Mostrando postagens com marcador Haley Joel Osment. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Haley Joel Osment. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 14 de novembro de 2019

O Sexto Sentido

Crítica do amigo Fabricio Gurski
Seguindo a cartilha do mestre Alfred Hitchcock é repleto de pistas e recompensas, fazendo jus ao status de grande filme de suspense e mistério ganho precocemente no seu lançamento.
Pois, um bom filme de mistério ou suspense, além de contar uma boa história precisa de alguma maneira surpreender o espectador, digo mais, é aqueles exemplares que depois de momentos tensos quando chegam na reta final, no desfecho, revelando o seu segredo –e ali o espector pensa (verbaliza) "poxa tava na cara o tempo todo" –então, isso eu considero um ótimo filme do gênero, assim é “O Sexto Sentido”.
Ao assisti-lo novamente, sempre percebo coisas novas, vejo o tremendo trabalho e dedicação aplicado no filme, o roteiro primoroso, com diálogos consistentes, os personagens coerentes e dignos ao universo naturalista do filme, e M. Night Shyamalan para complementar a sua própria obra, optou por um estilo de narrativa clássica com edição e direção minimalistas usando na montagem muito ‘fade out’ e cortes suaves, repletos de rimas visuais, trilha sonora marcante e acentuada, se não bastasse tudo isso ainda vemos um elenco magnífico (parece em alguns momentos até um documentário, um realismo absoluto), desde o jovem Haley Joel Osment até o experiente Bruce Willis e todos que os cercam estão mais que convincentes, dando vidas às personagens.
A condução da história faz o espectador viajar por sensações diversas, passeia entre os extremos da tristeza e da alegria, tudo isso, graças à estética impressa no exemplar por M. Night, pois temos um trabalho extremamente dramático que conforme acontecem as viradas (os plots) o gênero se transforma, e quando chegamos ao meu amado gênero terror tomamos bons sustos e muita tensão.
O clima de mistério aumenta a cada descoberta do Dr. Malcom, e assim a apreensão, a angústia e o sofrimento crescem até a descoberta definitiva e não tão aliviante, o expectador vivência tudo de uma forma ímpar no cinema de gênero das duas últimas décadas, “O Sexto Sentido” pode ser considerado uma obra prima do cinema de gênero, e assim não é nenhum absurdo compará-lo com alguns dos exemplares do mestre do suspense/mistério Alfred Hitchcock.

terça-feira, 26 de dezembro de 2017

O Sexto Sentido

Em meados de 1999, quando o cinema norte-americano foi chacoalhado por uma sucessão de trabalhos autorais de grandes talentos que se revelavam, como Spike Jonze (“Quero Ser John Malkovich”), os Irmãos –agora irmãs –Wachowski (“Matrix”) ou Wes Anderson (“Três É Demais”), uma das mais bombásticas revelações atendia pelo difícil nome de M. Night Shyamalan, e seu filme, sem sombra de dúvidas, um dos mais comentados do ano, era o surpreendente “O Sexto Sentido” com sua já lendária reviravolta final.
O próprio Shyamalan, para o bem e para o mal, fez uma carreira de sucesso empregando com algumas variações a fórmula que ele descobriu aqui –virando inclusive uma caricatura de si mesmo perante a indústria com a insistência em usar finais inesperados.
No entanto, quando ele lançou “O Sexto Sentido” houve um abalo sísmico na indústria cinematográfica, por uma série de razões.
A trama inicia-se na Philadelphia (palco de quase todas as histórias de Shyamalan) com o psiquiatra infantil Malcolm Crowe (Bruce Willis, um dos atores prediletos do diretor) numa noite em que terá seus esforços reconhecidos com um prêmio como bem observa sua esposa Anna (Olívia Williams, que também estava em “Três É Demais”).
As inclinações dramáticas de Shyamalan logo surgem quando aparece em cena um ex-paciente de Malcolm (vivido por Donnie Whalberg, irmão de Mark), perturbado e suicida.
Sem delongas e dando apenas as informações necessárias ao expectador para seguir com a história em frente, Shyamalan avança um ano no tempo. Após sofrerem o atentado, o casamento de Malcolm e Anna passa por uma súbita crise, e ele acaba conhecendo um garotinho chamado Cole (o pequeno e espantoso Haley Joel Osment, certamente grande responsável pelo imenso sucesso deste filme).
Tão protagonista quanto Malcolm, Cole tem problemas muito similares aos do antigo paciente que se matou: O convívio social com as outras crianças –e até mesmo com alguns adultos –a despeito de ser muito inteligente, é doloroso e relutante. A angústia que ele ostenta é freqüentemente injustificável e seu comportamento o leva violentamente rumo à alienação.
Para Malcolm, ajudá-lo seria, portanto, como redimir-se pelo outro jovem com o qual fracassou.
Para Cole ele é, aos poucos, a única pessoa que realmente é capaz de ouvir sua confidência e entender o terrível segredo que carrega –que ele, Cole, tem visões assustadoras, que logo descobriremos, é resultado de um dom que permite a ele enxergar os mortos (e nas cenas apavorantes que se seguem, absurdamente bem orquestradas, envolvendo essas aparições o diretor Shyamalan chega a ombrear Kubrick, em “O Iluminado” ou Polanski, em “O Bebê de Rosemary” na concepção de alguns dos mais antológicos e intensos momentos na história do gênero de terror).
Aliás, uma das mais notáveis conseqüências do sucesso de “O Sexto Sentido” foi o retorno à pauta do cinema comercial de premissas e idéias que devolviam o medo de verdade ao gênero do terror que vinha de uma década de 1990 praticamente dominada por filmes adolescentes na esteira de “Pânico”, de Wes Craven, e outras tolices. Com uma mistura adulta, refinada e competente de dramaturgia bem executada e terror psicológico com bases plausíveis e sensatas Shyamalan mostrou à indústria que o público poderia assimilar filmes que não tivessem apelo exclusivamente juvenil.
Mais que isso: Que poderia haver vida inteligente num sucesso de bilheteria. O público certamente não estava preparado para o fato de que, em direção a um final quase ameno e tranqüilo e na busca por tentar conviver com o incrível dom do menino, os dois, o jovem paciente Cole e seu psiquiatra Malcolm, caminhavam para um desfecho surpreendente.
Durante muito tempo, os expectadores saiam chocados das salas de cinema, falando a respeito da forma quase inovadora com que seu final sutilmente conseguia transformar todo o filme que havia vindo antes dele.
Entre muitas, essa certamente foi uma sacada de gênio.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Forrest Gump - O Contador de Histórias

“A vida é como uma caixa de chocolates. Você nunca sabe o que pode encontrar lá dentro.”
Desde sempre um realizador hábil, no sentido de que entregava obras de apelo essencialmente comercial, mas válidas do ponto de vista artístico (e filmes como a trilogia “De Volta Para O Futuro”, “Carros Usados”, “Uma Cilada Para Roger Rabbit” e “A Morte Lhe Cai Bem” estão aí para provar isso), Robert Zemeckis sempre foi o discípulo que melhor espelhou seu mentor, Steven Spielberg.
Foi, portanto, uma manobra providencial do destino que levou Zemeckis a conquistar o Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor exatamente um ano depois de Spielberg o tê-lo feito com “A Lista deSchindler”.
Entretanto, existem diferenças extremas entre “A Lista...” e o filme que consagrou Zemeckis, “Forrest Gump”, inclusive no teor realista que o primeiro ostenta, e que o segundo utiliza de maneira mais maleável.
No fundo, no fundo, “Forrest Gump”, o filme, assim como o livro de Winston Groom que o inspirou, é uma grande brincadeira na qual seu personagem principal, Forrest, um rapaz norte-americano de Q.I. baixo se cruza com várias personalidades históricas do século XX e participa de momentos-chave da história norte-americana.
Após a linda cena que abre o filme –onde a câmera cheia de virtuosismos de Zemeckis acompanha uma pena a pairar no ar –na qual o protagonista, como o sub-título bem sugere, começa a contar sua história, somos assim apresentados à Forrest Gump (Tom Hanks, conseguindo interpretar um idiota com inteligência e sensibilidade) ainda em sua infância, quando sofre de dificuldade para andar, e cresce no estado do Alabama, incentivado pela mãe (Sally Field) a jamais se desanimar com as adversidades da vida.
Movido por um misto de inocência, ignorância e determinação, ele vai, já adulto, lutar na guerra do Vietnam –ao lado do amigo Bubba (Mykelti Williamson) e do irascível e rude Tenente Dan (o excelente Gary Sinise), dois personagens fundamentais em sua trajetória –e retorna condecorado herói. Torna-se, mais tarde, milionário num barco pesqueiro de camarões, vira campeão mundial de ping-pong no Japão e mobiliza multidões de pessoas quando decide cruzar os EUA apenas porque "deu vontade de correr".
Sua prioridade, contudo, ao longo dessa curiosa jornada parece ser sempre voltar para casa e, se possível, para junto de seu grande amor, Jenny (Robin Wright).
Meio remetendo à premissa de poderosa identificação já trabalhada no semi-clássico “Muito Além do Jardim” (onde vemos o cidadão comum e de intelecto limitado prevalecer sobre a elite) mesclada à idéia básica do filme de Woody Allen, “Zelig” (a mostrar seu protagonista indo e vindo em diversas situações onde se cruza com famosas celebridades de seu tempo), o filme de Zemeckis, a rigor, não entregava nada de novo, mas propunha um passatempo em forma de fábula divertidíssimo, bem contado e bem executado que capturou o coração do público e emocionou os críticos.
E isso, para a Academia de Artes Cinematográficas, foi mais que suficiente.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

A. I. Inteligência Artificial

A arte de criar mundos imaginados e neles imergir o público –quando realizada com exatidão e preciosismo –é tarefa de poucos gênios isolados. Daí o fato de um filme desigual como “A.I. Inteligência Artificial” despertar intriga e até algum alvoroço na época de seu lançamento: Tratava-se ele da conjunção inédita de duas das mais superlativas mentes criativas que o cinema já havia testemunhado, Stanley Kubrick e Steven Spielberg.
Ainda que isso ocorresse de uma maneira agridoce –o estilo de Kubrick de filmar, como ficou conhecido, leva tempo e consumia, às vezes, anos de dedicação de seu elenco e sua equipe técnica, como podem atestar os dois anos gastos para realizar “De Olhos Bem Fechados”, sua última obra. Devido a isso, muitos foram os filmes que Kubrick se obrigou a deixar de fazer, como o projeto “The Arian Papers”, abortado por coincidir com o lançamento de “A Lista de Schindler”, do próprio Spielberg que possuía tema semelhante.
Mas, um projeto persistia em seu coração: A história de “A.I. Inteligência Artificial”, extraída do livro “Superbrinquedos Duram O Verão Todo”, de Brian Aldiss, que Kubrick acarinhava desde a década de 1980, de certa forma, inspirado pelo cult “Blade Ranner-O Caçador de Andróides”. A realização, contudo, encontrava obstáculos em várias características de Kubrick como realizador: O personagem principal era um menino (ou melhor, um menino-robô) e o método extenso e demorado de Kubrick filmar poderia levar a criança protagonista a envelhecer diante das câmeras (daí, uma decisão subseqüente de talvez empregar um personagem digital, embora na época os efeitos especiais não tivessem evoluído o suficiente para materializar tal intento); o conceito de fabula em si, inerente à história pedia por um realizador mais lúdico e menos corrosivo –o quê levou Kubrick a oferecer o projeto à seu amigo Spielberg, que lisonjeado ainda assim recusou. Mas, Kubrick almejava levar “A.I.” às telas, e decidiu que seria seu projeto imediatamente posterior à “De Olhos Bem Fechados”.
Então, Kubrick morreu.
Ciente do imenso valor que “A.I.” tinha para o amigo, Spielberg resolveu então assumir a direção do filme e terminá-lo preservando, na medida do possível, as características que Kubrick havia imaginado para ele –e deve ter sido um desafio decifrar as caóticas anotações de pré-produção que Kubrick elaborou para “A.I.” ao longo dos anos –ainda que também fazendo dele algo seu, o quê o filme também é, visto que ele abarca muito das obsessões que o próprio Spielberg trabalhou ao longo da carreira.
No futuro, uma mãe desolada (Frances O’ Connor) cujo filho se encontra em coma num hospital recebe um robozinho protótipo capaz de manifestar emoções se ela assim o desejar. O robozinho, David (o magistral Haley Joel Osment, o garotinho de “O Sexto Sentido”), se parece com criança e apresenta emoções de criança, inclusive ao amá-la como se fosse sua mãe. Mas o filho verdadeiro desperta do coma, o que a obriga a escolher por um dos dois. Assim, ela deixa David no meio de uma floresta de onde ele partirá para uma jornada por esse mundo do futuro, acompanhado de Gigolo Joe (Jude Law, ótimo), um robô adulto não tão avançado. David anseia acima de tudo, encontrar a Fada Azul, de quem ele ouvira falar ao escutar a história de "Pinóquio", para que possa pedir a ela para transformá-lo num menino de carne e osso, e ele possa assim voltar para sua mãe.
Do jeito como está, “A.I.” possui uma razoável harmonia entre os conceitos de Kubrick –mantidos por Spielberg numa narrativa respeitosa que, sobretudo, em sua primeira parte, busca emular os enquadramentos formais, o distanciamento emocional e o estilo de Kubrick –e as alterações inevitáveis para que Spielberg concluísse a obra, que em suas mãos soa muito mais como um conto de fadas do que se tivesse sido feito por Kubrick –que, certamente, teria dado um tom mais lúgubre e transgressivo ao filme.
O único pecado de Spielberg de fato é a falta de objetividade (que sobrava em Kubrick) em relação ao protagonista com o qual se apegou: Ele estende o filme um ato a mais –onde introduz alienígenas como uma forma de auto-referência –para proporcionar um prólogo onde o menino-robô David encontra algo próximo de uma redenção.

Ainda que neste momento –e somente nele –o filme de Spielberg adquira ares redundantes.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Tusk - A Transformação

Às vezes é difícil levar a sério o cinema realizado por Kevin Smith. Se, por um lado, ele tem no currículo uma obra austera, plausível e bem escrita como “Procura-Se Amy”, por outro, seu gosto pelo besteirol costuma manchar seus trabalhos, fazendo filmes que poderiam ser interessantes, como “O Balconista 2” ou “Dogma” soar como grandes brincadeiras imaturas.
“Tusk-A Transformação” não ajuda muito a mudar essa percepção.
A própria gênese do projeto é, em si, um absurdo: Em seu habitual programa radiofônico onde discute cultura pop, o próprio Kevin Smith, numa conversa casual (cujo áudio é repetido nos créditos finais deste filme) imaginou uma premissa insana onde um homem é transformado numa morsa (!), e lançou o desafio: Se o podcast em questão recebesse um determinado número de curtidas na Internet, ele transformaria aquele arremedo de trama num filme.
Desafio cumprido, eis que temos então um novo filme de Kevin Smith!
O protagonista, Wallace (o normalmente simpático Justin Long, do já clássico “Olhos Famintos”) é um apresentador de podcasts –talvez, espelhando o próprio Kevin Smith, talvez, em função de seu autor ter preguiça em inventar outra coisa! –aqueles programas da Internet cujos apresentadores se beneficiam de vídeos que registram as maiores e mais estranhas presepadas.
Como um charlatão em busca do próximo golpe –e dessa maneira retratado –ele vai ao Canadá à procura do que parece ser uma entrevista, deixando para trás a namorada Alisson (a bela Gênesis Rodrigues) que o trai com seu melhor amigo Teddy (Haley Joel Osment, o garotinho, agora crescido, de “O Sexto Sentido”) –a menção se justifica, pois estes serão personagens bastante importantes mais tarde...
Enfim, quando a entrevista não se concretiza, Wallace acaba virando hóspede de um velho senhor (Michael Parks, um grande e despojado ator) com uma estranha história pela qual, em princípio, parece interessado: Quando jovem, soldado, ele se viu náufrago em uma ilha, na companhia de uma morsa a quem deu o nome de Mr. Tusk. Segundo ele, o único verdadeiro amigo que conheceu.
Agora, na esperança de reviver o elo que tinha com Mr. Tusk, ele droga Wallace e o torna prisioneiro de sua reclusa mansão na intenção de transformá-lo numa morsa (!), começando por amputar-lhe uma das pernas (!!), implantar presas imensas em seu maxilar (!!!), confeccionadas a partir do osso do próprio fêmur extraído, e assim por diante...
Kevin Smtih vai narrando seu filme assim, de bizarrice em bizarrice, em registro ora de filme de terror, ora de humor extremamente negro.
Quando a falta de notícias de Wallace chega a um ponto preocupante, Alisson e Teddy recorrente a um detetive particular, o estranhíssimo Guy LaPointe (que o cast não revela, mas vem a ser interpretado por Johnny Depp!).
Com base nesse argumento desigual, para dizer o mínimo, Kevin Smith cria um filme que anda no equilíbrio tênue entre o absurdo adolescente de algumas obras anteriores, e um show de horrores amparado em influências cinéfilas muito particulares, sendo certamente as mais identificáveis, o clássico cult "Monstros" de Todd Browning, e o repulsivo e controverso "Centopéia Humana" –com a qual guarda suas maiores semelhanças, embora Smith jamais se atreva a tentar igualar seu teor terrivelmente perturbador.
“Tusk” acaba sendo o primeiro filme de uma trilogia, ainda não concluída, sobre filmes de humor negro –e inclinados para tramas inusitados de terror ou suspense –ambientados no Canadá; e possivelmente, todos eles contarão com a presença do esquisito Guy LaPointe! As duas jovens protagonistas do segundo filme, “Yoga Hosers”, inclusive, marcam uma breve participação aqui: São as duas adolescentes que atendem Wallace numa loja de conveniência, interpretadas por Lily-Rose Depp (filha de Johnny Depp) e Harley Quinn Smith (filha do próprio Kevin Smith).