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quarta-feira, 27 de maio de 2026

O Sobrevivente


 Não muito tempo depois dos cinemas terem recebido “A Longa Marcha”, adaptação da primeira obra escrita por Stephen King, as telonas ganharam então este “O Sobrevivente”, também ele adaptado de um livro de King –no qual ele também utilizou o pseudônimo Richard Bachman –contudo, “O Sobrevivente” já havia sido adaptado antes, em 1987, num filme de profusa mescla entre ficção científica e pancadaria estrelado por Arnold Schwarzenegger. Nesta nova versão, ele é substituído por Glenn Powell (mas, Schwarzenegger é lembrado com sua estampa nas notas de dinheiro comercializado naquele futuro distópico!), entretanto, quem de fato dá a tônica para este novo filme é seu diretor Edgar Wright.

Habituado a realizar filmes brilhantes em sucessão um após o outro, Wright é aquele raro tipo de autor que está num patamar elevado aos demais, um esteta capaz de forjar filmes tão comercialmente satisfatórios quanto primorosamente artísticos –essa seleta lista de diretores atualmente inclui, além dele, Denis Villeneuve, Alfonso Cuarón, Paul Thomas Anderson e... bem, já começa a ficar difícil lembrar mais alguém!

Para fugir da mera pecha de filme de ação que veio atrelada à produção de 1987 (ainda que as plateias daqueles tempos não se importassem nem um pouco com isso), Edgar Wright constrói em “O Sobrevivente” –ou “The Running Man” –um futuro assolado por versões turbinadas e anabolizadas de celeumas sociais e existenciais que nos assolam hoje, desenvolvendo dentro desse cenário uma narrativa de perseguição e suspense tão urgente quanto eletrizante.

No papel de Ben Richards, um operário do futuro com problemas até o pescoço, Glenn Powell imprime uma raiva reativa que define muito do personagem (e sedimenta muito do caminho que ele trilhará): Sua filhinha pequena está doente, e sem dinheiro para custear remédios e tratamento, ela pode não passar de alguns dias de vida!

Depois de ter negado seus pedidos para obter emprego –Ben não é bem visto pelos empregadores desde que denunciou a empresa por abuso trabalhista –ele precisa engolir o orgulho e ver a esposa Sheila (Jayme Lawson, de “Pecadores”) trabalhar numa boate/lanchonete para colher gorjetas o suficiente dos clientes pagantes. Indignado e desesperado com a situação, Ben segue para a tentacular emissora Gratui-TV, disposto à participar de alguns dos programas de auditório onde telespectadores participantes embolsam alguma grana. Porém, Ben, graças ao temperamento apropriadamente explosivo que demonstra na ocasião, acaba selecionado logo para o mais letal de todos: O reality show “The Running Man”.

Atingindo picos de audiência, e capaz de proporcionar aos seus concorrentes rios de dinheiro, o “The Running Man” tem como apresentador o afiado personagem de Colman Domingo (ator indicado ao Oscar pelo filme “Rustin”) e consiste de um jogo no qual três voluntários devem tentar fugir pelas ruas da cidade (e do estado, e do país, se for o caso) por um período de trinta dias. Durante esse tempo, eles serão caçados e perseguidos por grupos de elite especializados nessas operações (instruídos a fulmina-los sem dó nem piedade), e acompanhados de drones de câmeras high-tech ao vivo.

A fim de apimentar a circunstância, a rede de TV cria narrativas mentirosas onde os sobreviventes são renegados e inescrupulosos e os caçadores, galantes agentes a serviço da justiça –o que transforma, portanto, cada pessoa da rua que o reconhecer num inimigo em potencial capaz de denunciá-lo.

Quanto mais tempo o participante conseguir ficar vivo (e poucos foram os que conseguiram passar de poucos dias; e nenhum jamais totalizou um mês!), mais dinheiro ele ganha; e quanto mais atenção o participante chama para si e para sua perseguição, maior é a audiência do programa.

Ben Richards inicia assim sua jornada tentando passar despercebido, fugindo para lugares improváveis onde crê que não será encontrado. No entanto, tão logo se torna o único a sobreviver, ele percebe a facilidade com que os caçadores se valem do sistema para rapidamente rastreá-lo –e passa então a contar com algumas poucas alianças para tentar chegar aos almejados 30 dias e, quem sabe, sobreviver e voltar para sua família, entre esses inesperados aliados estão o blogueiro e ativista Bradley Throckmorton (Daniel Ezra); seu pequeno irmão; o pinel e revolucionário Elton Parrakis (Michael Cera); e a jovem Amelia Williams (Emilia Jones, do premiado “CODA-No Ritmo do Coração”), inicialmente tomada como refém por Ben, e em princípio, crédula nas narrativas vilanescas associadas a ele, mas, aos poucos, consciente da manipulação que a Gratui-TV e seu chefão maior, o produtor Dan Killian (Josh Brolin) fazem com o público.

Com um pouco menos de ação e um pouco mais de suspense do que o filme de 1987 (ainda que, quando a ação aparece ela se dá em cenas de uma sinergia assombrosa), “O Sobrevivente” pincela o fascinante, opressor e detalhado mundo em que a trama se passa com elementos poderosos de controle midiático (inclusive com as famosas alterações de filmagens feitas com IA), de desigualdade social em níveis extremos e alarmantes e da opressão exercida pelos poderosos de formas incisivas e ultrajantes –e, apesar de tudo, nem um pouco improváveis de serem perfeitamente reais!

“O Sobrevivente”, com Arnold Schwarzenegger, é hoje um cult-movie, por sua mescla saborosa de adrenalina e futurismo (numa época em que satirizar realitys era um arrojo!), o novo filme tem até potencial para virar cult também (até porque Edgar Wright, em sua resplandecente carreira já concebeu alguns), mas sua ênfase está menos voltada para a ação e a pancadaria, e mais para a pertinente denúncia às corporações e às suas corruptíveis influências no público expectador, presente já na aflitiva obra literária de Stephen King.

terça-feira, 28 de junho de 2022

Noite Passada Em Soho


 No fim das contas, está aberto a questionamentos se “Noite Passada Em Soho” é de fato o filme de viagem no tempo que inicialmente ele sugere ser, mas certamente, esse retorno ao passado faz parte integral dos planos do diretor Edgar Wright: Ele evoca uma série de vertentes, inspirações e influências diretamente relacionadas aos anos 1960 que, com tanto entusiasmo, se propõe a revisitar. Há, por exemplo, o retrato da ‘Swinging London’ presente no icônico “Blow Up”, de Antonioni, o tom e atmosfera muito reconhecíveis do giallo italiano, sobretudo, nos momentos em que a obra atinge seu clímax e diz a que veio, e pelo menos uma cena que remete imediatamente à “Repulsa Ao Sexo”, de Polanski (lançado em 1965), também ele trazendo uma protagonista assombrada pela indefinição entre o alucinatório e o real.

A ótima Thomasin McKensie –a garota de “Jojo Rabbit” –é Eloise Turner, jovem inglesa vinda de Cornwall, no interior, para tentar estudar moda em Londres e ser uma estilista. Como bem sua avó (Rita Tushingham) lhe advertiu, o lado negro de Londres não demora ameaçar tragá-la tão logo ela chega: Sua colega de quarto, a invejosa Jocasta (Synnove Kalsen), lhe inferniza a vida a ponto dela sair da república e ir morar numa pensão. Todavia, nesse ponto, o filme de Edgar Wright começa a flertar abertamente com o fantástico: Imersa nas músicas antigas, gosto herdado da avó, Eloise se transporta, toda a noite, para um momento da década de 1960, quando passa a viver na pele de uma jovem, Sandie (a extraordinária Anya Taylor-Joy) que, como ela, foi para Londres a fim de vencer como cantora, mas amargou decepção atrás de decepção, até ser engolida pela sordidez da realidade.

Se em princípio, Wright expõe um mistério ao expectador –seriam as visões noturnas uma viagem no tempo da parte de Eloise? Ou um reflexo de seus dons mediúnicos sugeridos desde o início da narrativa? –ele logo substitui essa dúvida por outra: Afinal, quais os desdobramentos trágicos do que terminou acontecendo com Sandie? E como Eloise obterá as respostas no presente atual, tantas décadas depois que tudo ocorreu?

Diretor talentoso, desigual e dono de um estilo visual peculiar e arrojado, Edgar Wright sabe empregar maneirismos sedutores para contar uma história, e aqui, além de tornar a mostrar seu apreço palpitante pela música em conjugação com as belas imagens (como já havia feito em “Baby Driver”), ele tem também uma dupla fantástica de atrizes principais. Entretanto, embora seu roteiro seja construído com detalhismo, perspicácia e uma certa paixão, ele não escapa da evidência desfavorável de que, no charme inconteste empregado na direção, a forma é muito mais bem acabada que seu conteúdo –ainda que faça um suspense belíssimo em seu anacronismo, pulsante em sua proposta e vistoso em sua estética, a trama de mistério que vai se descortinando revela-se seu grande calcanhar de Aquíles, uma vez que, no fim das contas, nada realmente de inovador, ou até surpreendente, termina sendo contado.

“Noite Passada Em Soho” descobre-se incapaz de escapar da seara de realizações onde o mundo de imagens estarrecedoras que pareciam levar a heroína rumo à insanidade acabam levando-a, de fato, à solução de um crime antes insolúvel, não sem antes explorar a máxima de que nada é, deveras, aquilo que parece ser.

Poderia ser –e de fato, talvez, até seja –uma produção acima da média, no entanto, quando contemplamos a sensacional filmografia de seu realizador logo notamos que “Noite Passada Em Soho” atinge notas que poderiam alcançar um nível de inspiração muito mais elevado.

segunda-feira, 22 de novembro de 2021

Algumas previsões para o Oscar 2022...

 No dia 8 de fevereiro de 2022 serão anunciados os indicados aos Oscar, e no dia 27 de março, dentre esses indicados, serão anunciados, por fim, os vencedores, as obras nomeadas pela Academia de Artes Cinematográficas como as melhores do ano. Sendo assim, é justo afirmar que, neste presente momento em que você lê estas linhas, a temporada de prêmios já se iniciou. Como na temporada anterior, as circunstâncias da pandemia tornam mais nebulosas as chances de palpites certeiros, com filmes podendo serem adiados e/ou lançados a qualquer momento –inclusive nas plataformas de streaming, de onde obras muito premiadas dos últimos anos andaram saindo. A imprevisibilidade dessas novas condições torna mais desafiador apontar prováveis eleitos e favoritos reais, mas, vamos tentar.


 A Crônica Francesa

Cada nova obra de Wes Anderson é um deleite. Diretor desigual, de um estilo que se aprimora a cada projeto, ele acrescenta, neste “A Crônica Francesa” um tom engajado e reflexivo ao primor narrativo de sempre e à excelência técnica que seus filmes já costumam oferecer. O elenco extenso e estelar é um convite à premiações, e dificilmente a Academia deixará este filme passar despercebido.


 Não Olhe Para Cima

A maior produção da Netflix até então, “Não Olhe Para Cima” é extraordinariamente ambicioso: Além de colocar encabeçando seu fenomenal elenco a dupla Leonardo Dicaprio e Jennifer Lawrence (provavelmente os dois maiores astros da atualidade), o filme tem direção e roteiro do aclamado Adam McKay, autor de dois filmes audazes, perspicazes e inteligentes que causaram rebuliço nos últimos anos, “A Grande Aposta” e “Vice”. Não obstante, as primeira críticas apontam uma obra brilhantemente equilibrada entre a sátira política e a competência cinematográfica, um “Dr. Fantástico” dos novos tempos.


 Amor Sublime Amor

O simples fato de ser um filme de Steven Spielberg já lança imediata luz sobre este projeto, agendado para estrear no fim do ano passado, mas adiado em um ano, assim como tantos outros. No entanto, “Amor, Sublime Amor” é também a audaz refilmagem de um filme, em princípio, impossível de se refilmar: O clássico tido como intocável de 1961, dirigido por Robert Wise e Jerome Robbins, ganhador de nada menos do que 10 prêmios Oscar! Ao mesmo tempo, Spielberg realiza aqui um sonho: O de enfim dirigir um filme musical; desejo que ele só chegou perto de realizar na cena de abertura de “Indiana Jones e O Templo da Perdição”. Não apenas o nome de um dos maiores diretores de cinema da atualidade (senão O maior) destaca este filme, como o fato de que todos os trabalhos de Spielberg recebem grande atenção no Oscar –e, com efeito, são obras excelentes.


 Duna-Primeira Parte

O clássico literário “Duna”, de Frank Herbert, transcorreu um longo e tortuoso caminho até ganhar uma adaptação digna e satisfatória para cinema. “Duna”, de Denis Vileneuve –que se incumbe de transpor a primeira parte do livro para as telas –segue percalços muito semelhantes à “O Senhor dos Anéis-A Sociedade do Anel”, de Peter Jackson, passando inclusive pelo belo desempenho de bilheteria e pela aclamação praticamente unânime da crítica. Além disso, a Academia adora quando Vileneuve se aventura com êxito no terreno da ficção científica, vide o reconhecimento caloroso dado à seus projetos anteriores, “A Chegada” e “Blade Runner 2019”.


 Spencer

O diretor chileno, Pablo Larraín, parece ter se especializado em grandes biografias de figuras fundamentais do Século XX. Ele já havia colecionado elogios tremendos por seu excelente “Jackie”, e tudo indica que repetirá a dose com “Spencer” –e, de quebra, ainda pode obter a primeira indicação ao Oscar de Melhor Atriz para Kristen Stewart –que desvenda a intimidade da icônica Princesa Diana.


 Casa
Gucci

Outro diretor cujos trabalhos, adentrem o gênero que adentrarem, frequentemente monopolizam as atenções da Academia é Ridley Scott. Aqui, ele abandona os épicos de praxe para focar numa trama que remonta a história real do assassinato de um herdeiro da grife Gucci por sua ex-esposa, Patrizia Reggiani. Como a maioria dos filmes com fortes predisposições para competir ao Oscar, este tem um elenco estelar escolhido à dedo: Lady Gaga (uma atriz consumada após o sucesso de “Nasce Uma Estrela”), Adam Driver, Jared Leto, Al Pacino, Jeremy irons e Salma Hayek.


 The Tragedy Of
Macbeth

Vinte e um anos depois dos Irmãos Coen terem realizado “E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?”, adaptando a obra de James Joyce, “Ulisses” para uma pitoresca ambientação norte-americana, eles, de certa forma, tentam algo parecido com “The Tragedy Of Macbeth”, dando sua visão ímpar, incomum e certamente magistral para a conhecida tragédia criada por William Shakespeare, contando com o magnífico par central interpretado por Denzel Washington e Frances McDormand –ela, esposa de Joel Coen, um dos diretores, e vencedora do Oscar de Melhor Atriz por “Nomadland” na última premiação.


 Cry
Macho

Já de avançada idade, cada novo filme dirigido e estrelado por Clint Eastwood parece soar como sua despedida, seu testamento. Assim pareceu ser o elogiado “A Mula”, e assim parece “Cry Macho” que, sob muitos aspectos lança uma circunspecta luz analítica sobre as facetas humanas da persona à qual o próprio Clint Eastwood foi muito relacionado em toda sua carreira. Não deixa de ser uma proposta que remete ao elogiado “Os Imperdoáveis” que deu a ele o Oscar 1992 de Melhor Filme.


 Noite Passada Em Soho

O diretor Edgar Wright é um dos mais originais e brilhantes estetas a surgir no cinema nos últimos anos. Trabalhos como “Todo Mundo Quase Morto”, “Scott Pilgrim Contra O Mundo” ou “Em Ritmo de Fuga” proporcionam experiências cinematográficas plenas e inquestionáveis  e uma sintonia fora do comum com o que há de mais arrojado na cultura pop. Há tempos pedindo por um reconhecimento, Wright entrega agora uma obra vibrante, desafiadora  e surpreendente ao acessar ecos subconscientes do elogiado cinema da década de 1970 –como o ‘giallo’ e o Novo Cinema Britânico –e ainda traz duas protagonistas maravilhosas: Thomasin McKensie (de “Jojo Rabbit”) e Anya Taylor-Joy (de “O Gambito da Rainha”).

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Em Ritmo de Fuga

Ao som de “Belbottoms”, de Jon Spencer Blues Explosion, cujas notas a montagem calibra com primor às seqüências de ação, vemos transcorrer o primeiro e vertiginoso assalto do filme. O motorista atende pelo nome de Baby (Ansel Elgort, demonstrando pleno potencial) e sua perícia hiperlativa para piloto de fuga é construída a partir de um repertório de estranhos e curiosos hábitos –entre eles, o de ouvir música durante os assaltos.
Consta que o diretor Edgar Wright (de “Todo Mundo Quase Morto”, “Chumbo Grosso” e “Scott Pilgrim Contra O Mundo”), um mestre em unir urgência, humor e empatia em narrativas dinâmicas, assistiu ao magnífico “Drive”, de Nicolas Winding Refn, e nele se inspirou tanto que a idéia de todo um novo filme aflorou.
Deveras, há muito em comum entre “Drive” e este “Baby Driver” –o título original –mas, a graça maior está em suas diferenças.
Tudo o que Baby quer é saldar sua dívida com Doc (Kevin Spacey, ameaçador). O quê, no caso, ele não está tão longe assim de fazê-lo: Basta mais um único serviço e ele estará livre para reforçar seu compromisso com a deliciosa garçonete Debora (Lily James, infinitamente mais interessante do que em “Cinderella”), e poder cuidar de seu pai adotivo Joe, que é surdo-mudo e, por isso mesmo, um dos responsáveis indiretos pelo imenso apreço de Baby pelo som e pela música.
Tendo completado a tarefa criminosa que julgava ser a última, Baby é confrontado, dias depois, por Doc –ele o quer de novo como piloto de fuga, aliás, ele o exige de novo como piloto de fuga: O crime, como em todo conto moral, é um pântano de areia movediça que só faz tragar.
O novo assalto reúne Baby com o casal Buddy (Jon Hamm) e Darling (Eiza Gonzalez) de seu penúltimo serviço, e com o traiçoeiro e instável Bats (Jamie Foxx), do último.
Entretanto, uma série de incidentes –somados à intenção de Baby de fazer deste realmente seu derradeiro trabalho –irão operar uma curiosa e engenhosa transformação na dinâmica entre os personagens, e estreitar ainda mais os perigos que ameaçam Baby e Debora.

Com um elenco soberbo, o diretor Wright subverte as expectativas do público em relação a quem serão os verdadeiros vilões e antagonistas e adiciona novas e pertinentes surpresas a esta muito bem executada aventura criminal impulsionada por uma das melhores trilhas sonoras do ano.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Scott Pilgrim Contra O Mundo

É quase impossível resistir à vontade de comparar uma obra cinematográfica com sua fonte original em quadrinhos quando é lançada uma adaptação, por mais que não seja algo aconselhável: Apesar das semelhanças significativas e, em alguns casos, fascinantes, entre as duas versões, é uma tendência natural que a versão impressa da história, devido ao seu ritmo literário subjetivo, à liberdade do autor e à amplitude do formato, seja mais detalhada e completa, dando ao filme a impressão de que ele mutilou e simplificou a história.
Embora seja dirigido com absoluto brilhantismo por Edgar Wright (realizador do magnífico “Todo Mundo Quase Morto”), essa não deixa de ser uma sensação que persegue o expectador em “Scott Pilgrim Contra O Mundo” quando se compara o filme e a HQ.
Outro problema –bem mais pessoal da minha parte –é a escolha do inadequado Michael Cera (de “Juno”) para interpretar Scott Pilgrim, um personagem irrequieto, carismático em sua falta de noção, e completamente distinto do registro abobalhado que Cera lhe dá (e que se repete, na verdade, em todas as atuações do ator): É nítido que a escolha do protagonista foi uma das poucas intervenções do estúdio nesta produção –prova disso é que todos os outros personagens são maravilhosamente bem escalados.
Jovem canadense e guitarrista de uma banda obscura, o ligeiramente desligado Scott Pilgrim conhece, um belo dia, uma garota que lhe transforma a vida: a misteriosa e linda Ramona Flowers (Mary Elizabeth Winstead, de “Rua Cloverfield 10”, um arraso!).
Para namorá-la, contudo, Scott deve vencer um desafio; derrotar um a um os sete ex-namorados malignos que Ramona teve antes de conhecê-lo –o primeiro namoradinho, o indiano Matthew Patel (Satya Bhabha), o às do skate e astro de cinema nas horas vagas, Lucas Lee (Chris Evas, de “Capitão América”), o guitarrista e vegano metido a besta Todd Ingram (Brandon Routh, que estrelou “Superman-O Retorno”, de Bryan Singer), namorado por sua vez da belíssima Envy Adams (Brie Larson, sensacional como sempre), famosa rockstar e ex de Scott (!), a enfezada e mortífera Roxy Richter (Mae Whitman), um breve affair lésbico de Ramona (!), os gêmeos Kyle e Ken Katayanagi (Keita Saitou e Shôta Saitô), e o líder de todos, o manipulador Gideon Graves (Jason Schwartzman, impagável).
Todos têm poderes alucinantes (e inesperados para quem assiste o filme de maneira casual) e representam assim, nesta vibrante adaptação da festejada graphic-novel de Bryan O’ Malley, o originalíssimo contexto no qual a narrativa está inserida: Absorvendo elementos, premissas e circunstâncias dos jogos de videogame, o filme se estrutura em “fases” representadas pelas lutas contra cada ex-namorado/adversário, que Scott Pilgrim deve derrotar, assim como também deve, nesse processo, encontrar um meio de amadurecer, para conseguir administrar o relacionamento que conquista com Ramona a cada combate. Isso dá ao filme um dinamismo e um apelo próprio e cativante, efeito que os quadrinhos originais já causavam. É claro que nas HQs os pormenores desse relacionamento (o cerne real da obra, ao invés das lutas) e suas mínimas mudanças eram explorados com muito mais tempo e precisão, rendendo uma analogia extraordinariamente encantadora (e proporcionando uma presença muito maior e mais significativa à personagem de Knives Chau, vivida por Ellen Wong, essencial à trama e à seus desdobramentos, relegada, aqui, a uma participação infelizmente bem menor), mas o diretor Wright certamente obtém o melhor resultado possível dentro do limitado tempo de um longa-metragem.
Seu filme é cheio de sentimento e de cenas tão espantosas quando cativantes, fruto de sua técnica afiada e audaz, e do entendimento sensato do enredo, do ritmo e das motivações.

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Todo Mundo Quase Morto

Há hoje uma defasagem brutal que acomete o sub-gênero dos filmes de zumbi. Existem tantos à disposição no circuito que parece enfadonha a tarefa de encarar a todos. Isso e mais a onipresença da série de TV “The Walking Dead”, hoje uma das mais forte referências para esses exemplares.
Houve um tempo, contudo, que não era assim. E o diretor inglês Edgar Wright foi sagaz ao realizar, por volta de 2004, este brilhante “Todo Mundo Quase Morto”, em parceria com os atores Simon Pegg e Nick Frost (parceria esta que se repetiria em outros bons filmes).
Aqui, Wright honrou os filmes de zumbi ressaltando tudo o quê neles tinha mérito, mesmo que esta fosse, no fim das contas, uma sátira: O sub-gênero (e sua importância sócio-cultural) são analisados e desconstruídos com inteligência e minúcia, fazendo lembrar os bons tempos de George Romero e seu ainda inovador “Despertar dos Mortos”.
O sempre ótimo Simon Pegg é Shaun, um inglês suburbano de classe media-baixa que está na pior: Levou um fora da namorada que o considera imaturo demais, sua mãe reclama da ausência do filho, e seu padrasto o cobra por isso, seu emprego é uma porcaria, e seu companheiro de aluguel lhe deu um ultimato, pois não aguenta mais os modos grosseiros do melhor amigo de Shaun (Nick Frost), um verdadeiro porcalhão.
Tudo isso acontece exatamente quando o mundo é assolado por uma epidemia de mortos-vivos que atacam as pessoas. Mas, como em todos os demais problemas de sua vida, Shaun não consegue sair da inércia; ele mal se dá conta da gravidade da situação, indo à uma lojinha de conveniência e passando completamente despercebido (e sem percebê-los!) pelos mortos-vivos! Entretanto, é justamente Shaun quem se vê transformado em líder do pequeno grupo de sobrevivência que eles formam.

Um daqueles raríssimos casos em que a sátira acaba rendendo um trabalho digno de ser considerado um dos melhores do próprio gênero que ele quer parodiar.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

Quentin Tarantino, Robert Rodrigues e o Projeto Grindhouse

Uma das idéias mais ambiciosas e insanas dos últimos tempos saiu, não por acaso, das mentes fervilhantes e ousadas de Quentin Tarantino e Robert Rodrigues: Grindhouse.
Tratava-se de um projeto de 2007, no qual eles peitavam a estrutura padrão de filmes norte-americanos (e mundiais, já que os cinemas do mundo todo adotaram o formato multiplex).
A ideia era entregar um longa-metragem que, na verdade, era dois filmes em um: Num mesmo rolo a ser exibido nos cinemas de shopping center (e hoje quase só existem essas salas de cinema mesmo, com raras exceções), haveria dois filmes, “Planeta Terror” e “À Prova de Morte”, ambos de não mais que noventa minutos de duração, dirigidos por Rodrigues e Tarantino, respectivamente, que junto de outros ‘trailers falsos’ –dos quais já iremos falar –compunham uma experiência que simulava uma sessão de filmes B, o cinema poeira, o grindhouse dos anos 1970, cujos exemplares Tarantino tanto ama homenagear.
Eram filmes de baixo orçamento, de conteúdo por vezes popular e popularesco, que por serem de metragem enxuta, podiam ser exibidos em sessões duplas nos drive-ins.
Muitas dessas obras, tão cultuadas por Tarantino, se perderam, algumas na transição de mídia para o VHS, por que muitos estúdios e distribuidoras do período não lhe davam valor. Alguns desses filmes são cults, muitos deles pelo simples fato de serem raríssimos.
Os filmes idealizados por Rodrigues e Tarantino, imulam as características dos filmes daquele período, inclusive com ‘sujeiras na projeção’ e partes cortadas onde o ‘negativo se perdeu’. Disfarçando suas produções de filmes B, os realizadores propunham ao expectador uma espécie de viagem no tempo.
No primeiro deles, “Planeta Terror”, Robert Rodrigues exercita sua paixão pelos filmes de zumbi, com um pé na ficção científica barata.
Só assim para comprar a trama mirabolante em que uma pequena cidadezinha do Texas é subitamente assolada por uma praga de zumbis carniceiros e gosmentos. Os sobreviventes que se unem contra eles são uma coleção de personagens peculiares e cartunescos: o rapaz misterioso, bom de briga e de papo (Freddy Rodrigues, nenhum parentesco com o diretor), o xerife paternalista (Michael Biehn) e seus ajudantes ineptos e engraçados, o dono de lanchonete que protege sua receita secreta de churrasco como sua própria vida (Jeff Fahey), o médico sádico e sarcástico (Josh Brolin) que parece saído de um gibi, assim como sua esposa (Marley Shelton), e a heroína,a stripper que tem a perna amputada e em seu lugar recebe uma metralhadora! Interpretada por uma Rose McGowan sensualmente vulcânica, ela não só rouba o filme como é também a figura mais emblemática dos filmes Grindhouse.
Já, na obra de Quentin Tarantino, “À Prova de Morte”, Kurt Russel surge na pele de um personagem chamado Dublê Mike, um psicopata, que mata suas vítimas usando seu carro, todo equipado para protegê-lo das consequências mais sérias de acidentes automobilísticos –já que nas horas vagas, ele atua como dublê de cinema em cenas perigosas ao volante. Assim ele procura, em bares e estradas, por suas vítimas, em geral, mulheres, para deliberadamente arremessar seu carro sobre elas. Mas, Dublê Mike encontra um grupo de garotas, formado por Rosário Dawson, Zoe Bell e Tracie Thoms que vão fazê-lo se dar mal.
O filme de Tarantino possui mais qualidade, como cinema (desde o roteiro mais elaborado à condução da atuação do elenco), do que o filme de Rodrigues, mas isso nem chega a ser uma novidade. Como é de praxe no cinema de Tarantino, os personagens destilam uma prosa desconcertante em brilhantes atuações. Ao fim, as mulheres são redimidas pelas três protagonistas que parecem surgir para subverter a então misoginia da narrativa.
Intercalando os dois filmes, uma série de trailers falsos (ou seja, não eram filmes reais!) cujo objetivo era, de fato, dar uma idéia e um “sabor” de como eram as impressões passadas pelos filmes e propagandas do período. São eles:
“Machete” –O mais sensacional deles, realizado pelo próprio Rodrigues, e que anos depois, de fato, tornou-se um longa-metragem, ganhando até uma continuação. “Machete” mostra a história de um policial federal mexicano (Danny Trejo) envolvido numa aloprada trama de vingança (e absolutamente nada disso deve ser levado à sério!).

“Thanks Giving” –Sobre um suposto filme slasher de terror (aqueles de contagem de corpos, estilo “Sexta-Feira 13”), mas que faz referencia ao que talvez seja o único feriado americano ainda pouco explorado por filmes de terror: O Dia de Ação de Graças. Esse trailer foi criado e dirigido por Eli Roth, chapa de Tarantino (fez até uma participação em “Bastardos Inglórios” como ator) e diretor de “Cabana do Inferno” e “O Albergue”.

“Werewolf Women of SS” –Na trama... bem, na verdade, nem existe trama, afinal, é um trailer falso! Mas, a idéia discorre sobre os filmes de nazi exploitation (produções cheias de violência e nudez envolvendo nazistas torturando mulheres que compunham o repertório dos grindhouses e, para variar, eram adoradas por Quentin Tarantino), mostra um cientista (Bill Moseley) fazendo experiências em mulheres, que terminam virando lobisomens, é dirigido por Rob Zombie (“A Casa dos 1000 Corpos”) e tem até uma aparição de Nicolas Cage ao final, como Fu-Manchu (!?!).

Don’t! –Quase um teaser dos tempos de antigamente, onde o espirituoso diretor Edgar Wright (de “Todo Mundo Quase Morto”) adotava o mesmo estilo com que eram feitos os trailers de produções inglesas de terror: Os trailers eram todos narrados, omitindo cenas de diálogos para que o público não percebesse o sotaque dos atores (!).
Pode parecer uma proposta radical demais para produtores e exibidores de cinema, e de fato era! Tanto que, logo, esse projeto foi redesenhado: Salvo algumas salas nos EUA, eles foram lançados divididos em dois filmes mesmo, “Planeta Terror” (junto com o trailer de “Machete”) e “Á Prova de Morte”, e essa lógica foi seguida, mais tarde, para o lançamento em DVD.

Vale lembrar que as cópias canadenses de “Grindhouse” tiveram um adendo: Foi feita uma espécie de seleção, na qual fãs enviaram seus próprios ‘trailers falsos’ para um fosse escolhido e ganhasse a honra de integrar o projeto. O trailer escolhido foi “Hobo With Shotgun” que contava a alucinada trama de um indigente que, ao juntar uma grana cortando grama na cidade, resolve usar o dinheiro para comprar uma espingarda calibre 22 e sair pela rua matando a bandidagem. Anos depois, assim como ocorreu com “Machete”, “Hobo With Shotgun” tornou um longa-metragem de fato, estrelado por Rutger Hauer, e lançado aqui no Brasil em DVD com o título “O Vingador-Fazendo Justiça A Cada Bala”. O filme, paupérrimo ao extremo, possuía todo um clima precário de filme trash evidenciando o amadorismo de seus realizadores.

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

10 Melhores Adaptações de Histórias Em Quadrinhos Fora do Eixo Marvel/DC Comics

WATCHMEN
Numa realidade paralela, o mundo de 1985 é completamente diferente daquele que conhecemos devido à influencia direta de vigilantes mascarados no dia-a-dia das pessoas normais. Os EUA, ainda presididos por Richard Nixon estão a beira de uma guerra nuclear, e os vigilantes, agora aposentados começam a aparecer assassinados pelo que parece ser uma conspiração. Os desdobramentos desses fatos levam diretamente a decisão da própria guerra,e do destino final dos heróis mascarados, sobretudo o onipotente Dr. Manhatan.
Esplêndida obra de ficção científica e histórica, adaptado da quintessencial graphic-novel escrita por Alan Moore, e até hoje tida como um dos grandes trabalhos das HQs.
O trabalho de adaptação é igualmente brilhante, seja no elenco, no roteiro ou na direção.
KICK ASS
O nerd Dave Lizewski passa seus dias se perguntando porquê todo mundo quer ser Paris Hilton e ninguém quer ser o Homem-Aranha.
Com esse estado de espírito, ele decide ser o primeiro super-herói do mundo real, veste uma roupa colante colorida e sai para a rua a fim de dar porrada na bandidagem. Quebra quase todos os ossos do corpo na primeira tentativa... e vira um verdadeiro fenômeno do youtube, na segunda!
Na sua cola, surgem outros personagens incomuns como o solícito (e duas caras) Red Mist, e principalmente a violenta dupla de vigilantes, Big Daddy e Hit Girl.
A partir dos quadrinhos escritos por Mark Millar, o diretor Matthew Vaughn elaborou um dos mais divertidos, eufóricos e surpreendentes filmes de ação dos últimos anos.
300
Na Grécia Antiga, a cidade de guerreiros de Sparta recebe a nefasta notícia de que hordas monumentais do imperador Xerxes, vindas da Pérsia, virão invadir seu continente pelo estreito das Termópilas. Sozinho em sua cruzada, o rei espartano, Leonidas, conduz trezentos soldados selecionados a fim de executar uma estratégia arriscada: valer-se da geografia afunilada das Termópilas para minimizar sua desvantagem numérica enquanto esmagam sistematicamente legião após legião de seus inimigos.
O diretor Zack Snyder (que depois viria a fazer "Watchmen") recria a pulsante e hipnótica graphic-novel de Frank Miller valendo-se das mesmas paletas de cores e enquadramentos desiguais que lhe davam tanta personalidade.
BATALHA REAL
Num futuro próximo, o governo japonês se vê diante de um impasse. O aumento cada vez maior da incidência de adolescentes, maioria esmagadora da população. Para controlar isso é aprovado o Programa de Sobrevivência Batalha Real, segundo o qual, uma classe de 40 alunos é levada a uma ilha onde recebem mapas, roupas, mantimentos, armas e uma espécie de bomba presa como coleira aos seus pescoços. Ao fim de três dias as bombas explodirão matando a todos, a não ser que sobre apenas um.
Assim, os amigos terão que se matar uns aos outros num jogo complicado de resistência e sorte. Cult japonês do final da década de 90 e influência para infindáveis filmes posteriores. É um prodígio de ritmo e originalidade.
V DE VINGANÇA
Já resenhada aqui, a adaptação da magnífica obra de crítica política de Alan Moore, escrita pelos irmãos Wachowsky e dirigida com surpreendente segurança pelo novato James McTeiger, foi uma das grandes surpresas cinematográficas do ano de 2005.
SCOTT PILGRIM CONTRA O MUNDO
Apaixonado repentinamente pela misteriosa e charmosa Ramona Flowers, Scott Pilgrim não economiza artifícios para conquistá-la (chega a ponto de fazer uma encomenda aleatória na Amazon -onde ela trabalha como entregadora -apenas para vê-la baterà sua porta).
A tarefa, contudo, não é fácil: Para conseguir ser seu namorado, Scott deve enfrentar os sete ex-namorados malignos que Ramona teve e, como num videogame, cada um é mais poderoso que o anterior.
A HQ de Bryan O'Malley (assim como este filme cheio de inventividade e sentimento que saiu dela) é uma brilhante transfiguração dos novos tempos, onde a vida é dividida em fases como num jogo de videogame.
SIN CITY - CIDADE DO PECADO
Três histórias extraídas das sórdidas revistas em quadrinhos noir escritas e ilustradas pelo mestre Frank Miller, ganham tradução cinematográfica literal (e à época inovadora!) do diretor Robert Rodriguez: "Cidade do Pecado" acompanhamos a trajetória de Marv, brutamontes que, em retribuição à única verdadeira noite de amor que já teve, irá caçar os assassinos de seu objeto do desejo, a stripper assassinada Goldie.
"A Grande Matança" coloca o misterioso Dwight às voltas com um mal-entendido capaz por um fim à uma trégua milenar entre os policiais e as protitutas da Cidade Velha.
E "O Assassino Amarelo" mostra o duro sacrifício do íntegro policial Hartigan, que vê sua vida e carreira serem destruídas para poder proteger uma garotinha de um psicótico.
AZUL É A COR MAIS QUENTE
A jovem Adele sente uma inesperada atração por Emma, garota militante, artista e atraente, que ostenta inusitadas madeixas azuis.
Opondo-se contra família, amigos e sociedade em geral, Adele inicia um romance com ela, que atravessará, ao longo dos anos em que estarão juntas, uma série de provações e mudanças.
Outra obra já resenhada por aqui.
KINGSMAN - SERVIÇO SECRETO
Eggsy não tem muita expectativa de sucesso. Morador do gueto, orfão de pai, e constantemente acuado pelo perverso padrasto, ele recebe uma proposta que pode mudar tudo: integrar o rigoroso treinamento para ser um agente da Kingsman, uma agência ultra-secreta, da qual seu pai já foi um agente (e que, inclusive, morreu em uma missão).
Mais uma vez uma HQ carregada de espirituosidade de Mark Millar, e mais uma vez, a direção sempre precisa de Matthew Vaughn. Não tinha como dar errado.
OLD BOY
Oh Dae Soo quer vingança. Mais do que isso, ele quer saber por quê! Há quinze anos, ele foi trancafiado, sem qualquer explicação num quarto vagabundo de hotel, onde passou todo esse tempo alimentando um ódio irracional contra seus captores. No processo, perdeu toda a família. Ao ser libertado (também sem qualquer explicação) ele decide fazer de seu objetivo de vida descobrir quem fez aquilo com ele. E vingar-se da forma mais cruel e dolorosa que puder conceber.
O grande diretor Chon Wook Park foi buscar, para fazer o capítulo do meio de sua prestigiada "trilogia da vingança", inspiração na HQ homônima, e fez com ela um filme poderoso, perverso e profundo sobre os anseios e pulsões do ser humano.
Um jovem clássico.