O produtor e roteirista Gustavo Lipztein já havia feito um bom trabalho na minissérie “Todo Dia A Mesma Noite”, sobre o incêndio na boate Kiss, entretanto, com esta outra minissérie (também ela dividida em cinco capítulos), focada nos assombrosos desdobramentos do caso do Césio 137 em Goiânia no ano de 1987, ele consegue um salto inacreditável de qualidade e sofisticação, e muito disso certamente se deve à direção de Fernando Coimbra (do impactante “O Lobo Atrás da Porta”) a frente de todos os episódios.
Setembro de 1987. Na cidade de Goiânia, capital
do estado de Goiás, dois catadores inadvertidamente invadem as ruínas de um
hospital abandonado em busca de material para vender. Nas dependências do que
havia sido a sala de radioterapia, eles encontram a cápsula de uma máquina de
raio X deixada para trás, e logo decidem leva-la dali, desmontá-la e vender o
precioso chumbo de sua constituição no Ferro-Velho local. Eles não fazem a
menor ideia (nem tampouco os diversos outros indivíduos pelas mãos dos quais o
material vai passando), mas, a cápsula carrega em seu interior Césio 137, um
material radioativo altamente tóxico e letal para o organismo humano. Nos dias
que se seguem, essas pessoas descobrem o curioso pó azul fosforescente no
interior da cápsula e a mostram para parentes, vizinhos e amigos (!). Eles o
compartilham; alguns levam dentro de caixas de fósforos para mostrar o
fascinante efeito luminescente para seus filhos (!!).
Cerca de dez dias depois, Antônia (Ana Costa),
a esposa do dono do Ferro-Velho (Bukassa Kabengele), decide levar a cápsula
para a Vigilância Sanitária Municipal, já crente de que é seu conteúdo o
responsável pelo mal-estar generalizado que contaminou a todos. A cápsula é
entregue às autoridades (não sem antes circular à bordo de um ônibus coletivo
por toda cidade de Goiânia!) e Antônia, junto do rapaz que a ajudou passam mal,
e são logo encaminhados ao Pronto-Socorro.
É justamente o jovem médico residente quem nota
algo de estranhamente suspeito: Não só a mulher e o rapaz se encontram em
atendimento, como também os dois catadores do início – e todos apresentam
sintomas de contaminação. Ele liga para um amigo dos tempos de escola, Márcio
(o ótimo Johnny Massaro, de “O Filme da Minha Vida”), que havia se formado em
Física Nuclear e morava em São Paulo, mas encontrava-se em Goiânia pela ocasião
do aniversário do pai.
Márcio reluta em ir averiguar – ele e Bianca (Júlia
Portes), sua esposa grávida, estavam prestes a partir de volta para São Paulo –
mas, sob insistência, acaba indo. Um cintilômetro emprestado por ele das
dependências da Universidade local indica níveis altíssimos e alarmantes de
radiação quando enfim chegam no prédio da Vigilância Sanitária.
O Césio 137 é descoberto, e agora, todas as
pessoas que tiveram contato com aquele material precisam ser colocadas em
quarentena – não apenas isso, as autoridades, com o auxílio de Márcio e do
especialista Dr. Orenstein (Paulo Gorgulho), têm que rastrear todos os focos de
Césio 137 que se espalharam por Goiânia, das formas mais inacreditáveis
possíveis; até mesmo em altares caseiros, dedicados à Nsa. Sra. Aparecida, são
encontrados focos de Césio!

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