Com a iminência do lançamento de “Vingadores-Doomsday” nas salas de cinema de todo o mundo, a Marvel Studios almejou mais uma vez um daqueles eventos que, de tempos em tempos, eles são capazes de articular na cultura pop. Desta vez, a ideia foi relançar nos cinemas seu maior sucesso “Vingadores-Ultimato” – que, no ano de 2019, sagrou-se como uma das maiores bilheterias de todos os tempos – acrescido de cenas novas que, de acordo com o produtor Kevin Feige, estabelecem uma conexão narrativa entre os eventos de “Ultimato” (que se encarregou de encerrar a chamada “Saga do Infinito”) e os eventos do vindouro “Doomsday” (que se encarregará de encerrar a chamada “Saga do Multiverso”).
Não vou, aqui, trazer de volta uma descrição de
toda a trama de “Vingadores-Ultimato”, até porque já fiz isso na resenha que
ele recebeu na época, mas vou apontar as cenas extras que são, sim, a grande
justificativa para o relançamento em cinema. Em primeiro lugar é preciso fazer
uma advertência: Caso você seja um daqueles expectadores que vai ao cinema na
expectativa de uma nova experiência, com novidades e surpresas à todo o
momento, cuidado! Este é exatamente o mesmo “Vingadores-Ultimato” que tantas e
tantas pessoas já viram, sem tirar nem pôr (e com as mesmas extensas três horas
de duração!), as novidades ficam por conta de alguns segundos na cena final, de
duas cenas pós-créditos (o “Ultimato” original não possuía nenhuma) e de um
breve relance ao fim – tudo isso totaliza pouco mais que três minutos de
material inédito.
Para alguns isso está longe de bastar e, se
você é uma dessas pessoas, nem perca seu tempo assistindo “Encore”.
A primeira novidade de “Encore” surge
justamente na cena final, a sequência em que Steve Rogers (Chris Evans) aparece
dançando com Peggy Carter (Hayley Atwell). Nos segundos que prolongam a cena,
ouvimos alguém bater à porta, é Loki (Tom Hiddleston), saído diretamente de sua
própria série, inclusive com o uniforme de agente da AVT (Autoridade de
Variância Temporal) – não fica claro em qual momento das duas temporadas da
série esta sequência pode ter transcorrido – Loki diz à Peggy e à Steve que
está lá para ajuda-los, e a cena acaba.
Vem então a primeira cena pós-créditos,
mostrando Bruce Banner (Mark Ruffalo) no que parece ser uma espécie de bunker subterrâneo a muitos metros
debaixo da terra. Diante de uma câmera, Banner afirma que teve seu primeiro
incidente envolvendo o Hulk em uma década (referindo-se provavelmente aos
eventos ocorridos em “Homem-Aranha Um Novo Dia”) e que está lá para tentar,
mais uma vez, encontrar uma cura. Surge então uma voz misteriosa com sotaque do
leste europeu (possivelmente o Dr. Destino, vivido por Robert Downey Jr.), e
então Banner desaparece deixando no local uma energia esverdeada em forma de
runas, indícios do uso de magia.
A segunda cena pós-créditos se sucede nas
dependências da própria AVT, supostamente após os eventos da segunda temporada
de “Loki”. Ali vemos Mobius (Owen Wilson), Ouroboros (Ke Huy Quan) e os demais
funcionários às voltas com uma inesperada incursão (quando dois universos
diferentes colidem entre si, aniquilando-se), são a Terra-100005 (dos filmes
dos X-Men da antiga 20th Century Fox Studios) e a Terra-1127. Em seguida, uma
sucessão vertiginosa de outras incursões começa a ocorrer nos monitores,
mostrando a destruição de centenas, milhares de realidades.
“O Multiverso está entrando em colapso!” afirma
Ouroboros.
A última mudança de “Encore” está lá no fim dos
créditos. No “Ultimato” original, os últimos segundos dos créditos finais
traziam apenas um efeito sonoro de um martelo moldando ferro, uma homenagem ao
primeiro “Homem de Ferro”, de 2008, o filme que deu o pontapé inicial ao
Universo Marvel Cinematográfico, evocando o já clássico momento em que Tony
Stark (interpretado por Robert Downey Jr.) finalmente forja a máscara do Homem
de Ferro. Em “Encore”, o mesmo efeito sonoro se repete, mas, desta vez, com a
adição de rápidos flashes mostrando a máscara não do herói Homem de Ferro, mas
do vilão Victor Von Doom, o antagonista do ainda vindouro “Vingadores-Doomsday”
(e que, numa manobra quase metalinguística, curiosa para uns, estranha para outros,
vem a ser também interpretado por Robert Downey Jr.).

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