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sexta-feira, 3 de janeiro de 2025

Incubus 1966 e 1981


 Existem  dois filmes com o nome “Incubus” –até aí nada de mais, uma vez que inúmeros filmes partilham o mesmo título, seja nacional ou em língua estrangeira; acontece que, sendo um desses filmes a famigerada produção que passou a ser conhecida como ‘o filme mais amaldiçoado da história do cinema (!)’, isso me confundia muito: Eu havia assistido, ainda jovem em alguma reprise na TV, ao “Incubus” de 1981, quando na verdade, os críticos se referiam ao “Incubus” lançado em 1966. São dois filmes diferentes, como mais tarde, eu descobri. O problema é que o “Incubus” de 81 é um filme um bocado raro (a ponto de, numa determinada época, ser difícil até mesmo provar para algumas pessoas a sua existência!), enquanto que o de 66 é bastante famoso –ou seria melhor dizer, infame? De qualquer modo, vamos dar uma olhada nessas duas produções que partilham o mesmo título e, claro, o mesmo gênero, o terror.

As tragédias e, assim chamadas, maldições a cercar o filme de 1966 realmente impressionam por serem numerosas e contundentes, até mais do que em filmes clássicos, famosos por contratempos e acidentes mirabolantes em suas produções como "O Exorcista" e "Poltergeist-O Fenômeno". A lista que segue dá conta de alguns desses trágicos acontecimentos relacionados ao filme “Incubus”:

– A atriz Ann Atmar, intérprete da irmã do protagonista, vivido por Willian Shatner, cometeu suicídio 12 dias antes do filme estrear;

– A atriz Eloise Hardt (de “Something’s Got To Give”, o filme inacabado estrelado por Marilyn Monroe), que interpretou a líder demoníaca Amael, teve a filha sequestrada e morta por um psicopata;

–Misteriosos incêndios destruíram os cenários do filme tão logo as filmagens foram terminadas;

– O ator Milos Milos, intérprete do próprio Incubus da história, matou sua namorada Barbara Ann Thompson Rooney, ex-mulher do ator Mickey Rooney, e em seguida cometeu suicídio com um tiro na têmpora, seis meses depois, no mesmo fatídico ano de 66;

–Ao longo dos anos, o filme original acabou sendo destruído por um incêndio e suas cópias foram perdidas: por isso por muito tempo o público não teve mais a oportunidade de assistir “Incubus”. No entanto, em 1996 foi encontrada uma cópia na Cinémathèque Française de Paris. Essa cópia foi legendada em francês e distribuída em DVD no ano de 2001.

– A terceira esposa de William Shatner, Nerine Kidd Shatner, se afogou em uma piscina na mesma semana em que o filme foi lançado em DVD.

Muitos críticos atentaram para o elemento curioso que é a observação arguta, contundente e cruel na dicotomia entre homens e mulheres embutida no enredo, o que aproxima o estilo do filme da visão sombria e expressionista de Ingmar Bergman sobre os relacionamentos. O roteiro, escrito pelo diretor Leslie Stevens (criador das séries de TV “A Quinta Dimensão” e “Stoney Burke”), se debruça sobre essas questões: Num vilarejo conhecido como Nomen Tuum, uma lenda afirma que a água contida dentro dos poços é mágica, capaz de curar doenças e ferimentos, e proporcionar a almejada juventude.

Por conta disso, Nomen Tuum é muito visitada por homens maus e ganaciosos, os quais, por sua vez, atraem criaturas demoníacas em forma feminina (chamadas Súcubos, ou no original Succubus) sedentas por atrair esses indivíduos corrompidos e despachar suas almas diretamente para o inferno.

Uma dessas criaturas é Kia (Allyson Ames, de “O Colecionador”) que, farta das almas inescrupulosas de sempre, deseja desafiar-se ao enviar para o inferno a alma de um bom homem. Kia encontra o alvo ideal em Marc (William Shatner), um soldado valoroso e honesto em regresso da guerra que aparece em Nomen Tuum para hospedar-se com a irmã Arndis (Ann Atmar que, na curta carreira de atriz, fez o filme “O Vento Frio de Agosto”) e valer-se das águas milagrosas para curar suas feridas de batalha. Entretanto, ao se aproximar de Marc, Kia se apaixona, o que a conduz à sua perdição. Num pacto com sua irmã e líder, Amael, Kia invoca em Nomen Tuum a presença de um Íncubo (ou, no original, Incubus), um demônio em forma de homem vivido por Milos Milos (de “Os Russos Estão Chegando! Os Russos Estão Chegando!”), que promove uma sucessão de tragédias macabras no lugar. A sequência final, mostrando um confronto entre Kia e o Incubus transformado em um bode preto às portas de uma igreja é antológica.

O diretor Stevens decidiu rodar “Incubus” falado em esperanto (língua artificial desenvolvida para ser uma língua franca, um idioma com o qual todos conseguissem se comunicar sistematicamente, hoje o esperanto é até usado em alguns subúrbios norte-americanos), com o objetivo de fornecer ao filme uma atmosfera particular, surreal e assustadora. Conseguiu: “Incubus” exala uma sensação onírica de pesadelo que faz dele um dos filmes mais estranhos que você poderá assistir.


 Este outro “Incubus” data de 1981 (possivelmente a data de produção enquanto o lançamento foi provavelmente em 1982), tendo com o tempo tido o mesmo destino que todos os demais filmes de terror obscuros dos anos 1980: Virar uma reprise constante em madrugadas da TV –onde, aliás, eu terminei assistindo-o. Por eu ser ainda um adolescente na época, seu clima tétrico me apavorou bastante, no entanto, hoje acredito que suas restrições técnicas e seu orçamento limitado típico de filme B seriam bem mais gritantes aos meus olhos.

Dirigido por John Hough (esteta de terror britânico que realizou, entre outros, “As Filhas de Drácula”, com a gêmeas Collinson), este outro “Incubus” é adaptado do livro escrito por Ray Russel em 1976 (e, ao que tudo indica, completamente ignorante da existência do filme de Leslie Stevens), e roteirizado por Sandor Stern (diretor do cult “Pin-Uma Jornada Através da Loucura”), no entanto, o script sofreu tantas alterações movidas por seu protagonista, o ator (e diretor conceituado) John Cassavettes, que o pseudônimo Jorge Franklin foi quem recebeu o crédito de roteirista.

Nos arredores da cidade de Wisconsin, a população é abalada por um trágico e inexplicado ataque à um casal de namorados nas margens de um lago perto da zona rural: Enquanto o rapaz foi brutalmente assassinado, a garota foi violentamente estuprada. Ao mesmo tempo em que seguem as investigações –capitaneadas pelo médico-legista Sam Cordell (Cassavettes) e pelo xerife local Hank Walden (John Ireland, de “Rio Vermelho”) –acompanhamos a aflição do jovem Tim Galen (Duncan McIntosh) que, a medida que os crimes se sucedem, começa a relacionar seus sonhos, vívidos e horripilantes, com esses acontecimentos. Tim começa a suspeitar que esses crimes, sem sombra de dúvidas, perpetrados por algo de origem sobrenatural, podem estar sendo provocados por seus sonhos.

Para tornar ainda mais pessoal a busca do Dr. Cordell por respostas, Tim começa a namorar sua filha, Jenny (Erin Noble, de “Caindo Na Própria Armadilha” e “Sindicato da Violência”). Completando o núcleo de protagonistas –rodeado por um sem-fim de coadjuvantes palermas, em especial, as sucessivas vítimas da criatura em ataques planejados para inspirarem pavor, mas que soam estranhamente sádicos e fetichistas –está a repórter Laura Kincaid (Kerrie Kane, do drama erótico “Spasms”) que curiosamente lembra, e muito, a falecida esposa do Dr. Cordell.

Concebido na esteira obscuramente comercial do filmes de terror daqueles anos 1980 de então –a influência-mor de “O Exorcista” e toda a sorte de produções com tema satanista, e as produções de slasher daquela década (com o diferencial de que as mortes, aqui, veem acrescidas do elemento um tanto quanto sórdido do estupro) –e ainda buscando, no caráter despojado de sua produção, uma ousadia (para não dizer sensacionalismo) herdada dos filmes de exploitation da década anterior, este “Incubus” reserva algumas surpresas um bocado sinistras no seu desfecho, incluindo ali um final-surpresa muito mais desconcertante pelo seu grau de crueldade e pessimismo do que por seu viés inesperado.

Na sua trama abarrotada de elementos pouco compatíveis –como detalhes da investigação criminal, o mistério em torno do demônio sobrenatural e um inusitado background envolvendo caçadores de bruxas –e nas atuações predominantemente apáticas (mesmo o veterano Cassavettes se mostra pouco inspirado), podemos encontrar muitos dos motivos que levaram este “Incubus” ao esquecimento: Apesar de uma ideia relativamente promissora no seu horror palpitante (podemos apenas imaginar o que mestres como Mario Bava ou Lucio Fulchi teriam feito com o material), é um filme arrastado, editado com desleixo e dirigido com certa burocracia, não obstante um ou outro momento de iluminação do diretor Hough –entre eles, certamente, seu marcante final.

P/S: Em pesquisas internet afora, é possível encontrar pelo menos outros três filmes, também com o nome “Incubus” (!), todos de procedência do cinema poeira com orçamento de fundo de quintal (!!), e pelo menos um –este intitulado “Inkubus” com ‘K’ –estrelado pelo célebre Robert Englund, o cultuado ator de “A Hora do Pesadelo”.

quarta-feira, 25 de dezembro de 2019

Osmosis Jones

Vez ou outra é possível descobrir, no desigual manancial criativo que foram os períodos das décadas de 1980 e 90, uma obra a representar um corpo absolutamente estranho em qualquer filmografia. É o caso deste “Osmosis Jones” lançado já no fim dos anos 1990 que, sem o exuberante aparato técnico de “Uma Cilada Para Roger Rabbit” ou sem o atrevimento artístico de “Cool World-Mundo Proibido”, uniu, em sua proposta e narrativa, filme em live-action e desenho animado valendo-se simplesmente do princípio básico da ideia: Tem-se aqui uma radiografia bem humorada do que se passa dentro do corpo humano em casos de crises (ou seja, doenças) e, toda vez que o filme deixa seus atores de carne e osso para adentrar a impraticável encenação no interior do organismo, ele se torna animação.
“Osmosis Jones”, veja bem, não é, e nem faz a menor questão de ser, algo documental ou didático: As reações do corpo registradas podem até guardar algum embasamento científico (fruto de um afinco minimamente dedicado ao roteiro), mas seus realizadores encobrem isso ostentando uma recriação do corpo humano em tons de aventura policial, com as intrigas políticas, o submundo da criminalidade e os códigos de conduta dos homens da lei –não raro, assumindo por meio disso, vários expedientes da produção cinematográfica do gênero.
São quase dois filmes tão distintos e incompatíveis entre si que os esforços em conectá-los numa mesma premissa acaba gerando uma estranha curiosidade.
O primeiro desses filmes mostra Frank (Bill Murray), um cara de meia-idade completamente relapso com sua higiene e sua alimentação, para desespero da filha pequena, Shane (Elena Franklin) que, mesmo com pouca idade, já compreende as consequências do desleixo do pai –e teme pela saúde dele.
Trabalhando num zoológico, Frank come, por birra, um ovo cozido emporcalhado que acaba por levar um terrível vírus ao seu organismo.

O que dá a deixa para o segundo filme se iniciar: É acionado o sistema imunológico –representado aqui como uma força policial sujeita à corrupções, complicações na hierarquia e disputas de egos entre seus agentes –que, em princípio, julga ser aquele um problema corriqueiro; todos sabem que Frank vive comendo porcaria!
É um desacreditado agente da Imunidade, Osmosis Jones (voz de Chris Rock) quem fareja instintivamente uma ameaça singular naquele caso: O vírus denominado Thrax (voz de Laurence Fishburne) assume as características de um senhor do crime e, em seus tentaculares atos prejudiciais ao organismo, ele vai de um extremo a outro no corpo de Frank –da unha encravada no dedão do pé até as áreas do cérebro onde mora a elite!
 A extensão caústica de seus poderes começa, pouco a pouco, a minar a integridade física de Frank, levando-o a sucumbir.
De um lado assim, temos o filme de comédia, dirigido pelos irmãos Peter e Bobby Farelli que, como em todas as suas obras, por sinal, ostenta um teor inclinado para o grosseiro, humor que o sempre excelente Bill Murray tira de letra na sua implacável interpretação de um indivíduo assolado por todos os males da displicência alimentar.
Do outro, temos a aventura policialesca de Osmosis Jones, cujo relutante parceiro (filmes sobre duplas de policiais sempre têm um) vem a ser um agente designado ao organismo por um cápsula de remédio, o altivo e dedicado Trix (voz de David Hyde Pierce).
Esse filme animado, de amplitude e escopo muito maior, é dirigido pelo especialista em animação Tom Sito concedendo ao seu trabalho um estilo referencial completamente distinto dos Farelli –essa incongruência não afeta o resultado como um todo de “Osmosis Jones”; as transições (uma ou outra até bem inspirada) deixam claro que, na maior parte do tempo, a mesma trama é compartilhada por dois filmes completamente diferentes, e fazem desse aspecto um dos motivos de graça da produção. Além do quê, quando se fazem necessárias emendas mais elaboradas para que a relação entre os núcleos díspares tenha propósito junto à narrativa (sobretudo, em seu clímax), o roteiro de Marc Hyman exibe a devida coerência e perspicácia.
O grande calcanhar de Aquiles de “Osmosis Jones” é, no entanto, a plateia a quem ele se dirige: A animação, o filme a emoldurá-la e a trama que costura ambos não têm vocação para envolver crianças pequenas (salvo a simplicidade lúdica no designer dos personagens); e a união do humor abertamente escrachado com o film noir à bordo das células do organismo não parece ter uma faixa específica do público à qual se destinar.
Eis, portanto, o fator que pode ter levado a um injusto esquecimento este peculiar e intrigante exercício cinematográfico de junção de gêneros.

quarta-feira, 28 de março de 2018

Jornada Nas Estrelas - A Saga

Jornada Nas Estrelas-O Filme
Com o sucesso esmagador do primeiro “Star Wars”, na década de 1970, não tardou para que cada um dos estúdios de Hollywood procurassem por sua própria saga espacial. Possivelmente a única franquia com pedigree nesses termos era “Jornada Nas Estrelas” –ou “Star Trek” –dos estúdios da Paramount, que tratou de abortar os planos da uma nova temporada para a série e expandiu o escopo e a ambição para fazer o primeiro longa-metragem para cinema adaptado da cultuada obra televisiva criada por Gene Rodenberry.
Para dirigi-lo, um suposto especialista no assunto, o veterano Robert Wise, co-diretor (e ganhador do Oscar) de “Amor, Sublime, Amor”, e realizador da clássica ficção “O Dia Em Que A Terra Parou” –certamente o crédito que o gabaritou para este trabalho.
Sua trama, bastante esquemática, sofre as pressões do sistema de produção comercial de então e da tentativa em tatear em cinema uma linguagem que antes pertencia à telinha: A nave interplanetária USS Enterprise, totalmente reformada e de volta à atividade com sua tripulação original comandada pelo almirante Kirk (William Shatner), é atraída em pleno espaço por força maligna que ameaça a Terra.
Faltou, neste primeiro filme, aos produtores a sensatez de entender que Robert Wise, por mais inspirador que tivesse sido em seus filmes anteriores, não pertencia às novas gerações de cineastas capazes de urgir conceitos e narrativas que falassem a essa nova geração de expectadores –às quais George Lucas e sua saga se conectaram com primor.

Jornada Nas Estrelas-A Ira de Khan
Ainda assim, esse novo esforço em verter “Star Trek” para os cinemas interessou o público e sensibilizou a crítica o suficiente para que um segundo filme fosse planejado e, desta vez, aos trancos e barrancos, os produtores estavam dispostos a resgatar, na tela grande, os valores que faziam da marca um fenômeno na TV e, especialmente, conceber a partir daqui, um esqueleto narrativo que não se restringisse a um filme só, sinalizando uma ampla saga estendida por vários outros filmes.
Daí o grande vilão deste segundo filme ser oriundo direto do seriado e um dos prediletos dos fãs: O inimigo jurado da Federação Galáctica, até então exilado num planeta arenoso, Khan, vivido com fulgor canhestro por Ricardo Montalban.
Passado alguns anos de seu exílio, Khan planeja um golpe brutal contra seus inimigos, sobretudo o Almirante James T. Kirk, comandante da nave Enterprise, e seu grande adversário do passado.
É neste segundo filme para cinema que se inicia uma espécie de reformulação capitaneada pelo diretor Nicholas Meyer: A de militarizar muitos dos conceitos até então pacifistas da série televisiva imaginada por Gene Rodenberry, obtendo um resultado bem superior ao filme anterior.

Jornada Nas Estrelas-À Procura de Spock
Embora houvessem declarações esporádicas inclusive do próprio Leonard Nimoy, o honorável intérprete do Dr. Spock, de que cada filme de “Star Trek” deveria ter sido o último, são inegáveis os elementos de “A Ira de Khan” que funcionam como ganchos narrativos que levam diretamente a este terceiro filme: A trágica morte do Senhor Spock. O misterioso procedimento que ele fez, pouco antes de morrer, em McCoy (DeForest Kelley) e a pouco explorada questão do planeta artificial Gênesis.
Assumindo o posto de direção deixado vago por Nicholas Meyer, o ator Leonard Nimoy conduz este trabalho com alguma cautela excessiva, mas com admirável noção de ritmo e de desempenho.
Após a perda de Spock no fim do filme anterior, a tripulação da nave Enterprise parece ligeiramente fora de rumo.
Entretanto, talvez haja uma esperança muito remota e arriscada para, de alguma forma, reaver Spock. Antes de sacrificar-se ele deixou sua consciência e suas memórias na mente do Doutor "Magro" McCoy, que desde então parece ter perdido uns parafusos. Agora, clandestinamente e sem o aval da Federação, Kirk e os outros precisam confiscar uma nave e rumar para o misterioso planeta Gênesis, onde aparentemente se encontram as respostas para o retorno de Spock.

Jornada Nas Estrelas-A Volta Para Casa
Continuando basicamente do ponto de interseção em que “À Procura de Spock” acabou (com a tripulação lidera por Kirk desobedecendo ordens oficiais numa condição de renegados), e retomando a função como diretor –desta vez, visivelmente mais a vontade ao lidar com o material –Leonard Nimoy realizou um entretenimento divertido, ágil e saboroso, dominando prodigiosamente a fórmula dos filmes da série e entregando uma mescla equilibrada de aventura, ação e humor.
É, com méritos, um dos filmes de "Jornada Nas Estrelas" mais festejado pelos fãs.
Sem saber como seus membros serão recebidos, a outrora tripulação da USS Enterprise, liderada pelo ex-almirante Kirk, retorna para a Terra a bordo de uma nave Klingon –pilotada pelos vilões derrotados no filme anterior.
Contudo, a Terra enfrenta complicações: Uma raça alienígena sitiou nosso planeta ameaçando bombardeá-lo caso não recebam uma resposta. O idioma dos alienígenas, porém, lembra a comunicação feita por baleias que a muito já estão extintas.
Sendo assim, cabe a Kirk e sua tripulação voltar no tempo, no presente (que, para todos os efeitos era a década de 1980), para encontrar as tais baleias, e levá-las ao futuro, onde poderão fazer o papel de "diplomatas da Terra".

Jornada Nas Estrelas-A Última Fronteira
O enredo iniciado em “A Ira de Khan” havia sido maravilhosamente aproveitado e ramificado nos últimos três (e ótimos) filmes da saga.
Embora não houvesse material previsto para dar continuidade, o sucesso de bilheteria e o carinho dos fãs levaram o estúdio a logo encaminhar um quinto filme, desta vez, a estréia na direção de William Shatner, o próprio capitão Kirk.
Uma pena que, ao contrário de Leonard Nimoy, Shatner não possuía maiores noções de espetáculo, ou mesmo de plausibilidade e coerência –todos são elementos essenciais que faltam à narrativa deste filme frouxo, equivocado e banal.
A bordo da USS Enterprise, o capitão Kirk e sua tripulação deparam-se com um grupo dissidente de vulcanos (a mesma raça do Senhor Spock) que não só reclamam para si o direito sobre a plenitude das emoções como querem também partir para o que seria o centro do universo, e lá encontrar Deus.
Dono da ingrata tarefa de suceder uma das mais aclamadas produções de toda a saga (porém, ineficaz e falho mesmo destituído desse fator), este novo episódio foi tido como o mais fraco dos filmes da série.

Jornada Nas Estrelas-A Terra Desconhecida
Já no início da década de 1990 –e com seu elenco cada vez mais envelhecido –o diretor de “A Ira de Khan”, Nicholas Meyer, voltou para fazer uma espécie de despedida da saga e dos seus personagens.
Uma cataclisma ameaça seriamente de extinção a raça dos Klingons –um evento histórico para o cânone da saga (cortesia do roteiro escrito pelo próprio Leonard Nimoy) que começava a conectar esta versão com acontecimentos presentes na série “Jornada Nas Estrelas-A Nova Geração”, que fez sucesso na TV nos anos 1980 e 90.
Outrora inimigos da Federação dos Planetas Unidos, a raça de guerreiros rudes agora deve se submeter às regras diplomáticas da Federação Galáctica para sobreviver uma vez que seu planeta fora destruído. Um dos oficiais requisitados para mediar o histórico encontro é o capitão James Kirk, que já tivera muitos atritos com os Klingons no passado, e se encontra a beira da aposentadoria.
No entanto, durante a ocasião, uma sabotagem na Enterprise provoca um mal-estar diplomático cuja culpa recai sobre Kirk e seu médico, o Doutor McCoy. Spock e os outros devem, portanto, salvar Kirk e McCoy, descobrir o sabotador entre a tripulação e ainda deter uma conspiração para minar o acordo de paz entre os Klingons e a Federação.
Certamente uma despedida digna e com uma cena final emocionante, contudo, apesar da sugestão a frente e atrás das câmeras de que este seria o último filme, não foi bem assim...

Jornada Nas Estrelas-Gerações
Como forma de fazer uma espécie de transição –e nada mais que isso –entre a velha geração (leia-se, Kirk e sua turma) e a nova (o Capitão Jean Luc Piccard e novos personagens que protagonizavam a nova e bem-sucedida série televisiva) foi lançado em 1994, sem maiores alardes este filme transitório dirigido pelo inexpressivo David Carson.
Isso porque, da tripulação original da Enterprise, sobrou pouco mais que o Capitão Kirk –Nimoy, como Spock, e DeForest Kelley, o McCoy, não voltaram por questões de contrato sobrando apenas os intérpretes de Scotty (James Doohan) e Chekov (Walter Koenig) –o que torna este encontro entre personagens distintos como Kirk e Piccard (separados por cerca de 100 anos, o que exige do roteiro uma explicação meio furada de viagem no tempo) um exercício de expectativa desperdiçada.
Em perseguição ao vilão Soran (Malcolm McDowell que, depois de “Laranja Mecânica” e “Calígula” só se encaixa à perfeição nesse tipo de papel), o capitão Piccard e sua tripulação chegam até o misterioso lugar denominado Nexus, uma região feita de energia onde o espaço e o tempo não estão completamente definidos –recurso narrativo que permite assim o encontro entre os dois núcleos tão cronologicamente longínquos de protagonistas.
É lógico, portanto, que a mesma região Nexus irá atrair Kirk e, em determinado ponto, ele e Piccard irão unir forças para enfrentar o vilão.
Mais: A tocha, digamos, de heroísmo da série enquanto cinema será assim passado oficialmente de um para outro. E sobram assim pouquíssimas coisas, neste filmes dos mais irregulares, que de fato peguem de surpresa o expectador: Os lances pretensamente mais importantes de seu roteiro –como a morte de Kirk –são também os mais óbvios.

Jornada Nas Estrelas-Primeiro Contato
Após o pra lá de mediano filme anterior, a equipe da nova geração, devidamente introduzida ganhou um filme para chamar de seu.
E o diretor Jonathan Frakes, um dos membros do elenco, não economizou esforços para fazer deste um trabalho de insuspeita qualidade, recorrendo inclusive ao mesmo artifício que garantiu à série de TV, da qual todos eram oriundos, uma sobrevida que o alavancou para além das comparações com a série original: Os temíveis e vilanescos Borgs, cuja peculiar característica é a da converter todos os organismos vivos em entidades similares a eles mesmos.
Responsáveis por rechaçar um ataque menor desses tenebrosos alienígenas à Terra, o capitão Jean Luc Piccard (Patrick Stewart, o Prof. Xavier de “X-Men”) e sua tripulação à bordo da nave Enterprise, vêem-se na condição de serem os únicos capazes de deter um plano muito maior de dominação da Terra: Os Borgs planejam voltar no tempo, no dia do histórico primeiro contato da raça humana com outras inteligências extra-terrestres, o que incluirá a Terra na Federação Galáctica dos Planetas Unidos, e impedir que isso aconteça, deixando a Terra muito mais suscetível a uma invasão alienígena.
Piccard conduz assim a Enterprise ao passado, a fim de frustrar os planos inimigos, bem como também acertar uma antiga richa que tem com os Borgs.
Embora passe longe do brilhantismo visto, sobretudo, em “A Ira de Khan” e “A Volta Para Casa”, este primeiro longa-metragem inteiramente pertencente à Nova Geração de "Star Trek", foi muito bem sucedido e realizado, viabilizando novos filmes protagonizados por Piccard e sua tripulação.

Jornada Nas Estrelas-Insurreição
O diretor Jonathan Frakes (e que, numa curiosa tradição de “Star Trek” vinha a ser intérprete também de um dos personagens, o oficial William T. Riker) retornar para dirigir este novo filme disposto a mudar uma outra e curiosa ‘tradição’ da série: A de que os filmes de número ímpar (este é o nono) seriam sempre ruins e os de número par são sempre bons.
E este novo filme já traz um enredo que faz referência direta a uma das principais diretrizes da Federação Galáctica, desde os tempos da antiga tripulação: A de que nenhuma tripulação de uma nave da Frota Estelar deve interferir nos rumos de uma cultura ou civilização.
É, portanto, um tremendo impasse com o qual o Capitão Piccard se defronta: Cumprir suas ordens e ignorar a ameaça aos habitantes do planeta Ba’ Ku? Ou seguir sua consciência e ajudá-los, rompendo com a própria Federação Galáctica no processo?

Jornada Nas Estrelas-Nêmesis
Neste que é o décimo longa-metragem de "Jornada Nas Estrelas", a produção lança mão de alguns elementos para se adaptar às novas fórmulas do cinema comercial, como a escalação do diretor de ação Stuart Baird (realizador de “Momento Crítico” e montador de obras como “007-Cassino Royale” e “Máquina Mortífera”), do dramaturgo John Logan como roteirista e (a mais equivocada de todas) uma campanha de marketing na qual “Nêmesis” era vendido ao público sem detalhes mais informativos de que fazia parte de “Star Trek”.
A indiferença generalizada do público nas bilheterias terminou fazendo deste o último filme desse segmento de “Star Trek”.
Em meio às festividades do casamento de William Riker e Deanna Troi (Marina Sirtis), um casal de membros da tripulação da USS Enterprise, o capitão Jean-Luc Piccard recebe uma grande notícia: seu nome foi apontado para servir de porta-voz da Federação durante o aguardado e importantíssimo acordo de paz dos Romulanos.
Os eventos, porém, como rege a cartilha do cinema comercial, não serão tão simples e nem tão tranqüilos. De tocaia nas proximidades do Império Romulano estão inimigos que têm engendrados planos para ameaçar esse acordo. Mais que isso eles têm um às na manga: Um jovem que na realidade é o próprio Piccard clonado! –repare num ainda muito jovem Tom Hardy no papel de clone.
Encerrando de forma um pouco desapercebida e não muito digna essa fase de “Star Trek” nos cinemas, “Nêmesis” foi o último filme realizado tendo por esteio todos os anteriores –partindo do princípio que eles todos se conectavam.
Só em 2009 (portanto, sete anos depois deste filme), “Star Trek” seria reiniciada com todas as letras ganhando uma nova e turbinada versão pelo diretor J.J. Abrahams, enfim atrevendo-se a trazer um novo elenco (e, por que não, uma nova abordagem) para tão icônicos personagens.