Os diretores Phil Lord e Christopher Miller, de “Homem-Aranha No Aranhaverso”, na qualidade de produtores (e, portanto, plenos de controle sobre o material final) escancaram, nesta arrojada série da Amazon Prime e produzida pela Sony Pictures, o seu irreprimível apreço pelo subgênero do film noir.
Concebendo um novo personagem a partir da
variante detetivesca e monocromática do Homem-Aranha que havia dado as caras em
“Aranhaverso” – e que lá era, inclusive, dublada por Nicolas Cage – Lord e
Miller dão origem à um novo personagem; e que difere, por sinal, até mesmo da
fonte original dos quadrinhos.
Nesta série, elaborada num vistoso e
atmosférico preto & branco – mas, liberada também numa versão em cores – o
próprio Nicolas Cage (como não poderia deixar de ser!) comparece em carne e
osso para dar vida ao personagem que antes ele dublou, o assim chamado Homem-Aranha Noir.
Cage é Ben Reilly, um detetive particular na
Nova York da década de 1930 – com todas as mazelas sociais de gangsterismo,
Grande Depressão e Lei Seca que o noir
tão bem soube explorar – que, cinco anos antes, havia sido o herói Spider (ele abandonou a vida de
vigilante após ter sido incapaz de salvar a mulher que amava). Tendo pendurado
as chuteiras, Reilly agora é um detetive desiludido, ocasionalmente alcóolatra
e dedicado aos casos extraconjugais de praxe, que mal pagam seu sustento e o
salário da secretária Janet (Karen Rodriguez).
Até o dia em que uma série de casos
coincidentemente interligados começam a revelar para Reilly uma curiosa
conspiração ocorrendo em meio às sombras do submundo nova-iorquino: Um marido
pouco confiável pede que Reilly recolha provas do adultério de sua alegada
esposa, a cantora Kat Hardy (a sedutora Li Jun Li, de “Pecadores”) cujos
encontros fortuitos são com ninguém menos do que o prefeito da cidade; o ex-combatente
desaparecido inexplicavelmente adotado de poderes (relacionados ao fogo, no
caso) que incendeia a mansão do chefão Cabelo de Prata (Brendan Gleeson); mais
tarde, a própria Kat Hardy requisita os serviços de Reilly para encontrar outro
desaparecido, seu amante e guarda-costas, Flint Marko (Jack Huston, da
refilmagem de “Ben-Hur”) – em comum entre ele e o desaparecido anterior é que
não apenas ambos tinham poderes (os de Marko, relacionados à areia, o que o
torna uma perfeita versão noir do
Homem-Areia dos quadrinhos do Aranha) como também serviram no mesmo batalhão;
como se não bastasse, o Cabelo de Prata em pessoa surge querendo contratar
Reilly, desta vez, para descobrir qual é a identidade do traidor que está
planejando sua morte – de cujo plano, inclusive, faz parte o incêndio em sua
mansão.

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