Este “The Sure Thing” pode perfeitamente ser enxergado como uma espécie de esboço que o diretor Rob Reiner realizou antes de conceber o clássico “Harry & Sally-Feitos Um Para O Outro”, considerado a fórmula perfeita para uma comédia romântica – e, sim, o gênero comédia romântica, em si, é basicamente uma fórmula.
Em “The Sure Thing”, os ingredientes são
manuseados com alguma competência, um certo senso de experimentação e, no fim,
alguns resultados até que positivos: Lá está o casal protagonista, pelo menos
um deles interpretado por um ator bastante visado (ou que ainda seria muito
visado) dentro do gênero – John Cusack, aqui; Meg Ryan em “Harry & Sally” –
lá também estão as circunstâncias que justapõem as índoles tão opostas desse
casal prestes a descobrir o amor em colisão de conceitos e de personalidades –
Rob Reiner gosta, pelo jeito, de criar situações de diálogos dentro de veículos
e que se desdobram, de preferência, em longas viagens.
John Cusack é Walter ‘Gib’ Gibson, jovem
universitário que até não corresponde totalmente àquele arquétipo do nerd
fracassado no colegial, mas que certamente não vê sua vida universitária tomar
o rumo de sucesso (e de satisfação sexual!) que ele imaginava. Ele estuda
Inglês em uma faculdade na Costa Leste enquanto seu amigo Lance (Anthony
Edwards, de “Top Gun”) aproveita as escolas hedonistas da ensolarada
Califórnia. Mas, Lance é um bom amigo: Durante as férias de fim de ano, ele
prepara uma festa de arromba durante a qual planeja apresentar ao amigo uma
mulher espetacular (vivida pela estreante Nicollette Sheridan) que, nas suas
palavras, é ‘the sure thing’ – ou também, uma ‘garota sinal verde’, numa
tradução que também serviu de título nacional secundário que o filme também recebeu
aqui no Brasil.
A fim de concluir a jornada até a Califórnia e
até a garota dos sonhos, Gib precisa viajar de carona, e o carro que ele toma
tem, como outra carona, a CDF Alison Bradbury (Daphne Zuniga, de “Garotas Modernas”) disposta a também ir para Califórnia encontrar o noivo almofadinha,
à frente do carro, e cedendo essa carona, estão o casal Gary Cooper – sim, este
é o nome do personagem (!) – e Mary Ann (vividos por um Tim Robbins, ainda bem
jovem e por Jane Persky). Contudo, Gib e Alison não se bicam – eles mal se
suportam nas aulas em que, apesar dos pesares, têm que sentar lado a lado.
Essa animosidade, no entanto, fará Gary e Mary
Ann desistir da carona que ofereceram e deixa-los na estrada para juntos ter de
traçar um meio para chegar ao seu destino.
“The Sure Thing” é, pois, um road movie onde acompanhamos o casal que
vive às turras avançar as etapas na sua viagem através das estradas
norte-americanas, pegando ônibus, carros, caminhões e outros meios para tentar
chegar onde acreditam ser seu destino sentimental – o rapaz, na garota que
promete ser a mulher que ele sempre quis; a moça, no jovem que ele está
convencida de que é seu parceiro ideal – obedecendo, porém, aquela máxima de
que o segredo está na jornada e não no seu final, Rob Reiner deixa bem claro
(na verdade, claro até demais!) que Gib e Alison se amam, e que haverão de
dar-se conta disso, em meio à discussões, à brigas e reconciliações que mostrarão
que, mesmo diante de suas diferenças, eles podem ser complementares num nível
muito mais significativo do que os outros pares que haviam elegido.

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