A partir de depoimentos colhidos por Jan Harlan (cunhado de Stanley Kubrick e produtor da maioria de seus filmes), este documentário narrado por Tom Cruise (que se tornou amigo pessoal do diretor após trabalhar com ele em “De Olhos Bem Fechados”) e lançado apropriadamente no ano 2001 busca lançar luz sobre sua carreira, pontuada de absolutas obras-primas cinematográficas, sobre o curioso e excêntrico processo de criação que ele adotava e –talvez, sua intenção mais difícil e inédita –esclarecer quem era, afinal, o ser humano Stanley Kubrick, por trás de um repertório famoso de manias e de inúmeras lendas que davam conta de alguém perfeccionista, complicado e de um comportamento frequentemente desigual.
A irmã de Jan Harlan, Catherine foi atriz no
filme “Glória Feita de Sangue” – ela é a mocinha que canta na emblemática e
marcante sequência final – foi quando conheceu Kubrick, diretor daquele
projeto, e com ele casou-se logo depois.
Stanley Kubrick realizou treze longa-metragens
para o cinema, pelo menos sete deles (ou até mais!) podem ser colocados, por
muitos especialistas, entre alguns dos maiores trabalhos do cinema. “Imagens de
Uma Vida” lança um olhar sobre cada um deles valendo-se de um rico arquivo de
imagens e filmagens, além de depoimentos, curiosidades técnicas, críticas da
época dos lançamentos – o que nos permite entender, inclusive, a repercussão
que as obras, e o próprio nome Stanley Kubrick, causaram entre público e
crítica.
Nascido em Nova York, no Brooklyn, no ano de 1928,
Kubrick foi um aluno indisposto com o sistema educacional – não gostava de
frequentar a escola. Seu hobby favorito era estudar fotografia, uma paixão
herdada do pai, Jacob Leonard. Como fotógrafo, ele trabalhou para a revista
“Look”, até que, no final da década de 1940, passou a produzir curta-metragens.
Seu primeiro longa-metragem foi o drama de
guerra “Fear and Desire”, logo sucedido por “A Morte Passou Por Perto” e “O
Grande Golpe”, realizações que já revelavam um autor rigoroso, inovador e extremamente
metódico.
Em 1959, Kubrick foi convidado pelo astro e
produtor Kirk Douglas (com quem Kubrick havia trabalhado em “Glória Feita de
Sangue”) para substituir o então diretor do épico em produção “Spartacus”, com
quem Douglas estava descontente – não é nunca mencionado, mas o diretor que
Kubrick substituiu foi o renomado Anthony Mann, realizador de “O Homem do Oeste”.
Foi a partir das experiências em “Spartacus”
que Kubrick decidiu jamais atuar como diretor contratado novamente, preservando
sempre sua liberdade criativa e o controle total sobre seus projetos.
Nessa esteira vieram obras como “Lolita”, “Dr. Fantástico” e os seminais “2001-Uma Odisséia No Espaço” e “Laranja Mecânica”,
entre outros – com o intervalo de tempo entre seus projetos aumentando cada vez
mais, e os rumores sobre suas excentricidades e seu notório perfeccionismo
crescendo exponencialmente!
O documentário conta com depoimentos de figuras
fundamentais ao cinema como Steven Spielberg (amigo pessoal de Kubrick que
dirigiu em tom de homenagem seu projeto não-finalizado “A.I. Inteligência Artificial”), Martin Scorsese, Woody Allen, Nicole Kidman, Sidney Pollack (os
dois últimos tendo trabalhado com Kubrick em “De Olhos Bem Fechados”), Shelley
Duvall (que passou poucas e boas nas mãos de Kubrick durante as filmagens de “O Iluminado”) e o próprio Tom Cruise, além
de outros profissionais, familiares e amigos. Todos buscam criar um perfil
desse realizador icônico, recluso, indomável, controverso e, ainda assim, autor
de algumas das maiores obras-primas cinematográficas.

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