Mostrando postagens com marcador Shailene Woodley. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Shailene Woodley. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

A Culpa É Das Estrelas

Desde muito pequena, Hazel (a promissora Shailene Woodley) sempre foi doente. Aos 16 anos, a perspectiva de uma vida longa já lhe havia sido completamente tolhida por um quadro incontornavelmente pessimista de câncer de pulmão. Na tentativa de administrar a fatalidade, mais para os outros que a cercam (como seus excessivamente solícitos pais) do que para si mesma, ela vai a um grupo de apoio, onde conhece o jovem, Gus Walters (o radiante Ansel Elgort), sobrevivente de um câncer que lhe custou a perna direita.
Como reza a cartilha hollywoodiana de dramas destinados ao público adolescente (cujo livro do qual este filme é adaptado parece seguir à risca), Hazel e Gus se envolvem, enquanto tentam lidar com as particularidades da vida de cada um: Hazel não vê com otimismo a perspectiva de construir qualquer relacionamento com Gus ou com quem quer que seja, diante do fato de que sua vida será tão curta; Gus, por outro lado, vê em tudo uma chance para saborear a vida como ela se apresenta.
São duas concepções distintas que encontram uma harmonia em pequenos elementos de compatibilidade (a adoração pelo filme “O Diário de Anne Frank”, por exemplo) e num sentimento que logo se torna recíproco.
A direção de Josh Boone conduz o filme com sensibilidade, enaltecendo as características do best-seller de John Green que fizeram sucesso no meio literário, e que repetiram um certo êxito em sua versão para cinema: A sensação de que o fim é incontornável permeia todos os seus momentos, fazendo com que as lágrimas sejam inevitáveis.
Seus personagens nunca questionam a vontade de viver que arde dentro deles, cientes de que a culpa é toda e inteiramente das estrelas cujo brilho nos leva a sonhar para além de nossa condição humana.

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Pássaro Branco Na Nevasca

Pouco usual a filmografia de Gregg Araki. De todos os seus filmes, o único que vi foi “Pássaro Branco Na Nevasca” embora já tenha ouvido falar bastante de “Mistérios da Carne”. 
Uma forma muito peculiar e escorregadia de transgressão parece ser o que norteia seu estilo. E eu gostei bastante do que disso resulta em “Pássaro Branco...”. 
Kat tem uma mãe que é, para dizer o mínimo, instável. Um dia, ela some, deixando Kat e seu pai sem quaisquer respostas. 
Não é em clima de suspense que Araki desenvolve sua narrativa, embora, no final das contas, ele o seja. 
O registro tem ligeiros ecos de um melodrama ao estilo de Douglas Sirk, e uma identidade visual que remete à Sam Mendes e seu “Beleza Americana”, o que diga-se cai muito bem para um filme independente. Mas Araki conserva uma voz própria, uma observação bem particular sobre os acontecimentos que, de início, é difícil dizer se é bom ou não, graças à estranha névoa que ele faz cercar os fatos, como se fossem sonhos herméticos, ou mais provavelmente, uma perversa distorção de contos de fadas. Interessante certamente.
 Shailene Woodley é uma grata surpresa. Ela está infinitamente mais interessante do que em seus trabalhos mais conhecidos do grande público (“A Culpa É Das Estrelas” e a série “Divergente”), encarando com surpreendente desinibição até algumas cenas de nudez, e finalmente demonstra ímpeto o suficiente para se equiparar à estrela maior de sua geração: Jennifer Lawrence.
Curioso notar o esforço que o filme exerce para torná-la linda (e como sua beleza é natural, isso não é nem um pouco difícil) em paralelo à tentativa de enfeiar Eva Grenn, o quê obedece, e muito, os objetivos da trama.