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sábado, 26 de maio de 2018

Os Vencedores do Oscar 1980


Os reflexos da Nova Hollywood seguiam exigindo algum respeito no Oscar. Na cerimônia de 1980, foi a vez de “Apocalypse Now”, que a Academia reconheceu com duas míseras premiações, e de “A Rosa”, que foi reconhecido com algumas poucas indicações. Eles preferiram enaltecer o classicismo presente no musical de metalinguagem de Bob Fosse, “All That Jazz”, (com quatro prêmios) e, sobretudo, no polêmico (para a época) melodrama “Kramer Vs. Kramer” –que deu à Dustin Hoffman seu primeiro Oscar de Melhor Ator (ele concorreu com Peter Sellers, por “Muito Além do Jardim”) e o de Melhor Atriz Coadjuvante à Meryl Streep (o primeiro dos três que ela já ganhou).

MELHOR FILME
"Kramer Vs. Kramer"

MELHOR DIREÇÃO
"Kramer Vs. Kramer", Robert Benton

MELHOR ATRIZ
Sally Field, "Norma Rae"

MELHOR ATOR
Dustin Hoffman, "Kramer Vs. Kramer"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Meryl Streep, "Kramer Vs. Kramer"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Melvyn Douglas, "Muito Além do Jardim"

MELHOR FOTOGRAFIA
"Apocalypse Now"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"O Tambor" (Alemanha)

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS

MELHORES EFEITOS SONOROS
"O Corcel Negro"

MELHOR FIGURINO
"All That Jazz-O Show Deve Continuar"

MELHOR SOM
"Apocalypse Now"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
"All That Jazz-O Show Deve Continuar"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
“Um Pequeno Romance"

MELHOR TRILHA SONORA ADAPTADA
“All That Jazz-O Show Deve Continuar"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"It Goes Like It Goes", de "Norma Rae"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Correndo Pela Vitória"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Kramer Vs. Kramer"

MELHOR MONTAGEM
"All That Jazz-O Show Deve Continuar"

sábado, 14 de abril de 2018

Os Vencedores do Oscar 1985

Eis que, quase dez anos depois de ter levado o Oscar por “Um Estranho No Ninho” (ainda chegamos lá...), o tcheco Milos Forman novamente repete o feito, desta vez, com um épico suntuoso de espetacular realização artística –e cujas filmagens o levaram de volta à cidade de Praga, de onde fugiu duas décadas antes!
Em meio às oito estatuetas de “Amadeus”, sobrou a de Melhor Ator para o formidável F. Murray Abrahams que competia com seu colega, Tom Hulce.
A Melhor Atriz foi Sally Field, por “Um Lugar No Coração”, conquistando o segundo Oscar de sua carreira –o primeiro foi por “Norma Rae”.
E os coadjuvantes foram o vietnamita Haing S. Ngor, por “Os Gritos do Silêncio” –num papel que refletia muitas atribulações experimentadas por ele na vida real (um de seus concorrentes, curiosamente, era Pat Morita, por “Karate Kid”!) –e Peggy Ashcroft, por “Passagem Para A Índia”, último trabalho do grande David Lean.

MELHOR FILME
"Amadeus"

MELHOR DIREÇÃO
"Amadeus", Milos Forman

MELHOR ATRIZ
Sally Field, "Um Lugar No Coração"

MELHOR ATOR
F. Murray Abrahams, "Amadeus"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Peggy Ashcroft, "Passagem Para A Índia"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Haing S. Ngor, "Os Gritos do Silêncio"

MELHOR FOTOGRAFIA
"Os Gritos do Silêncio"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"Le Diagonale Du Fou" (Suíça)

MELHORES EFEITOS SONOROS
"O Rio do Desespero"

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS

MELHOR MAQUIAGEM
"Amadeus"

MELHOR FIGURINO
"Amadeus"

MELHOR SOM
"Amadeus"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
"Amadeus"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
“Passagem Para A Índia"

MELHOR TRILHA SONORA ADAPTADA
“Purple Rain"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"I Just Called To Say I Love You", de "A Dama de Vermelho"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Um Lugar No Coração"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Amadeus"

MELHOR MONTAGEM
"Os Gritos do Silêncio"

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Forrest Gump - O Contador de Histórias

“A vida é como uma caixa de chocolates. Você nunca sabe o que pode encontrar lá dentro.”
Desde sempre um realizador hábil, no sentido de que entregava obras de apelo essencialmente comercial, mas válidas do ponto de vista artístico (e filmes como a trilogia “De Volta Para O Futuro”, “Carros Usados”, “Uma Cilada Para Roger Rabbit” e “A Morte Lhe Cai Bem” estão aí para provar isso), Robert Zemeckis sempre foi o discípulo que melhor espelhou seu mentor, Steven Spielberg.
Foi, portanto, uma manobra providencial do destino que levou Zemeckis a conquistar o Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor exatamente um ano depois de Spielberg o tê-lo feito com “A Lista deSchindler”.
Entretanto, existem diferenças extremas entre “A Lista...” e o filme que consagrou Zemeckis, “Forrest Gump”, inclusive no teor realista que o primeiro ostenta, e que o segundo utiliza de maneira mais maleável.
No fundo, no fundo, “Forrest Gump”, o filme, assim como o livro de Winston Groom que o inspirou, é uma grande brincadeira na qual seu personagem principal, Forrest, um rapaz norte-americano de Q.I. baixo se cruza com várias personalidades históricas do século XX e participa de momentos-chave da história norte-americana.
Após a linda cena que abre o filme –onde a câmera cheia de virtuosismos de Zemeckis acompanha uma pena a pairar no ar –na qual o protagonista, como o sub-título bem sugere, começa a contar sua história, somos assim apresentados à Forrest Gump (Tom Hanks, conseguindo interpretar um idiota com inteligência e sensibilidade) ainda em sua infância, quando sofre de dificuldade para andar, e cresce no estado do Alabama, incentivado pela mãe (Sally Field) a jamais se desanimar com as adversidades da vida.
Movido por um misto de inocência, ignorância e determinação, ele vai, já adulto, lutar na guerra do Vietnam –ao lado do amigo Bubba (Mykelti Williamson) e do irascível e rude Tenente Dan (o excelente Gary Sinise), dois personagens fundamentais em sua trajetória –e retorna condecorado herói. Torna-se, mais tarde, milionário num barco pesqueiro de camarões, vira campeão mundial de ping-pong no Japão e mobiliza multidões de pessoas quando decide cruzar os EUA apenas porque "deu vontade de correr".
Sua prioridade, contudo, ao longo dessa curiosa jornada parece ser sempre voltar para casa e, se possível, para junto de seu grande amor, Jenny (Robin Wright).
Meio remetendo à premissa de poderosa identificação já trabalhada no semi-clássico “Muito Além do Jardim” (onde vemos o cidadão comum e de intelecto limitado prevalecer sobre a elite) mesclada à idéia básica do filme de Woody Allen, “Zelig” (a mostrar seu protagonista indo e vindo em diversas situações onde se cruza com famosas celebridades de seu tempo), o filme de Zemeckis, a rigor, não entregava nada de novo, mas propunha um passatempo em forma de fábula divertidíssimo, bem contado e bem executado que capturou o coração do público e emocionou os críticos.
E isso, para a Academia de Artes Cinematográficas, foi mais que suficiente.

sábado, 20 de maio de 2017

O Espetacular Homem-Aranha 2 - A Ameaça de Electro

Por algum tempo, acreditava-se que a reformulação do Homem-Aranha havia dado certo.
O diretor Marc Webb, ao substituir Sam Raimi beneficiou-se de alguns elementos até bastante alheios às suas opções como realizador, como por exemplo, o fato de dar ao novo filme aspectos mais fiéis aos quadrinhos (sendo, talvez o mais notável a questão envolvendo os lançadores de teia), e a tecnologia 3D, difundida pelo êxito de “Avatar” e muito em voga na predileção do público, à qual esta produção beneficiou-se de uma oportuna agenda de filmagens para lançar mão.
Esses fatores garantiram uma certa recepção positiva da parte da crítica e do público e, embora houvessem aspectos ainda não digeridos no filme anterior (como o inapropriado tom sombrio adotado e a importância, em última instância redundante, dada aos mistérios que cercavam a morte dos pais de Peter Parker), Webb ganhou a chance para fazer uma continuação onde poderiam ser confirmados seus acertos ou evidenciados em definitivo os seus erros.
Bem mais confortável na persona de Homem Aranha que assumiu após os eventos do filme anterior, o recém-formado Peter Parker (Andrew Garfield, deixando que sua declarada paixão pelo personagem interfira em sua atuação fazendo-o histriônico) tem de lidar com seu romance com a jovem Gwen Stacy (a adorável Emma Stone), que além de tornar-se mais sério, enfrenta o dilema de uma vindoura viagem para a Inglaterra.
Em meio a isso, seu amigo de infância, Harry Osborn (Dane Dehaan, uma boa escolha, apesar de tudo), reaparece assim como surge também uma nova ameaça, representada pelo perigoso Electro (Jamie Foxx, na pior atuação de sua carreira).
As inúmeras tramas paralelas do filme ameaçavam o tempo todo se atropelar –incluindo aí um arco memorável dos quadrinhos que faria a alegria dos fãs mais antigos do Homem Aranha.
O diretor Mark Webb fez um trabalho razoável, confiando especialmente na segurança e descontração de seu elenco, onde certamente destaca-se a química palpável do casal Andrew Garfield e Emma Stone; sua ênfase recaiu sobre as minúcias narrativas, destacando alguns aspectos íntimos e valendo-se de certa seriedade para, mais uma vez, desvencilhar-se das comparações com a trilogia anterior de Sam Raimi.
Mas, algo em seu filme definitivamente não conseguiu funcionar –talvez, sejam seus excessos refletidos no controle intrusivo exercido pelo estúdio no resultado final: Tantas foram as escolhas melindrosas acumuladas aqui que o filme carece de um cerne, deixando transparecer exatamente o quê uma produção pode se tornar quando ela fica à mercê de um comitê e sem um bom senso sólido e criativo.
Embora tenha lá seus méritos, o segundo filme de Marc Webb com o escalador de paredes é, acima de tudo, definido por seus equívocos, o quê acarretou péssimas críticas e insatisfatórias bilheterias e levou o estúdio da Sony a interromper os planos dessa franquia –a trama elaborada pelo roteiro tinha uma clara estrutura de trilogia –e a firmar com a Marvel Stúdios uma parceria até então sem precedentes: Eles emprestaram o personagem do Homem-Aranha (agora interpretado por Tom Holland, de “O Impossível”, um jovem e talentoso ator que consegue reunir características tanto de Tobey Maguire, quanto de Andrew Garfield), para que a Marvel primeiro o incluísse no menu de personagens presentes em “Capitão América-Guerra Civil”, e depois para que a própria Marvel, com toda sua comprovada habilidade, concebesse um filme-solo do herói, desta vez, ambientado no Universo Marvel Cinematográfico, e (espera-se) absolutamente fiel a todos os elementos do personagem que foram, por ventura, desvirtuados nessas outras produções.
Seu título?
“Homem-Aranha De Volta Ao Lar”

sábado, 13 de maio de 2017

O Espetacular Homem-Aranha

Houve uma perceptível intenção em deixar de lado a leveza adotada por Sam Raimi nos três filmes anteriores protagonizados por Tobey Maguire neste reinício da saga do famoso personagem da Marvel.
Adotando um enfoque mais austero (e em alguns aspectos, mais fiel aos quadrinhos), o diretor Marc Webb (que entregou um belíssimo trabalho em “500 Dias Com Ela”, o quê deve ter lhe abalizado para esta empreitada) constrói uma narrativa que não parece tão interessada no tom descontraído da Marvel (com humor onipresente), mas sim num clima mais sombrio e realista, remetendo à Christopher Nolan e sua reinvenção de “Batman”.
Nem sempre isso combina satisfatoriamente com o personagem do Homem-Aranha, mas até que este primeiro filme tinha alguns elementos interessantes para que o público não saísse indignado de dentro da sessão.
Retomando uma vez mais uma história de origem –mas, alterando um bocado os fatos, e dando muito mais ênfase no mistério em torno dos pais do protagonista –o filme acompanha os primeiros passos do herói.
O colegial Peter Parker (Andrew Garfield, esmerado ainda que mais afetado que Tobey Maguire) é orfão (perdeu os pais, Richard e Mary Parker, num nebuloso acidente e desde então vive com os tios Ben e May Parker), nerd (e como todos sofre nas mãos dos valentões da escola) e apaixonado pela bela colega Gwen Stacy (Emma Stone, disparado a melhor coisa do filme) –e sendo franzino e tímido não encontra coragem para abordá-la.
Suas investigações atrás de respostas sobre seu pai o levam até as Indústrias Oscorp, onde Peter é acidentalmente mordido por uma aranha geneticamente modificada, o quê mais tarde, lhe confere fabulosos poderes, por meio dos quais ele se tornará o vigilante mascarado conhecido como Homem-Aranha.
Provavelmente de forma involuntária, este novo filme lembra também uma outra produção a adaptar um personagem de Marvel –o desigual, curioso e incompreendido “Hulk”, de Ang Lee.
Como aquele trabalho, este daqui reinventa seu protagonista em excesso, atribui novas motivações, omite elementos que julga repetitivos, acrescenta outros que soam desnecessários (a insistente trama de mistério que envolve os pais do protagonista), e ousa manipular aspectos que envolvem a mecânica da gênese de seus poderes: Nada disso melhora o filme, pelo contrário, o afasta das características que tornam o personagem tão interessante.

domingo, 12 de junho de 2016

Lincoln

Daniel Day-Lewis escreveu seu nome na história do cinema como o primeiro intérprete a conquistar três Oscar de Melhor Ator na carreira: Por "Meu Pé Esquerdo", em 1989, por "Sangue Negro", em 2007, e por este "Lincoln" em 2012. O quê acaba sendo um fator que contraria a máxima de que é Robert De Niro o grande ator vivo da atualidade...
Todavia, vamos falar um pouco do filme de Steven Spielberg: Segunda colaboração sua com o roteirista e dramaturgo Tony Kushner (a primeira foi "Munique"), este trabalho ressalta a personalidade poderosa de seu escritor; mais do que Speilberg, é perceptível o olhar agudo, humano e minucioso de Kushner, e seu marcado estilo, na trama que se desenrola em ambos os filmes.
Neste, o ano é 1865. Abraham Lincoln acaba de ser reeleito para seu segundo mandato como presidente dos EUA enquanto a Guerra Civil Norte-Americana vai para seu quarto ano. Mas o presidente reeleito tem específicas ambições para sua nova gestão: não só deseja conseguir a paz de uma guerra da qual todos estão cansados, como planeja obter no Congresso a aprovação da 13ª Emenda, abolindo a escravatura de todos os Estados Unidos, uma manobra complicada, uma vez que a questão do abolicionismo é o cerne da própria guerra. O presidente Lincoln irá valer-se de sua capacidade de dissuasão e engenhosas manobras políticas para obter os votos no congresso, como os quais visa conseguir a paz e a liberdade.
A ironia captura pelo texto de Kushner, e tao bem emoldurada pelo talento superlativo de Spielberg, mostra que o presidente Lincoln, tão puro de intenções e tão imaculado na imagem que é feita dele para o mundo, lançou mão de propinas e corrupção para alcançar seu objetivo: A sequência da histórica votação no congresso da 13ª Emenda é, ela própria, uma aula de cinema em todos os ângulos que possam ser imaginados.
E aí, volta-se sempre à mesma questão, inevitável quando se fala desse filme: Daniel Day-Lewis.
O filme certamente não funcionaria se Spielberg não tivesse achado o ator ideal para o papel, e Day-Lewis faz muito mais que isso: Ele dá uma dimensão preciosa, minimalista e estudada de Lincoln, rica em detalhes e maneirismos que só são notados na segunda ou terceira vez que se assiste ao filme: Com o perdão dos dois ótimos trabalhos anteriores nos quais ele ganhou o Oscar, é este daqui onde Daniel entrega aquela que é sua obra-prima! Fica até sem graça falar do restante do elenco, todos espetaculares, em especial Tommy Lee Jones, mas cujo brilho empalidece diante de seu magnifico protagonista.
 O fato de ser excessivamente político e dialogado não lhe tira brilho algum, por sinal, este primoroso filme de Steven Spielberg, agraciado com a atuação magistral de Daniel Day-Lewis, merece ser descoberto por todo e qualquer expectador avesso à filmes políticos por pensar que são todos "chatos".