planos que ele tem, de assaltar com tremendo profissionalismo uma reserva de ouro em Melbourne.
No percurso desses acontecimentos, é possível flagrar a habilidade do diretor Julius Avery quanto ele consegue tornar palatável até mesmo uma sequência de ares inverossímeis como a fuga da prisão de segurança máxima –cheia de lances improváveis, mas encenada com austeridade o suficiente para convencer o expectador de sua viabilidade.
Avery lança mão da referência cinematográfica suprema para esse tipo de filme: O cinema suburbano, atento aos códigos de condutas criminais engendrado por Michael Mann. Seguindo essa cartilha, o diretor Avery estabelece as regras desse submundo ao qual J.R. aterriza meio inadvertidamente conduzido por Brendan, uma figura paterna na mesma proporção em que é também um agente corruptor e um rival –e nessa dinâmica há algo que remete à disputa entre pupilo e mentor observada no clássico “Rio Vermelho”.
E dentre todas as regras há uma que fica mais claro ao expectador que J.R. haverá de quebrar: A de que não se deve desejar a bela e desejável Tasha (a maravilhosa Alicia Vikander), garota imigrante que é uma espécie de bibelo-fetiche do contratante para o tal assalto, o ardiloso Sam (Jacek Koman).
Embora ostente Tasha como sendo sua amante, Sam não obteve nada com ela –e diante dessa descoberta, J.R. não resiste a sua atração correspondida, e estão assim estabelecidos os elementos que configuram o conflito.
Esses vínculos de frágil confiabilidade que conectam os personagens vão junto com eles na execução do tão elaborado assalto e é claro que contratempos, traições e reviravoltas irão se suceder, algumas não muito bem construídas pelo roteiro, soando desnecessárias e exageradas, e outras urgidas com a precisão de um apaixonado pelo gênero, com destaque para a esperta manobra final que justifica a ênfase na predisposição para jogos de xadrez observada no protagonista e dá um desenlace satisfatório à complexa e fascinante relação de ambiguidade entre J.R. e Brendan (valorizada também graças aos bons atores que os interpretam) permitindo ao filme um desfecho sólido e razoável.

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Ex-Machina - Instinto Artificial

Como roteirista, Alex Garland já era conceituado –havia feito o script de “Extermínio” e outras obras de Danny Boyle –entretanto, a história é outra quando escritores se aventuram a contar uma história na função de diretores; tarefa que abrange muito mais do que o manejo competente das palavras.
Havia um rumor (anos depois confirmado) de que havia sido Garland o diretor de fato da ótima aventura de ficção científica “Dredd” –produção na qual ele é creditado somente como roteirista –portanto, as chances de provar seu talento chegaram mesmo com “Ex-Machina”.
E ele o faz com louvor.
Sua narrativa acompanha, em princípio, o jovem Caleb (Doomhal Gleeson), programador de computadores tipicamente solitário e introvertido que, nas cenas que abrem o filme, surge parabenizado por seus colegas: Caleb conquistou uma disputada vaga de visitante na longínqua propriedade de seu milionário empregador, o recluso e genial Nathan (Oscar Isaac).
Lá chegando –uma mansão hightech estranhamente situada num fim de mundo –Caleb percebe a apatia e a impaciência para com relações interpessoais que Nathan se força em disfarçar sem maiores sucessos.
Com efeito, ele quer Caleb lá por uma razão mais prática que a mera visitação.
Próximo da revolucionária criação do primeiro indivíduo com inteligência artificial, ele espera que Caleb realize para ele um Teste de Turing –um bateria de perguntas através das quais um ser humano (o entrevistador) descobre a natureza artificial de um computador (o entrevistado).
A diferença e ineditismo da situação é que Caleb sabe que Ava (Alicia Vikander, possivelmente a protagonista real do filme) é uma máquina; o primor na execução dela –e sobre muitos aspectos, a sua manutenção enquanto ser funcional e intacto –reside na chance dela convencer Caleb, em algum nível existencial, de que ela tem sentimentos e impressões de um ser humano.
Ao longo das sessões –que integram o filme como seus episódios –Ava vai revelando a Caleb informações que modificam a dinâmica da relação que ele mantém com ela e com Nathan. E tudo caminha para um desfecho imprevisto.
Herdeiro de pensadores maiores como Ray Bradbury ou Isaac Asimov acerca dos desdobramentos do futurismo em geral, e da criação da vida artificial pela mão imperfeita do homem em particular, Alex Garland usa da premissa básica deste notável conto sobre definições pessoais para mergulhar o expectador em uma miríade de reflexões que deixariam Stanley Kubrick orgulhoso: Ava revela-se um ser pensante e de percepções auto-suficientes a despeito de sua natureza tecnológica –e parte do fato consumado de ser vivo é tentar lutar pela própria vida; daí que, diante da conclusão de que pode ser descartada pelo instável Nathan em qualquer lapso de insatisfação, ela planeje então sua fuga. E em Caleb, ela enxerga os meios ideais para tal intento.
Há uma ironia no fato algo filosófico de ser o indivíduo mecânico, o mais humanizado dos três protagonistas: Caleb é tão introspectivo que quase desaparece em cena, enquanto que Nathan chafurda a própria genialidade em vícios que o tornam indiferente a tudo; é bastante interessante observar esses dois talentosos atores interpretando personagens inversamente distintos daqueles que eles mesmos vivem na nova trilogia “Star Wars”.
Resta ao fim, Ava, na atuação brilhantemente composta por Alicia Vikander –ela ganhou, no mesmo ano, o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante por “A Garota Dinamarquesa”, mas provavelmente merecia muito mais por este trabalho aqui.
Sem problema: “Ex-Machina” ao menos, saiu da cerimônia com o Oscar de Melhores Efeitos Visuais debaixo do braço, derrotando com sua sutileza inesperada e desconcertante, pesos-pesados como “Mad Max-Estrada da Fúria” e o próprio “Star Wars-O Despertar da Força”.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Tomb Raider - A Origem

Parecia (e, de fato, era) uma tarefa difícil reinventar “Tomb Raider” e sua icônica protagonista, Lara Croft, tornada tão marcante por Angelina Jolie em sua versão cinematográfica.
Os produtores dessa nova empreitada tinham na própria gênese da franquia –os videogames –uma inspiração: Lara Corft e todo o conceito de “Tomb Raider” haviam ganhado, anos antes, uma bem-sucedida reformulação ao aproximar da realidade os elementos de aventura que norteavam a série.
A intenção lógica dos produtores foi seguir em cinema esse mesmo caminho, e chegamos dessa forma a este “Tomb Raider-A Origem” que deleta os dois filmes estrelados por Angelina Jolie, deixando de lado aquele estilo espalhafatoso de ação escapista e descerebrada, e optando por mais austeridade, mais realismo e menos fantasia –uma abordagem que virou moda em algumas franquias hollywoodianas depois que Christopher Nolan fez muito bonito agregando essas características em “Batman Begins”.
Vivida pela jovem ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante, Alicia Vikander, a heroína Lara Croft surge algo desmistificada no princípio do filme: Trabalha como entregadora; mora com amigos e treina numa academia de quinta. Longe daquela Lara cheia de glamour e altivez que vimos nos outros filmes (ou nos primeiros jogos de videogame).
Logo descobrimos que essa vida proletária é uma espécie de opção: Richard (Dominic West), o pai de Lar desapareceu a sete anos atrás. Embora aguarde por ela uma herança milionária, Lara só a terá quando declarar legalmente que seu pai morreu –e isso é algo que a jovem não está pronta para aceitar.
Ela quase cede a sua tutora Ana (Kristin Scott-Thomas, num papel certamente plantado para futuras continuações), mas desiste em cima da hora quando descobre uma pista que pode, enfim, leva-la ao seu paradeiro: Ao que parece, o pai de Lara partiu para uma ilha misteriosa no mar do Japão e nunca mais foi visto.
Tendo herdado a astúcia do pai para seguir pistas indiscerníveis para todos os outros, Lara enxerga a trilha e assim a segue mar adentro, levando consigo Lu Ren (Daniel Wu), filho do mesmo capitão de barco que também acompanhou seu pai.
A ilha em questão –de acesso dificílimo –esconde um terrível segredo: Os restos mortais da princesa Himiko, considerada em tempos imemoriais dotada de um poder mortal que poderia devastar o mundo; razão pela qual foi exilada na ilha.
Segundo indícios deixados a ela por Richard, uma misteriosa organização, a Trindade (liderada aqui pelo vilão padrão vivido por Walton Goggins), estaria tentando colocar as mãos nesse poder –e, portanto, é dever de Lara impedir que eles consigam.
Toda essa trajetória é pontuada por constantes cenas de ação que enfatizam o físico obstinadamente treinado da estrela Alicia Vikander, e a inclinação realista de sua narrativa –todas as cenas de ação e de luta primam por um aspecto esportivo, sem os artifícios mirabolantes dos filmes com Angelina Jolie.
E de fato, é o contraste entre os dois estilos interpretativos distintos das duas estrelas o grande diferencial de um filme para outro –ou ao menos aquele que mais se destaca: Angelina compunha uma Lara melindrosa, atrevida e sarcasticamente artificial, dentro da proposta do filme escapista que estrelava. Já, a sueca Alicia Vikander (cujo físico, diferente de Jolie, é mais esbelto e atlético) faz valer suas credenciais dramáticas numa Lara Croft mais naturalista e repaginada que –desde a fonte dos games –se inspira em influência mais distintas que incluem “Jogos Vorazes”; até um arco e flecha ela manuseia em dado momento!
Se Angelina Jolie ganhava mais em diversão e menos em sisudez, a Lara de Alicia Vikander protagoniza um filme que padece menos de seus excessos e que goza, no mínimo, do mérito de basear-se num material mais válido e interessante.
O grande problema é que, para os adeptos do videogame, o filme –como ocorre em todas as tentativas de adaptar videgames para cinema até então –perde de lavada para a trama e a ação que são desenvolvidos nos jogos, relegando este “Tomb Raider” a uma cotação entre o medíocre e o vagamente satisfatório.

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Anna Karenina


Dentre as três colaborações entre o bom diretor Joe Wright e a esforçada atriz Keira Knightley, “Orgulho e Preconceito” é o mais apreciado; “Desejo e Reparação”, o mais contundente e “Anna Karenina”, certamente, o mais ambicioso.
Isso porque não apenas Wright lança mão dos recursos sempre mais vistosos proporcionados pela alta tecnologia e pela extravagância do cinema atual para conceber uma adaptação ainda mais visualmente arrebatadora do que outras que vieram antes (como o clássico estrelado por Greta Garbo), mas ele também o faz por meio de um truque de linguagem desafiador e arriscado.
Neste “Anna Karenina”, as paredes se transmutam, os cenários adquirem modificações a medida que, em diversas trocas de cena, observamos os figurantes entrarem no filme e mudarem o cenário –que ocasionalmente é flagrado em seus aspectos artificiais.
Wright conta que optou por esse estilo a fim de enfatizar a atmosfera de mudança que predominava no contexto histórico da trama, a Rússia de 1874.
Lembra uma peça de teatro na qual a proposta experimental é de que os meandros técnicos da encenação interfiram na própria impressão do público –nem sempre funciona...
Bela como sempre e num meio termo entre a apatia e a tentativa de soar dramaticamente relevante, Keira Knightley é Anna, cujo casamento com Alexei (Jude Law, fugindo do habitual papel do conquistador romântico), definido pela incompatibilidade dos arranjos convenientes, já não tinha lá muito fulgor, mas desanda de uma vez quando ela decide se envolver com o aristocrata Vronsky (Aaron Taylor-Johnson, de “Kick Ass”), um amante que lhe oferece a palpitação com a qual um dia ela sonhou dentro de seu casamento.
Todavia, a sociedade rigorosa a qual pertence cobrará de Anna um terrível preço por suas escolhas quando o segredo de sua afeição extraconjugal for descoberto.
Anna é uma daquelas personagens-chave da literatura que determina a tragédia de seu destino ao entregar-se à inconseqüência das emoções. No filme, contudo, não é isso que ela termina sendo: Wright observa os comportamentos com uma contenção maior e mais ambígua do que normalmente o faz, e com isso, seus personagens parecem distanciados do expectador por uma curiosa barreira de incredulidade –é deveras difícil crer num amor incondicional entre ela e Vronsky, pois Taylor-Johnson deixa evidente demais para o expectador sua displicência para que a própria protagonista, por mais relapsa que seja (e é isso que a narrativa por vezes a faz parecer), também não a note.
É uma armadilha comum em filmes que retratam uma situação de adultério: Oferecer uma abordagem equivocada de personagens antagônicos e, no processo, inverter o objetivo da mensagem. Embora também apático, Alexei não ganha o repudio do público a ponto de fazê-lo torcer por Anna. Isso tudo e as relações que se constroem entre os três protagonistas e o restante dos personagens (interpretados por um elenco notável) padecem de uma dificuldade encontrada na suspensão de crença justamente devido à escolha estética do diretor. O tempo todo, o cenário que se converte em estúdio lembra ao público o faz-de-conta da encenação ainda que ela seja feita com empenho e beleza.

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Jason Bourne

“Eu me lembro de tudo!”
Esta é a primeira frase deste filme, já deixando bem claro para o expectador as circunstância nas quais encontraremos o protagonistas, tantos anos depois do último filme, “O Ultimato Bourne”, que pensávamos ter sido o final da franquia.
Entretanto, alguns fatores levaram Matt Damon e Paul Greengrass, ator e diretor, a se reunirem para fazer este novo filme, o quarto com o personagem de Jason Bourne, criado pelo escritor Robert Lundlum, mas tornado inesquecível em sua personificação cinematográfica, graças à atuação de Damon e à direção de Greengrass, com seu estilo peculiar e documental a ressaltar as qualidades superlativas da montagem meticulosa e ágil, e a fotografia carregada de vibração e urgência –vale lembrar que há o outro filme, “O Legado Bourne”, com Jeremy Renner, e dirigido por Tony Gilroy que tentou iniciar uma série derivada sem a presença de Matt Damon.
Pois bem, agora Jason Bourne está de volta, e ele lembra de tudo! Mas, (e esse é o esperto ponto de partida por meio do qual Greengrass retoma sua franquia) lembrar não significa necessariamente saber de tudo. E Bourne descobrirá que o Projeto Treadstone (cujas circunstâncias mais ilícitas ele conseguiu tornar públicas no filme anterior) deu lugar à um novo plano da CIA, intitulado Iron Hand, com implicações técnicas que põem em risco a liberdade privada dos cidadãos comuns. Tais informações chegam até Bourne por meio de uma personagem conhecida dos outros filmes: A analista Nicky, interpretada por Julia Stiles, que surge aqui atuando contra a Agência –numa das inúmeras referências ao caso de Edward Snowden. Novamente, Bourne se vê obrigado a usar suas habilidades prodigiosamente físicas para impedir a concretização dos planos do atual diretor da CIA, o venal Robert Dewey (Tommy Lee Jones, excelente), enquanto tem contas pessoais a ajustar com um agente colocado em seu encalço (personagem de Vincent Cassell, que viveu um espião de características um pouco parecidas no filme de espionagem europeu “Agente Secreto”, ao lado de sua então esposa, Monica Bellucci).
Outra personagem –talvez, a mais relevante –a movimentar a trama, é a agente Heather Lee, interpretada com refinamento e brilho pela jovem Alicia Vikander, a ganhadora do Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante deste mesmo ano, por “A Garota Dinamarquesa”.
Se houver uma continuação, é muito provável que a personagem de Alicia esteja lá, tal o abalo sísmico de importância que a presença dela aqui provoca da trama da série como um todo.
Tão bem escrita e bem interpretada ela é, que corremos o risco de achar que trata-se de uma personagem ainda mais apurada e sensacional que o protagonista Bourne.
Não é: O magnífico desfecho elaborado por Greengrass trata de deixar bem claro que é o Bourne de Matt Damon, definitivamente, o grande personagem do filme.

terça-feira, 1 de março de 2016

Os Vencedores do Oscar 2016

Foi uma noite de altos e baixos, como costuma ocorrer no Oscar. No cômputo geral, tudo foi mais positivo do que negativo. Muito legal ver o excelente "Spotlight" consagrando-se ao invés do tão alardeado "O Regresso" (cujas três estatuetas conquistadas estão de muito bom tamanho).
Dono do melhor discurso da noite, Leonardo DiCaprio foi com méritos o Melhor Ator, e isso não se restringe ao trabalho no filme deste ano: Pode-se dizer que é um prêmio pela carreira.
Por falar nisso, muito gente deve ter ficado desapontada com a não-vitória de Sylvester Stallone, perdendo para o inesperado Mark Rylance, no que deve ter sido o momento mais lamentável do Oscar deste ano, pelo menos para o público.
Felizmente, não houve surpresas na categoria de Melhor Atriz, na qual a maravilhosa Brie Larson conquistou merecidamente o prêmio por "O Quarto de Jack".
A melhor surpresa da noite talvez tenha sido a vitória da sueca Alicia Vikander na categoria de coadjuvante por seu brilhante trabalho em "A Garota Dinamarquesa". Por sinal, o outro filme do qual ela participa, o excelente "Ex-Machina" foi outra surpresa (talvez a maior) ganhando de pesos pesados como "Star Wars" o Oscar de Melhores Efeitos Especiais.
Muito emocionante ver finalmente o grande Ennio Morriconne ser agraciado com um Oscar de Melhor Trilha Sonora (o primeiro de sua grande e extraordinária carreira) ainda que "Os Oito Odiados" não seja, nem por um decreto, seu melhor trabalho.
Agora, sensacional mesmo foi ver "Mad Max-Estrada da Fúria" conquistar seis prêmios sagrando-se como o maior vitorioso em número de premiações; melhor que isso só se tivesse levado de Melhor Filme ou George Miller o de Melhor Diretor. Mas convenhamos, isso seria esperar demais do Oscar.
 Melhor filme
Spotlight - Segredos Revelados

Atriz
Brie Larson - O Quarto de Jack

Ator
Leonardo DiCaprio - O Regresso

Atriz coadjuvante
Alicia Vikander - A Garota Dinamarquesa

Ator coadjuvante
Mark Rylance - Ponte dos Espiões

Diretor
Alejandro G. Iñárritu - O Regresso

Filme estrangeiro
O Filho de Saul (Hungria)

Animação
Divertida Mente

Melhor roteiro original
Spotlight - Segredos Revelados

Roteiro adaptado
A Grande Aposta

Canção original
Writing's On The Wall, de 007 Contra Spectre

Fotografia
O Regresso

Documentário
Amy

Figurino
Mad Max: Estrada da Fúria
Trilha sonora
Os Oito Odiados

Montagem
Mad Max: A Estrada da Fúria

Direção de arte
Mad Max: A Estrada da Fúria

Efeitos visuais
Ex-Machina: Instinto Artificial

Edição de som
Mad Max: Estrada da Fúria

Mixagem de som
Mad Max: Estrada da Fúria

Curta-metragem
Stutterer

Animação curta-metragem
Bear Story

Documentário curta-metragem
A Girl in the River: The Price of Forgiveness

Maquiagem e penteado
Mad Max: Estrada da Fúria 

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

A Garota Dinamarquesa

Tom Hooper é o mesmo diretor de “O Discurso do Rei” e do musical “Os Miseráveis”. Aqui ele entrega um trabalho melhor do que ambos. O maior problema de “O Discurso do Rei”, na verdade, é que ele ganhou o Oscar de Melhor Filme num ano em que não merecia, derrotando o arrojado “A Rede Social” e mais uma porção de outros concorrentes melhores. Isso atraiu uma espécie de antipatia ao filme, embora no fundo fosse um trabalho redondo e bem-intencionado, ainda que excessivamente acadêmico e conservador. 
Essas características se repetem em “A Garota Dinamarquesa”, ironicamente, uma obra com um tema dos mais audaciosos: A história de Einar Wegener, o primeiro transexual da história a submeter-se à uma cirurgia de mudança de sexo. 
Tudo começa quando Gelda (a maravilhosa e inebriante Alicia Vikander), pintora assim como Einar, seu então marido, o convence a vestir uma meia feminina a fim de terminar um quadro diante da ausência da modela inicialmente contratada. Isso desperta algo em Einar, que pouco a pouco, começa a encontrar sua verdadeira identidade ao vestir-se de mulher (e auto-intitular-se Lily). O quê começa como uma brincadeira do casal de artistas vai se tornando algo realmente sério, que ameaça seu casamento, especialmente quando Einar conclui que Lily é quem ele verdadeiramente é, e decide assim submeter-se à uma operação jamais tentada. 
Este filme não teria a dimensão que ostenta se não fosse por Eddie Redmayne, o jovem inglês entrega um trabalho assombroso, superior a sua caracterização como Stephen Hawkings, que lhe valeu o Oscar de Melhor Ator no ano passado. Na minúcia da interpretação que ele oferece no filme, desvendamos as engrenagens que definem uma pessoa, e que o fazem além, muito além, daquilo que ele deseja: Einar não quer partir o coração de Gelda, a esposa que ele de fato ama, mas ele paradoxalmente não quer mais ser Einar, e em última instância, o marido dela. Ele quer ser uma mulher, quer ser Lily, o ser humano no qual ele descobriu-se por inteiro. E os momentos registrados pelas câmeras de Tom Hooper, nos quais essa descoberta se opera estão entre os mais preciosos do filme. O diretor Hooper almejava em "O Discurso do Rei" atingir um grau de requinte, sutileza e sensibilidade que somente aqui ele consegue fazê-lo. Foi necessário, não resta dúvida o auxílio de dois intérpretes superlativos para isso: Alicia Vikander e, sobretudo, Eddie Redmayne. 

domingo, 20 de dezembro de 2015

O Agente da U.N.C.L.E.

Era improvável que este filme, dirigido pelo sempre desigual Guy Ritchie, resultasse frustrante.
Ao menos, no que diz respeito ao conformismo narrativo, que passa longe dos trabalhos do diretor. Nas bilheterias, pelo que se soube, ele não fez o sucesso esperado, o que é uma pena já que o filme é puro deleite cinematográfico: O resgate que Guy Ritchie promove da premissa da série de TV setentista, agora lançada em cinema, é sensacional, mais instigante e empolgante que seu bom trabalho nos dois "Sherlock Holmes" protagonizados por Robert Downey Jr.
Na década de 1950, o Auge da Guerra Fria, uma inusitada circunstância obriga dois espiões à beira do antagonismo (o americano Napoleon Solo e o russo Ylia Kuryakin) a trabalhar lado a lado, enquanto buscam achar um cientista especializado em energia nuclear a fim de deter uma conspiração que visa a construção de uma bomba atômica. Para ajudá-los, ou não, é requisitada a filha dele, a bela Gaby, diretamente das sombras da cortina de ferro.
Espertamente, Ritchie preserva todas as características que mantinham o charme e a curiosidade embutidos na proposta da série. E a reconstituição de época que a produção proporciona é das mais bem acabadas do ano, além da evidente delícia de uma trilha sonora que aproveita a totalidade da diversificada trilha sonora do período e que é usada com fins narrativos como só mestres como Guy Ritchie o sabem fazer.
Mais do que isso, há toda uma concepção cênica que se mantem coerente em todo o filme. Com eventos transcorrendo em paralelo, e relatados das maneiras mais viscerais e criativas pelo diretor.
Na dupla protagonista, o Napoleon Solo de Henry Cavill ("O Homem de Aço") se revela mais carismático do que o sisudo Ylia Kuryakin de Armie Hammer ("A Rede Social"), mas talvez esse fosse mesmo o objetivo, visto que parece ser a própria natureza dos personagens, mas há que se destacar o quanto é fantástica a presença de Alicia Vikander (do magnífico "Ex-Machina").
Como na maioria dos filmes em que aparece, a jovem atriz dinamarquesa surge em cena já surpreendendo com seu aspecto miúdo, sua voz rouca e sensual. Diminuta perto dos dois grandalhões. Mas, bastam poucas cenas para que ela se imponha no filme e revele a força de sua atuação: Essa menina, acreditem, vai longe!
"O Agente da U.N.C.L.E." é, em todos os seus quesitos, um trabalho de plena satisfação, onde temos a oportunidade de ver um grande e indomado diretor se expressar na suntuosidade do cinema comercial.
Maravilhas como essa são cada vez mais raras.

domingo, 4 de outubro de 2015

Ex-Machina

Outro dia, comentei aqui sobre a atriz Alicia Vikander. Agora vou falar sobre o filme pelo qual eu a descobri.
Ela já tinha vários trabalhos lançados, mas demorei a conhecê-la, o quê impediu meu fascínio.
Em "Ex-Machina" ela rouba tranquilamente a cena dos dois protagonistas, Doomhall Gleeson e Oscar Isaacs.
Tudo começa com um jovem programador de computador que é exatamente a imagem que temos dos programadores de computador, tímido, desleixado e anti-social. Ele é meio que selecionado para passar uma semana com seu chefe, uma espécie de gênio da tecnologia, com quem terá o privilégio de estar, em sua afastadíssima e reservada mansão high-tech.
Ao chegar lá, porém, o rapaz descobre que há um propósito prático para isso: Ele deve fazer um "teste de Turing" em uma máquina, ou seja, deverá testar uma inteligência artificial a fim de saber se ela é sofisticada o suficiente para convencê-lo de sua humanidade.
A inteligência artificial em questão é Ava (Alicia Vikander) que de imediato surpreende não só o jovem hacker, mas o expectador também (o discreto efeito especial que revelado o interior transparente de seu corpo, também, é bastante interessante).
Com  passar do tempo, e o avanço dos testes, a própria Ava vai revelando surpresas que pegam desprevenido não só rapaz que a entrevista com o seu arrogante criador.
"Ex-Machina" é uma daquelas ficções científicas com camadas de existencialismo, que são cada vez mais raras no cinema comercial descerebrado de hoje em dia, daí o seu valor.
Ele faz questões muito pertinentes sobre o quê nos faz humanos, e qual nosso direito sobre vidas, seja elas naturais ou artificiais, e isso lembra um pouco o sensacional "Blade Runner".

terça-feira, 22 de setembro de 2015

As Revelações Femininas de 2015

Todo o ano, graças aos bom Deus, somos apresentados a um novo grupo de beldades no cinema. E muitas delas vêem para ficar! (Até parece que foi ontem que eu estava babando por Jennifer Lawrence...)
Eis aqui, então, uma seleção das novas musas que chamaram a atenção este ano:
Alicia Vikander
Bonita, de traços incomuns e corpo mignon fora do padrão hollywodiano, ela já chamou a atenção a dois anos com o indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro pela Suécia, "O Amante da Rainha". Mas parece decidida a destacar-se mesmo este ano.
Além de ter uma marcante participação na ficção científica "Ex-Machina" (certamente, um dos melhores filmes do ano), ela apareceu na produção comercial "O Sétimo Filho" e até o fim do ano aparecerá no novo trabalho de Guy Rutchie, "O Agente da U.N.C.L.E.", e em "A Garota Dinamarquesa", muito cotado para o próximo Oscar.
Rebbeca Fergunson
Bastou um único papel, em "Missão Impossível - Nação Secreta", para todo mundo começar a perguntar quem é ela. Nascida em Estocolmo, Rebbeca passou por algumas minisséries e outros trabalhos de televisão (além de uma participação meio despercebida do fraquinho "Hércules" com The Rock) até que foi escolhida pelo produtor e astro Tom Cruise para um papel inicialmente destinado a Jessica Chastain.
Ela está agora confirmada em "The Girl On The Train" (novo filme do diretor tate Taylor, de "Histórias Cruzadas") e, mais uma vez, no vindouro "Missão Impossível".
O futuro parece agora bem promissor.

Margot Robbie
Está certo que ela foi revelada pela primeira vez em "O Lobo de Wall Strett" no ano passado (e antes tinha marcado presença em "Questão de Tempo", de Richard Curtis). Mas o filme de Martin Scorsese, apesar de nos presentear com a colossal nudez dela, era um show de Leonardo Dicaprio.
Em 2015, Margot Robbie já começa a dar sinais de que vai dar muito o quê falar: Apareceu na ficção científica "Z for Zachariah" ao lado de Chiwetel Ejiofor e Chris Pine, roubou completamente a cena de Will Smtih em "Golpe Duplo", conseguiu destacar-se, em meio a todo aquele elenco estelar (e que ainda tinha Lared Leto como Coringa!) no trailer do vindouro "Esquadrão Suicida" interpretando a personagem Arlequina, e ainda promete ser uma Jane bastante interessante ano que vem em "A Lenda de Tarzan".
Kaya Scodelario
Ela se diz meio inglesa e meio brasileira (e você pode encontrar na internet algumas entrevista na qual ela fala português com um sotaque delicioso!). Filha de pai britânico e de mãe brasileira, Kaya já fez trabalhos menores no Reino Unido, onde se destaca uma nova e artística versão de "O Morro dos Ventos Uivantes", mas ela foi notada mesmo em "Maze Runner - Correr ou Morrer", mais uma daquelas ficções distópicas adaptadas de livros para jovens (mas, este é até bem interessante).
A continuação chegou em setembro nos cinemas "Maze Runner - A Prova de Fogo" e Kaya já tem presença confirmada como uma das protagonistas do próximo "Piratas do Caribe".
Pelo jeito, ouviremos mais daquelas sensacionais entrevistas em português.
Daysi Ridley
Ninguém sabe muito dela, nem a viu ainda em um grande filme. Mas eu não queria deixar Daysi Ridley de fora desta lista. O motivo? Esta inglesinha (que lembra um bocado Keira Knightley) foi escalada por J.J. Abrahams para protagonizar o novo Star Wars!
Tudo o quê foi visto, dela e de sua personagem, está no trailer divulgado recentemente, e o carisma da moça já salta aos olhos.
Em dezembro, quando estrear aquele que é um dos filmes (ou 'O' filme!) mais esperados do ano, vamos finalmente poder conferir qual seu papel na grande saga intergaláctica de George Lucas.

O Amante da Rainha

Tornada rainha da Dinamarca por arranjo matrimonial, a inglesa Carolina Matilde tem de encarar as atribulações da realeza e as invejas palacianas, enquanto suporta a personalidade ensandecida de seu marido, o rei Christian VII.
Seu alento vem na forma de Johann Struensee -cirurgião com pensamentos idealistas inspirados no Iluminismo -inicialmente, recrutado como médico particular do rei, mas que estabelece aos poucos uma relação profunda e afetiva com a jovem rainha.
Sua proximidade com ela, e sua influência junto ao rei trarão fortes revoluções ao reino da Dinamarca.
Concorrente ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro de 2013 (perdeu para o dilacerante "Amor", de Michael Haneke), este bom trabalho, embora oprimido pelas convenções usuais de filmes de época, não deixa de ter méritos, concentrados sobretudo no talentoso Mads Mikkelsen e na bela e promissora Alicia Vikander.