Mostrando postagens com marcador Jack Nicholson. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Jack Nicholson. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de agosto de 2026

Stanley Kubrick - Imagens de Uma Vida


 A partir de depoimentos colhidos por Jan Harlan (cunhado de Stanley Kubrick e produtor da maioria de seus filmes), este documentário narrado por Tom Cruise (que se tornou amigo pessoal do diretor após trabalhar com ele em “De Olhos Bem Fechados”) e lançado apropriadamente no ano 2001 busca lançar luz sobre sua carreira, pontuada de absolutas obras-primas cinematográficas, sobre o curioso e excêntrico processo de criação que ele adotava e –talvez, sua intenção mais difícil e inédita –esclarecer quem era, afinal, o ser humano Stanley Kubrick, por trás de um repertório famoso de manias e de inúmeras lendas que davam conta de alguém perfeccionista, complicado e de um comportamento frequentemente desigual.

A irmã de Jan Harlan, Catherine foi atriz no filme “Glória Feita de Sangue” – ela é a mocinha que canta na emblemática e marcante sequência final – foi quando conheceu Kubrick, diretor daquele projeto, e com ele casou-se logo depois.

Stanley Kubrick realizou treze longa-metragens para o cinema, pelo menos sete deles (ou até mais!) podem ser colocados, por muitos especialistas, entre alguns dos maiores trabalhos do cinema. “Imagens de Uma Vida” lança um olhar sobre cada um deles valendo-se de um rico arquivo de imagens e filmagens, além de depoimentos, curiosidades técnicas, críticas da época dos lançamentos – o que nos permite entender, inclusive, a repercussão que as obras, e o próprio nome Stanley Kubrick, causaram entre público e crítica.

Nascido em Nova York, no Brooklyn, no ano de 1928, Kubrick foi um aluno indisposto com o sistema educacional – não gostava de frequentar a escola. Seu hobby favorito era estudar fotografia, uma paixão herdada do pai, Jacob Leonard. Como fotógrafo, ele trabalhou para a revista “Look”, até que, no final da década de 1940, passou a produzir curta-metragens.

Seu primeiro longa-metragem foi o drama de guerra “Fear and Desire”, logo sucedido por “A Morte Passou Por Perto” e “O Grande Golpe”, realizações que já revelavam um autor rigoroso, inovador e extremamente metódico.

Em 1959, Kubrick foi convidado pelo astro e produtor Kirk Douglas (com quem Kubrick havia trabalhado em “Glória Feita de Sangue”) para substituir o então diretor do épico em produção “Spartacus”, com quem Douglas estava descontente – não é nunca mencionado, mas o diretor que Kubrick substituiu foi o renomado Anthony Mann, realizador de “O Homem do Oeste”.

Foi a partir das experiências em “Spartacus” que Kubrick decidiu jamais atuar como diretor contratado novamente, preservando sempre sua liberdade criativa e o controle total sobre seus projetos.

Nessa esteira vieram obras como “Lolita”, “Dr. Fantástico” e os seminais “2001-Uma Odisséia No Espaço” e “Laranja Mecânica”, entre outros – com o intervalo de tempo entre seus projetos aumentando cada vez mais, e os rumores sobre suas excentricidades e seu notório perfeccionismo crescendo exponencialmente!

O documentário conta com depoimentos de figuras fundamentais ao cinema como Steven Spielberg (amigo pessoal de Kubrick que dirigiu em tom de homenagem seu projeto não-finalizado “A.I. Inteligência Artificial”), Martin Scorsese, Woody Allen, Nicole Kidman, Sidney Pollack (os dois últimos tendo trabalhado com Kubrick em “De Olhos Bem Fechados”), Shelley Duvall (que passou poucas e boas nas mãos de Kubrick durante as filmagens de “O Iluminado”) e o  próprio Tom Cruise, além de outros profissionais, familiares e amigos. Todos buscam criar um perfil desse realizador icônico, recluso, indomável, controverso e, ainda assim, autor de algumas das maiores obras-primas cinematográficas.

Stanley Kubrick faleceu aos 70 anos, em 1999, após terminar o primeiro corte da edição de “De Olhos Bem Fechados”, seu último trabalho – este documentário, obrigatório para estudiosos de cinema, é um tributo ao seu gênio inquieto, à sua personalidade intransigente e incomum que moldou algumas das mais inesquecíveis imagens já concebidas para a Sétima Arte.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Conflitos Internos / Os Infiltrados


 Conflitos Internos

Extremamente prestigiado em Hong Kong, o diretor Andrew Lau é um hábil manejador de tramas prolixas, capaz de ressaltar suas arestas de originalidade em meio à gêneros e conceitos dos quais público e crítica tendem a subestimar.

Uma de suas obras mais aclamadas –pelo menos, no Oriente, onde obteve largo sucesso –“Conflitos Internos”, o qual ele co-dirigiu em colaboração com Alan Mak no ano de 2002, não somente é um brilhante thriller policial e, a sua maneira, uma evocação apaixonada dos meandros complexos e fascinantes com os quais Francis Ford Copolla forjou a mitologia de seu “O Poderoso Chefão” como também é o imprevisto estopim (até para seus realizadores!) de uma bem-sucedida trilogia.

Neste primeiro filme, testemunhamos, em meio ao submundo criminal de Hong Kong, as trajetórias de um criminoso e de um policial, interpretados por Andy Lau (não confundir com o diretor de quem ele é quase homônimo!) e Tony Leung, respectivamente, que em paralelo se infiltram entre seus próprios inimigos. Ambos acabam ganhando a confiança nas suas áreas. Ironicamente, o policial disfarçado de bandido torna-se um dos homens de confiança do chefe da quadrilha quando surge a suspeita de que há um espião entre eles. Ao mesmo tempo, o gangster infiltrado na polícia integra uma equipe justamente para descobrir quem está entregando informações aos bandidos. Pouco a pouco, os dois estão prestes a desmascarar um ao outro.

Andrew Lau e Alan Mak trabalham maravilhosamente bem a circunstância de suspense do filme, cuja impecável atmosfera nos faz desconfiar de cada movimento, de cada olhar mal-disfarçado; é um mundo de suspeitas onde ninguém pode confiar em ninguém, e cada ato parece supervisionado por inimigos ávidos por ter alguém a quem desmascarar.

Como em toda trama de intriga, Lau e Mak justapõem os antagonistas deixando bem clara a forma preocupante com que estão inseridos entre as fileiras inimigas –mas, somente isso fica cristalino; tudo o mais (alianças, motivações, lealdades) é deixado brilhantemente ambíguo, de forma a potencializar sua tensão, que acaba coroada com um final impiedoso do qual o viés shakesperiano embutido em sua premissa converge a um eco ensurdecedor.

O segundo filme da trilogia (realizado em decorrência de seu inesperado sucesso de público, visto que esta é, evidentemente, uma história planejada com começo, meio e fim) trata-se de uma espécie de prequel que esmiuça com mais detalhes o passado dos dois personagens principais, enquanto que o terceiro termina sendo, de fato, a continuação, mostrando os desdobramentos e consequências do desfecho do primeiro filme.


Os Infiltrados

Como costuma ocorrer a um filme estrangeiro de insuspeita qualidade a destacar-se entre as milhares de obras produzidas pelo mundo ano a ano, “Conflitos Internos” –ao menos, a primeira e, de certa forma, a segunda parte –acabou sendo refilmado em 2006. E não uma refilmagem qualquer: “Os Infiltrados” ganhou direção de ninguém menos que Martin Scorsese (recém-saído de seu suntuoso épico “O Aviador”) e foi estrelado por Leonardo Dicaprio ao lado de Matt Damon, o elenco conta ainda com Jack Nicholson numa de suas últimas participações num longa-metragem antes da aposentadoria.

A trama, ainda que roteirizada pelo conceituado William Monahan (de “Cruzada”), replica a de “Conflitos Internos” com constrangedora proximidade: Um policial (Dicaprio) infiltra-se na máfia de Massachussets, em Boston, enquanto paralelamente, um espião da máfia (Damon) é plantado na força policial. Os anos se passam e cada um dos respectivos infiltrados adquire confiança em sua corporação até a descoberta de que ambas as partes possuem um espião. A trama acompanha então a nervosa investigação (e consequente duelo) para que um consiga desmascarar o outro.

Como costuma acometer nas refilmagens promovidas pelos norte-americanos, a despeito da qualidade um tanto desafiadora do material que tentam refilmar, os realizadores se esforçam bastante para incrementar os elementos já presentes no filme original; e aqui, o roteiro de William Monahan é desonestamente astuto ao aproveitar muito da trama, não apenas do primeiro, como também do segundo filme: Ao valer-se do original e de sua prequel, os realizadores de “Infiltrados” têm a chance de moldar uma obra mais robusta, com mais elementos dramáticos a oferecer diante do enxuto “Conflitos Internos” –além da presença inédita do personagem de Mark Whalberg, inexistente no original, que acrescenta um elemento mais contundente ao desfecho, ainda que algo questionável –e, embora este seja de fato um filme menor dentro de sua formidável filmografia, um filme dirigido por Martin Scorsese ainda É dirigido por Martin Scorsese: A mitologia de toda a criminalidade de Boston concebida para o filme é rica e notável em seu detalhamento, e o diretor não somente equilibra atuações de forma a todos soarem impecáveis (Jack Nicholson, nitidamente substituindo uma presença que seria regularmente de Robert De Niro, não acaba roubando a cena de ninguém como inicialmente poderíamos presumir) como também evoca um sem-fim de referências cinematográficas vastas –que vão de cortes abruptos e imprevisíveis decalcados de Glauber Rocha à sutis manobras narrativas extraídas de antigos filmes noir –regendo o que pode ser chamada de uma sinfonia de violência e psicologia.

Ainda que tímido diante de tantas obras maiúsculas que Scorsese entregou antes e depois (e certamente inferior, mesmo que com todos os seus esforços, à produção original na qual foi inspirado) coube a este pequeno épico policial a honra de ser a produção pela qual Martin Scorsese finalmente recebeu seu Oscar de Melhor Diretor. Ele traz a fúria narrativa e a costumeira maestria que um mestre como Scorsese consegue criar, mas, não tenha dúvidas, é bastante simplório na comparação com muitos de seus trabalhos.

Em tempo, no ano de 2009, houve mais uma refilmagem de “Confiltos Internos”, desta vez, realizada na Coréia do Sul (uma indústria cinematográfica a qual nunca se deve subestimar), com o título inglês de “City of Dammation”, dirigida por Dong Won Kim e concebida numa variação –pasmém –de comédia!

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

O Destino Bate À Sua Porta


 Uma cria da Nova Hollywood, o diretor Bob Rafelson, a exemplo dos Irmãos Coen com “Gosto de Sangue”, do mesmo período, almejou transpor uma narrativa de filme noir transfigurada para as ousadias mais possíveis e amplas de suas possibilidades sexuais e visuais para o cinema dos anos 1980, ao realizar este “O Destino Bate À Sua Porta”. Diferente dos Coen, entretanto, Rafelson refilmava o que havia sido um filme noir de fato –uma produção de 1946 dirigida por Tay Garnett –uma trama sobre adultério e homicídio premeditado.

O andarilho Frank (Jack Nicholson em sua quarta colaboração com o diretor depois de co-roteirizar “Os Monkees Estão À Solta” e estrelar “Cada Um Vive Como Quer” e “O Rei da Ilusão”) chega ao restaurante de beira de estrada conduzido pelo grego Nick Papadakis (John Colicos, de “A Troca”) e por sua sensual esposa Cora (a linda Jessica Lange). Nos códigos impregnados de propósito de sua narrativa liberadamente sensual, Rafelson expõe, nessa primeira parte, a disparidade entre o casal Nick e Cora: Ela, desejável e bela; ele, desmazelado e repulsivo.

Embora não seja nenhum vilão –retratado com a ambiguidade de uma vítima em potencial como toca ao bom cinema dramatúrgico –não demora o filme despertar o questionamento do expectador acerca da viabilidade desse matrimônio; e com isso fazendo o público cúmplice das obviedades que estão por vir: Frank, disponível, afoito e interessado, irá converter-se, sim, em amante de Cora –numa cena salpicada de audácia, onde fazem sexo sobre a mesa da cozinha!

Na esteira disso, a conclusão obscura e bastante inerente aos filmes noir: O crime (ou melhor, o assassinato) é o atalho mais curto para esposa e amante se livrarem do empecilho que representa ser o marido.

Embora se atenha com certa reverência à trama vinda do filme antigo, o trabalho de Rafelson na condução dessa narrativa nunca deixa de almejar a desmistificação: O próprio ato do homicídio em si, é despido das pulsões abruptas e de certa forma eloquentes do gênero. A morte surge num viés hediondo e fisiológico que a faz terrível e desagradável em qualquer ângulo. É notável também o modo como Rafelson sublinha o papel da mulher nessa execução em detrimento de um parceiro masculino inesperadamente falho e relutante.

Curioso em sua realização (sobretudo, pelo modo com que ressalta seu imprevisto erotismo), lento em sua narrativa (uma característica que Rafelson já demonstrara em outros trabalhos) e indefinido enquanto gênero (oscila entre um suspense de ares fatalista, um drama de obscuras predisposições criminais e, veja só, uma história de amor) “O Destino Bate À Sua Porta” parece deliberadamente ser um corpo estranho no formato e na estrutura  em que se concretiza, sensação potencializada pelo final um tanto arbitrário como forma de ratificar uma moral onipresente sobre o destino torpe de seus personagens.

quarta-feira, 11 de maio de 2022

As Confissões de Schmidt


 O foco do cinema de Alexander Payne está no corriqueiro, no medíocre e no banal. De sua pena enquanto roteirista e de suas lentes enquanto diretor, as histórias que brotam sempre se voltam a uma espécie peculiar de norte-americano, aquele que, contrariando a promessa do american way of life, não sagrou-se um vencedor de sucesso. Ele reflete sobre essa inescapável condição –a de que, se alguém venceu, paradoxalmente, deve também existir alguém que teve de perder –no âmbito estudantil em “Eleição” e na seara das discussões midiáticas envolvendo o aborto nos anos 1990 em “Ruth Em Questão”. Sua verve ainda abordou, mais tarde, os relacionamentos sob o prisma do consumo alcoólico (“Sideways”), as crises inevitáveis de auto-estima mesmo em um cenário pleno de vivacidade como o Hawaí (“Os Descendentes”) e a jornada sem esperança, sem ânimo e sem cor de uma idosa (“Nebraska”). No centro de cada uma dessas narrativas, as pessoas norte-americanos que contradizem a máxima da Terra das Oportunidades e que, em geral, são varridas para baixo do tapete.

Ponto de virada na compreensão e na aceitação pessoal desse estilo, “As Confissões de Schmidt” é uma luxuosa observação sobre as amarguras prosaicas e nada extraordinárias de um americano sozinho, convencional e comum que, num gesto de pura ironia, vem a ser interpretado pelo pra lá de extraordinário Jack Nicholson.

Adentrando na trama no exato último dia de trabalho, na iminência da aposentadoria, Warren Schmidt sempre foi o tipo de funcionário que aguardava, entediado os ponteiros do relógio atingirem o local certo para bater seu ponto. Em casa, as regras domésticas eram ditadas por sua esposa, com quem era casado à muito tempo.

Em questão de pouco tempo, Schmidt é privado de tudo isso –ao aposentar-se, ele não tem mais um relógio para lhe impor os horários de ir e vir; e, ao enviuvar, ele já não tem uma esposa que lhe diga o que e como fazer. No melancólico roteiro de Payne, a liberdade de Schmidt para uma série de coisas começa não sem antes a consciência do que teve de perder para chegar ali. Sem algo ao qual se agarrar, sem um motivador para suas ações resta à Schmidt procurar pelo único resquício de sua família, a filha Jeannie (Hope Davis, de “Anti-Herói Americano”) que está de casamento marcado com o insosso caipira Randall (Dermot Mulroney) e que, na idealização de Schmidt, é a única pessoa que lhe entenderá e lhe fará companhia para o resto da vida.

Parte road-movie, parte drama de costumes, parte comédia dramática, “As Confissões de Schmidt” exibe uma desolação existencial tão pungente que seus esforços cômicos por vezes se neutralizam na trajetória pontuada de desânimos, fracassos e equívocos de seu protagonista. Schmitd só não é um personagem mais deprimente porque Jack Nicholson consegue nele imprimir um senso de humor subliminar que o torna envolvente, e porque a fauna de coadjuvantes que o cercam estão ou bem dirigidos (caso de Hope Davis e Mulroney) ou muito bem representados (caso da marcante participação de Kathy Bates). Ainda assim, é necessário adentrar este introspectivo conto sobre a intoxicante mediocridade da vida com o espírito preparado para o tom sempre denso e comiserativo de seu realizador.

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

A Honra do Poderoso Prizzi

Quando se fala em filme sobre máfia todo mundo lembra de “O Poderoso Chefão”, mas o público em geral desconhece uma série de obras-primas que coexistem nessa categoria ao lado da trilogia de Francis Ford Coppola.
“A Honra do Poderoso Prizzi” é um desses exemplares não tão aclamados, embora consiga destacar-se dentre os demais pela habilidade com que o diretor John Huston subverte algumas características de gênero para introduzir humor negro.
Sua realização esbanja uma atmosfera cômica que, nas mãos de outro diretor, ou encenada por outro elenco poderia render algo inadequado.
Não aqui.
Tarimbado desde a década de 1930 –gênese dos paradigmas do gênero que executa –era de se supor que não sairia nada de ruim quando o veterano John Huston enveredasse pelo terreno dos filmes de máfia, no qual o bem mais jovem Coppola obteve tão larga aprovação: E certamente, exige admirável reconhecimento a obra que este grande mestre terminou concebendo.
Sua magnífica contribuição ao gênero vem abrilhantada por um senso de humor primoroso e pontual, carregado de comentários irônicos acerca das atividades que rondam a vida de um mafioso (num de seus momentos mais inspirados, podemos ver, durante a cena da festa de despedida, o retrato de Marlon Brando, como Don Vito Corleone!), para tanto, não lhe faltam qualidades notáveis no elenco escolhido para essa personificação: Um Jack Nicholson absurdamente hilário, uma Kathleen Turner explosiva, uma Anjelica Huston –filha do diretor, e ganhadora do Oscar 1986 de Melhor Atriz Coadjuvante –austera e dentro do tom.
Rapaz apadrinhado desde muito jovem pelo mafioso Don Corrado Prizzi (William Hickey, de “O Nome da Rosa” e “Vítimas de Uma Paixão”), o protagonista Charley Partanna (Nicholson) vive um ligeiro dilema quando se envolve e resolve se casar com a sensual Irene Walker (Turner). Ela moradora de Los Angeles, ele, em Nova York –as idas e vindas hilárias entre a Costa Leste e Oeste ocasionadas pelo romance entre os dois e pelas próprias circunstâncias da história que eles deflagram são uma das divertidas e espirituosas observações lançadas pelo diretor Huston.
Contudo, Irene é uma requisitada assassina de aluguel –atividade que Partanna desconhece por completo –e esse matrimônio não apenas desagrada a inquieta sobrinha de Don Corrado, Maerose Prizzi (Anjelica), outrora noiva de Partanna que largou-o para fugir pro México, como também deixa alarmado todo o Clã Prizzi, o quê arruma para o pobre Partanna consideráveis encrencas com a força policial, com gangsteres rivais e com membros da própria ‘famiglia’.
Escrito com primazia (por Janet Roach, ao lado de Richard Condon, autor do livro no qual se baseia), dirigido com excelência e interpretado com perfeição, “A Honra do Poderoso Prizzi” é uma pérola que, do jeito como está, leva o expectador a transitar pelas mais diferentes sensações: Ri nervoso de suas piadas quase sempre envolvendo truculência e trágicas ironias; deixa-se envolver pelo romance eficaz e bem conduzido a transcorrer numa improvável circunstância; e, ao fim, emociona-se com brilhantismo com que partes tão incompatíveis se encaixam num todo austero e adulto, mas não desprovido de gracejo e diversão.

sábado, 25 de abril de 2020

Disparo Para Matar

No fim da década de 1960, o faroeste produzido nos EUA seguia por um caminho diferente do faroeste produzido na Itália (o ‘western spaghetti’): Enquanto os italianos exploravam a grandiosidade épica, os duelos mortais e estilizados e a relevância cinematográfica dos valores de produção em suas realizações, os americanos usavam o gênero como uma forma de reflexão interior (um tanto quanto inspirados pela postura da contracultura), num diálogo oposto ao que Hollywood fizera no passado. O chamado faroeste revisionista.
Com efeito, somente produtores de filmes B e realizadores jovens se arriscavam a contribuir para o gênero.
Financiado por Roger Corman, o diretor Monte Hellman entregou naqueles anos de 1966 e 67 alguns títulos que se fizeram marcantes devido à parceria com o futuro astro Jack Nicholson –que ocasionalmente atuava também como produtor e roteirista.
“Disparo Para Matar” é a primeira e pra lá de auspiciosa dessas produções (logo seguido por “A Vingança de Um Pistoleiro”, naquele mesmo ano).
Nele, Warren Oates surge fabuloso como Will Gashade, um minerador que regressa depois de um tempo para a mina na qual nutre uma sociedade com dois companheiros, Coley e Leland.
Ao chegar lá, Gashade encontra o túmulo de Leland –alguém o matou –e apenas Coley (Will Hutchins) se acha lá contando uma história das mais mal esclarecidas: Segundo ele, um outro conhecido, Coigne, apareceu por lá, fugindo, pois ao que tudo indica fez o que não devia.
Após muita conversa levou um cavalo e uma arma debaixo do nariz do ingênuo Coley. Não muito tempo depois um tiro, vindo não se sabe de onde, disparado por não se sabe quem, alvejou Leland.
Sob a sensação de insegurança, Gashade e Coley esperam até que são surpreendidos com a aparição de uma mulher misteriosa (Millie Perkins, de “A Bruxa Que Veio do Mar”).
Sem dizer seu nome e mantendo uma constante desconfiança, ela contrata os dois para rastrear alguém que ela almeja muito perseguir, por motivos que não faz questão alguma de revelar.
O dinheiro convence Gashade a aceitar enquanto que Coley o faz puramente pelo fato de poder estar na presença de uma mulher –ainda que arredia ao extremo.
Esses personagens seguem o rastro amparados nessa premissa bastante básica mas que, por sua ausência de explicações aprofundadas, torna-se terreno fértil para o suspense. Afinal, quais são os objetivos da mulher? E que atitude tomará Gashade em relação à tudo isso quando a hora chegar?
A atmosfera esquenta consideravelmente quando descobrimos que a mulher tem um aliado que os acompanha a distância, o ameaçador Billy Spears (Jack Nicholson, sempre magnífico).
Pistoleiro hábil e matador profissional –coisa que os outros dois não são –Spears acrescenta novas tensões à dinâmica mantida durante a perseguição: Ele é sinistro, claramente hostil e pouco confiável, e mesmo que em situação desvantajosa, Gashade e Coley sabem que precisam encontrar um meio de livrar-se  daquela encrenca em que se meteram.
Filmado com a economia necessária para esse tipo de produção, o filme de Hellman se permite tirar proveito justamente de suas simplicidades e limitações, usando do que dispõe em tela para dilatar o tempo e a expectativa –nesse sentido, o aproveitamento e consequente desconstrução do diretor em relação aos códigos do faroeste é exemplar (repare no modo como a personagem de Millie Perkins incorpora uma versão feminina do ‘pistoleiro sem nome’ popularizado por Clint Eastwood), inclusive com belíssimas panorâmicas a explorar a geografia natural do ambiente para fins de tensão e suspense tal e qual o fariam John Ford e Anthony Mann.
Contudo, o que remete “Disparo Para Matar” a uma maior contemporaneidade à que pertence é mesmo seu desfecho carregado de ambiguidade, simbolismo e alegoria –e enigmático o suficiente para deixar o expectador bastante intrigado com o que se passou, muito tempo depois do filme ter terminado.

terça-feira, 3 de março de 2020

Cão de Guarda

Embora pouco conhecida, a parceria do astro Jack Nicholson e do diretor Bob Rafelson rendeu vários filmes ao longos dos anos, como o indicado ao Oscar “Cada Um Vive Como Quer”, o elogiado “O Rei da Ilusão”, a refilmagem de “O Destino Bate À Sua Porta” e o drama “Sangue & Vinho”.
Entre esses projetos, a dupla se saiu com este “Cão de Guarda” em meados dos anos 1990, entregando um misto pouco harmonioso de comédia romântica e intriga detetivesca.
Jack Nicholson é Harry Bliss cuja especialidade são serviços de segurança, além da tendência crônica de levar os outros na conversa –desde sua esposa oriental até sua secretária e ocasionais credores.
Harry conhece Joan (a sensualíssima Ellen Barkin), uma cantora de ópera que se acha em maus lençóis: A casa dela foi invadida e, agora que instalou-se na mansão da irmã Andy (a também sensual Bervely D’Angelo) enquanto está viajando, a paranóia de Joan não a permite tranquilizar-se ficando sozinha.
A saída é alugar um cão de guarda, serviço oferecido por Harry.
Entretanto, Harry não é flor que se cheire, e já farejou não só a carência e a disponibilidade de sua nova cliente como também o alto estilo de vida de sua família.
Jogando papo para cima dela –e certamente escondendo seu verdadeiro estado matrimonial –Harry acaba se envolvendo na recente confusão familiar de Joan: Em processo de divórcio, Andy escreveu um livro sobre um certo Red Layls (Harry Dean Stanton), o último marido dela que aparentemente é um mafioso. Como tal livro contendo revelações da vida ilícita de Layls não pode ser publicado, seu escorregadio advogado (Saul Rubinek, de “Os Imperdoáveis”) coloca Harry na história para que vasculhe a mansão em busca do manuscrito.
Dividido entre a promessa da recompensa polpuda e a paixão genuína que descobre sentir por Joan, Harry mete os pés pelas mãos, arrumando mais confusão do que resolvendo.
Um personagem adoravelmente corrupto e incorrigível, no qual Jack Nicholson, excelente como sempre, deita e rola.
É sua presença, mais que qualquer outra coisa, que faz valer a espiada nesta comédia claudicante, de um humor indefinido e incapaz de se situar com mais solidez num gênero específico: Ela passeia com galhofa por circunstâncias de suspense ao estilo policial, flerta com a trama da irmã envolvida com a máfia para abandoná-la num ponto, aproveita e reaproveita informações acerca do psicopata que supostamente persegue Joan sem jamais tornar aquilo pertinente à narrativa, e no final das contas, só deposita alguma ênfase mesmo na química eventualmente boa de Nicholson e Barkin, embora aqui, ela deixe um pouco de lado a imensa adequação aos papéis de femme fatale descoberta no sucesso “Vítimas de Uma Paixão” para investir num trabalho cômico sem muito brilho.

sábado, 23 de junho de 2018

Os Vencedores do Oscar 1976


A Academia de Artes Cinematográficas sempre demonstrou um certo desdém pelo cinema comercial em detrimento ao cinema mais artístico. Em 1976, por exemplo, os filmes que polarizaram as apostas foram o blockbuster “Tubarão”, de Spielberg, e o elogiado “Um Estranho No Ninho”, do tcheco Milos Forman. Tão certo estava da vitória que Spielberg pagou uma equipe de documentaristas para filmar a cerimônia –acabou vendo, na verdade, o filme de Forman igualar o feito extraordinário de “Aconteceu Naquela Noite”, de 1935, e conquistar os cinco prêmios principais: Filme, Diretor, Ator (Jack Nicholson), Atriz (Louise Fletcher) e Roteiro Adaptado.
Walter Mathau até concorreu com Nicholson à estatueta, pelo divertido “Uma Dupla Desajustada”, mas limitou-se a ver seu companheiro de cena George Burns ganhar como Melhor Coadjuvante (Burns ficou mais conhecido interpretando Deus nos filmes “Alguém Lá Em Cima Gosta de Mim” e sua continuação).
Entretanto, “Tubarão” fez merecidamente uma bela campanha nas categorias técnicas (terminando com três prêmios, inclusive para sua icônica trilha sonora); e o mesmo pode se afirmar do épico de reflexão moral de Stanley Kubrick, “Barry Lyndon” (agraciado com quatro Oscar).

MELHOR FILME
"Um Estranho No Ninho"

MELHOR DIREÇÃO
"Um Estranho No Ninho", Milos Forman

MELHOR ATRIZ
Louise Fletcher, "Um Estranho No Ninho"

MELHOR ATOR
Jack Nicholson, "Um Estranho No Ninho"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Lee Grant, "Shampoo"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
George Burns, "Uma Dupla Desajustada"

MELHOR FOTOGRAFIA
"Barry Lyndon"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"Dersu Uzala" (União Soviética)

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
"O Dirigível Hindenburg"

MELHORES EFEITOS SONOROS
"O Dirigível Hindenburg"

MELHOR FIGURINO
"Barry Lyndon"

MELHOR SOM
"Tubarão"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
"Barry Lyndon"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
“Tubarão"

MELHOR TRILHA SONORA ADAPTADA
"Barry Lyndon"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"I’m Easy", de "Nashville"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Um Estranho No Ninho"

MELHOR MONTAGEM
"Tubarão"

sábado, 21 de abril de 2018

Os Vencedores do Oscar 1984

Pena um filme de formato esquemático de melodrama como “Laços de Ternura” –ainda que bem realizado em todos os seus aspectos –tenha superado uma obra cinematográfica verdadeiramente singular como “Os Eleitos” (agraciado somente com as premiações técnicas); um reflexo negativo certamente da candidatura à presidência de John Glenn (que é um personagem do filme) naquele ano.
“Laços de Ternura” ainda concedeu o Oscar aos seus protagonistas, Shirley MacLaine, de Melhor Atriz, e Jack Nicholson, de Melhor Ator Coadjuvante (sendo este o segundo de sua carreira).
Robert Duvall conquistou o prêmio de Melhor Ator pelo árido “A Força do Carinho”, estréia no cinema americano de Bruce Beresford, o diretor australiano que faria, anos depois, o premiado “Conduzindo Miss Daisy”.
Já a surpresa foi a atriz Linda Hunt, baixinha e de exótica compleição física, levando o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pela interpretação de um personagem masculino (único caso até hoje registrado no Oscar!) no filme “O Ano Que Vivemos Em Perigo”, também ele dirigido por um australiano, Peter Weir.

MELHOR FILME
"Laços de Ternura"

MELHOR DIREÇÃO
"Laços de Ternura", James L. Brooks

MELHOR ATRIZ
Shirley MacLaine, "Laços de Ternura"

MELHOR ATOR
Robert Duvall, "A Força do Carinho"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Linda Hunt, "O Ano Que Vivemos Em Perigo"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Jack Nicholson, "Laços de Ternura"

MELHOR FOTOGRAFIA
"Fanny & Alexander"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"Fanny & Alexander" (Suécia)

MELHORES EFEITOS SONOROS
"Os Eleitos"

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS

MELHOR FIGURINO
"Fanny & Alexander"

MELHOR SOM
"Os Eleitos"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
"Fanny & Alexander"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL
“Os Eleitos"

MELHOR TRILHA SONORA ADAPTADA
“Yentl"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"What A Feeling", de "Flashdance"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"A Força do Carinho"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Laços de Ternura"

MELHOR MONTAGEM
"Os Eleitos"

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Laços de Ternura

Embora mais relacionado ao gênero de comédia, o diretor James L. Brooks obteve sua aclamação (precipitada alguns diriam) com um autêntico melodrama.
Em todos os ângulos através dos quais possa ser enxergado, “Laços de Ternura” é um registro emotivo da relação cheia de idas e vindas entre uma mãe e uma filha ao longo dos anos, contudo, a habilidade com comédia de Brooks se faz notar aqui na condução de momentos essencialmente sérios e dramáticos embevecidos, porém, de uma compreensão espirituosa das ironias do cotidiano –e isso, ele soube inclusive estender para as inspiradas atuações de Shirley MacLaine (vencedora do Oscar de Melhor Atriz) e de Debra Winger.
Elas vivem, respectivamente, Aurora e Emma, mãe e filha que não encontram uma sintonia harmoniosa em sua relação desde o início. Se na infância de Emma isso se manifestava na forma de imposições ocasionalmente absurdas de parte de Aurora, na fase adulta, isso se dá por meio do afastamento.
A narrativa acompanha a trajetória das duas em paralelo, mas habilmente entrelaçando-as por meio de manobras sutis e inteligentes: Aurora, lutando estoicamente contra a crise de meia idade, conhece um ex-astronauta (Jack Nicholson, vencedor do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante), também ele numa fase de angústia para com o próprio envelhecimento (seduz desesperadamente jovens moças com suas histórias da glória passada), e com ele acaba travando um relutante e caloroso romance. Emma, por sua vez, desvencilha-se da influência insistente da mãe, casa-se com um jovem namorado (Jeff Daniels) de quem tem dois filhos e constrói assim uma vida adulta, com todas as indisposições que uma vida adulta tem –o marido a trai durante a segunda gravidez e ela, entre o ressentimento e a passividade, arranja um amante também (interpretado pelo ótimo John Lithgow).
Essa atenção do diretor Brooks aos pequenos detalhes parece se justificar na terceira e última parte do filme, quando descobrimos que Emma sofre de câncer, e então, sem qualquer predisposição a atender as demandas emocionais e nada realistas do público, ele concede um arremate admirável a esse trabalho amargo e humano.

quarta-feira, 21 de março de 2018

As Bruxas de Eastwick

Sendo já conhecido na década de 1980 como o criador de “Mad Max”, George Miller tentou outras experimentações em sua carreira. Seguiram-se obras como o dramático “Óleo de Lorenzo” e, um pouco antes, este “As Bruxas de Eastwick”.
Uma pérola do humor negro –e como todas as obras providas desse gênero, fatalmente ameaçada pela incompreensão de público e crítica –este filme reúne, já de início, um elenco espetacular: Além de Jack Nicholson, as beldades Suzan Sarandon, Michelle Pfeifer e Cher.
Elas são três amigas às voltas com a mediocridade da provinciana cidadezinha onde vivem, Eastwick, na qual paira sobre elas –a despeito da beleza e da sensualidade ostentada por todas –a sombra da solteirice sem um homem disponível por perto.
Fruto do Oscar de Melhor Atriz conquistado no ano anterior, Cher é a protagonista Alexandra, enquanto Michelle Pfeifer vive a doce e afável Sukie, e Suzan Sarandon interpreta a reprimida violoncelista Jane.
Numa noite, elas decidem, em tom de brincadeira, fazer um pacto com o diabo para que lhes envie um homem dotado de todos os atributos que eles querem.
Eis que o diabo em pessoa resolve atender o pedido delas, surgindo na cidadezinha personificado por Jack Nicholson –num papel que francamente lhe parece caber feito uma luva! –e seduzindo-as, uma a uma.
Sob a alcunha ostensiva e elegante de Daryl Van Horne, ele dá a cada uma aquilo que elas ansiavam ou precisavam: Para Alexandra ele fornece a atenção e o reconhecimento por sua postura de mulher moderna num ambiente tão redundante; para Sukie, ele proporciona calor humano e a satisfação sexual que em sua vulnerabilidade ela não procurava; e para Jane, ele oferece a chance para que ela desabroche sua sexualidade reprimida.
Tão exultante e satisfatório é esse inesperado amante que não ocorre às três sequer se ressentir pelo fato de ter que dividi-lo (!).
Tudo é festa e êxtase durante algum tempo (e a direção de Miller se revela primorosa no ritmo e na condução), mas o homem que as seduziu ainda é o capeta, e quando esse fato começar a ficar claro –especialmente na desafortunada trajetória da beata interpretada por Verônica Cartwight (de “Alien” e “Os Eleitos”) –elas se dão conta de que têm que tomar uma atitude a respeito.
Despido de elementos sintomáticos do cinema comercial de então, carregado de originalidade e de perfeição técnica, “As Bruxas de Eastwick” até hoje ainda desafia o expectador a apreciar suas largas qualidades, não obstante o gosto amargo que ele deliberadamente deixa na boca em face de seu humor negro, de seu sarcasmo irredutível e intransigente, e de seu fatalismo enrustido oculto atrás das características enganosas de comédia e do carisma cativante de seu elenco.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Os Vencedores do Oscar 1998

A cerimônia realizada em 1998 foi a grande noite de James Cameron. E não tinha mesmo como a Academia ignorar o fenômeno que foi “Titanic”, na época a produção mais cara até então do cinema, assim como também sua maior bilheteria. Suntuoso, bonito, estupendamente bem realizado e cercado por estatísticas sem precedentes, era de se esperar que o Oscar se curvasse a tamanho triunfo.
E ele o fez desde o começo: Primeiro igualando “Titanic” ao recordista isolado em número de indicações –foram 14, até então apenas ”A Malvada” detinha tal honraria.
Na premiação em si, o épico romântico de Cameron encerrou a noite igualando, por sua vez, o recorde de 11 estatuetas que “Ben-Hur” mantinha há quarenta anos.
O restante dos filmes –um tanto ofuscados por esse fenômeno –eram produções de extrema qualidade que representavam, cada um ao seu modo, as distintas facetas das produções dos estúdios de Hollywood: o film noir com “Los Angeles-Cidade Proibida”; a comédia romântica com “Melhor ÉImpossível”; e o cinema independente com “Gênio Indomável”.
Ao gracioso “Ou Tudo Ou Nada” restava a responsabilidade de representar o cinema inglês entre os indicados.
Ah, e o cinema brasileiro mais uma vez perdeu a chance de ganhar o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro com “O Quê É Isso,Companheiro?”...

MELHOR FILME
"Titanic"

MELHOR DIREÇÃO
"Titanic", James Cameron

MELHOR ATRIZ
Helen Hunt, "Melhor É Impossível"

MELHOR ATOR
Jack Nicholson, "Melhor É Impossível"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Kim Basinger, "Los Angeles-Cidade Proibida"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Robin Williams, "Gênio Indomável"

MELHOR FOTOGRAFIA
"Titanic"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM
"The Long Way Home"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
"A Story of Healing"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"Caráter" (Holanda)

MELHORES EFEITOS SONOROS
"Titanic"

MELHORES EFEITOS ESPECIAIS
"Titanic"          

MELHOR MAQUIAGEM
"Homens de Preto"

MELHOR FIGURINO
"Titanic"

MELHOR SOM
"Titanic"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
"Titanic"

MELHOR TRILHA SONORA - DRAMA
“Titanic"

MELHOR TRILHA SONORA – MUSICAL OU COMÉDIA
"Ou Tudo Ou Nada"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"My Heart Will Go On", de "Titanic"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Gênio Indomável"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Los Angeles-Cidade Proibida"

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

MELHOR MONTAGEM
"Titanic"

MELHOR CURTA-METRAGEM

"Visas and Virtue”