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terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Eu Sou A Lei

Dentre as tantas tentativas de reinvenção que o film noir sofreu ao longo das décadas depois que seus exemplares ganharam ares cults e clássicos, este talvez tenha suscitado algum interesse pelo alto grau de vulgaridade irrestrita que o diretor Richard T. Heffron lhe emprestou.,
Na trama, Armand Assante (um ator muito bom, porém, facilmente inclinado em ceder ao egocentrismo canastra de alguns personagens) empresta sua desenvoltura ao detetive Mike Hammer que, para o bem e para o mal, lhe cabe feito uma luva.
Policial cheio dos mais característicos maneirismos, Hammer tem seu melhor amigo assassinado (claro!) e abandona os protocolos restritivos da investigação oficial ao dedicar-se a encontrar o responsável com a única intenção de vingar-se. O bandido em questão trata-se de um psicopata imprevisível que mata mulheres, em especial, as garotas de programa agenciadas por algumas casas específicas –entre as quais, as deliciosas gêmeas Leigh e Lynette Harris, de presença (e nudez) assídua em diversos filmes dos anos 1980.
E aí estão os elementos que tornam “Eu Sou A Lei” um filme a ser lembrado: Se a trama e o modo com que é contada reforçam a impressão nada coincidente de episódio de TV esticado (este filme, mais tarde, virou realmente a série de TV “Mike Hammer”), os seus estremos alcançados com certo fetiche o tornam palatáveis e até memoráveis: O sangue, a violência e a nudez constantes e desmedidos –e no que tange à nudez e à sensualidade a participação mais expressiva é da morena Barbara Carrera.

domingo, 16 de abril de 2017

1492 - A Conquista do Paraíso

Em 1992, a façanha de Cristovão Colombo ao encontrar as terras do Novo Mundo completou seus cinco séculos.
Para aproveitar tal data, naquele ano, dois filmes lançados versavam em torno desse tema: Um, “Cristovão Colombo-A Aventura do Descobrimento”, de John Glenn, chamava a atenção por seu elenco estelar (tinha Marlon Brando e uma ainda iniciante Catherine Zeta-Jones) e por ter um roteiro escrito por Mario Puzo.
Já o outro, este “1492-A Conquista do Paraíso”, de Ridley Scott, chamava de pronto a atenção por ser um projeto grandioso e arriscado, sem financiamento de quaisquer grandes estúdios norte-americanos –o quê fez dele a maior produção independente da história até então.
Um diretor conhecido pela audácia de seus projetos, Scott abraçou a megalomania inerente a este tipo de obra e concebeu um trabalho pulsante repleto de momentos extraordinários e inspirados (como o ataque de índios promovido à fortificação na parte final) e outros tantos claudicantes e irregulares.
Embora ostente uma quase sempre imponente identidade visual, o trabalho de Scott ao oscilar entre um conformismo clássico e um ocasional arrojo estético, se revela um trabalho aquém do nível qualitativo a que ele havia acostumado seu público: Ele vinha do sucesso de “Thelma & Louise” e, apesar do reconhecimento por “Alien” e “Blade Runner”, a década de 1990 representaria um período de declínio criativo que ele só viria a superar em 2001, com “Gladiador”.
Voltemos, contudo, a este filme: Ridley Scott nos narra a vida e o idealismo de Cristovão Colombo (Gerard Depardieu, soberbo), filho de tecelão genovês, navegador e o notório descobridor da América, que para singrar o mundo e provar que a Terra era redonda (!), desafiou a Coroa Espanhola (personificada na Rainha Isabel, a Católica, vivida com classe por Sigourney Weaver e no Tesoureiro Sanchez, interpretado astutamente por Armand Assante) e o Vaticano (Padre Antônio de Marchena, vivida por Fernando Rey, ator de diversos filmes de Buñuel), e acabou por descobrir um novo continente enquanto tentava encontrar uma nova rota para as Índias, via Ocidente.
Apesar disso, ele terminou esquecido pelos nobres da época.
Ridley Scott resgata a lembrança de seu legado neste filme envolto em todas as qualidades intrínsecas dele como cineasta (visual bem trabalhado e acachapante, competente direção de atores, rigor cênico, vigor histórico narrativo), mas prejudicado por um roteiro redundante que perde força a medida que deixa o momentos vultuosos da jornada de seu protagonista para trás.

Não está entre as maiores obras de Scott, mas não é, de maneira alguma, uma produção digna de indiferença.