Alguns cinéfilos com um pouco mais de idade certamente testemunharam o fenômeno por meio do qual filmes contemporâneos acabam se tornando clássicos; filmes lançados sem muita certeza de seu desempenho comercial ou crítico terminam virando, com o passar do tempo, referências dentro de seu gênero. Lançado em 2004 (época da qual me recordo perfeitamente), “Meninas Malvadas” –ou “Mean Girls” –dirigido por Mark Waters, é um desses casos, e a comprovação disso vem do fato de que, em 2019, ele ganhou um remake musical na Broadway (assim como, por exemplo, “O Fantasma da Ópera”) e, vinte anos depois, em 2024, foi lançado em cinema, desta vez dirigido por Samantha Jayne e Arturo Perez Jr.
Assim, a narrativa (concebida pela roteirista
Tina Fey a partir do livro de estudo comportamental “Queen Bees and Wannabes”,
de Rosalind Wiseman) traz a mesma história pontuada por números musicais que
tecem um comentário estilizado dos acontecimentos –agora devidamente adaptada
aos novos tempos, com temas atuais como sororidade, o cancelamento social, o bullying (seja o digital ou social), o
vício em mídias digitais, a diversidade, a inclusão e a independência feminina.
Desnecessário dizer que muitos dos atores já presentes na versão dos palcos
repetem seus personagens aqui neste filme.
É o caso de Reneé Rapp que vive a antagonista
Regina George –vivida, no filme de 2004 pela sensacional Rachel McAdams.
Entretanto, tudo começa mesmo com Cady Heron (Angourice Rice, de “Dois Caras Legais”, num registro bem distinto de Lindsay Lohan). Moradora do Quênia junto
de sua família, Cady –que foi educada em casa –precisa se mudar para a cidade
de Illinois com seus pais e, pela primeira vez, frequentar um colégio público.
Entretanto, se as matérias escolares não
oferecem qualquer empecilho (Cady é uma jovem inteligente), a questão da
interação social é: Inicialmente, Cady demora a conseguir fazer amigos. Aos
poucos, porém, ela faz amizade com os ligeiramente desajustados Janis (Auli’i
Cravalho, que dublou a protagonista da animação “Moana”) e Damian (Jaquel
Spivey), e descobre, por meio deles, que há uma espécie de hierarquia muito
delicada e complicada estabelecida no lugar pelas próprias garotas.
E quem ocupa o topo dessa cadeia social como a
realeza do lugar são as plastic girls,
o grupo das patricinhas da escola composto pela poderosa, popular (e
perigosa...) Regina George, e suas, digamos, asseclas, Karen (Avantika
Vandanapu, no papel que antes foi de Amanda Seyfried) e Gretchen (Bebe Wood,
personagem outrora vivida por Lacey Chabert). Em meio à isso, Cady se apaixona
por Aaron (Christopher Briney), um estudante de sua classe de matemática, e que
vem a ser ex-namorado da própria Regina George, contudo, é a própria Cady quem
acaba fazendo amizade com as plastic
girls, integrando o grupo e, pouco a pouco, se tornando uma delas.

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