Mostrando postagens com marcador Megan Fox. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Megan Fox. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 30 de agosto de 2023

As Passageiras


 No sub-gênero de vampiros ao qual se insere, “As Passageiras” é um passatempo efusivo, razoável e eficiente enquanto dura. Sua trama expõe brechas de uma mitologia supostamente mais elaborada e mais complexa da qual só se aproveita o necessário. Contudo, para a manutenção de toda diversão, é recomendado que o expectador não eleve por demais suas expectativas –ele é bem feito, intrigante e envolvente, mas sua capacidade de ser memorável é quase nula; sua lembrança começa a se dissolver na mente tão logo ele acaba. E esta parece ser uma espécie de fórmula geral empregada pela Netflix: realizar filmes (e séries, por que não) extravagantes em seu visual, belos em sua roupagem modernosa e até menos instigantes em sua teoria, mas que no fim chafurdam na mesmice comercial, e se mostram convictos em se restringir a isso.

O jovem Benny (Jorge Lendeborg Jr., de “Bumblebee”) é o típico protagonista descuidado e bem-intencionado que cai de para-quedas em uma encrenca da qual nada tinha a ver: A fim de levantar uma grana, ele troca de lugar com o soturno irmão mais velho Jay (Raúl Castillo, um dos coadjuvantes no vasto elenco de “Entre Facas e Segredos”), e assume a ocupação provisória de motorista por uma noite. A tarefa aparenta ser simples: Levar uma dupla de garotas socialites numa série de festas, em lugares específicos de Los Angeles devidamente discriminados no GPS, até que a madrugada chegue.

No roteiro (escrito por Brent Dillon), até mesmo o momento em que as coisas se complicam ocorre na ocasião mais previsível: Logo na primeira festa, Benny descobre a real e perigosa procedência de suas duas passageiras –tanto a mais dócil Blaire (Debby Ryan, de –pasmem –“Radio Rebel”, da Disney), quanto a mais selvagem Zoe (Lucy Fry, de “Wolf Creek-Viagem Ao Inferno”) são, na verdade, vampiras! E sua missão é seguir aquele itinerário de festas, não em busca de divertimento, mas sim na intenção de exterminar os chefes de clãs vampiros da região que por lá estarão. (Entre algumas dessas aparições, certamente, se destaca a participação das belas e jovens Sydney Sweeney e Megan Fox, cuja cena corre o risco de lembrar a alguns expectadores como são as participações de pessoas com carisma real!) Tudo isso faz parte de um plano designado pelo mestre delas, Victor (Alfie Allen, de “De Volta Ao Jogo”), que pretende alterar a escala de poder entre os vampiros de Los Angeles e, obviamente, se colocar no topo. No meio desse fogo cruzado, descobrimos que Jay, o irmão de Benny, é na realidade, uma espécie de caçador de vampiros, o líder de uma gangue armada que, entre outras atividades, busca manter a atividade dos vampiros reclusa no território conhecido como Boyle Heights.

Ao longo da noite na qual acaba coagido por diversas circunstâncias a continuar sendo o motorista particular das duas vampiras –e cuja estrutura de enredo, não por acaso, remete ao excelente “Colateral”, de Michael Mann –Benny precisa encontrar um meio de escapar com vida diante da ameaça garantida que experimenta com Zoe (cegamente leal à Victor) e do laço de afetividade real que constrói com Blaire (uma vampira que, apesar de tudo, preserva certa humanidade).

quinta-feira, 9 de março de 2023

Transformers - A Vingança dos Derrotados


 Produzido por Steven Spielberg, o primeiro “Transformers”, quando aportou nas salas de cinema no ano de 2007, revelou-se um belo achado: Descobrimos que o estilo bombasticamente sinético de Michael Bay poderia se encaixar com certa propriedade num produto oriundo da cultura pop dos anos 1980; descobrimos o promissor potencial (depois de um tempo não consumado) do jovem protagonista Shia LaBeouf, além da formosura de Megan Fox. Também descobrimos as vastas possibilidades na área do entretenimento que poderia nos oferecer a arrojada combinação entre robôs gigantes e efeitos visuais de ponta. Um sucesso absoluto.

E como costuma ocorrer com sucessos absolutos, a continuação foi quase um reflexo espontâneo. O problema: Apesar das honoráveis exceções de “O Poderoso Chefão Parte II”, “O Império Contra-Ataca” e alguns outros, Hollywood pouco aprendeu sobre a fina arte de realizar continuações tão boas quanto seus originais. E não haveria de ser o ansioso, truculento e afoito cinema de Michael Bay que possuiria bom senso o bastante para dar uma pausa, observar tudo o que funcionou no primeiro filme (que seriam o carisma de alguns personagens e o apelo dos imensos robôs que viravam carros, combinados num roteiro profundamente referencial às aventuras dos anos 1980) e replicá-lo com critério, parcimônia e elegância no segundo. Em vez disso, Michael Bay –provavelmente agraciado com muito mais liberdade criativa aqui –potencializou tudo o que havia no filme anterior, tornando-o maior, mais longo, mais intenso e mais frenético, beirando assim o insuportável. As piadinhas (em especial, aquelas partidas de Sam, personagem de LaBeouf) se eram pontuais, espontâneas e genuinamente divertidas antes, se multiplicaram de forma a logo cansarem, tal é a frequência com que saem insistentemente (e agora sem tanta espontaneidade) da boca do protagonista (e, aqui neste caso, dos coadjuvantes também); os efeitos visuais flertando com o revolucionário, se representavam os maiores chamarizes daquela produção (similar ao que “Jurassic Park” fizera pouco mais de uma década antes), agora predominavam de tal maneira em cena (e com tamanha ausência de cuidado ao serem inseridos em qualquer contexto) que logo enjoavam, devido a profusão com que robôs de todas as cores, todos os formatos e tamanhos (até mesmo uns nanicos colocados na trama sem a menor relevância!) apareciam na tela.

Em sua trama pouco inspirada, também “A Vingança do Derrotados” se mostrava uma espécie de equívoco: Disposto talvez a não arriscar, os roteiristas Ehren Kruger, Roberto Orci e Alex Kurtzman trilhavam todos os segmentos narrativos do filme anterior, revisitando-os, e acrescentando adendos situacionais que não somavam em absolutamente nada ao enredo. É dessa maneira que o outrora perdedor, Sam Witwick, agora namorando a espetacular Micaela (Megan Fox) ingressa na faculdade para tristeza de seu melhor amigo, o autobot Bumblebee –e todas as piadas já recauchutadas do primeiro filme onde Bumblebee não consegue falar e usa das músicas do rádio para se comunicar são repetidas aqui, como se fossem novidade (!); também a questão um tanto estranha de um jovem adulto não se empolgar com a presença de um robô alienígena e nem de um sex-simbol ambulante como Micaela em sua vida é bastante forçada (tanto que esses elementos serão revistos e contrariados no filme seguinte, mas aí é outra história...). Em meio ao processo de  adequação à faculdade de sempre (mostrado com todos os clichés possíveis, incluindo os valentões da vez), Sam segue demonstrando mais interesse no tédio da vida estudantil acadêmica do que nas circunstâncias assombrosas com as quais se deparou no primeiro filme, até que os perversos Decepticons retornam com um plano de trazer seu líder, Megatron, de volta à vida. O que, em resumo, leva ao caos barulhento e visual que costuma acometer os filmes de Michael Bay –e que ele considera cenas de ação –atingindo seu clímax numa sequência em plenas Pirâmides do Egito.

Não se pode negar que haviam algumas boas intenções no projeto deste segundo “Transformers”: Ao abordar ligeiramente a subtrama da “morte de Optimus Prime”, o roteiro fazia uma ligeira referência ao longa-metragem de animação, “Transformers-O Filme” (lançado ainda durante a época gloriosa do desenho animado, em 1986) tomando emprestado um dos mais dramáticos e marcantes arcos narrativos acompanhados pelos fãs. Uma pena que, de tudo aquilo, muito pouco sobrou: O roteiro de Kruger, Orci e Kurtzman mal aproveita as circunstâncias esboçadas na animação oitentista –que, com não muita atenção, pode-se notar que era muito mais bem roteirizada, mesmo sendo um produto infantil, do que todos os mais recentes longa-metragens feitos para cinema, presumidamente feitos para adultos.

domingo, 12 de abril de 2020

Bem-Vindo Aos 40

Pete e Debbie eram personagens coadjuvantes em “Ligeiramente Grávidos” que acabaram ganhando protagonismo neste filme, realizado cinco anos depois, provavelmente porque o diretor Judd Apatow e seus atores, Paul Rudd e Leslie Mann (que à propósito é casada com o próprio Apatow), ainda tinham algo a dizer por meio deles sobre o lado espinhoso da relação a dois.
Se no outro filme, o casal representava aos olhos daqueles protagonistas (vividos por Seth Rogen e Katherine Heigl) as neuroses cotidianas que o matrimônio acumula ao longo dos anos, aqui, convertidos no foco central da narrativa eles proporcionam um relevo mais detalhado e, espera-se, mais divertido dessa observação –a primeira cena do filme, quando eles discutem, no chuveiro, o uso ou não do viagra, já deixa bem clara a sua predisposição para brigar por qualquer coisinha.
Na semana em que ambos completarão 40 anos –seus aniversários têm poucos dias de intervalo –Pete e Debbie se defrontam com as complicações familiares, profissionais e afetivas de seu cotidiano: Dono de uma pequena gravadora de álbuns, Pete tem de lidar com a chegada das vacas magras –o estilo de música no qual se tornou especialista já não rende mais lucro. Além disso, seu pai (Albert Brooks), cujo novo casamento lhe presenteou com trigêmeos (!) lhe pede dinheiro emprestado todo o tempo, algo que ele faz às escondidas de Debbie.
Por sua vez, Debbie –que é proprietária de uma loja de roupas –está às voltas com uma funcionária sedutora (Megan Fox) que pode ou não estar roubando dinheiro de seu caixa, bem quando Debbie descobre estar grávida pela terceira vez.
Esses percalços servem, em geral, para potencializar os contratempos do casamento dos dois –o cerne real da trama –que vive praticamente de conflitos diários: Pete não quer que Debbie fume. Debbie não quer que ele coma carboidratos. À esse stress mútuo somam-se a convivência com as filhas (a mais velha não sai do computador onde viciou-se na série “Lost” e encrenca a toda hora com a mais nova), a relação com os pais (o de Debbie, vivido por John Lithgow, é demasiado ausente e impessoal) e as pequenas incompatibilidades: Gostos musicais que nunca batem; opiniões divergentes, temores individuais e a visão nada concordada de como empregar o dinheiro de que dispõem.
Percebe-se, sobretudo, durante os primeiros trinta minutos, que muito do filme é construído em cima de esquetes e situações improvisadas (uma forte característica do processo criativo cômico de Apatow) do que em cima de uma narrativa propriamente dita –contudo, tanto Rudd quando Leslie são atores que se saem muito bem com esse tipo de comédia; ajuda muito o fato dos dois conhecerem tão aprofundadamente seus personagens, e a sintonia bastante palpável e orgânica que possuem entre eles mesmos e toda a equipe técnica. Há uma espontaneidade, um confiança que define muito do filme.
Voltar o olhar para o cotidiano parece ser, sob muitos aspectos, a grandes busca por meio da qual Judd Apatow encontra sua verve para comédia; em especial, o cotidiano experimentado por personagens que passam absolutamente longe do estereótipo que se costumou eleger como personagens principais de uma produção cinematográfica –nada de presenças poderosas, altivas e sensuais, nada de indivíduos bem realizados ou idealmente perfeitos, o que interessa para Apatow é a caracterização do banal, do corriqueiro; e quanto mais isso resultar em graça, melhor.
Assim, ele observou as insatisfações e frustrações sexuais de um homem de meia-idade em “O Virgem de 40 Anos”; colocou um comediante em crise avaliando as próprias escolhas equivocadas de vida em “Tá Rindo Do Quê?”; pôs um casal disfuncional formado por uma garota gorda e desbocada e um rapaz moderado em “Descompensada”; e, no que certamente foi seu maior sucesso, avaliou os percalços de uma gravidez inesperada em meio aos relacionamentos modernos em “Ligeiramente Grávidos”, filme a partir do qual ele pareceu consolidar uma espécie de estilo autoral.
Daí sua tentativa em seguidamente regressar a esses personagens e, de certa forma, a esse filme: “Ligeiramente Grávidos” continua sendo a grande obra da carreira de Apatow e, embora não lhe iguale o brilhantismo, “Bem-Vindo Aos 40” prova que ele é um dos raros diretores norte-americanos a dominar o humor com primazia.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Garota Infernal

Se dependesse exclusivamente da impressão passada por sua reunião de talentos, “Garota Infernal” seria memorável: Roteirizado pela mesma Diablo Cody que levou o Oscar da categoria por “Juno” –sendo que é, de fato, espirituoso e bem escrito –dirigido pela cineasta independente Karyn Kusama (realizadora de “Girlfight” tido como uma espécie de precursor temático do premiadíssimo “Menina de Ouro”) e estrelado pela belíssima (e gostosíssima) Megan Fox, de “Transformers” –cuja presença representa o grande atrativo para seu departamento de marketing –o filme jamais alcança os níveis de diversão a que se propõem, em grande parte porque nenhuma das estrelas citadas oferece um resultado satisfatório.
A trama bolada por Diablo Cody como uma espécie de versão particular –e pontuada pelas mesmas concepções de ‘guerra dos sexos’ de seu sucesso juvenil –de certos arquétipos dos filmes de terror jamais engrena ou empolga. Em vez disso, regride aos clichês de sempre: Jennifer, a indiscutivelmente sexy líder de torcida de sua escola (Megan) começa a manifestar um estranho e macabro comportamento que não passa despercebido de sua melhor amiga (Amanda Seyfried), uma das estudantes ligeiramente desajustadas. A garota agora possuída por algo demoníaco, precisa matar para manter-se viva, mais ou menos como um vampiro, e como eles, usa assim seu poderoso sex-appeal para atrair pobres garotos.
Deliberadamente longe do naturalismo que exerceu em seu outro filme, a diretora Karyn Kusama (que realizou também a equivocada adaptação cinematográfica de “Aeon Flux”, com Charlize Theron) opta por um registro convencional e uma narrativa básica, presumindo talvez que prescindiria uma direção com personalidade o fato de ter um roteiro assinado por Diablo Cody e uma protagonista interpretada por Megan Fox.
Megan de fato hipnotiza os olhares masculinos em cena, entretanto, como atriz, seu trabalho é ofuscado pela competência e espontaneidade de Amanda Seyfried, a jovem desajustada.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Transformers

Diretor cuja carreira é indissociavelmente atrelada aos filmes de ação (e dos mais descerebrados possíveis!), Michael Bay ganhou uma franquia à qual relacionar seu nome quando aceitou o convite do produtor Steven Spielberg para comandar a primeira adaptação cinematográfica dos famosos brinquedos de Hasbro (e que renderam uma bem-sucedida série de desenhos animados a partir dos anos 1980): Transformers, os robôs que viravam carros.
Spielberg demonstrou, com essa escolha, apurado faro mercadológico; ele percebeu que Bay, com seu estilo de filmar a ação, obcecado com o visual publicitário, daria a roupagem adequada ao filme –de fato, a maneira com que o diretor consegue fetichizar as máquinas já é meio caminho andado, dando aos robôs gigantes uma identificação humana que os formidáveis efeitos visuais só tratam de potencializar.
Ainda assim, o fio narrativo de Bay, por mais frágil que seja, necessita de uma contraparte humana de fato, que vem a ser Sam Witchwyck (personagem que Shia LaBeouf interpretada com improviso desesperado), um adolescente com uma única coisa em mente: Convencer seu pai a lhe comprar um carro e obter meios para assim impressionar a garota mais bela da escola, Michaela (a espetacular Megan Fox).
O carro em questão, porém, não é bem um carro: Trata-se de um robô alienígena (!), Bublebee, vindo do planeta Cybertron, consumido por uma guerra intergaláctica entre os honrados Autobots (dos quais Bublebee faz parte, assim como seu líder, Optimus Prime, e seus demais companheiros) e os perversos Decepticons (liderados pelo cruel Megatron). As duas facções de robôs gigantes trazem sua guerra para a Terra à procura de um artefato denominado “Allspark”, um cubo dotado do poder de atribuir vida às máquinas –ou algo assim...
E o quê um mero adolescente americano com hormônios em fúria tem a ver com um conflito que ameaça todo o planeta? Como é habitual aos filmes de Bay, tais amarras menos relevantes (!) o filme trata de realizar da forma mais rudimentar possível (e esse é o mesmo tratamento dado à dezena de outros personagens que surgem de forma um pouco aleatória na trama); o que interessa ao seu diretor é a ação ininterrupta –cujo elevado volume suplanta qualquer atenção à história, às motivações ou à dramaturgia –as imagens exuberantes captadas em filtros de câmera estilosos e, no caso deste filme em especial, prestar homenagem ao seu produtor, Spielberg, por meio de uma série de pequenas referências: A relação de amizade entre Sam e Bublebee remete (ou, pelo menos tenta remeter) ao afeto entre Elliot e o alienígena em “E.T. O Extraterrestre”; o caminhão no qual Optimus Prime se transforma faz alusão ao modelo usado no suspense “Encurralado”; o diminuto decepticon que cria um tumulto à bordo do Força Aérea Um parece uma referência aos “Gremlins”; e assim por diante.
Tremendo sucesso de bilheteria, “Transformers” foi o primeiro exemplar de uma franquia cujos títulos seguintes foram minguando no fato –óbvio desde o início –de que os filmes não tinham nada de novo a oferecer. Uma parcela do público, contudo, não se incomoda com isso, e a franquia “Transformers” goza de contínuas bilheterias rentáveis, apesar de contínua também ser sua queda de qualidade.

sábado, 5 de novembro de 2016

10 Histórias em Quadrinhos que poderiam render grandes filmes

Agora, quero propor algo diferente: Um olhar mais atento e até especulativo sobre algumas obras que ficaram meio de lado nesta moda de adaptações de histórias em quadrinhos que pegou de assalto o cinema comercial, mas que parece ter se concentrado mais no gênero de super-heróis, deixando de lado outras histórias igualmente sensacionais, e que poderiam resultar em magníficas obras de cinema.

Maus –Um dos maiores clássicos das HQs de todos os tempos ao lado de “Watchmen” e “O Cavaleiro das Trevas”, esta obra poderosa e devastadora feita em preto & branco poderia render uma animação voltada para adultos. Trabalhoso seria para o roteiro adaptar a linguagem essencialmente literária com a qual o autor Art Spiegelman conta, pelos olhos do próprio pai, a história de sobrevivência de sua família de judeus que, durante a Segunda Guerra Mundial, chegou a estar à beira da morte no campo de concentração de Auchwitz. Na visão impiedosa e implacavelmente artística de Spiegelman, os judeus (incluindo seu pai e ele próprio) são retratados como ratos, os alemães como gatos e os norte-americanos como cães, num recurso que paradoxalmente traz um insuspeito humanismo na abordagem de todos eles.

Os Leões de Bagdá –Outro trabalho que funcionaria como uma animação para adultos ou até mesmo um desses filmes onde a computação gráfica recria com perfeição a realidade animal (caso do clássico “Babe-O Porquinho Atrapalhado” ou do recente “Mogli-O Menino Lobo”), esta fábula sobre a dura realidade (e a confusa ideologia) da Guerra do Iraque parte de uma história real: Durante um bombardeio à Bagdá, as bombas libertam quatro leões do zoológico no qual estavam presos, e esses animais passam assim a peregrinar, num misto de assombro, perplexidade e descoberta pelos inexplicáveis escombros daquele mundo humano. O roteirista Brian K. Vaughn imaginou assim, com forte influência do simbólico “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell, como teriam sido as desventuras, questionamentos e dúvidas daqueles animais inocentes perdidos no campo de uma batalha da qual nada entendiam.
Um primor.

Retalhos –Uma das obras-primas do escritor e desenhista Craig Thompson (a outra, e igualmente magistral é “Habibi”) este volume único e plenamente emocionante conta um fragmento de sua própria vida, onde ele ressalta a convivência cheia de dualidades com o irmão mais novo durante a infância, a criação religiosa infundida pelos pais, as agruras e o fardo de crescer em meio à adolescência, os revezes particulares da vida em contraponto à experiência catártica do primeiro amor e ao início da vida adulta.
Uma obra cativante feita de pequenos e preciosos detalhes que renderia um filmaço.

Ex-Machina –(não confundir com o brilhante filme de ficção científica estrelado por Alicia Vikander) Esta é, curiosamente, uma história, também ela, de super-herói. Mas um super-herói diferente: Mitchell Hundred é (ou melhor, era) o super-herói conhecido como Ex-Machina, dotado do poder de se comunicar com as máquinas. Naquele que é lembrado como seu grande momento como herói, ele consegue evitar (numa magnífica e corajosa jogada de realidade alternativa) que um dos aviões terroristas destruam uma das torres do World Trade Center no fatídico 11 de setembro. O resultado? Mildred é eleito prefeito de Nova York! A série de quadrinhos acompanha assim a sua tumultuada rotina gerenciando uma das grandes metrópoles do mundo em contraponto ao seu passado heróico que surge em flashbacks ao longo da trama.
Seria uma bem-vinda e magnífica revisão do conceito (cada vez mais batido) de super-heróis.

Concreto –E, por falar nisso, dentre todos os “super-heróis” cuja história vem com uma necessária e saudável diferenciação, provavelmente o mais notável deles é Concreto. Escrito e desenhado pelo artista Paul Chadwick (após uma passagem pela Marvel na qual deve ter se frustrado com o funcionamento esquemático do sistema), o personagem e sua concepção pulsam de inventividade, idiossincrasia e humanismo: Concreto é Ron, um escritor que por meio de uma misteriosa abdução alienígena se vê confinado num imenso e poderoso corpo de pedra e, de um dia para outro, torna-se objeto de estudo de cientistas militares e, mais tarde, da mídia sensacionalista.
Disposto a tentar construir uma vida nessa nova condição (e a lidar com o escrutínio midiático sobre sua figura incomum) ele se torna uma nova espécie de celebridade, tentando testar os limites de seus poderes, ora ajudando as pessoas em perigo, ora se submetendo à disputas humanamente impossíveis.
Já dá para imaginar as maravilhas que Andy Serkis faria ao interpretar Concreto em uma personificação digital num filme.

Fathom –O personagem-título é um guerreiro que busca a conciliação numa iminente guerra entre a humanidade e uma espécie que habita um mundo submarino oculto nos oceanos, mas a protagonista mesmo é a jovem Aspen que, devido ao fato de ser um híbrido entre os dois povos, humano e submarino, e além de possuir vasto poder, representa um papel fundamental nesse conflito. Grande trabalho do falecido artista Michael Turner (muito mais lembrado por seu talento em desenhar belas mulheres do que por seu traquejo como roteirista, é bem verdade), “Fathom” tem todos os elementos melagomaníacos, espalhafatosos e dramáticos que configuram uma boa adaptação de quadrinhos para o cinema. Houve até rumores sobre uma adaptação estrelada por Megan Fox depois que ela se tornou famosa com o primeiro “Transformers”, mas nada foi para frente.
Uma das teorias é a de que “Fathom” seria um projeto com considerável grau de dificuldade por ser em grande parte ambientado em alto mar.

Ronin –(não confundir com o filme de ação homônimo realizado em 1997 por John Frankenheimer) Talvez o mais cinematográfico dos autores de quadrinhos (inclusive pela facilidade com que seus trabalhos ganharam os cinemas), Frank Miller criou, no início dos anos 1980, esta que é, talvez, sua mais ‘infilmável’ obra: “Ronin” é um conto reflexivo, surreal, fatalista e multifacetado sobre os fantasmas da mente na trama audaciosa de um samurai errante teleportado do Japão do Século XIII para uma Nova York futurista na qual o demônio que tencionava matar se tornou controlador do mundo.
A familiaridade da premissa básica não é à toa: Gendy Tartakovsky (de “Meninas Superpoderosas”) baseou-se essencialmente em “Ronin” para conceber sua animação “Samurai Jack”, com um resultado muito mais ameno e pueril.
Na verdade, a trama de “Ronin” mergulha nas armadilhas da insanidade como forma de fragmentar as neuroses humanas, ao mostrar a jornada subjetiva de um herói incapaz de compreender seus infortúnios na mesma medida em que não distingue a loucura de sua própria imponderabilidade.
Tão complexo quanto “Maus” ou “O Incal”, “Ronin” tentou ser adaptado logo depois que “300”, realizado por Zack Snyder, virou febre, pelo mesmo produtor Gianni Nunnari, sob a direção de Sylvain White, de “Stomp The Yard”, mas os trabalhos cessaram quando os executivos perceberam que se tratava de um projeto infinitamente mais denso.

O Incal –Já que falamos nele: Concebido pelo traço incomum do artista Moebius e pela mente fervilhante do escritor Alejandro Jadorowski (também cineasta!), este conto amplo, detalhista e inusitado de ficção científica é uma das obras mais aclamadas dos quadrinhos e ao lado de “Watchmen” (pelo menos antes deste ser adaptado por Zack Snyder) figurava sempre nas listas das adaptações de quadrinhos mais aguardadas e paradoxalmente mais difíceis de serem concebidas.
A trama (pra lá de esotérica) acompanha a trajetória circular de vida, morte e renascimento do detetive particular John Difool, num mundo futurista às voltas com um cristal dotado de grande poder e crenças religiosas cujos dogmas podem afetar a própria realidade, além de uma infinidade de personagens complexos e enigmáticos. Um delírio autoral dos mais ricos em criatividade que a nona arte já viu.
Especulou-se durante um tempo o nome de Ridley Scott para uma adaptação.

Y-O Último Homem –Talvez a obra-prima do roteirista Brian K. Vaughn (criador também das espetaculares premissas de “Ex-Machina” e “Leões de Bagdá” mencionados acima), esta HQ é um exercício e tanto de imaginação: Seu protagonista, o jovem metido à ilusionista Yorick Brown, é o único sobrevivente do sexo masculino num mundo onde uma epidemia de natureza genética exterminou todos os seres providos do cromossomo ‘y’, vagando assim num mundo pós-apocalíptico onde as mulheres prevalecem. A série (magnífica, por sinal) reflete sobre todos os percalços possíveis de uma situação assim, sob o prisma da verossimilhança.
Um grande filme pedindo para ser feito, e não faltam jovens atores proeminentes que poderiam interpretar Yorick Brow e sua parceira a Agente 53.

Estranhos No Paraíso –(não confundir com o clássico alternativo dos anos 1980 dirigido por Jim Jamursch) Uma das mais sensacionais histórias em quadrinhos de todos os tempos, acompanha a rotina nada heróica de duas jovens, Katchoo (a cara da Jennifer Lawrence!) e Francine (Amy Schumer, se pintasse o cabelo de preto), que vivem às voltas com desilusões, amores e dramas muito reais, cortesia do ilustrador e roteirista Terry Moore, dono de um talento sem igual para escrever sobre a dinâmica dos relacionamentos.
À medida que a trama avança (assim como os anos), camadas das protagonistas vão se revelando transformando-as em pessoas verdadeiras das quais temos genuíno prazer em nos aproximar.
Uma síntese primorosa e única entre comédia, drama e história de vida.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

As Tartarugas Ninja no Cinema

A recepção positiva que esses personagens receberam nas suas mais variadas aparições na mídia e na cultura pop é bastante indicativa do quão populares eles são junto ao público.
Criados no final da década de 1980 por Kevin Eastman e Peter Laird (produtores da revista “Heavy Metal”) para uma linha de quadrinhos alternativos com ligeira e debochada influência nos heróis da Marvel, as Tartarugas Ninja logo passaram a fazer sucesso ganhando, nos anos 1990, um desenho animado que as introduziu no subconsciente infantil de toda uma geração.
Em algum momento desse sucesso todo, foi realizado também um filme.
Dirigido pelo mesmo Steve Barron que realizou algumas produções cult dos anos 1980 (como o açucarado “Amores Eletrônicos”), o primeiro longa do quarteto de tartarugas tinha a bela atriz Judith Hoag como a repórter April O’ Neil –a melhor amiga humana das tartarugas –e Elias Koteas (de “Além da Linha Vermelha” e “Crash-Estranhos Prazeres”) como o vigilante Casey Jones. Para concretizar a tarefa inédita de materializar os quatro tartarugas ninja com realismo em um filme, a produção trazia uma hoje datada técnica de animatrônica, com atores usando imensas máscaras dos personagens nas quais a boca e os olhos se movimentavam. Nada disso impediu que a molecada da época ficasse fascinada com o filme e o transformasse num sucesso de bilheteria. Hoje, ainda dotado daquele charme nostálgico oitentista, ele é lembrado como mais um dos muitos “clássicos da sessão da tarde”.

Como era habitual ocorrer na época, a indústria não tinha uma ideia exata de como trabalhar os ingredientes de seu próprio produto e o filme ganhou anos depois uma continuação, em tudo e por tudo inferior: “As Tartarugas Ninja-O Segredo do Ooze”, dirigido pelo operário padrão de filmes B, Michal Pressman, no qual um dos destaques era uma ponta (vergonhosa como sempre!) do infame popstar Vanilla Ice.
O grupo formado por Leonardo, Michelangelo, Rafael e Donatelo defrontava-se, mais uma vez com o ninja Destruidor (num gancho que ligava mal e porcamente este com o filme original), e com as consequências de uma substância estranha -o Ooze! -capaz de criar humanóides: Este filme trás, portanto, a primeira tentativa em trazer alguns personagens da série animada de TV (ou pelo menos, pressupõe-se que aqueles capangas que aparecem tinham intenção de ser Rocksteady e Bee-Bop, já que a tosqueira absoluta que predomina na produção deixa as coisas meio... indistinguíveis!).
Por alguma razão, Judith Hoag não voltou para interpretar April (e penso que ela estava certíssima), e quem assumiu seu lugar para pagar esse mico foi a bela Paige Turco.

À essa continuação seguiu-se um filme para a TV ainda mais inferior (onde os personagens voltavam no tempo e viravam samurais!!!), e depois dele uma paupérrima série live-action, já no fim dos anos 1990. As Tartarugas Ninja começavam a cair numa certa obscuridade.
Na década que se seguiu muitas foram as tentativas de restabelecer as Tartarugas Ninja com o mesmo apelo de público avassalador que eles tiveram nos anos 1980, inclusive com uma ótima animação para cinema lançada em 2007, dirigida por Kevin Munroe.

Nela, Rafael, Michelangelo, Leonardo e Donatelo, o quarteto de tartarugas ninja mutantes que lutam contra o crime, retornava num longa-metragem de computação gráfica, que restaurava um pouco do clima violento da HQ underground da qual se originaram, deixando de lado o tom infantilizado que foi banalizando cada vez mais os personagens na sua série de animação convencional da década anterior. O resultado, embora não tenha a perfeição de um padrão "Disney", por exemplo, foi muito bom.
Uma pena não ter rendido o êxito esperado.

Em 2014, contudo, foi a vez de arriscar um novo filme live-action para cinema. O diretor era o jovem Jonathan Liebesman (do frenético e ensurdecedor “Invasão do Mundo-Batalha de Los Angeles”), mas controle técnico e criativo, em todos os aspectos, estava com seu produtor, o famigerado Michael Bay. É muito do seu estilo explosivo, alucinado e espalhafatoso que se vê em cena refletindo-se em escolhas um pouco equivocadas como a escalação bastante inadequada de Megan Fox (jovem atriz assídua em trabalhos de Michael Bay, como “Transformers”) para o papel de April O’ Neil –ainda que ela seja linda! –e na caracterização exageradamente anabolizada das tartarugas (que agora são enormes e brutamontes!). A grande novidade, em si, era o emprego de efeitos especiais de captura de performance, tal e qual eles eram utilizados, por exemplo, em “Planeta dos Maçados-A Origem”. A técnica, originada no épico “Avatar” de James Cameron, permitia que se criassem seres inumanos com as mesmas expressividades de seus intérpretes humanos, e isso caia muito bem num projeto envolvendo os tartarugas.
 A trama, como sempre, não mudou muito: A repórter April O' Neil investiga acontecimentos estranhos envolvendo vigilantes misteriosos que têm combatido a principal quadrilha criminosa de Nova York: A Gangue do Pé. Esses vigilantes, ela descobre, são tartarugas, e são ninjas! Criadas nos esgotos por um acidente químico, essas tartarugas (Leonardo, Rafael, Michelangelo e Donatelo) foram treinadas pelo rato (e mestre em artes marciais) Splinter, e preparam-se para o seu maior desafio: enfrentar o perigoso Destruidor (convertido do que deveria ser um ninja, numa espécie de vilão robotizado, no que deve ser o maior erro deste filme!), líder absoluto de toda a Gangue do Pé, que guarda planos terríveis envolvendo NY.
Não há como negar que a tecnologia de efeitos especiais aperfeiçoa e amplia as cenas de ação (embora seu exagero seja também um dos graves problemas do filme), mas a fraqueza do roteiro (e da atriz Megan Fox) compromete o resultado.
Entretanto, como costuma ocorrer com os filmes de Michael Bay, as características negativas do filme não impediram-no de ter uma boa bilheteria, garantindo uma continuação, “Tartarugas Ninja-Fora das Sombras”.

Numa manobra narrativa muito parecida com o que Michael Bay realizou em sua franquia dos “Transformers”, ele usa o segundo filme para trazer uma nova ameaça, à qual irá confrontar o quarteto de tartarugas (bem como suas distintas personalidades) com um dilema: Se expor ou não aos olhos dos nova-iorquinos, para que não atuem mais às escondidas, como é sugerido pelo “fora das sombras” do título.
Este segundo filme beneficiou-se de uma série de circunstâncias favoráveis. A principal delas: Michael Bay e os demais produtores aparentemente deram ouvidos às críticas do filme anterior, e removeram a pesada direção de Liebesman.
O novo diretor, o jovem Dave Green, trouxe muitos elementos oriundos da série animada de TV dos anos 1990, incluindo os vilões Krang (um alienígena interdimensional rosado e gosmento que quer dominar o mundo), Rocksteady e Bee-Boop (um rinoceronte e um javali humanóides a exemplo das próprias tartarugas ninja), além de finalmente caracterizar o Destruidor da maneira certa, como um mestre ninja maligno.
No elenco, além do retorno de Megan Fox (aqui mais à vontade que no filme anterior, e nitidamente menos influente na trama) e do engraçado Will Arnett, temos a adição do novo Casey Jones (Stephen Amell, da série “Arrow”, constrangedoramente falho em sua tentativa de agregar humor ao personagem) e da excelente Laura Linney, como uma investigadora policial.
As fraquezas ainda estão lá, e são todas as mesmas (cenas de ação barulhentas e excessivas de uma pirotecnia desmedida em detrimento à história e aos personagens, tratados de maneira rasa), mas o novo filme se aproxima muito mais da essência de seus personagens, e daquilo que fez deles uma diversão deliciosa na infância dos que são hoje a platéia adulta.

PS: Uma das cenas deletadas do filme (e que pode ser conferida nos extras do DVD), mostra uma participação especial da intérprete original de April O’ Neil, Judith Hoag, numa breve cena com Megan Fox. Ainda muito bonita, ela consegue ter mais a ver com a personagem em dois minutos de aparição do que Megan Fox em dois filmes inteiros!

quarta-feira, 26 de outubro de 2016

Anjo do Desejo

Existem filmes tão equivocados em sua proposta que é difícil determinar o quê pretendiam dizer, ou o quê, no fim das contas, são.
Este conto algo lisérgico sobre decadência parece ensaiar uma tentativa de ser um drama, uma referência tênue, gaiata e muito hesitante à “Monstros”, de Todd Browning, arrisca virar uma história de amor, mas esbarra na falta de química atroz do par central, e acaba encerrando-se num final circular que, embora até interessante, nada acrescenta ao todo.
O problema talvez seja –como veremos mais adiante –os três principais nomes envolvidos na produção: O ator Mickey Rourke (que à despeito de seu talento, aqui mostra-se completamente perdido), a atriz Megan Fox e o diretor Micht Glazer, que trabalha num roteiro de sua própria autoria.
Mickey Rourke é Nate Poole, um trompetista que vive à duras penas nas empoeiradas cidades do meio-oeste americano, vivem de tocar em espeluncas e boates de strip-tease. Logo no início ele é abordado por um matador contratado que o leva para o deserto a fim de executá-lo por ter mexido com a mulher errada. E nessas primeiras cenas já se percebe a incapacidade do diretor em dar qualquer fôlego narrativa à elas.
Poole é salvo, sem maiores explicações, por atiradores índios vestidos de branco (!) e, a partir daí, caminha a esmo pelo deserto, terminando por deparar-se com um circo de aberrações.
É curioso notar que, embora o roteiro pertença ao diretor, ele não soube enfatizar o aspecto absurdo e surreal que pulsa de sua trama, e optou por uma condução que soa desanimada e desanimadora o tempo todo.
Por isso, já não nos importamos muito quando o personagem de Rourke encontra Lilly (Megan Fox, ratificando sua incapacidade como atriz), uma bela jovem que, sabe-se lá como, possui duas asas nas costas (como um anjo), e que por isso é a atração principal do lugar. Poole a convence a fugir dali com ele e, embora haja uma conexão amorosa que se consuma, ele a sua como moeda de troca numa negociação que envolve o gangster que havia encomendado sua morte (Bill Murray, graças à Deus uma coisa que presta neste filme!).
Assim, além da pretensão em carregar seus personagens (sobretudo o protagonista) em tintas ambíguas, que terminam apenas lhe conferindo uma prejudicial apatia, a produção não diz a que veio, seja como romance, como suspense, drama alegórico ou qualquer coisa que seja.
Mickey Rourke e Megan Fox estão tão ruins em cena que parecem competir quem tem o rosto de botox mais inexpressivo (acho que é Mickey Rourke!) e, como eles são os protagonistas, isso corresponde a noventa e cinco por cento de todo o filme!!!

O desfecho (quando surge uma cena que revê seu prólogo e dá novo significado à trajetória da obra como um todo) poderia até valorizar o filme, se a mediocridade de tudo o que veio antes não tivesse estragado toda a receita.