Mostrando postagens com marcador Daniel Day-Lewis. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Daniel Day-Lewis. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 30 de setembro de 2025

O Último dos Moicanos


 O livro escrito por James Fenimore Cooper já havia ganhado pelo menos umas nove adaptações para o audio-visual, contudo, até os anos 1990, era a versão cinematográfica de 1936, dirigida por George B. Seitz, estrelada por Randolph Scott e roteirizada por Philip Dunne, tida como a mais famosa. O diretor Michael Mann, então, embriagado de admiração pelo filme de 1936 que vira quando criança (mais do que pelo livro, cujo subtexto ele enxergava como sendo tendencioso e racista), requisitou um roteiro, escrito por Christopher Crowe, a partir do próprio roteiro adaptado de Philip Dunne, para construir esta nova versão.

Na filmografia urbana e sofisticada de Mann, é perfeitamente razoável afirmar que “O Último dos Moicanos” é um corpo estranho: Anos antes, Mann havia definido seu estilo e feito “Profissão-Ladrão”, e depois voltaria a abraçar a modernidade de tramas envolvendo a lei e o crime em choque com o clássico “Fogo Contra Fogo”, com Robert De Niro e Al Pacino –observando esses dois filmes, e mais “O Último dos Moicanos”, podemos notar que são obras nas quais ele parece emoldurar facetas distintas, afastadas em tempo, espaço e circunstância, do herói americano ou, em última instância, do homem norte-americano em oposição às injustiças específicas de sua própria época e lugar.

1757. Quase vítimas de uma emboscada pela horda selvagem e sanguinária liderada pelo nativo huron Mágua (Wes Studi, formidável como vilão), o grupo formado pelas aristocratas européias Cora (Madeleine Stowe, maravilhosa), sua irmã caçula Alice (Jodhi May, de “Entre Elas”), e o protetor delas, o Major Duncan Heyward (Steven Waddington, de “A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça”), tem sua escolta de soldados toda dizimada e, só escapa da morte certa, graças à heróica intervenção dos moicanos Chingachgook (Russell Means, de “Assassinos Por Natureza”) e seus filhos, Uncas (Eric Schweig, de “A Letra Escarlate”) de sangue legítimo, e Nathaniel Poe (Daniel Day-Lewis), mestiço.

Eles precisam atravessar as inóspitas florestas da Nova Inglaterra e chegar em segurança até o Fort William Henry, onde a guerra colonial entre franceses, sitiados no Canadá, e ingleses transcorre, conduzida pelo pai de Cora e Alice, o Coronel Munro (Maurice Roëves, de “Fuga Para A Vitória”). Até lá, a despeito do interesse negociado do Major Heyward, é pelo supino e destemido Nathaniel que Cora começa a nutrir sentimentos.

Se o livro era um tenso e dramático retrato de conflitos étnicos e culturais inerentes à colonização (usando esse mote, no fim das contas, para a pedestalização do homem branco europeu), o filme de Michael Mann converte esse empuxo numa aventura de imodestas tintas românticas, nem sempre apropriadas para os expectadores atuais –embora, à sua maneira, “O Último dos Moicanos” faça eco a uma variedade bastante interessante de filmes que, naquele período dos anos 1990 (e um pouco do final dos anos 1980, também) buscaram abordar, com mais ou menos contundência, a relação entre nativos e o homem branco, tais como “A Missão”, “Dança Com Lobos”, “Hábito Negro” e até mesmo “Rapa Nui-Uma Aventura No Paraíso” (este, sem a presença de brancos em seu enredo, mas de ponta a ponta concebido como uma suposta e presunçosa visão dos homens brancos sobre o que teria acarretado aos nativos).

Contudo, não obstante a essas ressalvas, Michael Mann compôs um épico fotogênico, elegante em suas cenas de batalha, envolvente em seu romance folhetinesco e eficaz no entretenimento que oferece ao público, trazendo uma trilha sonora marcante e antológica a cargo de Trevor Jones (o mesmo da trilha de “Excalibur”).

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Gandhi


À título de curiosidade, no ano de 1993, Steven Spielberg realizou o sucesso de público “Jurassic Park” contando no elenco com Richard Attenborough, diretor de “Gandhi”, e logo em seguida, fez o sucesso, desta vez de crítica, “A Lista de Schindler” contando, por sua vez, com Ben Kingsley, ator principal de “Gandhi”, no elenco.

Embora tenha ganhado mais fama como ator –e ele próprio insistia que nunca teve maiores pretensões em ser diretor –Richard Attenborough assumiu a direção do projeto que almejava levar a vida de Mohatma Gandhi para as telas; um objetivo pessoal que Attenborough, como produtor, acalentava desde a década de 1960. Nos letreiros iniciais, o filme já esclarece que a vida de uma pessoa dificilmente pode ser resumida com exatidão e fidelidade num único filme, embora hajam intenções salutares de que nele seja preservado seu espírito. Se isso soa como uma prova da humildade genuína com que Attenborough abraçou a produção, pro outro lado, o escopo épico empregado –e manejado com muito brilho –sugere o oposto.

Após o prólogo que já mostra a morte de Gandhi, em 1948, por meio de um atentado contra sua vida, regressamos até 1893, quando, ainda um jovem advogado indiano em viagem pela África do Sul, Mohandas K. Gandhi (Kingsley, estupendo no papel) se depara com a segregação imposta ao seu povo no convívio degradante com os colonizadores ingleses.

Gandhi se rebela, sobretudo, contra a prática de distribuírem passes aos indivíduos indianos e, a predisposição revolucionária descoberta ali passa então a definir o homem que ele se torna, seja em esfera íntima ou política –Gandhi descobre uma nova forma de protesto, aquela na qual a violência como resposta à própria violência não é considerada.

Munido dessas ideias, ele cria uma comunidade ao regressar para a Índia, e inicia um longo e árdua caminho para obter a independência de seu país do jugo da Inglaterra, que inclui a paralisação ante as leis opressores inglesas e a abnegação perante a retaliação violenta por seus protestos.

Ele encoraja a povo a fabricar suas próprias roupas (ele próprio dá o exemplo vestindo-se como um mendigo com vestimentas de algodão confeccionadas por ele mesmo!) e a preparar seu próprio sal, interferindo no ciclo vicioso que levava o próprio povo indiano a reabastecer a economia dos colonizadores ingleses.

Num cinema que remete à David Lean (por sinal, um dos diretores cogitados para o trabalho antes do próprio Attenborough assumir), somos testemunhas da trajetória de vida de Gandhi –então já nomeado ‘Mohatma’, cujo significado é Grande Espírito –em conjugação com sua abrangente influência sobre o povo indiano, e o irônico e doloroso detalhe de que, ao pregar a não-violência, acabam sendo exatamente o inverso, muitos dos efeitos suscitados por suas escolhas.

Gandhi é mostrado fazendo jejum até os extremos da desnutrição para convencer seu povo dos reais objetivos pelos quais estão lutando –e não por uma mera revanche contra seus dominadores.

Quando finalmente obtém a tão sonhada independência da Índia, Gandhi se depara com outra celeuma: Os muçulmanos (majoritários no país) não aceitam os hindus, o que coloca a Índia à beira de uma guerra civil para que seja oficializado o território do Paquistão –e para convencer todos a cessar hostilidades, lá vai Gandhi fazer mais uma greve de fome (esta, quase fatal, uma vez que já estava em avançada idade) até que a paz se instaura-se completamente.

“Gandhi” levou oito Oscar na cerimônia de 1983, incluindo Melhor Diretor para Attenborough e Melhor Ator para Ben Kingsley (cuja carreira apesar do incomensurável talento, demorou até desvencilhar-se da sombra esmagadora deste grande trabalho). São três horas e dez minutos onde presenciamos as contundentes renúncias e escolhas de vida de um personagem singular na História da Humanidade, sobre quem Albert Einstein disse: “As gerações futuras custarão a acreditar que alguém como ele, em carne e osso, realmente existiu neste mundo.” 

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Trama Fantasma


O diretor Paul Thomas Anderson e o astro Daniel Day-Lewis contavam que tinham em mente uma trama que explorava os tormentos românticos nascidos de uma relação de simbiose artística no mundo da confecção vestuária, porém, esbarraram em um problema: Ambos não sabiam coisa alguma do ofício ou de moda.
É um comentário simpático que mascara o teor corrosivo do trabalho que fizeram.
Thomas Anderson é um diretor que, nos moldes de Stanley Kubrick, realiza filmes para desestabilizar, às vezes sufocar, ou até desconcertar o expectador.
O protagonista de “Trama Fantasma” –que Daniel Day-Lewis constrói de modo tão preciso e impecável quanto em “Sangue Negro” –é Reynolds Woodcock, um estilista de moda renomado, requisitado pelos membros mais altos da aristocracia e da realeza.
Para atingir um grau tão elevado de excelência e inspiração, Reynolds construiu com afinco um sistema de regras e comportamentos em torno de si que jamais tolera interrupções ou tentativas de mudança, cujas origens podem se encontrar na fixação soturna bela figura de sua mãe já falecida.
Agente poderosa da manutenção desse sistema, a Sra. Cyril (Leslie Manville, magistral) é uma espécie de braço-direito que a segue feito uma entidade; é o anjo que enaltece seus valores, o demônio que incentiva seus caprichos.
Contudo, é inevitável –em um âmbito predominantemente artístico –a presença de elemento tão humano quanto instável: E Reynolds depende de uma modelo para incorporar suas criações.
No início, a narrativa de Thomas Anderson registra o fim de uma relação nestes moldes. Reynolds e sua modelo vivem um silêncio desconfortável que ela já não suporta.
Ele conhece então, num café campestre, uma jovem que reacende seus instintos criativos, a garçonete Alma (Vicky Krieps). Um diamante bruto no sentido de que tem genuinamente todas as qualidades que Reynolds procura, Alma se apaixona por ele e, de imediato, estabelece o tipo de relação que Reynolds mantém com todos: Ela cede tudo aquilo que ele quer (sua disponibilidade, seu amor e sua reverência) em troca da vaidade de ser sua musa, de respirar o ar que ele respira e de absorver sua essência.
Desde o princípio, de forma hipnótica, Thomas Anderson mostra que o mundo de Reynolds gira em torno dele. Daí é natural que Alma, ao almejar um relacionamento normal com suas trocas e vicissitudes, acabe se ressentindo com Reynolds.
Como o grande diretor que é, Thomas Anderson vai muito além do que o expectador pode supor nessa sua observação dos indícios irracionais de uma dependência mútua.
Reynolds precisa de Alma porque ela personifica seu ímpeto de criar. Alma precisa de Reynolds porque ele fez com que ela o amasse.
E Alma compreende que, nessa circunstância, a dependência de Reynolds por ela pode ser momentânea e, amargurada pela possibilidade de afastamento, arquiteta um meio de fazê-lo perceber que sua necessidade dela vai além da importância artística –e tal meio não inclui escrúpulos.
Ao moldar uma relação obsessiva, materializada num mundo à parte (e, para tanto, são fundamentais as decisões de não especificar nem a época nem o lugar em que tudo se passa), Thomas Anderson levanta pouco a pouco uma névoa de incredulidade e até de absurdo em torno dos paradigmas com os quais Reynolds e Alma trabalham seu relacionamento, e com eles intriga e instiga o público: Até que ponto Reynolds compreende a ameaça que Alma oferece a ele? Até que ponto –ou até quando –ele de fato a ama até mantê-la em seu mundo sistemático como uma mera presença?
A julgar pelo desfecho ainda assim enigmático, a relação de amor e ódio que eles construíram ao longo do filme adquiriu uma simbiose que flerta com a morte. Um comentário curioso e significativo de Thomas Anderson e Day-Lewis sobre talento, legado e mortalidade, reforçado pelo fato pertinente de ser este o último filme de Day-Lewis antes de sua anunciada aposentadoria.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

O Mundo de Jack & Rose


Só mesmo o fato de ser casado com a diretora Rebecca Miller para justificar a presença de um ator como Daniel Day-Lewis num projeto equivocado e redundante como este.
Rebecca, que também é filha do dramaturgo Arthur Miller, também dirigiu a igualmente insossa comédia romântica “O Plano de Maggie”, de 2016. Comparando os dois trabalhos –de natureza e pretensões bem diferentes –pode-se perceber que ela tem certo interesse em relacionamentos que as circunstâncias tornam pouco usuais.
É sobre isso, essencialmente que trata este filme aqui (e se era a intenção falar de alguma outra coisa, isso se perdeu na realização).
Jack (Daniel Day-Lewis) mora com a filha Rose (Camilla Belle) numa ilha em algum ponto da Costa Oeste dos EUA. O ano é 1986, e logo notamos que Jack é o que restou de uma comunidade alternativa surgida a partir dos preceitos da contracultura dos anos 1960.
Eles vivem isolados, exceto com ocasionais intervenções de um empreendedor que constrói um conjunto de casas pré-fabricadas no limite de sua propriedade –e que Jack trata de enxotar com tiros de espingarda!
A filha Rose não tem qualquer conexão com o mundo, mas Jack sabe que, com a chegada de sua adolescência, ela precisa ter contato com outras pessoas, sobretudo, depois que a saúde de Jack começa a deteriorar em vista de seu estado físico –Jack não tem mais muito tempo.
Com isso em mente, ele convida Kathleen (Catherine Keener), sua namorada, para morar com eles. Ela leva a tiracolo os filhos, o sensível e hesitante Rodney (Ryan McDonald) e o desleixado Thaddius (Paul Dano, que fez “Sangue Negro” com Day-Lewis).
A reação de Rose à presença súbita desses estranhos em sua casa é tudo menos harmoniosa.
Ao tentar falar sobre inúmeras facetas do comportamento humano –e ostentar sensibilidade em cada uma delas –o filme de Rebecca se perde na incapacidade de ilustrar ao expectador qual é seu cerne de fato.
Não chega a ser surpresa que a sua sustentação para os lapsos que assola o filme seja a formidável presença de Day-Lewis (bem ladeado por Camilla Belle e por Catherine Keener), um grande ator que, como aqui, ocasionalmente acontece de dedicar mais empenho e afinco do que o filme merece.

sábado, 10 de março de 2018

Os Vencedores do Oscar 1990

A despeito do imenso culto de indicados como “Sociedade dos Poetas Mortos” ou “Campo dos Sonhos”, o prêmio de Melhor Filme em 1990 foi para o sensível “Conduzindo Miss Daisy” –mas, não o de Melhor Diretor; este foi para Oliver Stone por “Nascido em 4 de Julho” numa espécie de dobradinha com sua premiação por “Platoon”, em 1987 –falarei disso nas próximas semanas.
Por falar em “Nascido em 4 de Julho”, o astro desse filme, Tom Cruise perdeu o Oscar para Daniel Day-Lewis que ganhou, por sua atuação como deficiente físico em “Meu Pé Esquerdo”, o primeiro dos três Oscar que viria a receber; o mesmo ocorreu com sua colega de elenco no mesmo filme, Brenda Fricker, na categoria de coadjuvante.
O prêmio de Melhor Atriz também representou uma surpresa: A ganhadora foi Jessica Tandy, de “Miss Daisy” –o quê fez dela uma das mais velhas interpretes a receber o Oscar até hoje! –no lugar da premiada, aclamada e sensual atuação de Michelle Pfeifer em “Susie e Os Baker Boys”, tida até então como favorita.
Não houve tanta surpresa no prêmio de Melhor Ator Coadjuvante que foi para um ainda jovem Denzel Washington, uma das três estatuetas conquistadas pelo belíssimo “Tempo de Glória”.

MELHOR FILME
"Conduzindo Miss Daisy"

MELHOR DIREÇÃO
"Nascido em 4 de Julho", Oliver Stone

MELHOR ATRIZ
Jessica Tandy, "Conduzindo Miss Daisy"

MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis, "Meu Pé Esquerdo"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Brenda Fricker, "Meu Pé Esquerdo"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Denzel Washington, "Tempo de Glória"

MELHOR FOTOGRAFIA
"Tempo de Glória"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"Cinema Paradiso" (Itália)

MELHORES EFEITOS SONOROS

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS

MELHOR MAQUIAGEM
"Conduzindo Miss Daisy"

MELHOR FIGURINO
"Henrique V"

MELHOR SOM
"Tempo de Glória"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

MELHOR TRILHA SONORA
“A Pequena Sereia"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Under The Sea", de "A Pequena Sereia"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Sociedade dos Poetas Mortos"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Conduzindo Miss Daisy"

MELHOR MONTAGEM
"Nascido em 4 de Julho"

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Os Indicados Ao Globo de Ouro 2018

Saíram o nome de todos os indicados ao Globo de Ouro, um dos prêmios mais importantes da temporada que pavimenta o caminho para o prêmio maior, o Oscar.
Vamos às indicações e às considerações (lembrando que aqui só serão mencionados os indicados de cinema):

Melhor filme dramático
"Me chame pelo seu nome"
"Dunkirk"
"The post"
"A forma da água"
"Três anúncios para um crime"

De imediato já se lamenta a ausência de Denis Villeneuve e seu primordial “Blade Runner 2049”. Mas os cinco indicados até que resumem bem o supra-sumo qualitativo do ano, com o elogiado filme de Guillermo Del Toro surpreendentemente superando em indicações os trabalhos de Nolan e Spielberg.

Melhor ator em filme dramático
Timothée Chalamet, "Me chame pelo seu nome"
Daniel Day Lewis, "Trama fantasma"
Tom Hanks, "The post: A guerra secreta"
Gary Oldman, "O destino de uma nação"
Denzel Washington, "Roman J. Israel, Esq."

Com a exceção do jovem Timothée Chalamet por "Me Chame Pelo Seu Nome", esta categoria vem dominada por veteranos: Daniel Day Lewis, no seu alardeado último filme da carreira, Tom Hanks, no que parece ser mais uma colaboração vencedora com Steven Spielberg, Denzel Washington, em mais uma costumeira amostra de seu brilhantismo. Todos já possuem mais de um Globo de Ouro debaixo do braço, o único que jamais conquistou o prêmio é Gary Oldman, espero que este seja o seu ano.

Melhor atriz de filme dramático
Jessica Chastain, "A grande jogada"
Sally Hawkins, "A forma da água"
Frances McDormand, "Três anúncios para um crime"
Meryl Streep, "The post: A guerra secreta"
Michelle Williams, "Todo o dinheiro do mundo"

Os rumores apontam um possível domínio de Frances McDormand nesta temporada: Ao que parece, seu trabalho em “Três Anúncios Para Um Crime” iguala sua premiada atuação em “Fargo”. Mas, ainda dá para torcer por Jessica Chastain, impecável como sempre no primeiro filme dirigido pelo prestigiado roteirista Aaron Sorkin, por Sally Hawkins, maravilhosa interpretando uma surda-muda na bizarra história de amor de Del Toro e até por Michelle Williams no filme de Ridley Scott.
Em meio à todas, ela, sempre ela, Meryl Streep, desta vez sob a direção de ninguém menos que Steven Spielberg, o quê deve pesar e muito na decisão de quem premiar...

Melhor diretor
Guillermo del Toro, "A forma da água"
Martin McDonagh, "Três anúncios para um crime"
Christopher Nolan, "Dunkirk"
Ridley Scott, "Todo o dinheiro do mundo"
Steven Spielberg, "The Post"

Por alguma estranha razão, as premiações revelam-se rabugentas com as obras de Christopher Nolan nesta categoria –ele aparece aqui, com a esperança de um reconhecimento pairando no ar, mas certamente terá de superar a elogiada produção de Spielberg e mais ainda, o favoritismo que parece estar se construindo em torno de Del Toro.
Curiosa também a lembrança de Ridley Scott por um filme que está sendo mais falado pelo fato de terem removido a participação de Kevin Spacey –trocado por Christopher Plummer –já durante a pós-produção, em razão de denúncias de assédio sexual.

Melhor filme de comédia ou musical
"O artista do desastre"
"Corra!"
"O rei do show"
"I, Tonya"
"Lady Bird: é hora de voar"

Uma vez que relevamos o detalhe ridículo de terem indicado numa categoria reservada para filmes de comédia uma obra de terror (o ótimo “Corra!”), dá para dizer que os filmes indicados aqui até superam os da categoria de drama.
Ao menos no fator curiosidade: Quer algo mais interessante que um filme elogiadíssimo inspirado nos bastidores do pior filme de todos os tempos (o infame “The Room”, de Tommy Wiseau), uma traquinagem notável cortesia do ator James Franco.
A cotação dos demais, “O Rei do Show”, “I, Tonya” e “Lady Bird” não poderia ser melhor.
Resta saber qual deles irá despontar como favorito. Por ora, muito se fala de “O Rei do Show”, mas minha aposta vai para James Franco e seu “O Artista do Desastre”.

Melhor atriz em filme de comédia ou musica
Judi Dench, "Victoria e Abdul: o confidente da rainha"
Helen Mirren, "The Leisure Seeker"
Margot Robbie, "I, Tonya"
Saoirse Ronan, "Lady Bird"
Emma Stone, "A guerra dos sexos"

A ganhadora do ano passado, Emma Stone surpreendeu emplacando mais uma indicação, agora por um filme muito bem avaliado dos mesmos diretores de “Pequena Miss Sunshine”. Aparentemente, suas maiores concorrentes são a linda Margot Robbie, que surpreendeu meio mundo com a força de sua atuação em “I, Tonya” e a sensacional dama inglesa Judi Dench por “Victoria e Abdul”.
Emma e Margot que me perdoem, mas minha torcida é dela!

Melhor ator em filme de comédia ou musical
Steve Carell, "A guerra dos sexos"
Ansel Elgort, "Em ritmo de fuga"
James Franco, "O artista do desastre"
Hugh Jackman, "O rei do show"
Daniel Kaluuya, "Corra!"

Adorei a indicação de Ansel Elgort –esse garoto vai longe! –como também a do sempre carismático Hugh Jackman (num papel que tem bem a cara dele, de ‘showman’) e, vá lá, a do talentoso Daniel Kaluuya (embora eu insista: O filme dele não é comédia!!!).
No entanto, por uma série de razões é James Franco, pelo já memorável “O Artista do Desastre” quem merecia a supremacia nesta temporada de prêmios.

Melhor atriz coadjuvante
Mary J. Blige, "Mudbound"
Hong Chou, "Pequena grande vila"
Allison Janney, "I, Tonya"
Laurie Metcalf, "Lady Bird: É hora de voar"
Octavia Spencer, "A forma da água"

Melhor ator coadjuvante
Willem Dafoe, "Projeto Flórida"
Armie Hammer, "Me chame pelo seu nome"
Richard Jenkins, "A forma da água"
Christopher Plummer, "Todo o dinheiro do mundo"
Sam Rockwell, "Três anúncios para um crime"

Há um comentário subliminar na indicação de Christopher Plummer por um filme no qual ele entrou aos quarenta e cinco do segundo tempo, substituindo o ator original Kevin Spacey. Mas, Plummer é um ator fenomenal e não tenho dúvidas de que merece a lembrança.
No mais há uma certa tendência em reconhecer o trabalho de Willem Dafoe que pode se sair bem na temporada de premiações, seu maior concorrente é, sem duvidas, Armie Hammer.

Melhor animação
"O Poderoso Chefinho"
"The Breadwinner"
"Viva: A vida é uma festa"
"O touro Ferdinando"
"Com amor, Van Gogh"

“Viva-A Vida É Uma Festa”, da Pixar, ainda não estreou aqui no Brasil, mas vem arrebatando público e crítica mundo afora, como é habitual do estúdio, o que já fez dele o favorito da categoria contra obras curiosas como o lírico “Com Amor, Van Gogh” ou a recriação nos tempo de hoje (leia-se, em computação gráfica) do cultuado curta animado “O Touro Ferdinando”, pelo brasileiro Carlos Saldanha.

Melhor canção original
"Home", "O touro Ferdinando"
"River", "Mudbound"
"Viva: a vida é uma festa"
"The star", "The star"
"This is me", "O rei do show"

Melhor trilha sonora
Carter Burwell, "Três anúncios para um crime"
Alexander Desplat, "A forma da água"
Johnny Greenwood, "Trama fantasma"
Hans Zimmer, "Dunkirk"
John Williams, "The post: a guerra secreta"

Melhor filme estrangeiro
"Uma mulher fantástica" (Chile)
"First they killed my father" (Camboja)
"In the fade" (Alemanha)
"Loveless" (Rússia)
"The square" (Suécia)

Por aqui, pelo menos, nada do nosso “Bingo-O Rei das Manhãs”... Dentre estes cinco, os mais falados e comentados são “First They Killed My Father”, dirigido por Angelina Jolie e com todo o engajamento que se espera dela, e “The Square”, o filme sueco estrelado por Elizabeth Moss (da série “Mad Men”) e vencedor da Palma de Ouro no último festival de Cannes.

Melhor roteiro
"A forma da água"
"Lady Bird"
"The Post: a guerra secreta"
"Três anúncios para um crime"
"A grande jogada"

Agora é só esperar e especular. Os vencedores serão anunciados na cerimônia do dia 7 de janeiro.

sábado, 4 de novembro de 2017

Os Vencedores do Oscar 2008

A consagração (até tardia, uns podem afirmar) dos Irmãos Coen, chegando justamente por uma de suas obras-primas, um filme francamente superior a todos os outros concorrentes.
A cerimônia também revelou a espetacular francesa Marion Cotillard aos olhos do mundo e de Hollywood: Muitos devem ter ficado surpresos quando ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz e subiu ao palco revelando-se uma mulher tão jovem e linda, completamente diferente do que se vê em seu impressionante trabalho em “Piaf-Um Hino Ao Amor”.
Não dava mesmo para negar o Oscar de Melhor Ator para Daniel Day-Lewis (o segundo dos três que ele já conquistou) e nem o de Melhor Coadjuvante para Javier Barden.
Ainda sobraram alguns prêmios para reconhecer um dos melhores trabalhos do ano, “O Ultimato Bourne”, o magistral fim da trilogia, agraciado com três estatuetas técnicas.
Mas, a marmelada da noite parece ter sido por conta do prêmio de efeitos visuais, conquistado não por “Transformers”, o franco favorito, mas pelo equivocado e tímido “A Bússola de Ouro”.

MELHOR FILME

MELHOR DIREÇÃO
"Onde Os Fracos Não Têm Vez", Joel e Ethan Coen

MELHOR ATRIZ
Marion Cotillard, "Piaf-Um Hino Ao Amor"

MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis, "Sangue Negro"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Tilda Swinton, "Conduta de Risco"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Javier Barden, "Onde Os Fracos Não Têm Vez"

MELHOR FOTOGRAFIA
"Sangue Negro"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM
"Taxi Para A Escuridão"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
"Freeheld"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"Os Falsários" (Áustria)

MELHOR MIXAGEM DE SOM
"O Ultimato Bourne"

MELHORES EFEITOS VISUAIS
"A Bússola de Ouro"

MELHOR MAQUIAGEM
"Piaf-Um Hino Ao Amor"

MELHOR FIGURINO
"Elizabeth-A Era de Ouro"

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
"O Ultimato Bourne"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
"Sweeney Todd-O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet"

MELHOR TRILHA SONORA

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Falling Slowly", de "Apenas Uma Vez"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Juno"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Onde Os Fracos Não Têm Vez"

MELHOR LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"Ratatouille"

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"Peter e O Lobo"

MELHOR MONTAGEM
"O Ultimato Bourne"

MELHOR CURTA-METRAGEM
"Le Mozart dês Pickpockets”

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Gangues de Nova York

A primeira colaboração entre Leonardo Dicaprio e Martin Scorsese marcou um período em que o astro começava enfim a deixar a sombra do sucesso esmagador de “Titanic” para trás e construía uma bela carreira –no mesmo ano, ele lançou o excelente “Prenda-Me Se For Capaz”, de Steven Spielberg.
Na filmografia de Scorsese, por sua vez, “Gangues de Nova York” dialoga com “A Época da Inocência”, por se ambientarem na mesma metrópole e no mesmo período de tempo (o Século 19), embora pareçam tratar de assuntos e temas de radical diferenciação –e a presença de Daniel Day-Lewis no elenco de ambas as produções não deve, por isso mesmo, ser tratada como coincidência.
Este foi um projeto longamente acalentado por Scorsese –as primeiras tentativas de viabilizá-lo datam do fim da década de 1970! –talvez, por refletir com pertinência os seus interesses como contador de histórias.
Como é inerente ao seu vigor, Scorsese observa o submundo corrupto da cidade de Nova York, ainda em estado transitório do quê viria a ser –uma cidade entrecortada pelos fortes contrastes culturais trazidos por imigrantes das mais diversas partes do mundo. É para lá que vai o jovem Amsterdam Vallom (Dicaprio, cada vez mais evoluído como ator), com a obscura intenção de vingar a morte de seu pai pelas mãos de Bill The Butcher, o atual líder da estrutura de poder vigente.
E a cena de batalha que responde como prólogo do filme, quando Bill mata o pai de Vallom (vivido por Liam Neeson) é, já ela, de um registro arrepiante e sem concessões da brutalidade como só um mestre é capaz de fazê-lo.
Bill (interpretado com preciosismo invulgar por Day-Lewis) é um personagem intrigante: É a essência do mal, e nada em seu comportamento psicótico esconde isso, mas nutre um senso de honra –assim como um afeto aos que lhe são próximos e confiáveis –que lhe confere inesperada humanidade: Ele realiza, por exemplo, uma cerimônia anual, em homenagem ao seu inimigo assassinado, o pai de Amsterdam Vallom. O próprio Vallom, por sua vez, durante algum tempo, cai em suas graças, virando seu braço-direito.
Bill ganha também, de Scorsese e do ator que o interpreta, uma caracterização algo destoante, um aspecto que o torna sempre uma figura intrusiva em cada uma das imagens em que aparece: Essa sensação é passada nos detalhes meticulosamente escolhidos em seu figurino (as opções de cores evidenciam tanto a falta de conhecimento do personagem em como se vestir adequadamente, como sua não declarada intenção de pertencer à uma classe mais alta que não é a sua), no movimento brilhantemente estudado de Day-Lewis (que para variar emprega uma técnica bem equilibrada e apropriadamente espalhafatosa em sua atuação), e até em detalhes que poderiam soar cartunescos numa outra composição (como a íris artificial num dos olhos de Bill).
São todos esforços conscientes e inteligentes que só fazem bem à história: Por conta deles, em nenhum momento essa humanização de Bill tira o foco (e a expectativa, ou até torcida) do expectador para o cerne da narrativa: A vingança de Amsterdam Vallom.
Para levar a cabo essa vingança, entretanto, Vallom compreende que terá de envolver-se com os mecanismos políticos e sociais dessa cidade ebuliente que cresce a partir dos imigrantes que recebe em quantidade maciça nos seus portos.
É assim que, na medida em que conta a história do embate brutal entre dois homens em níveis que vão se estreitando do cordial e político até o físico e nada civilizado, Scorsese reflete sobre a mentalidade intrinsecamente animalesca daqueles audazes pioneiros que moldaram a América, sobretudo, uma de suas mais emblemáticas cidades, Nova York. Na abordagem grandiosa que seu épico vigoroso busca fazer, e na complexidade loquaz e ramificada do trecho histórico que relata, o diretor acaba inferindo por momentos que oscilam em impressão na condução de seu trabalho, ora confuso, ora eletrizante, mas ele jamais deixa que se perca uma apurada visão artística sobre todas as facetas que se dispõe a observar e, mais do que isso, jamais perde o foco da analogia essencial que, no fim das contas, seu filme procura estabelecer, como bem mostra a cena final onde o diretor avança no tempo para evidenciar as torres gêmeas do World Trade Center em seu enquadramento: Era então o ano de 2002, e o 11 de Setembro ainda era uma ferida aberta pedindo por tratamento (ainda que ele fosse existencial).