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sábado, 23 de fevereiro de 2019

Os Vencedores do Oscar 1943

O grande vencedor daquele ano foi “Rosa de Esperança” um filme de considerável teor propagandista que enaltecia os valores ingleses diante obscuro presente de então oferecido pela guerra contra a Alemanha. Em sua excelência artística –fator que, ao lado do tema popular, lhe resultou um enorme sucesso de bilheteria –“Rosa de Esperança” foi o primeiro filme da história do Oscar a ter nada menos do que cinco de seus intérpretes indicados: Greer Garson (Melhor Atriz, esta, vencedora na categoria); Walter Pidgeon, de “Comando Negro” (Melhor Ator); Henry Travers (Melhor Ator Coadjuvante); Teresa Wright e May Whitty (ambas Melhor Atriz Coadjuvante, indo o prêmio para a primeira).
“Rosa da Esperança” realmente beneficiou-se da solene valorização dos esforços de guerra do período, superando assim obras hoje vistas com mais relevância como “Em Cada Coração Um Pecado”, de Sam Wood, e “Soberba”, de Orson Welles.
O grande James Cagney levou o Oscar de Melhor Ator por “A Canção da Vitória” –num daqueles gestos que se tornaram corriqueiros para a Academia de premiar uma carreira e não uma obra –enquanto o hoje desconhecido Van Heflin, de “A Estrada Proibida”, levou o de Melhor Ator Coadjuvante.

MELHOR FILME
"Rosa de Esperança"

MELHOR DIREÇÃO
"Rosa de Esperança", William Wyler

MELHOR ATRIZ
Green Garson, "Rosa de Esperança"

MELHOR ATOR
James Cagney, "A Canção da Vitória"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Teresa Wright, "Rosa da Esperança"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Van Heflin, "A Estrada Proibida"

MELHOR ROTEIRO
"Rosa de Esperança"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"A Mulher do Dia"

MELHOR FOTOGRAFIA P&B
"Rosa de Esperança"

MELHOR FOTOGRAFIA CORES
"O Cisne Negro"

MELHOR DECORAÇÃO DE INTERIORES P&B
"Isto Acima de Tudo"

MELHOR DECORAÇÃO DE INTERIORES CORES
"Minha Namorada Favorita"

MELHOR SOM
“A Canção da Vitória"

MELHOR TRILHA SONORA MUSICAL
"A Canção da Vitória"

MELHOR TRILHA SONORA DRAMA
"Estranha Passageira"

MELHOR CANÇÃO
"White Christmas", de "Duas Semanas de Prazer"

MELHOR MONTAGEM
"Ídolo, Amante e Herói"

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
"Vendaval de Paixões"

quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Na Época do Ragtime

Dentre os filmes feitos pelo diretor Milos Forman, este aqui se espreme entre a suntuosidade e imponência épica de “Amadeus” e a genialidade artística, bem como o senso de observação carregado de inconformismo de “Um Estranho No Ninho”. É hoje completamente desconhecido, mas digno de ser comparado às obras mais famosas de Forman.
“Ragtime” é uma colcha de retalhos sobre o modo de vida do começo do século XX, adaptando um romance de E.L. Doctorrow, e feito com a ironia e a precisão de um mestre, não lhe faltando, por exemplo, aquele equilíbrio raro em que o diretor obtém uma harmonia fascinante entre o carinho palpável por seus personagens e uma saudável distância do sentimentalismo fácil.
A narrativa paira pelas diversas tramas, deixando-se interessar por um ou outro momento onde é flagrado um instante de graça, um acontecimento mais dramático, ou outro de vibração mais tensa, e então, tornando a descortinar outra trama, e assim sucessivamente, elaborando um emaranhado delicioso de pequenas e espirituosas histórias.
Há o casal de alta classe que encontra um bebê deixado à porta da casa, esse casal –cujo núcleo de personagens nunca ganha nome na narrativa –é interpretado por James Olson e Mary Steenburgen, cujo irmão dela (Brad Dourif) encontra, ao acaso, uma atriz de filmes mudos, a exuberante e desmiolada Evelyn Nesbit (Elizabeth McGovern, de “Era Uma Vez Na América” que, por este trabalho, foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante). Há também o imigrante judeu Delmas (Pat O’ Brien), recém-chegado à Nova York, sem dinheiro no bolso, mas disposto a fazer valer o sonho americano.
E o pianista negro Coalhouse Walker (Howard Rollins Jr. também indicado ao Oscar de Coadjuvante), vítima de uma revoltante injustiça. A partir desse ponto (quase na metade de sua duração), a condução de Forman parece então encontrar na história de Walker uma trama forte e relevante a qual pode eleger principal diante de todas as outras, e a narrativa ganha em força, denúncia social e tensão aquilo que ela tinha de sobra em graciosidade e divertimento.

Um filme extasiante dirigido com primor, escrito com talentosa minúcia e interpretado por um elenco homogêneo em sua excelência.