quinta-feira, 6 de agosto de 2026

Homem-Aranha - Um Novo Dia


 Em “A Brand New Day”, vemos  finalmente Peter Parker lidando com as complicadas circunstâncias nas quais foi colocado ao fim de “Homem-Aranha Sem Volta Para Casa”: Desprovido de todo o repertório de utensílios e facilitadores tecnológicos que vinham lhe acompanhando desde “De Volta Ao Lar” – o que, na opinião de alguns fãs, não tinha muito a ver com o personagem – apagado da memória do mundo inteiro (graças a um feitiço do Dr. Estranho), incluindo seus entes mais próximos, a namoradinha M.J. (Zendaya) e o amigo Ned (Jacob Batalon), e tirado tragicamente da companhia de sua Tia May (Marisa Tomei). Em suma, completamente sozinho.

Hábil diretor de contos centrados na melancolia e em sentimentos menos falados e mais interiorizados (como atestam obras como “Temporário 12” e “O Castelo de Vidro”), Destin Daniel Cretton demonstrou alguma desenvoltura visual com a elaboração de belas e fluídas cenas de ação em “Shang-Chi e A Lenda dos Dez Anéis”, sua estréia na Marvel Studios. Agora, com este “A Brand New Day”, ele ganha uma espécie de promoção e assume, no lugar de Jon Watts (diretor dos três longas anteriores do Homem-Aranha), um personagem de maior estatura dentro do MCU.

E o resultado corre o sério risco de ser o melhor filme protagonizado pelo Homem-Aranha de Tom Holland até o momento.

Vivendo mais como Homem-Aranha do que como Peter Parker, o herói, agora quase sem nenhum vínculo afetivo, passa seus dias enfrentando as constantes dificuldades que se abatem sobre a cidade de Nova York. Todavia, lá no íntimo, ele não consegue esquecer M.J. e Ned que seguiram em frente, morando juntos, estudando e, agora, prestes a se formarem. Essa angústia parece se manifestar na fisiologia de Peter: Ele é acometido de dores de cabeça e do que parecem ser mutações nas quais o lado aracnídeo de seu organismo começa a se manifestar de maneira monstruosa sobre sua persona humana.

É a fim de inibir as consequências mais imprevisíveis desse processo que Peter acaba procurando pelo Dr. Bruce Banner (Mark Rufallo), certamente um especialista em conter o monstro dentro de si (o Hulk, no caso).

Paralelamente a essas mudanças – mas, servindo de perfeito reflexo a elas a partir de um determinado ponto – está  o mistério que ocupa boa parte do enredo do filme: Uma entidade – que parece ‘possuir’ pessoas por toda a Nova York com o nebuloso objetivo de invadir a fortificada sede do Controle de Danos – está à solta e, enquanto nem Peter, nem a polícia, compreende seus propósitos e suas motivações, essa ameaça precisa ser parada.

Mais disposto a enfatizar os dilemas de jovem adulto do protagonista do que Jon Watts (que deu prioridade à euforia juvenil), Destin Daniel Cretton salienta com mais evidência e minúcia a evolução do personagem rumo a um Homem-Aranha muito mais condizente com seu retrato nos quadrinhos, o que, em si, já é suficiente para eleger este filme como um provável favorito dos fãs, no entanto, ele ainda não está completamente livre de lapsos, em especial, no que diz respeito à condição sócio-econômica do herói (nunca fica claro, afinal, do quê Peter Parker vive e em que trabalha, visto que só o vemos atuar como Homem-Aranha) ao staff do Controle de Danos (uma herança que ainda repercute de “Vingadores” e das tantas manobras a incluir laços com o Universo Marvel) e a premissa assim esboçada da mutação aracnídea – que parecia ser central no trailers, mas que, aqui, embora muito pertinente no princípio vai dando gradualmente lugar a um outro plot twist até por fim perder completamente sua importância.

Felizmente, “A Brand New Day” é aquele tipo de filme que os acertos compensam amplamente seus erros: A dinâmica entre Peter, M.J. e Ned enfim rende emoções genuínas depois de quatro filmes, e a participação do Justiceiro é uma oportunidade e tanto para conferirmos a química sem igual entre Jon Bernthal e Tom Holland. Contudo – sem revelar spoilers – o nome que, aqui, aponta de forma promissora para o futuro da Marvel nos cinemas é a jovem Sadie Sink, compondo com excelência uma personagem cuja identidade foi aguardada às sete chaves até o lançamento do filme nos cinemas e que representa uma das tantas gratas surpresas da produção – e que, ao fim, deixa o público com um entusiasmado gostinho de quero mais.

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