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quinta-feira, 13 de julho de 2017

Domino - A Caçadora de Recompensas

O grupo de realizadores reunido em torno de “Domino” é dos mais inusitados e curiosos: Além do falecido diretor Tony Scott –cuja eclética carreira reúne filmes de vampiro (“Fome de Viver”), aventuras oitentistas clássicas (“Top Gun”) e infindáveis colaborações com Denzel Washington (“Maré Vermelha”, “Chamas da Vingança”, “De Já Vu”, “Incontrolável” e outros) –temos também, o roteirista Richard Kelly, autor e diretor de “Donnie Darko”, um dos mais desafiadores filmes dos anos 2000, e a inquieta inglesinha Keira Knightley, atriz que, apesar da aparência bela e delicada, se identifica bastante com a personagem real Domino Harvey, filha do ator Lawrence Harvey; e que, à propósito, faleceu em meio às filmagnes desta produção.
Filha de uma celebridade, Domino estudou nos melhores colégios e teve a melhor educação que uma menina de classe alta poderia receber. Contudo, isso não deteve seu espírito rebelde que fez com que ela fosse expulsa de todas as escolas por onde passou. Quando já tinha idade adulta, Domino encontrou, por acaso, a única atividade para a qual sentia-se perfeita: A de caçadora de recompensas! Ao lado de sua equipe, o experiente e calejado Ed (Mickey Rourke), e o temperamental Choco (Edgar Ramirez), ela se tornou uma lenda entre os profissionais do ramo.
Por meio de flashbacks, inserções narrativas, momentos de delírio, cenas justapostas de efeito irônico e inúmeros outros recursos usados por Scott (num de seus filmes mais desiguais), enxergamos toda essa trajetória sob o prisma de uma de suas missões mais arriscadas e mirabolantes: A captura de um fugitivo legal que, graças à ramificações que se estenderam a uma dezena de personagens envolvidos, terminou num explosivo banho de sangue numa das torres mais altas de Las Vegas, de propriedade de um mafioso.
Esquia, ainda que um bocado sensual e bela, Keira Knightley se entrega com garra ao papel de Domino, que exige dela, inclusive breves cenas eróticas –no que parece ser um esforço para afastar-se dos papéis de mocinha com o qual iniciou seu estrelato, como em “Piratas do Caribe” e “Orgulho e Preconceito”.
Não obstante sua base numa história real, este filme toma uma quantidade tal de ‘liberdades poéticas’ que o resultado termina sendo uma aventura quase descerebrada, ocasionada por francos absurdos, reviravoltas deliberadamente dramáticas e acarinhada por lampejos de realidade.
Devido, em grande parte à natureza audaciosa da equipe aqui reunida, o filme do diretor Tony Scott não parece querer ser uma biografia no sentido convencional do termo e o roteiro fragmentado de Kelly (sem dúvida mais contido que em "Donnie Darko", mas ainda assim cheio de elementos absurdos e de desordem narrativa) por vezes brinca com o realismo (ou falta de) da sua história.

quarta-feira, 15 de junho de 2016

Donnie Darko

Tentar discorrer sobre “Donnie Darko” é um desafio para qualquer mente sã. O filme de Richard Kelly é um conto lisérgico sobre as armadilhas da mente e sobre as possibilidades infinitas entre a dicotomia de realidades alternativas, além de ser uma obra que supera as expectativas de seu próprio criador: Kelly até tentou reproduzir algo que tivesse a mesma aura enigmática de “Donnie Darko” dirigindo e roteirizando o bem mais endinheirado “Southland Tales-O Fim do Mundo”, com um resultado frustrante.
Ao que parece, o culto em torno de um filme é algo sobre o qual nada nem ninguém tem exato controle; e nisso está incluída a suposta qualidade artística da obra (que neste caso aqui é estratosférica!).
O jovem Donnie Darko (o surpreendente Jake Gyllenhaal), protagonista da história, é um sonâmbulo que tem a sorte de escapar de ser esmagado por uma turbina de avião que cai e destrói seu quarto (o quê hipoteticamente –na teoria de muitos expectadores –o arremessa num universo paralelo!). 
A partir de então, ele passa a ter visões de um estranho e assustador coelho que revela a quantidade de dias que faltam para o mundo se acabar (três) e lhe instrui a cometer atos de vandalismos por toda a cidade (Seriam então as intervenções de personagens oriundos desse universo tangente e que, ao identificar a anomalia, o visitante –Donnie, no caso –adquirem características sobrenaturais que serão necessárias para que o desequilíbrio seja corrigido).
Seu relacionamento com uma garota (Jena Malone) é um dos elementos que permeiam de mistério esta trama desafiadora que leva o espectador através de acontecimentos por vezes inexplicáveis. 
Cult absoluto, “Donnie Darko” é um filme de baixo orçamento que surgiu do nada e pegou o público e a crítica de surpresa com uma miscelânea das mais curiosas, uma mistura de “filme de David Lynch” (e como tal, onírico e repleto de dúvidas insolúveis), histórias de heróis em quadrinhos (entre tantas referências, há o nome do protagonista com iniciais que se repetem) e um clima sci-fi estranhamente atemporal (com músicas do Tears For Fears e outras referências aos anos 1980).
Em tempo: “Donnie Darko” ganhou uma continuação das mais desnecessárias anos depois, “S. Darko-Um Conto de Donnie Darko”, sem a participação de Richard Kelly e sem o ator Jake Gyllenhaal, focada na irmã mais jovem de Donnie, Samantha, que no filme original é pouco mais que uma figurante. Uma perda de tempo...