Produzido pela Netflix (assim como “Bird Box”, outro grande sucesso estrelado por Sandra Bullock), “Imperdoável” –ou “Unforgivable” –é adaptado da série de TV inglesa, “Unforgiven”, inédita no Brasil, estrelada por Suranne Jones e dirigida por David Evans. De fato, nota-se o quanto o enredo de “Imperdoável” se ramifica em diversos outros personagens atrelados ao drama de sua protagonista, multiplicando suas sub-tramas num recurso que remete mesmo aos expedientes das séries de TV.
Contudo, a opção aqui, apesar desses
despercebidos elementos narrativos, é dar uma solidez cinematográfica ao
material, e nisso o trabalho da diretora Nora Fingscheidt acaba lembrando muito
os contundentes dramas independentes norte-americanos.
Sandra interpreta (e muito bem) a protagonista,
Ruth Slater que, quando a trama começa, está saindo da penitenciária na qual
permaneceu encarcerada nos últimos vinte anos. Depois de tanto tempo presa,
Ruth já não parece ser capaz de funcionar em sociedade. É uma pessoa calada,
acuada e introspectiva. E para piorar, além das severas circunstâncias em que
precisa se manter durante esse frágil período de liberdade condicional, existem
as complicações do crime pelo qual ela foi condenada –do qual inicialmente, não
sabemos muito, mas cujos elípticos flashbacks vão, aos poucos, tentando nos
esclarecer.
Ruth matou um policial quando tinha vinte anos
–um crime ao que tudo indica acidental, todavia, nada disso serve de atenuante
para aqueles que se voltam contra ela, por pura simpatia à polícia.
Na árdua tentativa de se readaptar, Ruth vai
morar num albergue suburbano, arruma emprego numa fábrica processadora de
pescados (o único que ela obtém apesar de possuir referências melhores) e
consegue uma segunda ocupação ao ajudar uma OMG na construção de um abrigo para
sem-tetos. Enquanto se incumbe dessa rotina, ela recebe ocasionais visitas de
seu rigoroso agente da condicional, Vincent Cross (o ótimo Rob Morgan, de “Não Olhe Para Cima” e “Confronto No Pavilhão 99”) e estabelece uma relutante
amizade com o colega de trabalho Blake (Jon Bernthal).
Existem ainda os filhos do policial que ela
matou, o irascível Keith (Tom Guiry, de “Tigerland-O Caminho da Guerra”) e o retraído
Steve (Will Pullen) que eram crianças na ocasião do homicídio –mas que agora,
diante da revoltante notícia da liberdade de Ruth, pensam seriamente em
planejar um ato de justiça com as próprias mãos.
Há o casal, formado por Vincent D’Onofrio e
Viola Davis, novos moradores da casa onde Ruth morou, e dentro da qual se
sucedeu o tal crime; sendo advogado, John Ingram (personagem de D’Onofrio) é
procurado por Ruth para que encontre meios legais, que não burlem as rígidas
regras da condicional, a fim de estabelecer um contato entre Ruth e sua irmã
pequena que, desde o nascimento Ruth havia criado, e desde que foi presa nunca
mais teve notícias, apesar das milhares de cartas que, nesses anos todos, ela
escreveu.
A irmã de Ruth, Katie (Aisling Franciosi, de “Drácula-A Última Viagem do Demeter”), agora com 25 anos, mal lembra dela e vive com seus
pais adotivos, Michael e Rachel Malcolm (Richard Thomas, da versão televisiva
de “It-A Coisa” e Linda Emond, de “Old Boy” e “Across The Universe”) e com sua
irmã Emily (Emma Nelson).

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