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sábado, 14 de julho de 2018

Os Vencedores do Oscar 1973


Eram tempos tumultuados esses dos anos 1970. Na cerimônia de 1973, em um dos mais polêmicos episódios do Oscar, o ator premiado, o grande Marlon Brando, por “O Poderoso Chefão”, recusou-se a comparecer à festa e a receber a estatueta, mandando em seu lugar uma atriz vestida de índia: Brando recusou o prêmio em sinal de protesto contra o tratamento dado aos indígenas pelos EUA.
Uma das poucas vezes em que ouviu-se vaias na cerimônia.
A primeira parte do grande épico de Coppola foi o grande vencedor da noite, mas até que sua premiação foi relativamente contida –levou três estatuetas –nem sequer a de diretor ficou com ele, sendo vencida por Bob Fosse e seu estupendo “Cabaret” –a estrela do filme, Liza Minnelli e seu coadjuvante o ótimo Joel Gey também ficaram cada um com seus Oscar.
Contudo, a grande curiosidade desse ano foi a premiação, na categoria de Trilha Sonora Original para “Luzes da Ribalta”, de Charles Chaplin, produzido em 1952 (!).
Explica-se: Em seu ano de produção, “Luzes da Ribalta” foi lançado apenas na Europa –em meados dos anos 1950, Chaplin era um dos artistas perseguidos pelo Macarthismo, tendo seus trabalhos banidos de solo americano. Dessa forma, seu filme só foi lançado nos EUA vinte anos depois; e segundo os critérios empregados pela Academia, se tornando premiável no ano de seu lançamento.

MELHOR FILME
"O Poderoso Chefão"

MELHOR DIREÇÃO
"Cabaret", Bob Fosse

MELHOR ATRIZ
Liza Minnelli, "Cabaret"

MELHOR ATOR
Marlon Brando, "O Poderoso Chefão"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Eileen Eckart, "Liberdade Para As Borboletas"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Joel Grey, "Cabaret"

MELHOR FOTOGRAFIA
"Cabaret"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"O Discreto Charme da Burguesia" (França)

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
"O Destino do Poseidon"

MELHOR FIGURINO
"Viagens Com Minha Tia"

MELHOR SOM
"Cabaret"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
"Cabaret"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
“Luzes da Ribalta"

MELHOR TRILHA SONORA ADAPTADA
"Cabaret"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"The Morning After", de "O Destino do Poseidon"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"O Candidato"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"O Poderoso Chefão"

MELHOR MONTAGEM
"Cabaret"

sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Cabaret

Brilhante. E olha que minha relação com os filmes dirigidos por Bob Fosse não é das melhores (acho, por exemplo, “All That Jazz” extremamente exagerado e egocêntrico, todas as vezes em que o assisti terminei com uma impressão exacerbada). 
Mas não há como negar o fascínio que “Cabaret” provoca. A atuação de Liza Minelli mostra-se um achado em uma personagem carregada de maneirismos que vão, aos poucos, revelando-se camadas que parecem se descortinar na verdadeira trama do filme, e até mesmo o fato de não ser muito bonita depõe a favor da personagem, já que ela é uma dançarina no limiar do fracasso que nutre o sonho (ou a ilusão) de ser uma grande atriz, embora seja claro que seu lugar é –e provavelmente sempre será –aquele pardieiro dos infernos onde dança todas as noites, numa Berlim em meados dos anos 1930. 
Apesar disso, ela mantém uma aura de otimismo ligeiramente excessivo que sempre a acompanha (e que faz lembrar a Cabíria, de Giulietta Masina, numa das muitas referências à Fellini que se encontram por toda a filmografia de Fosse). Um curioso contraponto à presença dela é seu co-protagonista, o ingênuo, mas nem tanto, professor de inglês interpretado por Michael York, que se revelará um inesperado par romântico, inclusive por razões bem mais, digamos, ambivalentes (!). 
Aquele é um mundo prestes a mudar. Percebe-se isso em todo o lugar, em observações peculiares deixadas ao longo do filme (a gradativa ascensão do nazismo), no clima de decadência que logo se instaura, e na própria energia da encenação de Fosse, que brinca espertamente com os conceitos arraigados de ingenuidade, e de uma insuspeita malícia que começava a aparecer no cinema (e paralelamente em seus expectadores) na década de 1970. 
Bob Fosse, de um modo geral, e “Cabaret”, de modo particular, são uma enorme influência para “Chicago”, de Rob Marshall, que ganhou o Oscar de Melhor Filme em 2002. Sabe-se que Fosse tentou levar a peça para o cinema muitas vezes, antes de falecer, mas o efeito ressonante que seu trabalho tem sobre esse filme vai muito mais longe. Marshall não só valeu-se do mesmo clima e da mesma encenação, algo rebuscada, como também carregou seu filme com o cinismo que Bob Fosse destila em “Cabaret”, além de aproveitar, no roteiro, a mesma manobra narrativa de colocar uma espécie de mestre de cerimônias a introduzir números musicais que são, também eles, meras analogias do próprio andamento da trama. Isso, contudo, não devia ser surpresa para ninguém: Não é de hoje que filmes recentes se amparam em artifícios dos filmes de antigamente.