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sexta-feira, 24 de maio de 2024

Furiosa - Uma Saga Mad Max


 Em 2015, o diretor australiano George Miller retomou a “Franquia Mad Max” ao trazer para o mundo uma verdadeira obra de arte chamada “Mad Max-Estrada da Fúria”. Sucesso avassalador e merecido de público e crítica, ganhador de seis prêmios Oscar, “Estrada da Fúria” reacendeu o interesse pela saga, outrora protagonizada por Mel Gibson (e que não ganhava um novo filme a pelo menos trinta anos), e com isso, muitos foram os que logo especularam a possibilidade de George Miller prontamente arregaçar as mangas e fazer um novo filme.

Nove anos depois, isso aconteceu. Contudo, ao contrário do que poderia se imaginar, Miller não deu uma continuidade àqueles eventos (e nem tampouco trouxe de volta o protagonista Max, agora vivido por Tom Hardy), ele na verdade entregou uma prequel (uma sequência que narra eventos anteriores) focada na personagem Furiosa, vivida naquele filme por uma inspirada e sensacional Charlize Theron. Essencial à trama, tanto ou até mais que o protagonista Max, Furiosa era uma personagem intrigante, sólida e imediatamente cativante que respondia pelo coração pulsante do filme.

Nesta espécie de origem que esclarece, explica e justifica certos tópicos que eventualmente ficaram nebulosos naquele filme (como a ambígua relação dela com o vilão Immortan Joe), acompanhamos a trajetória de sofrimento, bravura e persistência de Furiosa, desde sua infância, ao longo de anos (quinze, mais precisamente) até culminarmos no trecho em que a trama de “Estrada da Fúria” se inicia –o que converte esse dois filmes, unidos, numa única grande obra, completa e abrangente.

Ainda uma criança, Furiosa (então vivida pela pequena mas competente Alyla Browne) por uma série de lamentáveis contratempos acaba sequestrada do local onde nasceu, um oásis secreto administrado com sigilo e ferocidade por um clã de guerreiras, por um grupo desgarrado de motoqueiros do deserto. Esses motoqueiros compõem a gangue de maltrapilhos selvagens e brutalizados liderados por Dementus (Chris Hemsworth, satisfeito num exuberante papel de vilão), um líder sarcástico, cruel e desumano, travestido de uma versão escatológica e non-sense de Jesus Cristo (!).

Furiosa até é seguida por sua mãe, Mary Jabassy (Charlee Fraser, de “Todos Menos Você”), que em vão tenta tirá-la das mãos desses desordeiros, conseguindo apenas ser morta cruelmente no processo. Nos anos por vir, Furiosa (que em algum momento passa a ser interpretada por Anya Taylor-Joy, uma substituta formidável e impecável para Charlize Theron) procura sobreviver estando próxima o suficiente de Dementus para que ele não a descarte como muitas das vítimas que vão parar em suas mãos; mas distante e cautelosa o bastante para que ele não deseje extrair dela o segredo de como regressar para casa, e nem perceba seus planos de vingar-se dele, o assassino de sua mãe.

É dessa forma que Furiosa acaba se tornando uma testemunha da inusitada guerra por poder que se desenrola no deserto, a envolver as lideranças antagônicas de Dementos e Immortan Joe (Hugh Keays-Byrne): Dominando a chamada Cidade Gasolina (uma fortaleza que acomoda as refinarias de combustível para as tantas máquinas de guerra, o único item tão precioso naquele mundo-cão quanto a água), Dementus se torna uma potência a ser respeitada, o que, com seu temperamento provocador e sua predisposição para traição, leva seus oponentes a elaborar constantes estratégias para lhe derrotar.

É assim que Furiosa, no decurso de embates árduos a envolver fogo, sangue e ferragens de carros em colisão, deve compreender que existe uma diferença imprevisível entre a expectativa daquilo que esperamos e a realidade que a vida termina por nos entregar.

Brilhantemente dirigido (toda a mitologia expandida e materializada em visual acachapante dos filmes anteriores é ainda mais aprofundada nesta narrativa) e realizado com minúcia ímpar e perícia absurda nos mais diversos quesitos (é bem provável que seus predicados sejam recompensados na próxima cerimônia do Oscar), “Furiosa” só não iguala o brilhantismo de “Estrada da Fúria” porque, ao abordar uma trama que se propõe a albergar vários anos com eventos ora intimistas, ora bombásticos, ele não evoca a mesma perfeição de ritmo e atmosfera daquele magistral trabalho –ainda que não falte a esta nova obra de Miller, o primor de acabamento que transformou “Estrada da Fúria” num espetáculo tão singular.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Babe - O Porquinho Atrapalhado Na Cidade

Lançado em 1996,  filme “Babe-O Porquinho Atrapalhado” surpreendeu o mundo conquistando público a crítica, e ainda fazendo uma bela campanha –algo raro para uma produção infantil –no Oscar daquele ano.
A consequência bastante natural aos olhos do cinema comercial é, portanto, a pronta realização de uma continuação e, em 1998, aportava o segundo filme estrelado pelo porquinho com pretensões de ser cão pastor, desta vez, dirigido não por Chris Noonan (que havia sido até indicado ao Oscar de Melhor Diretor), mas pelo próprio produtor George Miller, famoso pela realização da Trilogia –agora Quadrilogia –“Mad Max”.
Não obstante essa troca de diretores, pouca diferença em termos narrativos ou estilísticos se percebe neste novo filme –na verdade, não se percebe diferença nenhuma!
E isso é, deveras, algo bom: Tão natural e espontânea é a transição do final do primeiro filme para o começo deste segundo que a fluidez da narrativa já envolve de imediato o expectador.
Ainda saboreando a espetacular vitória (e fama súbita) conquistada no Torneio de Cães Pastores, o pequeno porquinho Babe e seu dono, o fazendeiro Arthur Hoggett (James Cromwell) são pegos de surpresa por um imprevisto: Um acidente durante um trabalho na fazenda que impossibilita-o de fazer as viagens de apresentação previstas no contrato do torneio.
Com a hipoteca da fazenda quase chegando ao vermelho, é a própria Sra, Hoggett (Magda Szubanski) quem tem de se prontificar para levar o porquinho aos compromissos determinados, e garantir a remuneração que pode salvar a fazenda.
George Miller, contudo, não polpa os contratempos que se abatem sobre seus protagonistas instaurando sutilmente um caos que míngua todas as prioridades: Os compromissos devem ser honrados –pois, não demora Babe e Sra. Hoggett terem complicações que os detêm ali mesmo no aeroporto.
Nem ela, nem Babe (ambos habituados à vida pacata na fazenda) desejam se aventurar demais pela cidade grande –pois, sem voos para ir ao local marcado, nem para voltar para casa, ambos terão de se virar nas dependências de um hotel muito questionável do subúrbio (o único que aceita inquilinos com animais).
A única instrução do fazendeiro Hoggett à sua esposa foi “Tome conta do porquinho!” –pois é exatamente de Babe que as circunstâncias levarão a aflita Sra. Hoggett a se perder: Primeiro, porque Babe encontra um grupo de chimpanzés cheios de segundas intenções (que trabalham para uma espécie de palhaço-ilusionista vivido pelo veterano Mickey Rooney), e depois embarca em uma jornada tortuosa que o leva a tentar proteger todo um grupo de animais desamparados; gatos, cachorros, os ratinhos cantores do filme original, o pato Ferdy (que retorna para auxiliar o seu “porco da sorte”) e os próprios chimpanzés, todos eles sofrendo o descaso reservado aos animais perdidos de uma cidade grande.
Imbuído de uma contundência admirável na condução da trama, o diretor Miller não se furta de oferecer momentos intensos, tensos e extenuantes que reforçam ainda mais as implicações morais deste segundo filme na comparação com a simplicidade lúdica do primeiro, razões que (aos olhos da crítica) podem ter servido para esta continuação não ter a mesma repercussão tão largamente positiva do original.
Não importa: “Babe-O Porquinho Atrapalhado Na Cidade” é tão genial quanto seu filme antecessor e, como sequência, acrescenta com louvor novas camadas de aventura e significado à brilhante execução técnica repetida aqui.

quarta-feira, 21 de março de 2018

As Bruxas de Eastwick

Sendo já conhecido na década de 1980 como o criador de “Mad Max”, George Miller tentou outras experimentações em sua carreira. Seguiram-se obras como o dramático “Óleo de Lorenzo” e, um pouco antes, este “As Bruxas de Eastwick”.
Uma pérola do humor negro –e como todas as obras providas desse gênero, fatalmente ameaçada pela incompreensão de público e crítica –este filme reúne, já de início, um elenco espetacular: Além de Jack Nicholson, as beldades Suzan Sarandon, Michelle Pfeifer e Cher.
Elas são três amigas às voltas com a mediocridade da provinciana cidadezinha onde vivem, Eastwick, na qual paira sobre elas –a despeito da beleza e da sensualidade ostentada por todas –a sombra da solteirice sem um homem disponível por perto.
Fruto do Oscar de Melhor Atriz conquistado no ano anterior, Cher é a protagonista Alexandra, enquanto Michelle Pfeifer vive a doce e afável Sukie, e Suzan Sarandon interpreta a reprimida violoncelista Jane.
Numa noite, elas decidem, em tom de brincadeira, fazer um pacto com o diabo para que lhes envie um homem dotado de todos os atributos que eles querem.
Eis que o diabo em pessoa resolve atender o pedido delas, surgindo na cidadezinha personificado por Jack Nicholson –num papel que francamente lhe parece caber feito uma luva! –e seduzindo-as, uma a uma.
Sob a alcunha ostensiva e elegante de Daryl Van Horne, ele dá a cada uma aquilo que elas ansiavam ou precisavam: Para Alexandra ele fornece a atenção e o reconhecimento por sua postura de mulher moderna num ambiente tão redundante; para Sukie, ele proporciona calor humano e a satisfação sexual que em sua vulnerabilidade ela não procurava; e para Jane, ele oferece a chance para que ela desabroche sua sexualidade reprimida.
Tão exultante e satisfatório é esse inesperado amante que não ocorre às três sequer se ressentir pelo fato de ter que dividi-lo (!).
Tudo é festa e êxtase durante algum tempo (e a direção de Miller se revela primorosa no ritmo e na condução), mas o homem que as seduziu ainda é o capeta, e quando esse fato começar a ficar claro –especialmente na desafortunada trajetória da beata interpretada por Verônica Cartwight (de “Alien” e “Os Eleitos”) –elas se dão conta de que têm que tomar uma atitude a respeito.
Despido de elementos sintomáticos do cinema comercial de então, carregado de originalidade e de perfeição técnica, “As Bruxas de Eastwick” até hoje ainda desafia o expectador a apreciar suas largas qualidades, não obstante o gosto amargo que ele deliberadamente deixa na boca em face de seu humor negro, de seu sarcasmo irredutível e intransigente, e de seu fatalismo enrustido oculto atrás das características enganosas de comédia e do carisma cativante de seu elenco.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Babe - O Porquinho Atrapalhado

Havia pelo menos umas duas décadas que o cinema australiano pedia por algum reconhecimento: Se o florescer de um peculiar cinema na Austrália tinha fornecido uma sucessão quase interminável de filmes com um estranho apelo excessivo, malicioso e popularesco (os chamados Ozploitation), de lá havia vindo também obras como “Mad Max”, e realizadores do quilate de Peter Weir, Bruce Beresford e o próprio George Miller.
É ele quem vem a responder como produtor, deste “Babe-O Porquinho Atrapalhado”, um filme infantil –com direito a animais falantes e tudo, o quê seu sucesso transformou numa tendência em Hollywood –que fez o que muitas obras contundentes e respeitáveis da Austrália não conseguiram: Amealhar diversas indicações ao Oscar!
A razão para isso era simples; “Babe” era realizado com um brilhantismo e uma excelência incontestáveis.
Babe é o nome pelo qual atende o porquinho protagonista deste filme. No início, ele é levado à fazenda do taciturno Hodge (James Cromwell, num riquíssimo trabalho) onde se depara com um sistema vigente aparentemente imutável: Os animais possuíam funções e utilidades bem específicas que determinavam suas vidas, independente de propensões, aptidões ou sonhos.
“As coisas são o que são” é o que lhe dizem quase sempre como justificativa.
Contudo, a exemplo do hilário pato Fernando (que quer porque quer substituir o galo da fazenda, e depois o próprio relógio, como ‘despertador oficial’), Babe deseja mais do que simplesmente comer e engordar –aparentemente a única função dos porcos –ele quer ser um cão pastor!
Não lhe faltam lá seus aliados, como Flash (a cadela que o adota depois de perder todos os seus filhotes) ou a generosa ovelha Mac, que o ensina que o rebanho não lhe ouvirá se for hostil e agressivo como os cães, mas sim se for gentil e educado.
É assim, por meios inusitados, que Babe vai conquistando um lugar entre os animais da fazenda e provando que os rótulos são prisões impostas pela convenção. E tão notável se mostra a iniciativa do pequeno porquinho que o próprio fazendeiro Hodge começa lá a nutrir seus sonhos de sagrar-se campeão num torneio de cães pastores –porém, levando não seus cães, mas o habilidoso porquinho para disputá-lo!
Dirigido pelo nada famoso Chris Noonan com um primor todo especial, “Babe-O Porquinho Atrapalhado” é tão eficaz em sua capacidade de encantar adultos e crianças que sua narrativa equilibrada e enxuta deixa passar completamente despercebido o verdadeiro inferno que foi sua realização. Anos antes da predominância absoluta dos efeitos de computadores nas cenas, “Babe” contava com um batalhão de animais verdadeiros diante das câmeras, e todos eles tinham seus instrutores, suas próprias forma de serem adestrados (assobios para os cães, campainhas para os patos, sinos para as ovelhas, apitos para os porcos) e suas manhas particulares. Orquestrar a pré-produção, as filmagens e a pós-produção de um filme assim deve ter sido um calvário –e tão mais admirável ele é pelo filme maravilhoso que desse esforço resultou.
Não à toa, em 1996, “Babe” arrebatou merecidamente o Oscar de Melhores Efeitos Visuais.

sábado, 17 de junho de 2017

Trilogia Mad Max

Mad Max
O conceito de filmes pós-apocalípticos era bem outro antes deste incomum, ressonante e vibrante trabalho de um ainda iniciante George Miller.
A idéia em si nem lograva definir o quê o filme seria: A fim de justificar o baixo orçamento e a ambientação incontornavelmente precária que teria de arcar, Miller concebeu o roteiro instalando a premissa em meio à um mundo onde a civilização já começava sua derrocada, justificando assim a ausência de figurantes (que eles não podiam pagar), os cenários arcaicos e rudimentares (que eram tudo aquilo de que dispunham) e as amplas tomadas desérticas (afinal de contas, o lugar de que podiam tirar o máximo de proveito).
A trama em si não colocava o policial Max Rockatansky como o personagem que ele acabou sendo: O roteiro estava mais para um thriller envolvendo motoqueiros desordeiros, um dos sub-gêneros comuns no cinema guerrilheiro, apelativo e franco da Austrália.
Mas, a necessidade, como se diz por aí, foi moldando o projeto, e “Mad Max” terminou sendo uma obra que reunia uma série de características bastante únicas.
Num futuro iminente, porém espertamente não determinado, um policial rodoviário (Mel Gibson, uma extraordinária presença de cena) das estradas desérticas da Austrália se defronta com uma gangue de motoqueiros arruaceiros, uma onda de violência e caos que parece se repetir em todo o mundo, levando os pilares da civilização a iniciar um colapso gradativo –as restrições extremas da produção impediam que este fosse um filme que ilustrasse inteiramente um mundo pós-apocalíptico (tarefa que foi magnificamente abraçada e executada pelos filmes seguintes), e é por isso que George Miller vale-se da criatividade, da sugestão e de várias sacadas de roteiro a fim de contornar essa questão.
Psicóticos, os selvagens antagonistas perseguem Max e terminam matando sua mulher e filho pequeno.
Não sabem o erro que cometeram.
São inúmeras as proezas incomuns deste filme aparentemente tão modesto e de realização tão básica: Iniciou uma série que consagrou o astro Mel Gibson; apresentou o estilo de cinema ebuliente e inusitado da Austrália para o mundo; e criou um cenário de mundo pós-apocalíptico (mais explorado nos filmes seguintes) que tornou-se modelo para infindáveis imitações posteriores (e inferiores).
Por tal aspecto ainda hoje desigual e suas cenas eletrizantes e imaginativas (em parte devido ao pequeno orçamento) usufrui, hoje, de um merecido status cult.


Mad Max 2-A Caçada Continua
Nesta continuação do cult "Mad Max", a orientação da história prima por explorar o mundo futurista que foi apenas esboçado no primeiro filme (de orçamento bem menor).
Agora já sabemos com mais nitidez os detalhes pelos quais se deu o desmoronamento da sociedade regulamentada, do qual tivemos um vislumbre no filme inicial.
É por isso que, neste segundo filme, Max Rockatansky já deixou à tempos o ofício de policial: Neste futuro pós-apocalíptico, cuja falta de combustível (como descobrimos no prólogo) levou ao esfacelamento da civilização, tudo o quê resta ao ex-policial fazer é singrar as estradas australianas a bordo do seu ford falcon envenenado.
Acostumado a enfrentar arruaceiros ocasionais, Max se encontra com uma sociedade montada dentro de uma fortaleza, onde as pessoas precisarão de seus serviços para conduzir um disputado caminhão de combustível por uma estrada afora.
Nesta produção, mais endinheirada do que a anterior devido ao sucesso de público, George Miller pode dar ainda mais personalidade aos quesitos que definiram o primeiro filme (e que são inerentes ao cinema australiano a que pertencem) o fetiche cativante e irresponsável com que são registradas as perseguições de carros mais drásticas. Essa faceta passou a definir a série, assim como –a partir desse filme –o registro curioso, inventivo e ácido de um mundo em frangalhos culturais, sociais e técnicos onde o diretor encontra largo terreno para a criatividade sua e da equipe técnica.


Mad Max-Além da Cúpula do Trovão
Em sua terceira aventura ambientada num mundo pós-apocalíptico onde a cada filme o diretor George Miller abandona cada vez mais as relações com a nossa própria civilização, o ex-policial Max Rockatanski, agora convertido num andarilho a singrar pelo mundo devastado, encontra uma sociedade desértica que gira em torno de uma arena –a Cúpula do Trovão.
Lá, a disputa pelo poder se dá entre uma dupla de controladores formada por Máster (a sabedoria representada num articulado anãozinho quase inválido) e Blaster (a força manifestada por um truculento gigante mudo), e Tia Entity (Tina Turner), líder de um grupo de motoqueiros punk (!).
Max passa algumas agruras no fogo cruzado dessa luta pelo poder: É levado, por um acordo com Tia Entity a confrontar o poderoso Blaster dentro da famigerada Cúpula do Trovão, em torno da qual se dão os embates que mobilizam toda atenção daquela sociedade (na mais espetacular cena de duelo de todo o filme), e termina exilado no deserto, onde conhece um grupo de crianças perdidas.
No terceiro filme da série protagonizada pelo personagem Max Rockatanski, o diretor George Miller já indica, em sua condução, a propensão para histórias mirabolantes que ilustrariam melhor o mundo anarquizado que ele criou –e que levaria ao formidável “Mad Max-Estrada da Fúria”.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Os Indicados Ao Globo de Ouro 2015

E então, foi divulgada  hoje a lista dos filmes que concorrem ao Globo de Ouro, o quê já levanta possibilidades muito concretas para o Oscar. Vamos a ela:
Melhor Filme Drama
Carol
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
O Quarto de Jack
Spotlight: Segredos Revelados
(Muito interessante notar o reconhecimento da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood -os votantes do Globo de Ouro- para com "Mad Max-Estrada da Fúria", merecidíssimo, e pode conduzir este grande filme ao Oscar; uma presença no mínimo curiosa. É difícil apontar um favorito: "Carol" vem colecionando muitos prêmios por onde tem passado; "O Regresso" tem feito muito burburinho entre os críticos que afirmam ter Iñarritu feito uma nova obra-prima depois do premiadíssimo "Birdman"; e "O Quarto de Jack" ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival de Toronto. O único que deve se contentar somente com a indicação, aparentemente, é mesmo "Spotlight")
Melhor Filme Comédia/Musical
A Grande Aposta
Joy: O Nome do Sucesso
Perdido em Marte
A Espiã que Sabia de Menos
Descompensada
("Perdido em Marte", após um período em cartaz gozando de amplo sucesso de público e crítica não pode ser considerada uma surpresa sua inclusão nos indicados, mas não deixa de ser recompensador, exatamente como "Mad Max". São os críticos reconhecendo o valor de algumas obras também celebradas pelo público. Curioso é ele estar como comédia ou musical. "Joy", sendo um trabalho de David O' Russell, deve repetir presença no Oscar e em várias premiações da temporada; "A Grande Aposta" surgiu do nada, beneficiando-se de sua data propícia de lançamento, de excelentes críticas, e de um elenco excepcional. Pode surpreender. "A Espiã..." e "Descompensada" parecem estar ali só para preencher cadeira, mas eu não descartaria uma surpresa vinda desse último...) 
Melhor Diretor
Todd Haynes  Carol
Alejandro Iñárritu  O Regresso
Tom McCarthy – Spotlight – Segredos Revelados
George Miller  Mad Max: Estrada da Fúria
Ridley Scott  Perdido em Marte
(Muito legal o reconhecimento de George Miller -é sempre bom lembrar -é bem provável que seja ele o dono da imensa torcida do público. Para mim, será uma vitória se ele chegar ao Oscar. Esta categoria revela a ausência de nomes como o de Steven Spielberg e seu elogiadíssimo "Ponte de Espiões", mas os favoritos parecem ser mesmo Ridley Scott, com seu trabalho magnífico em "Perdido em Marte" ao orquestrar efeitos especiais 3D, e mostrar desenvoltura numa trama que une drama, aventura, ficção, comédia e ciência, e Alejandro Gonzales Iñarritu com a poderosa experiência cinematográfica chamada "O Regresso". Contudo, Todd Haynes e seu premiado "Carol" surgem como um coringa que pode ludibriar a todos)
Melhor Ator em Filme Drama
Bryan Cranston  Trumbo
Leonardo DiCaprio  O Regresso
Michael Fassbender  Steve Jobs
Eddie Redmayne  A Garota Dinamarquesa
Will Smith  Um Homem entre Gigantes
(Como na maioria das categorias, ainda é cedo para apontar um favorito, mas muitos são os que engrossam o coro de que este é o ano de Leonardo DiCaprio: Há quem diga, inclusive, que a campanha de premiação do estúdio irá concentrar-se na tentativa de fazê-lo levar os prêmios de intérprete da temporada. Seu maior adversário, possivelmente, será o mesmo vencedor do ano passado, Eddie Redmayne, no impressionante papel título de "A Garota Dinamarquesa". Já, Will Smith é surpresa até que esteja entre os indicados!)
Melhor Atriz em Filme Drama
Cate Blanchett  Carol
Brie Larson  O Quarto de Jack
Rooney Mara  Carol
Saoirse Ronan  Brooklyn
Alicia Vikander  A Garota Dinamarquesa
(Particularmente, acho as categorias de atrizes as mais interessantes, pois nelas normalmente há competidoras boas de verdade, e este ano não é diferente! Cate Blanchett e sua colega de cena, Rooney Mara, com seu corajoso trabalho em "Carol" chegam exigindo respeito: Este é um filme potencialmente favorito nas premiações, já que os prêmios podem convergir para ele em razão da recente permissão na lei americana para casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Dito isto, curiosamente, não foi lembrada a grande atuação de Julianne Moore em "Freeheld", talvez por se assemelhar um pouco à proposta de "Carol"; Brie Larson, uma das surpresas do ano parece evocar o mesmo fascínio de Jennifer Lawrence em 2011, na época de "Inverno da Alma", na verdade, tanto ela, como Saiorse Ronan e Alicia Vikander representam de modo geral, um sopro de renovação no cinema americano. Está aí, de fato, uma das categorias mais interessantes da premiação)
Melhor Ator em Filme Comédia/Musical
Christian Bale  A Grande Aposta
Steve Carell  A Grande Aposta
Matt Damon  Perdido em Marte
Al Pacino  Não Olhe para Trás
Mark Ruffalo  Sentimentos que Curam
(Há que se admirar a versatilidade de Christian Bale. Aqui está ele, mostrando que seu potencial vai muito além de Batman. Ele está acompanhado de gente muito boa: Steve Carell, seu companheiro de cena no inesperado "A Grande Aposta"; Matt Damon, perfeito como o astronauta piadista de "Perdido em Marte"; Mark Ruffalo, sempre talentoso, num filme que passou em brancas nuvens, o singela "Sentimentos Que Curam"; mas, a surpresa talvez seja Al Pacino no ainda mais inesperado "Não Olhe Para Trás". As chances de Damon aqui são grandes, mas não tanto...)
Melhor Atriz em Filme Comédia/Musical
Jennifer Lawrence  Joy: O Nome do Sucesso
Melissa McCarthy  A Espiã que Sabia de Menos
Amy Schumer  Descompensada
Maggie Smith  A Senhora da Van
Lily Tomlin  Grandma
(É provável que seja Jennifer Lawrence o nome a ser batido nesta categoria, talentosa, sempre muito querida do público e também da crítica, ela faz com O' Russel, seu diretor, uma parceria matadora -sob a direção dele, ela já colecionou prêmios, incluindo o Oscar, pelos filmes anteriores que fizeram -e "Joy" pode continuar nesse ritmo, até porque suas competidoras aqui não são das mais vultuosas: Todas -exceto, talvez, Amy Schumer - oferecem trabalhos mais graciosos do que memoráveis. Mas, não vamos nos esquecer da dama e veterana Maggie Smith, que tem enfileirado um prêmio atrás do outro com a série de TV "Downton Abbey", pode ser que agora, a Imprensa Estrangeira queira estender essa consagração para o prêmio de cinema!)
Melhor Ator Coadjuvante
Paul Dano – Love & Mercy
Idris Elba – Beasts Of No Nation
Mark Ruffalo – Spotlight – Segredos Revelados
Mark Rylance  Ponte dos Espiões
Michael Shannon  99 Homes
Sylvester Stallone – Creed: Nascido Para Lutar
(A grande surpresa dos indicados! Talvez, nem mesmo Stallone estivesse esperando por sua indicação. Seria no mínimo engraçado se ele conseguir chegar ao Oscar. Veremos... Dentre os cinco, as presenças mais respeitáveis -até porque os demais pouco se conhece dos filmes! -são mesmo Mark Rylance, elogiadíssimo e a única lembrança para o filme de Spielberg; Idris Elba, com seu vigoroso trabalho em "Beast Of No Nation" e uma segunda menção à Mark Ruffalo)
Melhor Atriz Coadjuvante
Jane Fonda – Youth
Jennifer Jason Leigh – 
Os 8 Odiados
Helen Mirren  Trumbo
Alicia Vikander  ExMachina
Kate Winslet  Steve Jobs
(Jennifer Jason Leight surge como uma das únicas -dentre duas indicações -menções ao filme de Quentin Tarantino, mas seu trabalho, como sempre, é sensacional. Ela tem pela frente a presença da grande Jane Fonda no belíssimo "Youth" de Paolo Sorrentino -outro esquecido pelo Globo de Ouro -, a sempre competente Kate Winslet no pouco visto, mas muito agraciado "Steve Jobs" e outra grande veterana, Helen Mirren por "Trumbo" Mas, o que me maravilhou foi a segunda menção da jovem e talentosa Alicia Vikander, nesta categoria por um dos melhores filmes do ano, a ficção científica "Ex-Machina". Minha torcida está toda com ela!)
Melhor Animação
Anomalisa
O Bom Dinossauro
Divertida Mente
Snoopy e Charlie Brown: Peanuts, 
O Filme
Shaun, o Carneiro
(Entre lembranças óbvias -"Shaun, o Carneiro" -francamente, inesperadas -"Peanuts, O Filme" -e até audaciosas -"Anomalisa" - lá está a grande animação de 2015: o belo, genial e surpreendente "Divertidamente". Todos os outros -incluindo aí "O Bom Dinossauro", seu irmão de estúdio -estão ali, única e exclusivamente para tentar superar seu favoritismo)
Melhor Roteiro
O Quarto de Jack
Spotlight Segredos revelados
A Grande Aposta
Steve Jobs
Os 8 Odiados
(O novo faroeste de Quentin Tarantino concorre em Atriz Coadjuvante e nesta categoria aqui. O quê o torna um provável favorito à este prêmio. Mas, ele tem pela frente muitos trabalhos que se destacam essencialmente por seus roteiros bem construídos, caso de "Spotlight" e "A Grande Aposta", mas é "Steve Jobs" roteirizado por outra estrela, Aaron Sorkin, quem deve fazer frente à Tarantino. No meio disso tudo, "O Quarto de Jack" pode surpreender a todos eles)
Melhor canção original
“Love Me Like You Do” – Cinquenta Tons de Cinza
“One Kind of Love” – Love and Mercy
“See You Again” – Velozes e Furiosos 7
“Simple Song No. 3” – Youth
“Writing’s on the Wall” – 007 Contra Spectre

(A última categoria de cinema -há também as de TV -deu espaço para alguns filmes bastante discutíveis. Qual outra categoria, senão a de Canção Original, poderia concorrer uma obra pífia como "Cinquenta Tons de Cinza"? Curioso é que muitas dessas características colocam justamente o  irregular "Velozes e Furiosos 7" como possível favorito -com a já famosa música composta em homenagem ao falecido Paul Walker -já que o tema de "007 Contra Spectre" está longe de ser memorável como a canção que Adele fez para "Skyfall", e os demais concorrentes são filmes muito pouco vistos)

domingo, 26 de julho de 2015

Mad Max - Estrada da Fúria

É muito bom quando um filme ultrapassa suas expectativas.
E a verdade é que, desde os primeiros trailers, parecia que algo muito especial estava a caminho.
Ainda que pouco reconhecido -e até mesmo, pouco conhecido! -o diretor George Miller, sempre foi um grande artesão. Não apenas no que diz respeito à saga de "Mad Max", aqui em seu quarto filme, mas em toda sua filmografia.
Desde a bem acabadíssima mistura de comédia e suspense "As Bruxas de Eastwick", passando pelo belo drama "Óleo de Lorenzo", a magistral fantasia infantil de "Babe-O Porquinho Atrapalhado" (que ele produziu, mas cuja continuação, tão boa quanto, ele de fato dirigiu) até o único Oscar que recebeu: no caso, de Melhor Longa Metragem de Animação, pelo magnífico "Happy Feet-O Pinguim".
Todos exemplos de uma técnica admirável de cinema, mas como se pode constatar, muito pouco conhecidos. E então, temos este "Mad Max-Estrada da Fúria", lançado quase trinta anos depois do último exemplar, "Além da Cúpula do Trovão".
Este é aquele tipo de filme que se destaca em meio à tanta bobagem que sai hoje em dia, pelo simples fato de ser extremamente bem filmado, bem montado, bem fotografado, bem escrito e bem executado.
Em suma, ser exatamente como todo e qualquer filme devia ser, mas infelizmente, o nível da média do que é despejado no circuito comercial é tão baixa que o público acaba se acostumando com porcaria.
Pouco se tem falado da substituição de Mel Gibson por Tom Hardy, o novo intérprete de Mad Max. Hardy faz um trabalho ótimo, ainda que seja verdade aquele falatório de que, por vezes, o destaque fica com Charlize Theron.
Se Hardy é ótimo, ela, então, é excelente!
De resto, Mad Max-Estrada da Fúria é toda uma única sequência de ação (a grande perseguição de carro pelo deserto) potencializada em um filme de duas horas de duração. O que impressiona é que a câmera não é tremida, como era de se esperar numa filmagem comum, nessas circunstâncias e com essa proposta.
Cada take é uma obra de arte em termos de enquadramento. Poucos filmes recentes ganharam assim o privilégio de serem chamados de "aula de cinema" como este daqui.