quinta-feira, 9 de julho de 2026

Paixão de Escritório


 Hoje em dia não se fazem mais tantas comédias românticas, daí ser quase motivo de júbilo que um desses exemplares aporte, neste caso, no catálogo da Netflix. Estrelada pela mais que exuberante Jennifer Lopez – atriz que, embora nunca tenha alçado voos interpretativos a ponto de coloca-la entre intérpretes premiadas, é uma estrela mais que adequada para produções como esta, ancoradas em seu carisma, sua simpatia e sua beleza – “Paixão de Escritório” segue tópicos corriqueiros do gênero nos quais, é bom estar ciente, não importa tanto assim onde tudo vai levar (o desfecho em si já se pode presumir nos primeiros dez minutos iniciais), mas sim, como o roteiro encontrará meios para fazer os personagens chegarem até lá – e a maneira, quase sempre infalível, com que o filme conseguirá fazer o público torcer por esses personagens.

Dito isso, “Paixão de Escritório” cumpre bem sua proposta.

Jennifer é Jackie Cruz, CEO de uma empresa de aviação, cujo pai (o honorável Edward James Olmos) é até os dias de hoje um respeitado fundador. Embora esse detalhe da hereditariedade prejudique os méritos de Jackie na opinião  de alguns, ela é vista, pelos funcionários de maneira geral, como uma chefe linha-dura – características que a atuação leve, sorridente e cativante de Jennifer Lopez jamais deixam transparecer: É algo parecido com o que acontece em “A Proposta”, onde Sandra Bullock supostamente deveria desempenhar uma chefe nos moldes de “O Diabo Veste Prada”, mas logo revela as facetas encantadoras de sempre.

Na mesma empresa se encontra Daniel Blanchflower (Brett Goldstein, intérprete do personagem Hércules numa cena pós-créditos de “Thor-Amor & Trovão”), jovem advogado britânico que veio para Manhattan por motivos pessoais – a prisão da irmã, vivida por Jodie Whitaker, por razões injustas – e ocupa o cargo de advogado júnior.

Eis que o advogado sênior (vivido por Bradley Withford, de “Corra!” e “Uma Noite de Aventuras”) acaba tendo um mal-estar (se engasgando com um lanche!) e, às pressas, tem de ser substituído numa negociação de suma importância – entra em cena, então, Daniel, cuja existência, até aquele momento, era desconhecida por Jackie. Adotando uma abordagem inesperada (e, no fim das contas, certeira) para o processo, diferente do advogado anterior, Daniel consegue cair nas graças da chefe aparentemente tão exigente que passa a apresentar justificativas, a partir dali, para que seja sempre ele que esteja ao seu lado em assuntos de ordem jurídica – o que inclui, lá pelas tantas, quando a atração entre os dois já estiver quase insustentável, uma viagem de negócios para um resort na Jamaica, rapidamente convertida num fim de semana romântico.

Embora os apaixonados façam um pacto de tentar o máximo possível ocultar a relação no ambiente de trabalho, isso não se revelará algo tão simples de ser feito.

Claro que, dentro de suas modestas intenções, não existem valores cinematográficos muito elevados em “Paixão de Escritório”, no entanto, não há nele também muitas contraindicações: A produção caprichada da Netflix garante um filme visualmente bonito, fluído, e relativamente bem filmado, o par central – sobretudo, a sempre exuberante Jennifer Lopez – segura maravilhosamente bem as pontas, e são rodeados por um leque de personagens coadjuvantes quase sempre divertidos – o destaque fica para Betty Gilpin, no papel da funcionária grávida, mas obstinadamente profissional, incapaz de reconhecer que os indícios evidentes da gravidez avançada a obrigam a tirar licença maternidade!

O roteiro é previsível, a direção (a cargo de Ol Parker, roteirista de “O Exótico Hotel Marigold”) se satisfaz em fazer o básico, e os personagens são desenhados a exemplo de uma infinidade de outros personagens inseridos nesse mesmo gênero, contudo, dentro dos objetivos bem claros deixados pelo filme, “Paixão de Escritório” se sai até que bem.

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