O contexto não favorece este estranho filme de Adrien Beau: Baseado num conto gótico de Aleksey Konstantinovich Tolstoy (primo de Leon Tolstoy), publicado em 1839 (anterior, portanto, ao próprio livro “Drácula”, de Bram Stoker) e já adaptado, entre outras produções mais ou menos fiéis, em “A Noite dos Demônios”, de Giorgio Ferroni, este “Os Vourdalak” carrega o estranhamento de uma determinada vertente do cinema francês que o faz pouco palatável (e esse efeito parece ser constantemente proposital) – e olha que nem estamos falando do Cinema Francês de Terror dos anos 2000, que rendeu obras transgressivas e poderosas como os primeiros trabalhos assinados por Alexandre Aja – como se não bastasse, “Os Vourdalak” surge num período em que aflora no circuito comercial uma nova onda formidável de grandes trabalhos no cinema de terror norte-americano, onde novos diretores empreendem uma visão autoral, refinada e surpreendente do gênero por meio de obras a um só tempo artisticamente relevantes e comercialmente bem-sucedidas como “Pecadores”, “AHora do Mal”, “Entrevista Com O Demônio”, “A Substância” e outros.
Dessa maneira, “Os Vourdalak’ padece
terrivelmente na comparação com esses grandes filmes e ainda tem os cacoetes
mais questionáveis do cinema autoral francês (além do orçamento nitidamente
baixo) a lhe prejudicar.
No Século 18, nobre emplumado da Corte Francesa
(e passível de todas as frescuras de seu meio), o cavalheiro Marquês Jacques
Antoine d’Urfé (Kacey Mottet Klein) se vê em meio à uma inóspita floresta em
plena Europa Oriental, numa viagem em regresso à França. O mapa indica que ele
se encontra em algum ponto próximo das fronteiras com a Turquia e as poucas
instruções que ele tem indicam que refúgio ele só encontrará mesmo na casa de Gorcha,
um dos poucos moradores da redondeza.
Lá, Jacques Antoine requisita abrigo e o recebe
embora os moradores, da família de Gorcha, sejam inexpressivos e inacessíveis.
São eles, o taciturno e jovem Piotr (Vassili Schneider), a bela e arredia Sdenka
(Ariane Labed), e a mãe deles Anja (Claire Duburcq, de “1917”), além do caçula,
o pequeno Vlad (Gabriel Pavie). Logo, chega o pai deles, Jegor (Grégoire Colin,
de “Antes da Chuva”), o filho mais velho de Gorcha, e com sua chegada, os
parentes fazem uma revelação: Que Gorcha partiu seis dias atrás disposto a
integrar as fileiras do conflito contra os turcos que se desenrola na região.
Ele advertiu os demais: Se ele não regressasse em menos de uma semana, isso
significava que jamais voltaria, e que se chegasse a voltar, não seria ele, mas
sim algo sinistro assumindo sua identidade.
Eventualmente, Gorcha acaba retornando e,
diante do alívio em rever novamente o pai, Jegor ignora as instruções e o
acolhe, entretanto, a medida que retoma o convívio com os familiares, vai
ficando bem claro que Gorcha não é mais o homem que era antes.
Ele foi convertido em um Vourdalak – o equivalente a um vampiro no folclore eslavo e
balcânico – e, nas noites que se seguem, dará cabo de um a um, os membros de
sua família, tendo o perplexo Jacques Antoine como testemunha dessa maldição.

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