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sábado, 16 de março de 2019

Os Vencedores do Oscar 1940

O grande ano de Hollywood. A cerimônia realizada na noite de 29 de fevereiro de 1940 (alguns especialistas levam em conta o ano de lançamento dos filmes, 1939) é tida como a mais fértil e acirrada disputa de grandes produções cinematográficas de toda a história do Oscar, e seu grande vencedor não podia ser outro senão o filme que melhor traduz essa concepção de grandiosidade e arrebatamento: A árdua, megalomaníaca e monumental produção de David O’ Selznick, “E O Vento Levou”, que estabeleceu recordes inéditos na época como o maior número de indicações (treze, batidos anos depois por “A Malvada”), o maior números de prêmios (oito estatuetas, superados anos mais tarde por “Ben-Hur”) além de sagrar-se como o primeiro filme colorido a conquistar a vitória, e dar a atriz Hattie McDaniel o histórico primeiro Oscar (de Melhor Atriz Coadjuvante) conferido a um intérprete negro –isso só tornaria a acontecer muitas décadas depois, com a vitória de Sidney Poitier, já em 1964, por “Uma Voz Nas Sombras”.
Seus concorrentes eram absolutamente espetaculares: “No Tempo das Diligências”, que selava a colaboração entre o diretor John Ford e o astro John Wayne; “O Corcunda de Notre Dame", com Charles Laughton; “As Aventuras de Jesse James”, com Henry Fonda e Tyrone Power; o vibrante “O Mágico de Oz”, de Victor Fleming, diretor mais atuante dos três artesãos que O’ Selznick chamou para comandar seu épico; “O Morro dos Ventos Uivantes”, de William Wyler, com Laurence Olivier (cuja presença em solo americano para as filmagens permitiu que sua esposa na vida real, Vivien Leigh, estivesse disponível para interpretar Scarlett O’ Hara em “E O Vento Levou”); “Adeus, Mr. Chips”, de Sam Wood; o magistral “Ninotchka”, de Ernest Lubitsch, com Greta Garbo; o sensacional épico “Beau Geste”, com Gary Cooper, Ray Milland e Robert Preston; e o inspirador “A Mulher Faz O Homem”, de Frank Capra, com James Stewart e Jean Arthur.
Por tudo isso, na visão dos críticos, nunca o prêmio conferido pela Academia de Artes Cinematográficas se mostrou tão brilhante.

MELHOR FILME
"E O Vento Levou"

MELHOR DIREÇÃO
"E O Vento Levou", Victor Fleming

MELHOR ATRIZ
Vivien Leigh, "E O Vento Levou"

MELHOR ATOR
Robert Donat, "Adeus, Mr. Chips"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Hattie McDaniel, "E O Vento Levou"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Thomas Mitchell, "No Tempo das Diligências"

MELHOR ROTEIRO
"E O Vento Levou"

MELHOR HISTÓRIA ORIGINAL
"A Mulher Faz O Homem"

MELHOR FOTOGRAFIA P&B
"O Morro dos Ventos Uivantes"

MELHOR FOTOGRAFIA CORES
"E O Vento Levou"

MELHOR DECORAÇÃO DE INTERIORES
"E O Vento Levou"

MELHOR SOM
"Quando Vem O Amanhã"

MELHOR TRILHA SONORA
“No Tempo das Diligências"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
"O Mágico de Oz"

MELHOR CANÇÃO
"Over The Rainbow", de "O Mágico de Oz"

MELHOR MONTAGEM
"E O Vento Levou"

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
"E Chuvas Chegaram"

sábado, 22 de dezembro de 2018

Os Vencedores do Oscar 1952


Entre um vigoroso representante do épico hollywoodiano (“Quo Vadis”), um divisor de águas do cinema norte-americano (“Um Lugar Ao Sol”) e uma premiada peça teatral transposta com fulgor de inovação para as telas (“Uma Rua Chamada Pecado”), a Academia preferiu, em 1952, premiar a insuspeita qualidade do musical “Sinfonia de Paris”, embora essa premiação tenha de certa maneira se mostrado precipitada já que um ano depois, o mesmo Gene Kelly entregou o ainda mais extraordinário “Cantando Na Chuva” (e que, sem conquistar prêmio algum, consta até hoje, como um dos grandes lapsos da história do Oscar), numa forma também de compensar o fato de não premiar uma obra desse gênero a pelo menos quinze anos (o musical a vencer anteriormente havia sido “Ziegfeld-O Criador de Estrelas” em 1937).
Por seu esplêndido trabalho ao lado de Katharine Hepburn em “Uma Aventura Na África”, Humphrey Bogart recebeu um Oscar (até tardio) de Melhor Ator, surpreendendo muitos que afirmavam ser Marlon Brando (por “Uma Rua Chamada Pecado”) o favorito ao prêmio; também competiam o ótimo Montgomery Clift (“Um Lugar Ao Sol”), Arthur Kennedy (“Só Resta A Lembrança”) e Fredric March (“A Morte do Caixeiro Viajante”).
Doze anos depois de Scarlet O’ Hara, a maravilhosa Vivien Leigh tornou a conquistar o prêmio de Melhor Atriz, desta vez num trabalho meticuloso e destituído de glamour em “Uma Rua Chamada Pecado” –que, por sua compenetração teatral ainda concedeu prêmios aos coadjuvantes, Karl Malden e Kim Hunter.

MELHOR FILME
"Sinfonia de Paris"

MELHOR DIREÇÃO
"Um Lugar Ao Sol", George Stevens

MELHOR ATRIZ
Vivien Leigh, "Uma Rua Chamada Pecado"

MELHOR ATOR
Humphrey Bogart, "Uma Aventura Na África"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Kim Hunter, "Uma Rua Chamada Pecado"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Karl Malden, "Uma Rua Chamada Pecado"

MELHOR FOTOGRAFIA P&B
"Um Lugar Ao Sol"

MELHOR FOTOGRAFIA CORES
"Sinfonia de Paris"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"Rashomon" (Japão)

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
"O Fim do Mundo"

MELHOR FIGURINO P&B
"Um Lugar Ao Sol"

MELHOR FIGURINO CORES
"Sinfonia de Paris"

MELHOR SOM
"O Grande Caruso"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE P&B
"Uma Rua Chamada Pecado"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE CORES
"Sinfonia de Paris"

MELHOR TRILHA SONORA MUSICAL
“Sinfonia de Paris"

MELHOR TRILHA SONORA DRAMA
"Um Lugar Ao Sol"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"In The Cool, Cool, Cool of The Evening", de "Orfão da Tempestade"

MELHOR ROTEIRO
"Um Lugar Ao Sol"

MELHOR HISTÓRIA E ROTEIRO
"Sinfonia de Paris"

MELHOR HISTÓRIA ORIGINAL
"Ultimato"

MELHOR MONTAGEM
"Um Lugar Ao Sol"

domingo, 26 de julho de 2015

E O Vento Levou

É uma tarefa complicada essa a de tentar falar de um dos filmes mais conhecidos de todos os tempos. Explicar com razões não muito óbvias porquê ele é um dos melhores filmes já feitos.
“E O Vento Levou” acompanha a trajetória de Scarlett O'Hara (Vivien Leight, absolutamente sensacional!), a voluntariosa filha de um rico imigrante irlandês, enquanto a Guerra Civil Norte-Americana transforma o sul do país.
A medida que os anos transcorrem, e o panorama do sul dos EUA se transforma, Scarlett busca se adaptar aos novos tempos, o quê inclui casar-se paulatinamente, conforme a necessidade pede: Primeiro, pela indignação de perder o cobiçado solteiro Ashley Wilkes (Leslie Howard), aceitando o pedido do primeiro que lhe faz a proposta (ela enviúva durante a guerra); em seguida, por conveniência, seduzindo um rico herdeiro para que seu dote pudesse manter a fazenda da família, Tara (e, mais tarde, tornando a enviuvar).
Seu terceiro marido é, por ironia, o homem que havia jurado nunca desposar –o renegado Rhett Butler (Clark Gable, um ator fora de série), por quem Scarlett, só ao final de uma longa e tumultuada trajetória, vai se conscientizar que sempre sentiu amor.
O filme é, acima de tudo, um retrato do desmoronamento da aristocracia sulista, além de ser também uma das maiores amostras de superprodução capazes de serem geradas por Hollywood –indicativa também da tenacidade de alguns de seus mais notórios artesões (verdadeiro criador do filme, o produtor David O’ Selznick participou de todas as etapas da produção, desde o esboço do roteiro, passando pelo pesadelo na busca da intérprete ideal de Scarlett até as movimentadas e complicadas filmagens –que tiveram três trocas de diretores!)
Tudo isso para moldar um filme que o tempo é incapaz de envelhecer: “E O Vento Levou” é um dos poucos filmes que sintetizam o próprio cinema. Em sua suntuosidade, em sua magnitude, na sucessão de cenas inesquecíveis que expõe ao expectador: Scarlett e o pai à sombra de uma árvore, contemplando Tara; o incêndio espetacular de Atlanta (no qual foram queimados, para efeitos grandiloqüentes, os cenários antes usados em “King Kong”); o juramento de fome em meio à árida plantação (“Jamais sentirei fome novamente!”); o beijo entre Scarlett e Rhett Butler, e muitas outras.
O filme dos filmes.