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sexta-feira, 1 de setembro de 2023

Invasão Secreta


 Há uma quebra de paradigma promovida pela Marvel Studios na minissérie “Invasão Secreta” –uma pena que essa quebra não tivesse se refletido em aumento de qualidade para o material: Adaptado de um aclamado arco em forma de saga nos quadrinhos, “Invasão Secreta” prometia emoções impactantes aos fãs. Como nas HQs, a Terra seria palco de uma silenciosa infiltração dos alienígenas transmorfos skrulls cujo plano seria o de usarem de suas habilidades para assumir, sem que os personagens principais (e o próprio público) soubessem, o lugar de algumas figuras conhecidas da Marvel, alguns deles, ocupando importante papel de influência junto ao governo norte-americano, promovendo assim uma série de mau-entendidos diplomáticos e conflitos governamentais que levariam à guerra e à extinção da Humanidade. Também, finalmente veríamos o magnífico Samuel L. Jackson e seu personagem, o agente Nick Fury, assumindo um papel protagonista que ele andava merecendo desde, pelo menos, sua aparição em “Vingadores”.

Ao menos, uma dessas promessas se cumpriu: De fato, é Nick Fury o grande personagem principal aqui, infelizmente, ele surge combalido, desanimado, desmotivado e, durante muito tempo, incapaz de se equiparar ao grande espião que havia sido antes, fruto das desilusões experimentadas pelos revezes das últimas décadas, incluindo o ‘Blip’ promovido por Thanos em “Vingadores-Guerra Infinita” –os realizadores, devem ter julgado que seria um diferencial interessante explorar uma faceta mais decadente de um personagem conhecido por sua astúcia, entretanto, do modo como é mostrado insistentemente na série, esse aspecto do personagem nunca soa válido dentro da narrativa servindo mais para engessá-la do que para torná-la melhor. Nesse sentido, é infinitamente mais vibrante prestar atenção na personagem de Olivia Colman, Sonya Falsworth, que surpreende o expectador e alguns dos personagens ao seu redor sempre que aparece, ao mostrar-se um passo afrente de todos os demais –uma característica que outrora pertenceu à Nick Fury.

“Invasão Secreta” tem início quando alguns agentes aleatórios da CIA conseguem identificar um skrull infiltrado entre agentes de campo que deveriam ser supostamente bem informados: Morto por Maria Hill (Colbie Smulders) e pelo skrull aliado Talos (Ben Mendhelson), o skrull espião havia assumido a identidade do Ag. Everett Ross (Martin Freeman) –a última vez em que vimos o que seria o verdadeiro Ross, ele estava, na verdade, refugiado em Wakanda, após os eventos de “Pantera Negra-Wakanda Para Sempre”. Isso traz Nick Fury de volta à Terra, interrompendo um auto-exílio que, sabemos, já ocorreu há anos –pois, pelo menos, o Nick Fury de “Homem-Aranha Longe de Casa” sabemos ter sido ‘personificado’ por Talos. Esses agentes identificaram um problema preocupante: Os skrulls, agora não mais liderados por Talos, mas por um jovem líder extremista chamado Gravik (Kingsley Ben-Adir, de “Barbie”) desejam usar de operativos disfarçados em cargos fundamentais nos governos dos EUA e do Reino Unido para fomentar uma série de ataques que levarão os Estados Unidos e a Rússia à Terceira Guerra Mundial, aniquilando a Humanidade e deixando o planeta livre para a ocupação skrull. Não somente isso, mas, como logo fica evidente em episódios posteriores, Gravik também quer garantir-se quanto à eventual interferência dos grandes super-heróis do panteão da Marvel –embora estranhamente nenhum deles jamais dê as caras nesta minissérie... –adquirindo vestígios genéticos de alguns vingadores e levando seus soldados à ganhar seus poderes, convertendo-os em superskrulls!

Dirigida por Ali Selim com uma deliberada (e equivocada) predisposição para a lentidão em detrimento da ação (normalmente uma especialidade da Marvel) e em prol de um suposto suspense (uma promessa de tensão que jamais se concretiza de fato), “Invasão Secreta” avança ao longo de seus seis episódios numa atmosfera e num ritmo que, estranhamente, sugerem, o tempo todo, a chegada iminente de um clímax que justifique todo o investimento do público em sua premissa titubeante, em seus personagens pouco envolventes e em suas soluções de roteiro nada originais –não lembra nem um pouco o sopro renovado de entusiasmo narrativo presente nas obras dos dez primeiros anos da Marvel Studios –mas, termina realmente se revelando burocrático, genérico, redundante e trivial. É de se lamentar quando uma minissérie –especialmente uma cercada de tantas possibilidades promissoras como esta –tem, como elemento que mais despertou interesse de discussão nos expectadores, a sua aflitiva abertura feita por Inteligência Artificial.

domingo, 30 de abril de 2023

Falcão e O Soldado Invernal


 Legado –esse parece ser o principal tópico em torno do qual giram os enredos da Fase 4 do Universo Marvel Cinematográfico, desde o final da “Saga do Infinito” cuja trama trouxe, à reboque, seus cerca de vinte primeiros filmes. Embora suas ambições narrativas tenham se estendido também para as séries do TV (das quais esta é um dos exemplares), a intenção de conectividade em suas histórias permanece mais forte do que nunca, bem como a intenção de manter uma similaridade na qualidade cinematográfica de seus produtos. Entretanto, com os heróis principais dizendo adeus (seja pela chegada no desfecho de suas trajetórias, seja pelo fim do contrato de seus intérpretes, seja, na maioria dos casos, por conta das duas razões), a Marvel em geral, e a Fase 4 em particular acabaram abordando justamente a questão do legado, a passagem de bastão de um personagem, já veterano, para outro, em início de jornada.

Esta minissérie, “Falcão e O Soldado Invernal”, vem a falar sobre os dilemas de Sam Wilson (Anthonie Mackie), mais conhecido como Falcão, depois que ele recebeu do agora aposentado Steve Rogers, o Capitão América em pessoa (que é bastante mencionado, mas, nunca aparece de fato), o seu poderoso e simbólico escudo, o que o torna, consequentemente, o novo Capitão América. No entanto, como a série tratará de mostrar ao longo de seus nove episódios, herdar tal legado não é uma tarefa simples, ainda mais para alguém como Sam que, diferente do quase ariano Steve Rogers, é um homem negro, ciente do descaso e das injustiças que seus pares sofreram (e, por vezes, continuam a sofrer) ao longo de toda a história dos EUA.

Ao abranger um tema de incontornável seriedade, a série sabiamente evoca ritmo, espírito e atmosfera de “Capitão América-OSoldado Invernal”, dirigido por Anthony e Joe Russo, um dos longa-metragens responsáveis por tornar o Capitão América um dos maiores heróis do estúdio. Como naquele estupendo trabalho, aqui, o roteiro lembra por vezes o de um thriller de espionagem, inclusive com o surgimento de um grupo dissidente de supostos terroristas, os Apátridas, lutando por uma ideologia que, na teoria, parece fazer um certo sentido: Unir todo o mundo num povo só, abolindo todas as fronteiras. Na prática, porém, os objetivos desse grupo armado esbarram nas complicações do mundo real, reagindo a elas com violência e terror. Sam Wilson e James ‘Bucky’ Buchanam Barnes (Sebastian Stan), outrora o Soldado Invernal, tentando se redimir de seu passado como assassino controlado pela Hidra, se unem para tentar deter os Apátridas quando descobrem que os membros do grupo têm, de alguma forma, o soro do Supersoldado, o que lhes possibilita força e velocidade assombrosas. Há, porém, um problema: Sentindo-se incapaz de corresponder à herança como Capitão América, Sam entrega o escudo ao governo dos EUA que nomeia um combatente condecorado, o soldado John Walker (Wyatt Russell, filho de Kurt Russell e Goldie Hawn), como novo Capitão, um homem que, à medida que as missões começam a cobrar-lhe sacrifícios maiores, se revela instável.

Dirigida (por Kari Skogland) e escrita (por vários, com predominância do criador, Malcolm Spellman) com insuspeita habilidade, a minissérie avança sabendo habilmente centralizar Sam e seu notável protagonismo, no objetivo de evidenciar ao público o quão certeira é sua escolha como novo Capitão América –algo, diga-se, seguido à risca do que se passou nos quadrinhos. Quando conhecessem a líder dos Apátridas, Karli Morgenthau (Erin Kellyman, de “Han Solo”), os heróis descobrem que ela não é a vilã translúcida e unilateral que outrora enfrentariam sem pestanejar –o mundo atual não tem mais conflitos ‘preto no branco’ como nos tempos da Segunda Guerra Mundial, e alguns inimigos da paz têm justificativas carregadas de significado e mérito em seus atos. Na busca por respostas, Sam e Bucky tiram de sua prisão o tentacular e manipulador Barão Zemo (Daniel Brühl, reaproveitando brilhantemente seu personagem de “Capitão América-Guerra Civil”) que os acaba levando até a ilha de Madripoor (um sensacional cenário vindo direto dos quadrinhos da Marvel e que já sugere, em algum momento, a proximidade dos “X-Men”) onde reencontram a renegada Sharon Carter (Emily Vancamp), personagem que traz algumas reviravoltas inesperadas. É Sam quem deve se provar o ponto de equilíbrio entre muitos desses personagens superpoderosos em rota de colisão, até porque sua própria escolha como Capitão América é, em si, uma mensagem de igualdade e justiça para todos –e para isso, ele deve encontrar a verdade sobre o próprio legado conhecendo Isayah Bradley (Carl Lumbly, da série “Alias-Codinome:Perigo”) e sua amarga história como primeiro supersoldado negro.

Tensa, austera, magnificamente frenética e politicamente relevante, mesmo que para efeitos de mera analogia, “Falcão e Soldado Invernal” se aproveita maravilhosamente de seu formato minissérie, para além do tempo restrito de um longa-metragem, estabelecendo ao longo de seus episódios uma trama rica e detalhada sobre as consequências pessoais e plurais de uma passagem impactante de bastão, colocando em pauta questões atuais como o desamparo governamental de refugiados, as discriminações de cor e a integridade do cidadão.

terça-feira, 21 de abril de 2020

Irresistível Paixão

Muito aclamada devido ao sucesso de público e crítica de “Onze Homens e Um Segredo” e suas continuações, a parceria entre o diretor Steve Sodenbergh e o astro George Clooney começou, de fato, neste sensacional “Irresistível Paixão”.
Aliás, astro pode ser termo, à época, precipitado para atrelar à George Clooney: Tendo deixado a série “Plantão Médico” para protagonizar o frustrante “Batman & Robin” –a mais catastrófica versão do Homem-Morcego para os cinemas –Clooney ainda não era um dos grandes nomes de Hollywood, mas, havia ganho tanto dinheiro para estrelar o mal-fadado filme que, na sequência, descobriu ter o privilégio de escolher a dedo seus projetos seguintes: Se colocar dinheiro no bolso já não era mais prioridade, ele podia passar a almejar a qualidade.
Foi assim que Clooney envolveu-se em trabalhos prestigiados como a aventura marinha “Mar Em Fúria”, o drama de guerra “Três Reis” e esta notável adaptação de Elmore Leonard, uma trama intrincada (bem ao gosto do autor) que, lá no fundo, versava sobre um caso de amor improvável entre um ladrão de bancos e uma oficial de justiça.
Clooney é Jack Foley, cujo orgulho é ter assaltado quase duzentos bancos sem jamais precisar sacar uma arma, em vez disso, Foley se valia de esperteza, inteligência e uma astúcia prodigiosa –características que ele põe em prática já na primeira cena.
Não adianta muito: Por um golpe de azar, ele vai preso mesmo assim.
Amargando mais algum tempo na prisão –e começando a concluir, por conta disso, que seu próximo golpe deve render sua aposentadoria definitiva desse negócio –Foley participa de uma fuga em massa, de cujo fracasso ele se desvencilha graças à cumplicidade do amigo Buddy (Vhing Rhames) e a casual aparição no local da agente federal Karen Sisco (a maravilhosa Jennifer Lopez, no papel que ajudou a construir sua imagem de símbolo sexual dos anos 1990) no carro de quem eles empreendem sua escapada.
Dividindo o porta-malas (eles a levam como refém), Foley e Karen trocam alguns minutos de conversa onde o diretor Sodenbergh permite-se vislumbrar com satisfação e exultação a química espetacular que Clooney e Jennifer compartilham em cena; é uma pena que eles não tenham feito outros filmes juntos.
A partir daí, revelando o gosto do hábil roteirista Scott Frank (de “Um Plano Simples” e “Minority Report-A Nova Lei”) para tramas elaboradas e fragmentadas, o filme se divide em duas linhas distintas de tempo, destinadas a se encontrar (e a se complementar) quando o filme de Sodenbergh atingir seu clímax: Numa delas, passada dois anos antes, vemos Foley em uma prisão da Flórida junto de outros detentos, entre eles, o estelionatário ricaço Ripley (Albert Brooks, de “A Musa” e “Bem-Vindo Aos 40”) e o ex-pugilista e bandidão barra-pesada Snoopy (o simpático Don Cheadle aqui, contudo, ameaçador). Na outra, evidentemente, acompanhamos os eventos subsequentes à fuga de Foley, suas tentativas de escapar ao jugo da polícia e do FBI e de prosseguir, ao lado de Buddy, com seu derradeiro golpe, aquele com o qual ele almejava se aposentar (assaltar a mansão de Ripley ao lado de Snoopy); além, é claro, das investigações por conta própria da esperta e persistente Karen Sisco que deseja reencontrar Jack, para prendê-lo novamente, ou quem sabe, descobrir o que é essa estranha atração que sentem.
Naquele ano, 1998, “Irresistível Paixão” chegou às salas de cinema capitaneando um formidável abalo sísmico no cinema comercial norte-americano, ao substituir as pirotecnias em voga nas produções de então por uma inteligência instigante e à toda prova –uma tendência inesperada e salutar que moldaria um pico insuspeito de qualidade entre as obras hollywoodianas naqueles anos –grande responsável pelo êxito deste filme foi também o tratamento sempre diferenciado de Steve Sodenbergh, um entusiasta nítido e confesso das narrativas antigas da Velha Hollywood, sobretudo, os filmes de gangster e os filmes noir. São tons e atmosferas que ele atribui à este brilhante e bem calibrado conto de polícia e ladrão, temperado com bem-vinda sensualidade, imprevisto requinte e palpitante virilidade: Sim, pois, em seu tumultuado, eletrizante e divertido desfecho não tenha dúvidas, o romance entre Jack Foley e Karen Cisco termina em bala!

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Vingadores - Ultimato

Numa das cenas que abrem esta continuação praticamente direta de “Vingadores-Guerra Infinita”, vemos Tony Stark gravar um melancólico monólogo diante do capacete da armadura com a qual ele foi o Homem de Ferro –cena esta vista e revista em diversos trailers.
A referência à Hamlet, de Shakespeare, é clara, bem como também é clara a similaridade entre a ambientação soturna da nave –Stark está à deriva no espaço –com a caverna onde ele construiu sua primeira armadura, dando o primeiro passo para o surgimento do que é hoje conhecido como o Universo Marvel dos cinemas.
A cena mostra assim os dois elementos primordiais que os diretores Anthony e Joe Russo tratarão de manter impecáveis ao longo das avassaladoras três horas de duração de “Vingadores-Ultimato”: A referência do mais altíssimo nível a que se pode chegar –em termos técnicos, dramáticos e artísticos, inclusive –e uma compreensão insolúvel de que o passado embutido em toda a cronologia cinematográfica da Marvel Studios deve não só ser recordado, mas também, levado em consideração, apreciado e, no fim, louvado.
Ao dar continuidade aos eventos arrebatadores de “Guerra Infinita”, “Ultimato” imbrica por um caminho que a Marvel e nenhum outro estúdio encontrou meios até então de trilhar: O de um legado composto ao longo de 11 anos de produções cinematográficas, em meio aos quais ele corajosamente percebe a importância de encontrar um fim.
Sim, porque, preservadas as surpresas que a obra reserva –e, meu Deus, elas são muitas! –“Ultimato” é, antes de mais nada, um encerramento. Um desfecho de uma história que num único empuxo narrativo se iniciou com o astro Robert Downey Jr. e seu encaixe absurdo com o personagem de Tony Stark/Homem de Ferro no primeiro filme do estúdio, e prosseguiu num expansão sem precedentes dessa mitologia nos filmes “Thor”, “Capitão América-O Primeiro Vingador” e, na junção audaciosa e vibrante dessas linhas narrativas em “Vingadores”; que, em sua cena pós-crédito, introduzia pela primeira vez o grande vilão Thanos, interpretado aqui com eficiência incontestável e empatia amedrontadora pelo ótimo Josh Brolin.
Foi em torno da promessa da vinda de Thanos que a Marvel Studios construiu assim o fio condutor a unir todos os trabalhos que se seguiram –e que oscilavam entre excelente entretenimento e diversão descompromissada –em meios aos quais não tardaram a destacar-se as obras assinadas pelos Irmãos Russo.
Pelas mãos deles, o Capitão América logo assumiu uma posição existencialmente central nesse Universo Marvel, no magnífico “Soldado Invernal” e depois no brilhante “Guerra Civil”.
A demonstração de habilidade incomum dos Russo prosseguiu com o espetacular “Guerra Infinita” e, por fim, a revelação de Thanos como o mais complexo vilão já concebido pelo estúdio. O que nos leva a este “Ultimato”.
Incapazes de lidar com o fato de que o vilão os derrotou e sobrepujou –agonia que os fãs também experimentaram durante o ano inteiro que separam estes dois filmes –os Vingadores remanescentes (e que correspondem, por sua vez, à formação original vista no primeiro filme) unem-se num plano derradeiro para tentar um contra-ataque; estimulados pela aquisição da poderosa Capitã Marvel (Brie Larson).
Este é o ponto de partida do filme e corresponde a tudo que dele se pode falar sem entrar no terreno pantanoso e arriscado das surpresas, pois sua trama é repleta de reviravoltas inesperadas, e ramificações que se mostram mais complexas do que poderia se supor num filme de orientação tão comercial, conduzindo o expectador a uma meia hora final que está entre os mais assombrosos e embasbacantes momentos do cinema comercial de todos os tempos.
O que importa, porém, é que por trás da expectativa absurda que a Marvel conseguiu gerar no público –e do filme emocionante e arrebatador que criou para correspondê-lo –“Ultimato” é, no fundo no fundo, uma declaração de amor.
Ao legado extraído de décadas de quadrinhos e transposto com apaixonada propriedade para a tela de cinema. Aos fãs, que converteram as produções da Marvel em sucessos simultâneos de bilheteria (e que certamente transformarão este num novo fenômeno). Aos personagens e seus intérpretes que se revelaram, em sua esmagadora maioria, de um acerto fenomenal –e aqui, apesar de todas as presenças esplêndidas que se seguem (com destaque para Chris Evans e Jeremy Renner) não dá para não chamar Robert Downey Jr. à frente.
Ele é o princípio de tudo. O marco zero. E é nele, mais uma vez, que se ampara a escolha para encerrar esta jornada de 22 filmes. Ele foi (e sempre será) Tony Stark, o personagem que acendeu o estopim para um legado sem precedentes no cinema comercial, e ele é aqui aquele que, num dos momentos mais superlativos e emocionantes, executa enfim sua manobra final.
“Ultimato” é cinema como aquilo que ele deveria ser: Emocional, visceral, divertido (mágico, até!), arrebatador e espantoso em níveis que a indústria (e a própria Marvel Studios) encontrarão dificuldades de igualar nestes anos por vir.
Tê-lo nas salas de cinema é um privilégio.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

O Vôo


Reconstituído com mais minúcia e fidelidade em “Sully-O Herói do Rio Hudson” (dirigido por Clint Eastwood, com Tom Hanks), o episódio em que a habilidade do veterano piloto salvou as vidas dos passageiros de um Boeing serviu de inspiração para este filme de Robert Zemeckis, lançado uns anos antes, onde ele regressou às narrativas mais realistas depois de quase uma década fazendo experiências em animações com captura de performance.
Aproveitando brilhantemente o fato de ser uma obra de ficção –e com esse expediente usar de suas ferramentas para surpreender o público –e basear-se apenas por alto no episódio real, “O Vôo” oferece, acima de tudo, uma oportunidade e tanto para Denzel Washington mostrar sua capacidade na plenitude de seu talento.
Ele é Whip Whitaker, um piloto já tão habituado ao seu compulsivo alcoolismo que tal vício lhe serve mais para ser socialmente desenvolto e profissionalmente destemido.
No acidente aéreo que ocupa os quinze minutos iniciais do filme –e que Robert Zemeckis elabora com virtuosismo acachapante –o vício etílico de Whip não surge como um problema, e nem o impede de fazer um pouso milagroso num campo aberto, salvando muitos passageiros quando todos podiam ter morrido.
Na verdade, se revela um problema mais tarde: Quando as investigações protocolares se iniciam, e a necessidade de um bode expiatório paira sobre corporações preocupadas como a construtora do avião, o alcoolismo de Whip, até então despercebido, ameaça torná-lo um alvo de severa punição. E alguns aliados como o amigo e consultor de vôo Charlie Anderson (Bruce Greenwood) e o relutante advogado Hugh Lang (Don Cheaddle) farão o possível para que os indícios do vício de Whip passem batidos no julgamento, a despeito do fato desconcertante de que o próprio Whip parece afundar cada vez mais nesse lamaçal.
Muito mais bem resolvido cinematograficamente, e bastante superior em termos de narrativa e realização do que “A Travessia”, o filme seguinte de Zemeckis, “O Vôo” talvez goze de tal posição em sua filmografia justamente por contar como seu ponto alto o fator humano (não somente Washington está magistral como também estão a linda Kelly Reilly, de “Sra. Henderson Apresenta”, e o grande John Goodman) na obra de um cineasta reconhecido pela atenção às vezes excessiva que ele dá às facetas técnicas de suas produções.

terça-feira, 25 de setembro de 2018

Onze Homens e Um Segredo


A discussão cerca do quão válida uma refilmagem é tem, nesta obra, um de seus melhores argumentos: Ao contrário do que é hábito em Hollywood –onde são refilmadas sucessivamente obras excelentes que não precisariam de uma refilmagem –o time de George Clooney e Steve Sodenbergh refez um filme não tão bom, não tão perfeito e não tão bem-sucedido (uma pequena aventura de assalto feita para aproveitar a fama do Rat Pac, grupo formado por Frank Sinatra, Dean Martin, Sammy Davis Jr. e Peter Lawford). Eles assim o fazem com perfeita consciência das limitações da obra original; e em tudo tentam melhorá-la.
É, pois o grande propósito de se realizar uma refilmagem: Repaginar um filme e aproximá-lo mais do potencial de qualidade que não havia sido alcançado da outra vez.
E o diretor Sodenbergh compreende com profunda perspicácia que toda essa premissa depende de charme: Cada personagem que marca presença, cena após cena, é de um carisma desigual.
A frente de todos eles, nesse e em outros quesitos, certamente está Danny Ocean (George Clooney tão eficaz quanto em sua primeira colaboração com Sodenbergh, o brilhante “Irresistível Paixão”). Recém-saído da prisão, ele chega a Las Vegas com um plano já previamente elaborado, por meio do qual visa retribuir toda a impunidade que o gangster Terry Benedict (Andy Garcia) exerce sobre os outros: Dele almeja roubar toda a féria de seu cassino principal.
Para tanto, Danny Ocean conta com um grupo extraordinário de outras dez pessoas com especialidades muito particulares: Seu braço-direito Rusty Ryan (Brad Pitt, que consegue ombrear o carisma e a desenvoltura superlativos de Clooney); o forte e desprendido Frank Catton (o saudoso Bernie Mac); o hábil e inteligente Basher Tarr (Don Cheaddle); o experiente e safo Reuben Tishkoff (Elliott Gould); o meticuloso e estrategista Saul Bloom (Carl Reiner); os experts em tecnologia Virgil e Turk Malloy (Casey Affleck e Scott Caan); o ágil e acrobático Yen (Qin Shaobo); o escorregadio Livingston Bell (Eddie Jemison); e o filho de um grande aliado do passado Linus Caldwell (Matt Damon).
A intenção de Ocean não é apenas de bancar o Robin Hood, roubando do milionário antagonista –no processo de seu intrincado golpe quer roubar dele também a atual companheira, Tess (Julia Roberts), ex-esposa de Ocean.
Como se pode constatar pelos nomes citados, o elenco que Sodenbergh reuniu para seu filme é tão, ou mais, ostensivo que o elenco do “Onze Homens e Um Segredo” original; e ele compensa essas presenças cintilantes dando a todos eles momentos memoráveis.
Contudo, seu grande feito é a execução do assalto propriamente dito que ocupa os últimas e sensacionais vinte minutos de filme: Uma aula de condução de roteiro, direção de cena e manutenção de ritmo, onde cada tomada surpreende o expectador e cada guinada deixa um sorriso no rosto.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

Boogie Nights - Prazer Sem Limites

Em seus três primeiros filmes, Paul Thomas Anderson criou distorções perturbadoras de um mesmo tema: Um grupo de marginais, ora em atrito, ora em paralelo com o difícil fato de existir no contexto em que estão inseridos.
Se em seu primeiro trabalho, “Hard Eight”, seus personagens eram a fauna de caóticos habitantes de um cassino, e em seu terceiro, “Magnólia”, eles eram seres peculiares arremessados num pesadelo urbano da vida real, em seu segundo trabalho –aquele no qual a indústria e a crítica especializada começou a reparar nele –o exuberante “Boogie Nights-Prazer Sem Limites”, esses personagens eram personificações de bizarros seres humanos que vivem no universo do cinema pornô.
Apesar do grande número de personagens (característica em muitos dos filmes de Anderson), o centro do filme é o jovem aspirante a ator, Eddie Adams que, ao adotar o pseudônimo artístico de Dirk Diggler (Mark Whalberg, numa das primeiras chances em sua carreira de demonstrar talento real) mostra-se inicialmente deslumbrado com o fato de se tornar um astro pornô: Ele é apadrinhado pelo diretor Jack Horner (vivido com euforia renovada e genuína pelo veterano Burt Reynolds) que graças ao seu pênis descomunal (!) o coloca como astros em uma profusão de produções feitas por sua equipe que, ao lado do elenco regular de beldades (que inclui Julianne Moore e Heather Graham) e outras pessoas formavam todos uma espécie de família.
Aos poucos, Diggler se deixa levar pelos excessos daquele período, inclusive pelas drogas, numa clara referência ao ator John Holmes, ícone do gênero falecido na década de 1980, vítima da AIDS.

“Boogie Nights” é então um mosaico colorido e disforme, riquíssimo em dramaturgia e observação, um retrato meio cômico meio dramático da indústria pornô dos anos 1970 (trecho mais radiante e animado do flme) e início dos anos 1980 (sua parte mais sombria) quando a transição para as novas mídias de então (o Betamax e o VHS) trouxe a decadência aos astros daquele gênero.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Traffic

Após uma década inteira na qual explorou uma infinidade de gêneros e estilos, sempre evitando o cinema mainstream e conformista com projetos diferenciados como “O Inventor de Ilusões” ou “Schizopolis”, o diretor Steve Sodenbergh chegou num ponto da carreira em que tinha plena autonomia criativa e respaldo profissional para encarar uma obra com as exigências de “Traffic” que adaptava, num roteiro sucinto e pontual de Stephen Gagham, uma elogiada minissérie inglesa para o cinema.
É o épico de Sodenbergh sobre a guerra contra as drogas, mas, como é inerente ao seu cinema, nele as cenas de embate entre policiais e criminosos perdem toda a importância –são as imbricações pessoais de personagens direta ou indiretamente envolvidos na questão aquilo que de fato desperta a atenção do diretor.
Tratam-se de três tramas paralelas que expõem as complexas mazelas dessa guerra na fronteira entre o México e os EUA. Na primeira, um policial mexicano (Benicio Del Toro, no papel que lhe deu um merecido Oscar de Melhor Ator Coadjuvante; embora muitos afirmem, com certa razão, que ele é o ator principal do filme) busca manter seus princípios enquanto trabalha na fronteira, onde o tráfico e os cartéis –que lutam uns contra os outros –compram o auxílio da própria polícia.
Na segunda, um juiz da suprema corte (Michael Douglas) é nomeado o "novo czar das drogas", com a intenção de sanar o problema enfrentado nos EUA, mas não percebe que a própria filha (Erika Christensen) é viciada.
Na terceira, uma jovem grávida (Catherine Zeta-Jones) descobre que o marido é um barão das drogas no mesmo dia em que ele é preso e se vê obrigada a assumir os negócios da família.
Para distinguir cada uma dessas tramas –magnificamente encilhadas umas às outras pela primorosa montagem premiada com o Oscar –o diretor usa de um filtro que enfatiza três cores específicas para cada núcleo: A aridez do amarelo na primeira história, o azul formal dos escritórios em Washington, da segunda, e a normalidade cromática das ruas na terceira.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Crash - No Limite

Grande vencedor do Oscar 2006 de Melhor Filme e consagração do talentoso roteirista –aqui também atuando como diretor –Paul Hagis ("Menina de Ouro", vencedor por sua vez do Oscar de Melhor Filme no ano anterior, 2005).
Comparando as duas realizações, “Menina de Ouro” (dirigido por Clint Eastwood) e “Crash” falam sobre modernas dinâmicas de relacionamentos humanos e urbanos.
Com “Crash”, Hagis parece buscar uma conciliação subjetiva de inúmeros pontos de vistas circunstanciais através da qual elabora condições complexas para que sejam assimiladas com simplicidade e facilidade –dessa postura provem sua genialidade.
Um cadáver é encontrado numa rodovia, e inicia-se então uma investigação capitaneada pelos policiais Waters (Don Cheaddle) e Ria (Jennifer Desposito). A história retrocede 36 horas no tempo e passa a acompanhar vários personagens e tramas simultâneas para esclarecer essa e outras dúvidas: A dupla de policiais Ryan (Matt Dillon, ótimo) e Hansen (Ryan Phillippe) cuja relação profissional se vê abalada após uma atitude abusiva e racista da parte de Ryan para com o casal formado por Christine (a bela Thandie Newton) e Cameron (Terence Howard). A própria Christine reage de modo dramático, nos dias que se seguem, devido à passividade do marido que busca, em outra situação (esta já envolvendo os marginais vividos por Ludracris e Larenz Tate), reencontrar sua coragem.
O próprio policial Ryan –ele próprio vítima de uma outra forma de discriminação –terá, mais a frente, uma oportunidade de redimir seu ato questionável com Christine.
Há também o casal de classe alta formado por Rick (Brendan Fraser), promotor público em campanha de reeleição, e sua esposa Jean (Sandra Bullock), uma dondoca ressentida pela pouca atenção do marido, e ainda o chaveiro Daniel (Michael Peña, talvez, o melhor personagem do filme) envolvido num pequeno atrito com Farhad (Shaun Toub, de “Homem de Ferro”), o proprietário iraniano de uma lojinha assaltada –um pequeno atrito que pode se converter numa tragédia.
A tensão se instala em todas as histórias paralelas, em muitos casos em conseqüência da discriminação racial e da acuidade com que são observadas as interseções tão diversas e imprevistas numa cidade tão plural como Los Angeles. E o roteiro ainda exercita uma salutar desenvoltura dramática tornando surpreendente a elucidação de algumas questões.
Oriundo da TV norte-americana, e por isso mesmo acostumado ao ritmo objetivo e às exigências práticas de se conduzir uma história, Paul Hagis exercita um estilo enxuto, fluido e inteligente com que manipula várias tramas (a exemplo de “ShortCuts-Cenas da Vida”, de Robert Altman, e “Magnólia”, de Paul Thomas Anderson) e as torna complementares de si mesmas tornando fascinante a apreciação deste trabalho fabuloso, brilhante na maneira como faz suas várias linhas narrativas se unirem num todo intenso, emocionante e de grande valor moral e cinematográfico.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Homem de Ferro 3

Jon Favreau, o diretor dos dois primeiros filmes do Homem de Ferro sentia-se esgotado em lidar por tanto tempo com aquele mesmo material –e seu cansaço na condução de “Homem de Ferro 2” é particularmente visível.
Tendo ele então recusado a direção do terceiro filme de Tony Stark, e antes disso, também recusado a direção do filmes dos Vingadores, a Marvel Studios foi em busca de um novo diretor (essa prática passou a ser bastante benéfica para o estúdio e suas produções, não deixando que um mesmo diretor se sobrecarregasse com sucessivos filmes).
Foi o astro Robert Downey Jr. quem interveio, sugerindo para o cargo seu grande amigo Shane Black, realizador do ótimo “Beijos e Tiros”, provavelmente a obra inicial do retorno de Downey Jr. ao estrelato.
Também ator (participou de “O Predador”), além de conceituado roteirista (criou a premissa e escreveu o roteiro dos dois primeiros filmes da série “Máquina Mortífera”), Shane Black contribuiu com seu senso de espetáculo, seu humor pontual e seu gosto por ramificações rocambolescas na trama, proporcionando ao personagem de Tony Stark um filme interessante que dá continuidade aos eventos de "Os Vingadores", mas que gerou uma controvérsia entre o público. Certamente, a maior dentre todos os filmes da Marvel: Os expectadores basicamente se dividem entre aqueles que o consideraram ótimo, tão bom quando os filmes anteriores, e aqueles que repudiaram completamente as escolhas (polêmicas é bem verdade) da história, cujas reviravoltas mostram-se desafiadoras no que tange a alguns elementos canônicos dos quadrinhos, além do humor afiado, incisivo e constante que fizeram muitos imaginar que este era um filme que não se levava a sério –e isso é tema para infindáveis debates.
Quando “Homem de Ferro 3” começa, portanto, Tony Stark (Downey Jr como sempre dando o seu melhor), o Homem de Ferro em pessoa, goza de seu status de celebridade na Costa Oeste após a Batalha de Nova York –ocorrida na segunda metade de “Vingadores” –torná-lo  famoso no mundo inteiro, junto com os outros heróis. Enquanto mantém um relacionamento relativamente sólido com Peper Potts (Gwyneth Paltrow), Tony lida, ao seu jeito, com o stress pós-traumático provocado por aquele conflito: Constrói novas armaduras sem parar!
Já, seu melhor amigo, James Rhodes (o ótimo Don Cheadle), que em “Homem de Ferro 2” assumiu a alcunha de Máquina de Combate, segue atuando agora como Patriota de Ferro. Entretanto, quando um certo Aldrich Killian (Guy Pearce) aparece, Tony começa a suspeitar de seu envolvimento em uma série de atentados relacionados a uma droga experimental, a Extremis, e que levam diretamente a um terrorista disposto a ameaçar a vida do próprio presidente dos EUA: o misterioso Mandarim (Ben Kingsley, numa atuação soberba).
Gozando do privilégio de ser o primeiro filme a iniciar a "fase 2" da Marvel Studios, ou seja, todos os planos envolvendo o Universo Marvel após o estrondoso filme dos Vingadores, “Homem de Ferro 3” foi audacioso nos rumos inventivos que buscou dar para personagens já estabelecidos –ao mesmo tempo que ele reinventou por completo o celebradíssimo arco “Extremis”, dos quadrinhos, o roteiro não se intimidou de subverter a lógica e a origem do vilão Mandarim (um personagem muito aguardado pelos fãs), dando a ele um background metalingüístico inesperado (para não dizer desconcertante!) que chocou o público, frustrando alguns expectadores e surpreendendo outros tantos.
O filme de Shane Black também mostra audácia na maneira com que amarra pontas soltas dos filmes anteriores do Homem de Ferro, firmando-se como um “final de trilogia” –ainda que todos sabiam, a trajetória de Tony Stark não tenha se acabado.
O mais controverso filme da Marvel Studios, o sarcástico e espetacular “Homem de Ferro 3” mostrou, pelo menos, que o estúdio tinha muita lenha pra queimar, mesmo depois de “Vingadores”.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

Homem de Ferro 2

Em time que está ganhando, não se mexe, certo?
Com essa idéia em mente, a Marvel Studios, após o estrondoso sucesso de público e crítica de “Homem de Ferro” optou por lançar, dois anos depois, a continuação desse trabalho.
Alternativas não faltavam –na época, exceto pelo Incrível Hulk que ganhou uma nova versão com Edward Norton em 2008, nem Capitão América, nem Thor tinham seus próprios filmes –mas, a Marvel resolveu não arriscar e chamou mais uma vez Jon Favreau para a direção. Liderando o elenco, retornava Robert Downey Jr. garantindo ao filme sua interpretação irrepreensível como o protagonista Tony Stark.
Uma curiosidade: O intérprete de James Rhodes do filme anterior, Terence Howard, não voltou para a seqüência, e em seu lugar foi chamado o ótimo Don Cheaddle que assumiu o personagem e, até o momento, já viveu Rhodes em quatro filmes.
Após ter revelado sua identidade secreta como Homem de Ferro no final do filme anterior, o milionário Tony Stark enfrenta diversos tipos de pressões: Alçado à condição de celebridade ele é pressionado pelo governo à compartilhar a arrojada tecnologia da armadura, no que são apoiados pelo melhor amigo de Stark, o Coronel James Rodhes; ao mesmo tempo, seu ferimento no coração, herdado do ataque do primeiro filme requer uma fonte de energia constante para não matá-lo.
Enquanto isso, um rancoroso inimigo nutre planos de vingança contra o Homem de Ferro: ele é Ivan Danko (Mickey Rourke, uma presença luxuosa), cientista russo que, aliado ao inescrupuloso empresário Justin Hammer (Sam Rockwell), planeja recriar a armadura usando-a para o mal.
Fica perceptível, em muitos momentos, um relativo cansaço do diretor Favreau, pelo fato de estar mais uma vez lidando com os mesmos elementos que tão bem empregou no primeiro filme: Muitas cenas soam quase como uma repetição disfarçada de algo que ele já havia feito antes, embora não faltem momentos bastante divertidos a este trabalho, amparado num roteiro ocasionalmente cômico de Justin Theroux –com quem Downey Jr. havia trabalho em “Trovão Tropical”. Mais do que dar uma continuidade de fato à história de Tony Stark, este filme tem por objetivo, enquanto narrativa, estender os detalhes acerca do Universo Marvel. Para tanto, sua riqueza de detalhes diversas vezes relega a trama a um segundo plano –o quê é fonte de críticas para este filme em especial até hoje –enquanto exibe um gancho explícito para o vindouro filme do Thor (habilmente retomado nessa produção) na forma do personagem do Agente Coulson (Clark Gregg), bem como a aparição bem mais estendida e intensa de Nick Fury (Samuel L. Jackson, que no filme anterior surgiu somente numa cena pós-créditos) e, sobretudo, a esplêndida presença da Viúva Negra (Scarlet Johansson).