terça-feira, 7 de julho de 2026

A Coisa Certa


 Este “The Sure Thing” pode perfeitamente ser enxergado como uma espécie de esboço que o diretor Rob Reiner realizou antes de conceber o clássico “Harry & Sally-Feitos Um Para O Outro”, considerado a fórmula perfeita para uma comédia romântica – e, sim, o gênero comédia romântica, em si, é basicamente uma fórmula.

Em “The Sure Thing”, os ingredientes são manuseados com alguma competência, um certo senso de experimentação e, no fim, alguns resultados até que positivos: Lá está o casal protagonista, pelo menos um deles interpretado por um ator bastante visado (ou que ainda seria muito visado) dentro do gênero – John Cusack, aqui; Meg Ryan em “Harry & Sally” – lá também estão as circunstâncias que justapõem as índoles tão opostas desse casal prestes a descobrir o amor em colisão de conceitos e de personalidades – Rob Reiner gosta, pelo jeito, de criar situações de diálogos dentro de veículos e que se desdobram, de preferência, em longas viagens.

John Cusack é Walter ‘Gib’ Gibson, jovem universitário que até não corresponde totalmente àquele arquétipo do nerd fracassado no colegial, mas que certamente não vê sua vida universitária tomar o rumo de sucesso (e de satisfação sexual!) que ele imaginava. Ele estuda Inglês em uma faculdade na Costa Leste enquanto seu amigo Lance (Anthony Edwards, de “Top Gun”) aproveita as escolas hedonistas da ensolarada Califórnia. Mas, Lance é um bom amigo: Durante as férias de fim de ano, ele prepara uma festa de arromba durante a qual planeja apresentar ao amigo uma mulher espetacular (vivida pela estreante Nicollette Sheridan) que, nas suas palavras, é ‘the sure thing’ – ou também, uma ‘garota sinal verde’, numa tradução que também serviu de título nacional secundário que o filme também recebeu aqui no Brasil.

A fim de concluir a jornada até a Califórnia e até a garota dos sonhos, Gib precisa viajar de carona, e o carro que ele toma tem, como outra carona, a CDF Alison Bradbury (Daphne Zuniga, de “Garotas Modernas”) disposta a também ir para Califórnia encontrar o noivo almofadinha, à frente do carro, e cedendo essa carona, estão o casal Gary Cooper – sim, este é o nome do personagem (!) – e Mary Ann (vividos por um Tim Robbins, ainda bem jovem e por Jane Persky). Contudo, Gib e Alison não se bicam – eles mal se suportam nas aulas em que, apesar dos pesares, têm que sentar lado a lado.

Essa animosidade, no entanto, fará Gary e Mary Ann desistir da carona que ofereceram e deixa-los na estrada para juntos ter de traçar um meio para chegar ao seu destino.

“The Sure Thing” é, pois, um road movie onde acompanhamos o casal que vive às turras avançar as etapas na sua viagem através das estradas norte-americanas, pegando ônibus, carros, caminhões e outros meios para tentar chegar onde acreditam ser seu destino sentimental – o rapaz, na garota que promete ser a mulher que ele sempre quis; a moça, no jovem que ele está convencida de que é seu parceiro ideal – obedecendo, porém, aquela máxima de que o segredo está na jornada e não no seu final, Rob Reiner deixa bem claro (na verdade, claro até demais!) que Gib e Alison se amam, e que haverão de dar-se conta disso, em meio à discussões, à brigas e reconciliações que mostrarão que, mesmo diante de suas diferenças, eles podem ser complementares num nível muito mais significativo do que os outros pares que haviam elegido.

Como muitos dos chamados ‘clássicos da sessão da tarde’ dos anos 1980, “The Sure Thing” não é nem de longe tão perfeito quanto a memória afetiva que o envolve pode levar alguns a acreditar. É uma comédia com momentos forçados (Daphne Zuniga, particularmente, padece de qualquer falta de timing cômico), com um roteiro cheio de redundâncias e de tempos mortos (nesse sentido e amparado em argumento quase idêntico, John Hugues fez um trabalho muitíssimo melhor com o sensacional “Antes Só Do Que Mal Acompanhado”). John Cusack, com o passar dos anos e com o acúmulo de experiência se tornaria um ator muito melhor, e Rob Reiner, bem, ele entregaria uma das melhores comédias românticas de todos os tempos, como foi falado, o que realmente parece converter este insípido romance juvenil num esboço, um ensaio básico para a futura realização de algo melhor.

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