Melhores amigos na vida real, os astros Matt Damon e Ben Affleck já dividiram a cena diversas vezes em filmes como o premiado “Gênio Indomável” (praticamente a estréia dos dois) ou o bizarro “Dogma”, de Kevin Smith. Em “Dinheiro Suspeito” – ou “The Rip”, o título original – eles voltam a fazê-lo desta vez do alto de uma carreira já consagrada e com anos de experiência nas costas – o que confere a ambos bagagem suficiente para interpretar magistralmente os dois protagonistas.
Dirigido brilhantemente por Joe Carnahan
(realizador extremamente talentoso para com o gênero policial tendo assinando o
magnífico “Narc”), “Dinheiro Suspeito” reflete um cinema que, em grande medida,
já não é mais feito – uma obra sólida, enxuta, sem firulas, sobre personagens
sem firulas existindo no limiar de extremos da Lei, da violência e da criminalidade,
lembra muito (como quase todo o cinema de Carnahan) as produções cheias de
energia, ênfase e personalidade realizadas nos anos 1970.
“Dinheiro Suspeito” já começa sem qualquer
receio de expor o expectador à diálogos carregados de densidade: Sob a
atmosfera já pesada de um escritório da polícia, o Tenente Dane Dumars (Matt
Damon, ótimo) tece uma conversa com seu superior. A Capitã Jackie Velez (Lina
Esco, de “London”), responsável pela investigação aos desdobramentos de um
cartel de drogas em Miami, acabou de ser morta num violento e misterioso
atentado. A suspeita recai sobre seus próprios colegas – a corregedoria
acredita que foram policiais corruptos, na folha de pagamento dos traficantes,
que perpetraram o atentado, e para tanto, agentes federais, representados entre
outros pelo implacável Del Byrne (Scott Adkins), mobilizam uma bateria indigesta
de interrogatórios a todos os membros da Unidade de Narcóticos do Departamento
de Polícia de Miami, inclusive J.D. Byrne (Ben Affleck, surpreendente), seu próprio
irmão!
A suspeita paira no ar.
Para Dane, J.D. e os agentes Numa Baptiste (Teyana
Taylor, de “Uma Batalha Após A Outra”), Lolo Salazar (Catalina Sandino Moreno, de “Maria Cheia de Graça”) e Mike Ro
(Steve Yeun), os demais integrantes da força-tarefa, a Cap. Velez (que, à
propósito, estava envolvida com J.D.) esbarrou numa descoberta bombástica – e que
talvez seja a confirmação do que até então era uma lenda urbana: Paióis de
dinheiro mantidos por cardéis que armazenam quantias tão assombrosas de
dinheiro do tráfico que qualquer policial, honesto ou não, se sentiria
compelido a pegar um pouco para si.
Engessados pela burocracia do sistema, abalados
pelos detalhes nebulosos da investigação da Cap. Velez – detalhes estes que, em
grande parte, parecem ter morrido com ela – e subitamente inseguros em
depositar confiança absoluta uns nos outros, J.D., Numa, Lolo e Mike resolvem
seguir Dane numa apreensão de dinheiro sugerida pelo que talvez seja uma dica
anônima.
Com a noite a cair sobre Miami, eles chegam a
um bairro residencial de Hialeah onde mora Desi (Sasha Calle, de “Flash”), uma
jovem que alega inocência e afirma tão somente estar ocupando a casa de foi de
sua falecida avó. Os policiais adentram o recinto e, numa busca, descobrem um
paiol com a alarmante quantia de 200 milhões de dólares (uma das maiores
apreensões de dinheiro já feitas!) – quando a dica anônima sugeria meros 150
mil!
Instala-se um clima de preocupação: Um valor tão
grande não pode passar despercebido aos traficantes, ou mesmo aos policiais
corruptos que os ajudam – o grupo de Dane, portanto, corre perigo. É questão de
tempo até que inimigos fortemente armados caiam sobre eles. No entanto, segundo
a Lei, eles não podem deixar o local sem ante fazer a contagem – e, de novo,
ainda pesa a questão de que talvez não possam confiar uns nos outros.

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