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quinta-feira, 8 de março de 2018

Missão Impossível - Protocolo Fantasma

Tendo mostrado o caminho a ser seguido em “Missão Impossível 3” –e assumido a co-produção dos filmes posteriores –o diretor J.J. Abrahams deixou caminho livre para que a série pudesse crescer. E foi o que de fato ocorreu, aliás, num momento bem propício para Tom Cruise: A época do lançamento deste quarto filme da série coincidiu com um dos períodos de mais baixa popularidade de sua carreira devido à uma bizarra entrevista no programa de Oprah Winfrey e à sua ligação com a cientologia.
Sorte para ele que Brad Bird, um aclamado diretor de animação (dos espetaculares "Os Incríveis" e "Ratatouile") resolveu fazer, com este trabalho, sua estréia em filmes live-action e realizou um filmaço de ação e espionagem.
Após a explosão de uma bomba no Kremlin, a tensão entre os EUA e a Rússia chega às vias de uma iminente guerra nuclear, uma vez que esse atentado terrorista recai sobre a equipe da IMF (Impossible Mission Force) que estava no local.
Ao ser instaurado o "protocolo fantasma", toda a IMF é desativada inclusive a equipe renegada, cujo líder –o agente Ethan Hunt, quem mais? –deve agora inocentar seu time que inclui, além dele, a linda agente Carter (Paula Patton, de “Preciosa” e “Idlewild”), o analista-chefe Brandt (Jeremy Renner, de “Vingadores” e “Guerra Ao Terror”) e o agente de campo Benji (Simon Pegg), para juntos deterem uma conspiração que tem por finalidade a Terceira Guerra Mundial.
Se o filme anterior, de JJ. Abrahams, começava a colocar as coisas em ordem dando relevantes características humanas a Ethan Hunt, este novo filme o coloca como um grande personagem de ação, equivalendo-o às figuras icônicas do gênero como Jason Bourne e James Bond; e o astro Tom Cruise, que já não é nenhum garoto, não nega fogo nas espetaculares cenas de ação.
Foi durante a realização deste filme que o astro Tom Cruise começou uma parceria com o roteirista e diretor Christopher McQuarrie –aqui contratado para aperfeiçoar o roteiro, uma prática na qual ele é especialista –protagonizando um projeto seu, o ótimo “Jack Reacher-O Último Tiro” e depois chamando-o para dirigir “Missão Impossível-Nação Secreta”, até então o melhor filme da série.

domingo, 23 de abril de 2017

De Volta Ao Jogo

“John Wick” –o título original deste grande filme que, sabe lá Deus porque, não foi usado no Brasil –remete de forma inteligente a uma série de ótimas produções do cinema físico.
Filmes magníficos como “Haywire”, “O PagamentoFinal”, a Trilogia Bourne, “Cassino Royale” e até mesmo alguns trabalhos de Harold Loyd e Buster Keaton –aos quais esta produção habilmente dirigida por Chad Stahelski e por David Leitch se irmana –que não se resumem a meros filmes de ação, mas a obras onde o movimento concebido por ação obedece a um fluxo de tal beleza que se faz sintomático o interesse da câmera.
Sua premissa é simples, como também é simples a premissa de um musical onde os atores, por definição do gênero, saem cantando e dançando nas cenas, mas, sob este pretexto as seqüências que se desenrolam na tela são de uma fluência atordoante.
Interpretado por Keanu Reeves (que cai como uma luva para esse tipo de papel), o personagem título é um homem ainda no processo de digerir o luto pela morte da esposa –a mais poderosa lembrança dela é, portanto, o cachorrinho que ela lhe deu ainda em vida.
O mesmo cachorrinho que um bando de inconseqüentes bandidos chefiados pelo filhinho de papai Iosef (Alfie Allen, o Theon Greyjoy de “Game Of Thrones”) irá matar durante uma tentativa de assalto à residência de Wick.
Na seqüência, esses bandidos (e o expectador) descobrirão que John Wick era, antes de aposentar-se, uma lenda no submundo do crime ao qual pertence o pai de Iosef, Viggo Tarasov (Michael Nyqvist, caricato e apropriado ao papel de vilão).
Ele sabe, então, que a imprudência do filho liberou uma força vingativa que ameaçará o seu império.
Lançado no mesmo ano do aguardado “47 Ronins”, “De Volta Ao Jogo” surpreendeu por apresentar uma larga superioridade cinematográfica em relação ao outro projeto de Keanu Reeves: Se as expectativas eram de que a colorida fantasia de samurais resgatasse o sucesso de sua carreira, este formidável filme de gangsteres e pistoleiros inverteu tal equação terminando como o mais celebrado filme do ator desde o cultuado “Matrix”.