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sábado, 18 de março de 2023

Babilônia


 Assim como em “La La Land-Cantando Estações”, o cinema vem a ser também fonte e inspiração deste trabalho de Damien Chazelle. Diferente daquele premiado filme, contudo, aqui Chazelle não retrata Hollywood e seus bastidores com fascínio e romantismo, mas sim com uma imprevista ênfase na sordidez que espreita nas sombras, nos excessos que levam rumo à derrocada. Para tanto, Chazelle e seu amplo, épico e ambicioso roteiro regressam até a década de 1920, o auge do cinema mudo, onde as câmeras arrojadas, requintadas e sofisticadas do diretor –habilidosas no manejo de cenas coletivas e em formidáveis planos sequências –capturam a trajetória intercalada de três protagonistas: Manny Torres (Diego Calva), um imigrante mexicano tentando a vida e a sorte em Los Angeles; Nelly LaRoy (Margot Robbie, estupenda) uma jovem e indomável estrela em ascensão; e Jack Conrad (Brad Pitt), um dos maiores galãs do período, colecionador de sucessos –e de relacionamentos mal-fadados.

Chazelle justapõe a jornada de ascensão e queda dos três personagens às grandes transições experimentadas pelo cinema, sobretudo, a chegada do som.

É na arrebatadora e exuberante cena que abre o filme –uma festa (ou seria orgia?) regada a sexo e drogas filmada com primor mesmerizante –onde o humilde faz-tudo Manny conhece a divertida, porém, instável Nelly LaRoy. A capacidade dela chamar espontaneamente para si todas as atenções da festa (e o coração apaixonado do pobre Manny) já deixa algo bem claro: É questão de tempo até que Nelly se torne uma estrela.

No mesmo local, encontramos o já veterano Jack Conrad às voltas com seu vícios, em geral, mulheres e bebida; e é sob o efeito de um porre que Manny o leva à sua mansão na manhã seguinte para então receber uma proposta do próprio Jack: Trabalhar no cinema, em meio ao caos das filmagens em locação da forma espartana com que eram feitas no cinema mudo. Com o tempo, o cinema em geral e Hollywood em particular embriaga cada um deles com seus sonhos –Manny galga os degraus  da indústria culminando num cargo respeitável de produtor executivo; Nelly, na descoberta de uma prodigiosa desenvoltura cênica (ela dança, sorri e chora com mais facilidade que qualquer outra atriz) logo ganha os holofotes e o tão aguardado estrelato; e Jack (personagem que reúne ecos de Eroll Flynn e Douglas Fairbanks) segue o hedonismo previsto em sua carreira praticamente trocando de esposa a cada nova produção –sendo uma delas a atriz teatral da Broadway interpretada por Katherine Waterson (de “Vício Inerente”). Paralelo aos três protagonistas, flagramos outros personagens, como o trombetista negro Sydney Palmer (Jova Adepo) que, embora experimente os altos e baixos da indústria graças ao seu talento com a música, nunca deixa de sentir as agruras acarretadas pela cor da sua pele; ou a cantora chinesa Lady May (Li Jun Li), também ela um dos muitos artistas a tentar sobreviver às esmagadoras engrenagens do sistema de então.

Ao percurso pessoal e profissional vivenciado por cada um deles, Damien Chazelle confronta com a inevitável transformação na forma de ver e fazer cinema quando a tecnologia do som foi inventada, mudando tudo. Com timbre ligeiramente estridente, e sem paciência para a complexa logística que os filmes sonoros exigiam dos atores (que agora tinham de decorar textos e declamá-los no tom de voz correto), Nelly encontra dificuldades para se adaptar e seus arroubos, somados ao temperamento festeiro lhe deixam em maus lençóis em Hollywood, a despeito dos esforços do apaixonado Manny para manter seu nome na ribalta, enquanto que Jack, já na fase outonal de sua carreira como galã, tem de aguentar as inesperadas chacotas com seu sotaque engraçado, e a chegada de novos e mais jovens pretendentes a astro vindo para substituí-lo. A realização de Chazelle, ao albergar as nuances dramáticas desse momento de transição do cinema se assemelha muito à “O Artista” e principalmente “Cantando Na Chuva” –que, embora seja uma produção dos anos 1950, é sabido que reaproveitou sua famosa música-título de algumas produções obscuras dos estúdios dos anos 1920, o que permite à Chazelle, numa cena, reutilizá-la.

Com um humor negro algo pesado, o tempo todo oscilando para uma dramaticidade contundente, Chazelle conduz Manny, Nelly e Jack às consequências corrosivas dos excessos que experimentaram. Esse ambicioso arco narrativo teria um impacto maior se o roteiro fosse mais criterioso, ao invés de dispersar-se em três longas horas de duração que só não resultam completamente enfadonhas graças à habilidade comprovada do diretor e ao empenho brilhante de seu elenco que ainda conta com uma ponta inesperada (e assustadora) de Tobey Maguire.

Dizer que “Babilônia” é a grande homenagem ao cinema perpetrada por Damien Chazelle é uma afirmação aberta à discordância: Ele já havia feito tal homenagem (com mais encanto e precisão) em “La La Land”. Aqui, Chazelle parece reconhecer as arestas que preferiu ignorar naquela obra, apontando suas lentes para as facetas mais degradantes e sujas de um período no qual muitos preferem enxergar uma idealizada nostalgia –à sua maneira, seu trabalho acaba lembrando o que Ken Russel fez em “Valentino-O Ídolo, O Homem”.

Apesar disso, ao fim (no qual seu filme demora MUITO a chegar) Chazelle relembra o deslumbre sem par que o cinema pode nos proporcionar, retomando a encantadora recordação da obra maior que é “Cantando Na Chuva”.

Ele lembra, com seu filme tecnicamente perfeito e narrativamente exasperante, que o cinema sempre haverá de preservar a memória de quem foi, de quem é e de quem será, não obstante as vidas de desfechos irrefreáveis que todos temos. A luz refletida na grande tela em forma de arte é um achado humano que conecta cada uma de nossas histórias, tornando-as uma só.

domingo, 20 de novembro de 2022

Algumas Previsões Para o Oscar 2023


 Tudo Em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo

Louvado por muitos como o melhor filme de 2022, o trabalho dos diretores Daniel Kwan e Daniel Scheinert é uma obra surpreendente que ousa, inclusive, ao tratar do tema de multiverso no mesmo ano em que a toda-poderosa Marvel Studios discorreu sobre o mesmo assunto no blockbuster “Doutor Estranho No Multiverso da Loucura”.

Todavia, o filme de Kwan e Scheinert vai além: Ele aborda reflexões existenciais numa roupagem que combina drama, humor e ação numa mesma proporção sem acomodar-se em genêro nenhum.

Um choque de ineditismo que lembra o feito das Irmãs Wachowsky em 2000 com o cult-movieMatrix”. Naquela época, entretanto, a Academia de Artes Cinematográficas não estava pronta para tamanha inovação (e ainda assim, “Matrix” saiu-se com quatro prêmios técnicos), e agora, estariam os votantes prontos para finalmente premiar a grande surpresa do ano?


Elvis

A música não deixa Baz Luhrman; Baz Luhrman não deixa a música. Após duas décadas de seu aclamado “Moulin Rouge”, o diretor australiano retorna –de certa maneira –ao gênero que lhe foi tão caro, desta vez, contando uma história que a tempos o cinema andava devendo: Uma biografia digna e emocionante de ninguém mais, ninguém menos, do que Elvis Presley, o Rei do Rock.

De quebra, “Elvis” ainda revela o talento hiperlativo do jovem Austin Butler que entrega um trabalho primoroso  ao cantar, dançar e atuar como Elvis, tirando de letra um desempenho que representaria um desafio para qualquer um.


The Fabelmans

Naquele que parece ser sua obra mais pessoal, o gigante Steven Spielberg volta suas lentes para uma trama auto-biográfica que gira em torno de sua própria família.

Realizado num esquema independente –tática que Spielberg, habituado à superproduções, não adotava havia décadas –“The Fabelmans” estreou no Festival de Toronto, berço de algumas das mais aclamadas obras independentes da temporada, e vem conquistando larga aprovação da crítica, além de uma quase garantida oportunidade no Oscar, caminho que, é bem verdade, quase todas as realizações de Spielberg acabam trilhando.

Os mais entusiasmados dão como certa a indicação de Melhor Atriz para Michelle Williams.


Babylon

Todos os três trabalhos anteriores do diretor Damien Chazelle –“Whiplash-Em Busca da Perfeição”, “La La Land-CantandoEstações” e “O Primeiro Homem” –tiveram belas campanhas no Oscar. Sua quarta realização promete manter essa constante; também pudera: Com um elenco estelar –que inclui Margot Robbie, Brad Pitt e Tobey Maguire –“Babylon” aborda o deslumbramento e os escândalos que cercaram os astros da fase áurea do cinema na década de 1920.


The Whale

O diretor Daren Aronofsky adora pegar grandes intérpretes e arremessá-los para fora de suas zonas de conforto: Foi assim com Mickey Rourke em “O Lutador”, com Natalie Portman em “Cisne Negro” e com Jennifer Lawrence em “Mãe!”.

Não obstante a eventual incompreensão de parte da crítica, ele obtém certa aclamação com isso, e as coisas parecem seguir um rumo bastante parecido com o novo “The Whale”.

Trazendo de volta à ribalta o desaparecido Brendan Fraser –que, muitos garantem, estar entregando a atuação de sua vida! –Aronofsky criou um drama sobre o processo árduo de rejeição, recuperação e aceitação centrado num personagem obeso, homossexual e depressivo, tendo recebidos aplausos de pé em sua estréia no Festival de Veneza.


Top Gun-Maverick

Uma grata surpresa para muitos e uma produção saudada como a grande prova de que financeiramente o cinema havia enfim superado o hiato de público ocasionado pela pandemia, a continuação do cultuado clássico oitentista “Top Gun” ostentou tamanha qualidade técnica e artistica quando aportou nas salas de cinemas que logo foram cogitadas as possibilidades dele concorrer ao Oscar.

As chances maiores repousam nas categorias técnicas é claro –as sequências de combate aéreo são particularmente um show de fotografia, montagem e efeitos visuais –embora existam aqueles que apostem numa colher de chá nas categorias mais artísticas –o roteiro segue uma fórmula razoável para a continuação que se propõe, mas é assinado por Christopher McGuarie, que ganhou o Oscar de Roteiro Original por “Os Suspeitos” –além da forte possibilidade de repetir, tal e qual o anterior em 1987, a vitória na categoria de Melhor Canção Original –desta vez com “Hold My Hand”, composta e interpretada por Lady Gaga.


The Batman

Outro que certamente marcará presença nas categorias técnicas –minha aposta vai especialmente para Melhor Maquiagem e Cabelo graças à assombrosa transformação de Colin Farrell no mafioso Pinguim –o filme dirigido por Matt Reeves revelou-se de tal forma surpreendente (afinal, alguns ainda tinham lá suas ressalvas com o fato do ótimo Robert Pattinson interpretar Bruce Wayne/Batman) que não apenas foi recebido como o melhor filme do Batman realizado até hoje (superando até as aplaudidas produções de Christopher Nolan) e Pattinson agraciado como o melhor dentre todos os intérpretes do herói, como seus fãs praticamente exigem um mínino de reconhecimento no Oscar.


Até Os Ossos

A última vez em que o diretor Luca Guadagnino e o jovem astro Timothée Chalamet se juntaram foi no elogiadíssimo romance homossexual “Me Chame Pelo Seu Nome”.

Agora, eles adicionam à mistura novos nomes consagrados, como Mark Rylance e Chloe Sevigny, e uma inusitada pitada de canibalismo e o resultado é o desconcertante “Até Os Ossos” que promete seguir um caminho de aclamação muito parecido.


Glass Onion-Um Mistério de Entre Facas e Segredos

Quando foi anunciada a sequência da pérola de suspense “Entre Facas e Segredos”, a Netflix não perdeu tempo: Tratou de pagar um valor estratosférico para o astro Daniel Graig voltar ao personagem do detetive Benoit Blanc, negociou a exclusividade da produção com o diretor Rian Johnson (de “Star Wars-Os Últimos Jedi”) e certificou-se de trazer um elenco tão arrojado, numeroso e célebre quanto o notável filme anterior (entre outros estão Kate Hudson, Ethan Hawke, Edward Norton, Dave Bautista e Kathryn Hahn).

Assim que foi lançado na plataforma, “Glass Onion” arrebatou público e crítica revelando-se espantosamente superior ao filme original, qualidades que, garantem os apreciadores, não haverão de passar despercebidas aos membros da Academia.


Avatar-O Caminho da Água

Por fim, é impossível não mencionar um dos mais aguardados filmes do ano –senão O mais aguardado: Lá se vão treze anos desde que o diretor James Cameron tomou o mundo de assalto com a revolucionária tecnologia 3D e com a criação assombrosa do planeta Pandora em “Avatar”.

O tempo decorrido só fez aumentar a expectativa dos fãs em torno da continuação (que é prometida como a primeira de outras três!) e fomentou a promessa de que o efeito 3D, desta vez, seria ainda mais arrebatador aos sentidos do público.

“Avatar-O Caminho da Água” ainda não estreou (teve, quando muito, alguns trailers exibidos nos cinemas), mas os expectadores não têm dúvidas de que ocupará um lugar de destaque na próxima cerimônia do Oscar (e em outros prêmios também), até porque, entre outros talentos, Cameron é brilhante na construção de continuações: O seu “Exterminador do Futuro 2” é, e provavelmente sempre será, imbatível do quesito de continuação tão válida e pertinente quanto o original; e ele também assinou “Aliens-O Resgate”, a única sequência verdadeiramente dotada de tanto brilho e originalidade quanto o primeiro “Alien”.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

O Primeiro Homem

Por mais que, enquanto obra de cinema, “O Primeiro Homem” preste um devido tributo a tudo que veio antes dele na particular categoria em que se insere (a dos épicos históricos sobre viagem espacial como “Os Eleitos” e “Apollo 13”) o diretor Damien Chazelle é hábil e competente o bastante para levar o seu próprio diferencial: Ele enfatiza a visão subjetiva (e de certa forma intimista) de seu biografado, Neil Armstrong (Ryan Goslyng, sempre impecável) sobre os acontecimentos.
Essa opção pelo intimismo pode até soar inusitada numa obra do mesmo diretor que explorou os rompantes de fúria e música em “Whiplash” e extravasou a adoração pelos musicais da Era de Ouro em “La La Land-Cantando Estações”, mas “O Primeiro Homem” se ombreia neles por sua captura sensorial das impressões do protagonista acerca dos grandes eventos em que esteve: Este é um filme sobre Neil Armstrong e não sobre a primeira viagem a lua.
Em meados dos anos 1960, Armstrong era um dos muitos pilotos destemidos da Força Aérea que desafiavam as limitações técnicas de seu tempo em vôos cada vez mais audazes.
Na vida pessoal, embora casado com a amorosa e firme Janet (Claire Foy, maravilhosa), Neil vivia um drama: Sua filhinha mais nova desenvolveu um tumor que os médicos não foram capazes de curar.
A perda dela definiu a personalidade retraída e introspectiva de Neil Armstrong por toda a vida.
Mergulhando de cabeça no trabalho como forma de contornar a dor, Armstrong foi um dos voluntários para o Programa Gemini que (seguido do Programa Apollo) visava alcançar inovações tecnológicas antes dos russos a fim de obter a supremacia da Corrida Espacial e chegar primeiro ao tão almejado solo lunar.
Indo morar em Houston, nas dependências da NASA, Armstrong se torna amigo de Ed Wihte (Jason Clarke) e Elliot See (Patrick Fugit, de “Quase Famosos”), ao lado dos quais participa dos rigorosos testes impostos aos pretendentes a astronautas.
A medida que a narrativa avança, a opção ao drama fica cada vez mais nítida no trabalho de Damien Chazelle –isso se percebe no fato de que as conquistas de Armstrong no campo profissional da astronomia são pontuadas pelas perdas pessoais (como o teste de vôo em que Elliot perde a vida), e no risco onipresente de morte em cada uma das tentativas de ir além; de uma postura quase tão impassível quanto seu protagonista, o filme de Chazelle observa com igual riqueza de detalhes tanto seus sucessos quanto seus fracassos –e que resultam assombrosos também, inclusive, por sua maior ausência nos livros de História.
A meia hora final, dedicada ao pouso na lua, é construída com um zelo técnico impecável e um rigor dramático bastante sólido, embora deva frustrar expectadores que fossem esperar do filme algo mais festivo e enaltecedor –é um momento, sim, em que Neil Armstrong, no silêncio de seu luto eterno, atinge uma conquista sem precedentes na História da Humanidade, e encontra, nesse auge existencial, um tênue conforto para o sacrifício incomensurável que a vida cobrou dele.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Os Vencedores do Oscar 2017

Enquanto esperávamos pela entrega de prêmios, mal podíamos imaginar que seria uma noite repleta de surpresas não tão boas assim (“Esquadrão Suicida” levando o Oscar de Melhor Maquiagem, derrotando o infinitamente superior “Star Trek-Sem Fronteiras”?!), de muitas declaração dúbias de posicionamento político (as insistentes piadinhas de Jimmy Kimmell com o presidente norte-americano, Donald Trump, e a vitória, bastante emblemática do iraniano “O Apartamento” como Melhor Filme Estrangeiro) e de, pelo menos, uma grande justiça finalmente sendo feita: A premiação como Melhor Coadjuvante para a extraordinária Viola Davis.
Quem experimentou uma noite complicada foi a equipe de “La La Land-Cantando Estações” que, apesar de sagrar-se como o grande vencedor da noite, acumulando seis prêmios (incluindo Melhor Diretor para Damien Chazelle), viu muitas das suas quatorze indicações se distribuírem entre os outros candidatos –ainda que os prêmios técnicos para “Até O Último Homem” e o de Melhor Edição de Som para “A Chegada” sejam completamente válidos –além de protagonizar o bizarro momento pelo qual o Oscar 2017 será lembrado: Os veteranos atores Warren Beatty e Faye Dunaway (o casal do clássico “Bonnie & Clyde”) pisaram no palco para anunciar a categoria mais importante. Diante de uma visível confusão da parte de Beatty, “L aLa Land” é anunciado. Porém, após passados três minutos em que os produtores do musical faziam o seu agradecimento, eis que o produtor do evento e o apresentador Jimmy Kimmell, com certo constrangimento, revelam que houve um erro, e que o vencedor era, na realidade, “Moonlight-Sob A Luz do Luar” (!).
Ao que parece, Warren Beatty tinha recebido o envelope errado (contendo, na verdade, o nome do filme vitorioso na categoria de Melhor Atriz, que foi pra Emma Stone, de “La La Land”, entregue pouco antes) e isso levou à maior e mais inacreditável gafe já registrada na História do Oscar.
Vai ficar na memória como algo ainda mais absurdo do que a entrega errônea do prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante feita por Jack Palance na cerimônia de 1992.
Ao menos, a vencedora da categoria de Melhor Atriz, Emma Stone, estava absurdamente linda, a única capaz de rivalizar com ela em esplendor era mesmo a fantástica Amy Adams; este ano, o Globo de Ouro teve mais mulheres lindas do que o Oscar. Fazer o quê...


MELHOR FILME
"Moonlight-Sob A Luz do Luar"

MELHOR DIREÇÃO
"La La Land-Cantando Estações", Damien Chazelle

MELHOR ATRIZ
Emma Stone, "La La Land-Cantando Estações"

MELHOR ATOR
Casey Affleck, "Manchester À Beira-Mar"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis, "Um Limite Entre Nós"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali, "Moonlight-Sob A Luz do Luar"

MELHOR FOTOGRAFIA
"La La Land-Cantando Estações"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM
"O.J.-Made In America", Ezra Edelman

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
"The White Helmets"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"O Apartamento" (Irã)

MELHOR MIXAGEM DE SOM
"Até O Último Homem"

MELHORES EFEITOS VISUAIS
"Mogli-O Menino Lobo"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
"Esquadrão Suicida"

MELHOR FIGURINO
"Animais Fantásticos e Onde Habitam"

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
"A Chegada"

MELHOR DESIGNER DE PRODUÇÃO
"La La Land-Cantando Estações"

MELHOR TRILHA SONORA
“La La Land-Cantando Estações"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"City of stars", de "La La Land-Cantando Estações"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Manchester À Beira-Mar"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Moonlight-Sob A Luz do Luar"

MELHOR LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"Zootopia"

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"Piper"

MELHOR EDIÇÃO
"Até O Último Homem "

MELHOR CURTA-METRAGEM

"Sing”

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Os Indicados Ao Oscar 2017

Hoje, quinta feira, 24 de Janeiro, conhecemos os filmes que disputarão o grande prêmio do cinema no próximo dia 26 de Fevereiro, numa exibição bonita que abriu mão da tradicional apresentação ao vivo.
Eis os indicados:

MELHOR FILME
"A Chegada"
"Um Limite Entre Nós"
"Até O Último Homem"
"A Qualquer Custo"
"Estrelas Além do Tempo"
"La La Land-Cantando Estações"
"Lion-Uma Jornada Para Casa"
"Manchester À Beira-Mar"
"Moonlight-Sob A Luz do Luar"

E "La La Land-Cantando Estações" chega pronto para fazer história com um número recorde de indicações (foram 14, somente dois filmes antes dele atingiram esta marca, sendo eles “A Malvada” e “Titanic”), podendo sair da cerimônia de entrega com um feito raro no cinema. Seus maiores concorrentes acabam sendo os elogiadíssimos “Moonlight” e “Manchester À Beira-Mar”.
Até lá, dá para lamentar um pouco a nem tão surpreendente ausência de “Deadpool” –mas, talvez, fosse pedir demais do Oscar mesmo... –e comemorar com a merecida lembrança de “A Chegada”.

DIREÇÃO
"A Chegada", Denis Villeneuve
"Até O Último Homem", Mel Gibson
"La La Land-Cantando Estações", Damien Chazelle
"Manchester À Beira-Mar", Kenneth Lonergan
"Moonlight-Sob a Luz do Luar", Barry Jenkins

Já era hora mesmo de Denis Villeneuve receber uma indicação de Melhor Diretor (que poderia ter vindo por qualquer um de seus últimos trabalhos), mas ela chega num momento em que dificilmente o prêmio escapará das mãos hábeis do jovem Damien Chazelle.
De resto é um bocado interessante ver a Academia render-se à primorosa execução de filme de guerra realizada por Mel Gibson em “Até O Último Homem”, cujas indicações soam como um reconhecimento (e uma redenção) proporcionados pela Academia. Também pudera: Comparados às denúncias de estupro de Nate Parker –outrora um potencial candidato ao Oscar por seu elogiado porém esquecido “O Nascimento de Uma Nação” –os escândalos de Mel parecem brincadeira de criança.

ATRIZ
Isabelle Huppert, "Elle"
Ruth Negga, "Loving"
Natalie Portman, Jackie
Emma Stone, "La La Land-Cantando Estações"
Meryl Streep, "Florence-Quem É Essa Mulher?"

A indicação de Meryl Streep se deve em grande parte pela repercussão de seus discurso anti-Trump no Globo de Ouro. Rezamos para que isso não interfira na premiação propriamente dita, uma vez que seu trabalho é bastante fraco se comparado à suas magníficas concorrentes, sobretudo o trabalho ímpar entregue por Isabelle Huppert, em “Elle”.
Dito isso, a maior concorrente de Huppert é mesmo a apaixonante Emma Stone que pelo ovacionado “La La Land” vem ganhando diversos prêmios. Também premiada, mas perdendo considerável força com o avanço da temporada de premiações está Natalie Portman e sua atuação em “Jackie”.
Correndo por fora, o belo trabalho de Ruth Negga em “Loving” vem representar a única lembrança da Academia ao filme.

ATOR
Casey Affleck, "Manchester À Beira-Mar"
Andrew Garfield, "Até O Último Homem"
Ryan Gosling, "La La Land-Cantando Estações"
Viggo Mortensen, "Capitão Fantástico"
Denzel Washington, "Um Limite Entre Nós"

Dificilmente o prêmio escapará das mãos do mais cotado: O talentoso Casey Affleck, que já vem sendo amplamente reconhecido na temporada de prêmios. Mas as lembranças nesta categoria a tornam uma vitrine do que de melhor, em termos interpretativos, o ano de 2016 entregou: Denzel Washington, primoroso como sempre em "Um Limite Entre Nós”; o jovem Andrew Garfield superando a mal-fadada experiência como Homem-Aranha; Viggo Mortensen provando sua excelência num personagem brilhante; e Ryan Gosling, sempre ótimo, no filme-sensação da temporada.

ATRIZ COADJUVANTE
Viola Davis, "Um Limite Entre Nós"
Naomie Harris, "Moonlight-Sob a Luz do Luar"
Nicole Kidman, "Lion-Uma Jornada Para Casa"
Octavia Spencer, "Estrelas Além do Tempo"
Michelle Williams, "Manchester À Beira-Mar"

Este certamente será o ano de Viola Davis: Ao menos nesta categoria poucas (ou quase nenhuma) concorrentes têm chance contra ela.
Isso se a maré de favoritismo até lá não mudar a favor do grande trabalho de Naomi Harris em “Moonlight” (um filme que ainda pode surpreender), ou de Nicole Kidman no ainda pouco visto “Lion”.

ATOR COADJUVANTE
Mahershala Ali, "Moonlight-Sob A Luz do Luar"
Jeff Bridges, "A Qualquer Custo"
Lucas Hedges, "Manchester À Beira-Mar"
Dev Patel, "Lion-Uma Jornada Para Casa"
Michael Shannon, "Animais Noturnos"

Teimando em contrariar o Globo de Ouro, a Academia ignorou o premiado Aaron Taylor Johnson, indicando seu colega de elenco, Michael Shannon, na única menção ao elogiado filme de Tom Ford.
As chances parecem concentradas em Mahershala Ali, que tem no veterano Jeff Bridges aparentemente seu único concorrente mais forte. Mas ainda pode ser que Dev Patel, ou mesmo Lucas Hedges venham a surpreender –o olhar do SAG Awards ainda repousa sobre todos eles.

FOTOGRAFIA
"A chegada"
"La La Land-Cantando Estações"
"Lion-Uma Jornada Para Casa"
"Moonlight-Sob A Luz do Luar"
"Silêncio"

LONGA DOCUMENTÁRIO
"Fogo No Mar", Gianfranco Rosi
"I Am Not Your Negro", Raoul Peck
"Life, Animated", Roger Ross Williams
"O.J.-Made In America", Ezra Edelman
"A 13ª Emenda", de Ava DuVernay

CURTA DOCUMENTÁRIO
"Extremis"
"4.1 Miles"
"Joe's Violin"
"Watani-My Homeland"
"The White Helmets"

FILME ESTRANGEIRO
"Terra de Minas" (Dinamarca)
"Um Homem Chamado Ove" (Suécia)
"O Apartamento" (Irã)
"Tanna" (Austrália)
"Toni Erdmann" (Alemanha)

A França perdeu a chance de estar nesta categoria (talvez, como favorito!) ao deixar de indicar o brilhante “Elle” como representante do país. Ficou de fora, e os cinco indicados terminaram com títulos pouco significativos, não havendo nenhum favorito.
Dito isso, há alguma chance de “Um Homem Chamado Ove” prevalecer.

MIXAGEM DE SOM
"A Chegada"
"Até O Último Homem"
"La La Land-Cantando Estações"
"Rogue One-Uma História Star Wars"
"13 horas-Os Soldados Secretos de Benghazi"

EFEITOS VISUAIS
"Horizonte Profundo-Desastre No Golfo"
"Doutor Estranho"
"Mogli-O Menino Lobo"
"Kubo e As Cordas Mágicas"
"Rogue One-Uma História Star Wars"

Páreo duro. Pelo menos três dos melhores blockbusters do ano disputam ferrenhamente esta categoria, na qual ambos não apenas amparam suas narrativas, como também oferecem novas possibilidades para o emprego dos efeitos visuais.
São eles, a exuberância técnica e fascinante de “Mogli-O Menino Lobo” que recria todo um mundo ao redor do pequeno protagonista Neel Sethi; o aprimoramento e o aperfeiçoamento, um patamar além, do que “A Origem” já fez (e também do que o Universo Marvel vinha fazendo no cinema) de “Doutor Estranho”; e a recriação sem precedentes de mundos, criaturas e personagens (e seus intérpretes) realizada em “Rogue One”.
Se fosse para escolher, eu ficaria com “Rogue One”!

MAQUIAGEM
"Um Homem Chamado Ove"
"Star Trek:-Sem Fronteiras"
"Esquadrão Suicida"

O melhor trabalho de maquiagem é “Star Trek-Sem Fronteiras”. Ponto.
Resta, contudo, conferir se este não é um gesto político da Academia lembrando um filme achincalhado pela crítica de um grande estúdio (no caso, “Esquadrão Suicida”, da Warner), mas que teve grande recepção de público –o elemento, afinal, que mantém a indústria.

FIGURINO
"Aliados"
"Animais Fantásticos e Onde Habitam"
"Florence-Quem É Essa Mulher?"
"Jackie"
"La La Land-Cantando Estações"

EDIÇÃO DE SOM
"A Chegada"
"Horizonte Profundo-Desastre No Golfo"
"Até O Último Homem"
"La La Land-Cantando Estações"
"Sully-O Heroi do Rio Hudson"

DIREÇÃO DE ARTE
"A Chegada"
"Animais Fantásticos e Onde Habitam"
"Ave, César"
"La La Land-Cantando Estações"
"Passageiros"

TRILHA SONORA
"Jackie"
“La La Land-Cantando Estações"
"Lion-Uma Jornada Para Casa"
"Moonlight-Sob A Luz do Luar"
"Passageiros"

A Academia aproveitou as categorias técnicas para lembrar de alguns filmes que ficaram de fora dos prêmios principais. Como o sucesso “Animais Fantásticos...”, e os esquecidos “Ave, César”, dos Irmãos Coen, e “Sully”, colaboração de Clint Eastwood e Tom Hanks.
Quem levou a melhor foi o irregular “Passageiros” cuja data de lançamento facilitou sua lembrança entre os votantes

CANÇÃO ORIGINAL
"Audition (The fools who dream)", de “La La Land-Cantando Estações"
"Can't stop the feeling", de "Trolls"
"City of stars", de "La La Land-Cantando Estações"
"The empty chair", de "Jim-The James Foley Story"
"How far I go", de "Moana-Um Mar de Aventuras"

Comparecendo com duas indicações numa mesma categoria, é improvável que “La La Land- Cantando Estações" fique sem o prêmio. Ele deve vir pela música mais mencionada e comentada do filme, “City of stars”, cantada (e muito bem) por Ryan Gosling, mas a minha preferida vai sempre continuar sendo a emocionante “Audition” na voz de Emma Stone –um dos grandes momentos do filme.
Fica até difícil para os outros concorrentes.

ROTEIRO ORIGINAL
"A Qualquer Custo"
"La La Land-Cantando Estações"
"O Lagosta"
"Manchester À Beira-Mar"
"20th Century Women"

ROTEIRO ADAPTADO
"A Chegada"
"Um Limite Entre Nós"
"Estrelas Além do Tempo"
"Lion-Uma Jornada Para Casa"
"Moonlight-Sob A Luz do Luar"

A Academia lembrou-se do inusitado “O Lagosta” na categoria de roteiro original, o quê pouco significa diante da força de “La La Land-Cantando Estações".
Na de roteiro adaptado, “Moonlight” e “Lion” devem disputar pau a pau o prêmio, ficando provavelmente com o primeiro. Mas, não seria nada ruim ver “A Chegada” pegando a todos de surpresa!

LONGA DE ANIMAÇÃO
"Kubo e As Cordas Mágicas"
"Moana-Um Mar de Aventuras"
"Minha Vida de Abobrinha"
"A Tartaruga Vermelha"
"Zootopia"

O fato de “Kubo e As Cordas Mágicas” ter duas indicações (além desta, a de efeitos visuais) dá uma ligeira impressão de favoritismo, mas isso se dissipa quando vemos que ali está o genial “Zootopia”, que andou levando quase todos os prêmios a que concorreu e é mesmo uma obra de animação que cresce com o tempo.
Muito legal a lembrança da Academia ao belíssimo “A Tartaruga Vermelha”.

CURTA ANIMADO
"Blind Vaysha"
"Borrowed Time"
"Pear Cider and Cigarettes"
"Pearl"
"Piper"

EDIÇÃO
"A Chegada"
"Até O Último Homem "
"A Qualquer Custo"
"La La Land-Cantando Estações"
"Moonlight-Sob A Luz do Luar"

CURTA-METRAGEM
"Ennemis Intérieurs", Slim Azzazi
"La Femme Et Le TGV", Timo von Gunten e Giacun Caduff
"Silent Nights", Aske Bang e Kim Magnusson
"Sing', Kristof Deak e Anna Udvardy
"Timecode", Juanjo Gimenez

No dia 26 de Fevereiro descobriremos quais favoritos se confirmarão, e quais darão espaço para inesperados vencedores.