Mostrando postagens com marcador François Ozon. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador François Ozon. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O Amante Duplo


O grande François Ozon, ao se reunir com sua estrela de “Jovem & Bela”, Marine Vacth, volta a obter um interessante resultado, desta vez, vislumbrando as facetas insólitas de um relacionamento sempre com sua peculiar atenção aos ângulos inesperados que abreviam nossa percepção da realidade.
Longe da adolescente sexualizada do outro filme, Marine (belíssima, diga-se) vive aqui uma personagem adulta, ela é Chloé cujas dores de estômago constantes e aflitivas não encontram diagnóstico dos médicos. Ela procura por ajuda psiquiátrica quando sugerem que seu mal pode ser psicossomático.
O psiquiatra que a atende é Paul (Jérémie Renier, presença assídua nos filmes dos Irmãos Dardenne).
Ao longo da terapia, no entanto, o envolvimento deles extrapola a relação médico-paciente, e Paul decide encerrar a terapia, recomendando à Chloe uma colega para continuar seu tratamento.
Contudo, Chloe descobre, por acaso, que Paul –com quem passa a morar –tem um irmão gêmeo sobre quem ele nunca lhe falou. Esse irmão, Louis, é também ele psiquiatra; e Chloe aproveita a deixa para prosseguir seu tratamento com ele, sem que Paul fique sabendo.
No avanço das sessões, fica claro que Paul e Louis têm índoles diferentes: Se Paul é carinhoso e compreensivo, Louis é beligerante e provocador –e, nessa atitude, ele pouco a pouco arranca a verdade de Chloe, terminando por fazer dela sua amante, numa aparente forma de retomar uma rivalidade feroz com o irmão. Fator que aparentemente os separou.
À medida que a circunstância desse triângulo amoroso se ressalta, inclusive com o surgimento de novos indícios e segredos envolvendo os gêmeos, a narrativa de Ozon vai também se multifacetando, espatifando-se em possibilidades desconcertantes não só acerca do fato de que ambos os irmãos podem não ser o quê desde o início aparentavam, mas também sobre a preocupante constatação de que a realidade na qual Chloe vivia por ser mais frágil do que ela mesma pensava.
Valendo-se de recursos não tão inéditos em sua filmografia (quem assistiu o primordial “Swiming Pool-À Beira da Piscina” vai perceber que aquele desfecho inusitado não é incomum à Ozon), o diretor constrói um suspense palpitante, elegante e instigante. Sedutor e enigmático o bastante para fazer com que o expectador seja tentado a assisti-lo mais de uma vez.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Swimming Pool - À Beira da Piscina

O cinema de François Ozon é quase sempre um cinema de oposições que se revelam complementares, de ambientes inertes transformados pelo ímpeto e de personalidades insondáveis com motivações ambíguas.
Este brilhante “Swimming Pool” é seu primeiro trabalho em língua inglesa, o quê pouco, no final das contas quer dizer: Não significa que Ozon, cedeu aos caprichos do cinema norte-americano, nem que foi filmar em Hollywood, e nem tampouco que abandonou seus temas autorais e abstratos.
Mas, que filmaço de suspense ele fez!
A magnífica Charlotte Rampling é Sarah Morton, escritora inglesa de livros policiais de sucesso. Ávido pelo próximo romance, John seu editor (Charles Dance) lhe empresta sua casa de veraneio, localizada no sul da França, para que lá Sarah tenha tranqüilidade o suficiente para terminar o novo livro.
Sarah não contava, porém, com a chegada de Julie (Ludivine Sagnier, jovem, linda e insinuante, um contraponto interessante à beleza madura de Charlotte), a filha rebelde de John.
As duas têm, em princípio, uma indisposição que se alastra ao longo dos dias, reforçada pelo desleixo e promiscuidade da jovem –ela trás, praticamente, um novo parceiro por noite para sua cama!
Aos poucos, porém, uma empatia vai surgindo, estreitada, sobretudo, por um segredo fatídico que irá uni-las.
Grande diretor que é, a condução de Ozon prima por uma noção apurado de ritmo e atmosfera –como toca a muitos diretores franceses, o suspense surge em cena com tal sutileza que os consumidores de filmes americanos devem estranhar essa suavidade, entretanto, este é um filme brilhantemente bem arranjado e saboroso de se acompanhar, com duas atrizes que são, cada uma a seu modo, um deleite para o expectador.
A bela Ludivine Sagnier ostenta a impetuosidade e a imprevisibilidade necessária para os rumos que a trama toma, e seu corpo nu –a exemplo do que Ozon fez, anos depois, com Marine Vacth em “Jovem & Bela” –é um fetiche a mais para as câmeras: Pode-se dizer que, de uma certa maneira subversiva, ela é a femme fatale do filme.
Já, a grande Charlotte Rampling mostra a esplêndida e destemida atriz que é, num papel que exige auto-controle, competência e desenvoltura –todas características que ela tem de sobra.
Um filme brilhante, de um grande diretor, agraciado com a presença de duas belas e maravilhosas atrizes, com um desfecho inusitado que –como alguns dos grandes suspenses do cinema –o fará rever o filme inteiro na memória (ou até assisti-lo novamente), na tentativa de encontrar a resposta para um enigma que só no final descobrimos que estava lá.

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Jovem & Bela

Há uma forma toda própria com que os realizadores europeus abordam o sexo em suas tramas e isso se distingue muito da maneira mais moralista e politicamente correta adotada pelos norte-americanos.
Exemplo notável desse aspecto cultural, este excelente trabalho de François Ozon debruça-se sobre as pulsões enigmáticas de uma personagem cuja tenra idade não a afasta da exuberante sexualidade que exibe no filme –e que é, basicamente, seu cerne narrativo: Jovem estudante francesa, Isabelle (a bela Marine Vacth) vive bem com a mãe, o padrasto e o irmão menor.
 Sua família tem boa renda e nada lhe falta.
 Mas Isabelle tem uma vida dupla, na qual se prostitui servindo de acompanhante para homens mais velhos, para os quais mente sua idade.
É apenas questão de tempo, para que essas duas facetas de sua vida venham a colidir.
Ozon construiu uma obra que dialoga com um tema que parece assombrar o subconsciente do cinema francês desde que Luis Buñuel realizou "A Bela da Tarde": A personagem feminina que se entrega ao sexo enquanto ostenta, paradoxalmente, uma personalidade impenetrável. Diretor experiente e conhecedor dos meandros fugidios de personagens complexas, Ozon conmpõe com elegância sua narrativa, deixando sua câmera se fascinar pela beleza e o frescor de sua sedutora protagonista, a linda e sensualmente desconcertante Marine Vacth, ao mesmo tempo em que administra com habilidade as intervenções narrativas necessárias para que tenhamos uma idéia de sua enigmática personalidade.
Sua jovem protagonista é como uma esfinge, que trás na nebulosidade de seus olhos sedutores um desafio para que se compreenda as atitudes que ela é levada a tomar.