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segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Birdman ou A Inesperada Virtude da Ignorância

Não é por acaso que a ironia pulsa deste trabalho do diretor mexicano Alejandro Gonzáles Iñarritu –não havia abordagem melhor, mais apropriada e merecida do que um humor cáustico para falar sobre as percepções da arte pelo ponto de vista frenético daqueles que se alimentam do aplauso público.
Outrora famoso por interpretar o super-herói Birdman nos cinemas, o ator veterano Riggan Thompson (Michael Keaton, transcendental em sua excelência) tenta reaver o prestígio perdido produzindo e protagonizando uma peça adaptada de um conto do escritor Raymond Chandler na Broadway. Mas, a montagem além de enfrentar os obstáculos de praxe, acaba sendo prejudicada por um astro imprevisível e vaidoso (Edward Norton, no seu melhor trabalho em muitos anos), convidado em cima de última hora para trazer mais evidência ao projeto, e pela costumeira rejeição dos críticos.
Substituindo o drama contundente que definia sua narrativa em “Amores Brutos”, "21 Gramas" e “Babel”, por uma comédia ferina e elegante que surpreendentemente lhe cai muito bem, o diretor Alejandro Gonzáles Iñarritu concebe um grande trabalho no qual exercita, de maneira esteticamente distinta do convencional (os planos ininterruptos de câmera são um show à parte da direção de fotografia), a percepção de arte, carreira e sucesso que acerca os bastidores do show-bussiness e os egos daqueles que o orbitam.

A câmera ao simular um único take magistral a acompanhar todo este filme agraciado com 4 Oscars, (incluindo de Melhor Filme e Diretor) parece remeter a uma simulação técnica e espiritual do formato teatral –em especial, no fôlego admirável do grande elenco que se desdobra em entradas e saídas de cena espetaculares –ao qual Iñarritu dedica tanta admiração.

sábado, 16 de setembro de 2017

Os Vencedores do Oscar 2015

(Todo o sábado, agora, haverá uma retrospectiva das cerimônias do Oscar de anos pregressos em ordem regressiva. Vamos ver até onde vai...)
Foi um ano que não teve grandes surpresas, exceto pela larga consagração nas categorias técnicas prestadas por “O GrandeHotel Budapeste” quando muitos acreditavam que os prêmios poderiam ir para Nolan e seu “Interestelar” –prestigiado apenas com o prêmio de Melhores Efeitos Visuais.
Como é habitual no Oscar, os prêmios principais foram previsíveis e sem maiores surpresas (uma pena, pois, Michael Keaton merecia ter arrebatado o prêmio de Melhor Ator das mãos de Eddie Redmayne), levando à consagração de “Birdman” (e lá se vão três anos consecutivos sem que um americano ganhe o Oscar de Melhor Diretor), ao pleno merecimento de J.K. Simmons e ao talvez tardio reconhecimento de Julianne Moore (afinal, houveram tantos grandes filmes pelo qual ela podia ter ganhado...), e ao prêmio para Patricia Arquette, a única menção à “Boyhood”, de Richard Linklatter, tido até então como um dos favoritos da noite.
Na categoria de Filme Estrangeiro foi uma pena não ver o argentino “Relatos Selvagens” ser premiado.
Menos mal que a justiça se fez com a conquista de três estatuetas para o primoroso “Whiplash”, talvez, o melhor dentre todos os indicados.

MELHOR FILME
"Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)"

MELHOR DIREÇÃO
"Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)", Alejandro Gonzales Iñarritu

MELHOR ATRIZ
Julianne Moore, "Para Sempre Alice"

MELHOR ATOR
Eddie Redmayne, "A Teoria de Tudo"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Patricia Arquette, "Boyhood-Da Infância À Juventude"

MELHOR ATOR COADJUVANTE
J.K. Simmons, "Whiplash-Em Busca da Perfeição"

MELHOR FOTOGRAFIA
"Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM
"Citizen Four"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
"Crisis Hotline-Veterans Press 1"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"Ida" (Polônia)

MELHOR MIXAGEM DE SOM
"Whiplash-Em Busca da Perfeição"

MELHORES EFEITOS VISUAIS

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
"O Grande Hotel Budapeste"

MELHOR FIGURINO
"O Grande Hotel Budapeste"

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
"Sniper Americano"

MELHOR DESIGNER DE PRODUÇÃO
"O Grande Hotel Budapeste"

MELHOR TRILHA SONORA
“O Grande Hotel Budapeste"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"Glory", de "Selma"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

MELHOR LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"O Banquete"

MELHOR EDIÇÃO
"Whiplash-Em Busca da Perfeição"

MELHOR CURTA-METRAGEM


"The Phone Call”

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Babel

Quando realizou este drama que trata das conseqüências do preconceito em relação à diversidade racial, à diferença cultural, entre outros aspectos bastante discutidos na sociedade de hoje, através de quatro histórias entrelaçadas por um mesmo e fatídico evento, as mesmas fórmulas em repetição empregadas pelo diretor Alejandro Gonzales Iñarritu começavam a cansar: Ele havia obtido aclamação com seu denso e vigoroso “Amores Brutos”, ainda no México, e seu trabalho anterior foi o excepcional “21 Gramas” –ou seja, do ponto de vista conceitual, eram filme um bocado parecidos; todos giravam em torno de tragédias pessoais que interligavam personagens completamente distintos, e todos eram, também roteirizados por Guillermo Arriaga.
Ainda um bom filme –e recebido com bastante empolgação pela crítica que culminou em várias indicações ao Oscar 2006 –“Babel” representava uma espécie de encruzilhada profissional para Iñaritu: Ou se provava capaz de fazer algo realmente relevante depois dele, ou amargaria então a mediocridade, a ladeira abaixo que, em geral, se segue à consagração.
A primeira trama de “Babel” –e aquela que aparenta ser sua espinha dorsal –acompanha um casal americano (Brad Pitt e Cate Blanchett) em férias no Marrocos. Eles são surpreendidos quando a mulher é acidentalmente alvejada por um rifle nas mãos de dois pequenos e inocentes pastores de cabras (protagonistas, por sua vez, de outra história).
Paralelamente (mas, não no que diz respeito ao tempo, já que a cronologia do roteiro é toda embaralhada), os dois filhos pequenos do casal enfrentam outro contratempo: São carregados para o México por sua babá (Adriana Barraza) disposta a não perder um casamento de família e, na tentativa de voltar, acabam extraviados no deserto.
Noutra história, relacionada com as demais por uma série de breves artifícios, uma jovem surda-muda japonesa (Rinko Kikuchi) busca por aceitação e amor.
Iñarritu usa das encenações propostas por cada conto individual para capturar pequenos momentos: As opiniões prolixas, porém, beligerantes dos pequenos pastores; o repudio mal contido das crianças norte-americanas perante os costumes do povo latino; a atitude inconscientemente condescendente dos americanos ante as pessoas de Terceiro Mundo que lhes prestaram ajuda. São pequenos comentários dispersos numa obra que sofre pela ausência de sensibilidade do diretor em relação à sutileza proposta –a sintonia com o roteirista Arriaga, durante a realização do filme (como se pode perceber nas entrelinhas), já não era a mesma de antes, e Iñarritu e ele já caminhavam para um rompimento irreversível.
Depois deste trabalho, Arriaga buscou, ele próprio alçar outros vôos cedendo seus roteiros a outrem em “O Búfalo da Noite", e depois ele próprio como diretor em “Vidas Que Se Cruzam”, enquanto Iñarritu tateou em busca de um novo caminho para sua arte, inicialmente de forma tímida em “Biutiful”, com Javier Bardem, terminando por se encontrar em definitivo e impor-se como grande cineasta nos arrojados “Birdman” e “O Regresso”.

terça-feira, 1 de março de 2016

Os Vencedores do Oscar 2016

Foi uma noite de altos e baixos, como costuma ocorrer no Oscar. No cômputo geral, tudo foi mais positivo do que negativo. Muito legal ver o excelente "Spotlight" consagrando-se ao invés do tão alardeado "O Regresso" (cujas três estatuetas conquistadas estão de muito bom tamanho).
Dono do melhor discurso da noite, Leonardo DiCaprio foi com méritos o Melhor Ator, e isso não se restringe ao trabalho no filme deste ano: Pode-se dizer que é um prêmio pela carreira.
Por falar nisso, muito gente deve ter ficado desapontada com a não-vitória de Sylvester Stallone, perdendo para o inesperado Mark Rylance, no que deve ter sido o momento mais lamentável do Oscar deste ano, pelo menos para o público.
Felizmente, não houve surpresas na categoria de Melhor Atriz, na qual a maravilhosa Brie Larson conquistou merecidamente o prêmio por "O Quarto de Jack".
A melhor surpresa da noite talvez tenha sido a vitória da sueca Alicia Vikander na categoria de coadjuvante por seu brilhante trabalho em "A Garota Dinamarquesa". Por sinal, o outro filme do qual ela participa, o excelente "Ex-Machina" foi outra surpresa (talvez a maior) ganhando de pesos pesados como "Star Wars" o Oscar de Melhores Efeitos Especiais.
Muito emocionante ver finalmente o grande Ennio Morriconne ser agraciado com um Oscar de Melhor Trilha Sonora (o primeiro de sua grande e extraordinária carreira) ainda que "Os Oito Odiados" não seja, nem por um decreto, seu melhor trabalho.
Agora, sensacional mesmo foi ver "Mad Max-Estrada da Fúria" conquistar seis prêmios sagrando-se como o maior vitorioso em número de premiações; melhor que isso só se tivesse levado de Melhor Filme ou George Miller o de Melhor Diretor. Mas convenhamos, isso seria esperar demais do Oscar.
 Melhor filme
Spotlight - Segredos Revelados

Atriz
Brie Larson - O Quarto de Jack

Ator
Leonardo DiCaprio - O Regresso

Atriz coadjuvante
Alicia Vikander - A Garota Dinamarquesa

Ator coadjuvante
Mark Rylance - Ponte dos Espiões

Diretor
Alejandro G. Iñárritu - O Regresso

Filme estrangeiro
O Filho de Saul (Hungria)

Animação
Divertida Mente

Melhor roteiro original
Spotlight - Segredos Revelados

Roteiro adaptado
A Grande Aposta

Canção original
Writing's On The Wall, de 007 Contra Spectre

Fotografia
O Regresso

Documentário
Amy

Figurino
Mad Max: Estrada da Fúria
Trilha sonora
Os Oito Odiados

Montagem
Mad Max: A Estrada da Fúria

Direção de arte
Mad Max: A Estrada da Fúria

Efeitos visuais
Ex-Machina: Instinto Artificial

Edição de som
Mad Max: Estrada da Fúria

Mixagem de som
Mad Max: Estrada da Fúria

Curta-metragem
Stutterer

Animação curta-metragem
Bear Story

Documentário curta-metragem
A Girl in the River: The Price of Forgiveness

Maquiagem e penteado
Mad Max: Estrada da Fúria 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

O Regresso

 Se há algo que este filme ratifica, é o virtuosismo cada vez mais aplicado de Alejandro Gonzales Iñarritu. Ele pega uma trama de uma simplicidade gutural e a potencializa em um grande filme sobre vingança que ultrapassa as duas horas de duração. 
Não é o quê ele conta, mas como ele conta. 
A câmera de Emmanuel Lubezki elabora quadro de um esplendor inédito no cinema em 2015. Poucos foram os filmes capazes de rivalizar com esse acabamento visual: Puxando da memória, talvez, só “Mad Max-Estrada da Fúria” e “A Colina Escarlate” são capazes de lhe igualar nesses termos. Aqui, Iñarritu entrega uma obra completamente distinta de seu trabalho anterior, “Birdman”. Se o outro filme era uma dissertação sobre as diferentes percepções da arte e do processo criativo em si, “O Regresso” abandona qualquer um desses intelectualismos. Á exemplo do que Kubrick fazia, o filme de Iñarritu contraria e contradiz seu trabalho anterior pela simples mudança brusca de tema, ambientação e conceito. 
Leonardo Dicaprio (numa atuação carregada de precisão, expressividade e silêncio) é Hugo Glass, caçador e rastreador veterano da fronteira gelada dos EUA com o Canadá. Em meados do fim do século XIX, ele e seus conhecimentos soa necessários à uma empreitada que um grupo de  soldados e mercenários pagos empreendem á territórios longínquos e inóspitos, atrás de carne e couros valiosos. Lá, há muito perigo. Inclusive na forma de tribos hostis que não hesitam em atacá-los já nas espetaculares cenas iniciais do filme. Durante a árdua volta para a civilização, Glass é atacado por um urso imenso, em mais uma cena brilhantemente montada e orquestrada por Iñarritu. Seus ferimentos indicam morte iminente, e suas condições certamente atrasarão a tropa, mas o capitão (Domhnall Gleeson) não deseja deixá-lo para trás, ao contrário do rancoroso Fitzgerald (Tom Hardy, brilhante). Logo monta-se uma equipe para cuidar dele enquanto a tropa prossegue. Essa equipe inclui Fitzgerald, e dois jovens, um deles o filho metade indígena de Hugo Glass. 
Ao verem-se sozinhos, as intenções de Fitzgeral se revelam: Ele mata a sangue frio o filho de Glass, e depois enterra o próprio vivo, sob a relutante testemunha do outro jovem. Contudo, Glass não morre, e trava uma odisséia em meio à paisagem inóspita e gelada para procurar e achar Fitzgerald e consumar o desejo de vingança que queima dentro dele desde então. 
Ainda que seja a mola que impulsiona o filme e o seu protagonista, a vingança em si não é o cerne de “O Regresso”. Durante a maior parte de sua duração é o trajeto que Glass fará até atingir seu objetivo o verdadeiro mote do filme. O grande tema de “O Regresso” portanto, acaba sendo o embate do homem com a natureza. E é a partir dessas cenas que o diretor Iñarritu encontra a força de seu filme: Cada tomada é imbuída de um esforço sem igual de autenticidade e legitimidade técnica para com a ilustração da frágil condição humana perante um cenário tão lindo e tão selvagem. 

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Os Indicados Ao Globo de Ouro 2015

E então, foi divulgada  hoje a lista dos filmes que concorrem ao Globo de Ouro, o quê já levanta possibilidades muito concretas para o Oscar. Vamos a ela:
Melhor Filme Drama
Carol
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
O Quarto de Jack
Spotlight: Segredos Revelados
(Muito interessante notar o reconhecimento da Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood -os votantes do Globo de Ouro- para com "Mad Max-Estrada da Fúria", merecidíssimo, e pode conduzir este grande filme ao Oscar; uma presença no mínimo curiosa. É difícil apontar um favorito: "Carol" vem colecionando muitos prêmios por onde tem passado; "O Regresso" tem feito muito burburinho entre os críticos que afirmam ter Iñarritu feito uma nova obra-prima depois do premiadíssimo "Birdman"; e "O Quarto de Jack" ganhou o prêmio de Melhor Filme no Festival de Toronto. O único que deve se contentar somente com a indicação, aparentemente, é mesmo "Spotlight")
Melhor Filme Comédia/Musical
A Grande Aposta
Joy: O Nome do Sucesso
Perdido em Marte
A Espiã que Sabia de Menos
Descompensada
("Perdido em Marte", após um período em cartaz gozando de amplo sucesso de público e crítica não pode ser considerada uma surpresa sua inclusão nos indicados, mas não deixa de ser recompensador, exatamente como "Mad Max". São os críticos reconhecendo o valor de algumas obras também celebradas pelo público. Curioso é ele estar como comédia ou musical. "Joy", sendo um trabalho de David O' Russell, deve repetir presença no Oscar e em várias premiações da temporada; "A Grande Aposta" surgiu do nada, beneficiando-se de sua data propícia de lançamento, de excelentes críticas, e de um elenco excepcional. Pode surpreender. "A Espiã..." e "Descompensada" parecem estar ali só para preencher cadeira, mas eu não descartaria uma surpresa vinda desse último...) 
Melhor Diretor
Todd Haynes  Carol
Alejandro Iñárritu  O Regresso
Tom McCarthy – Spotlight – Segredos Revelados
George Miller  Mad Max: Estrada da Fúria
Ridley Scott  Perdido em Marte
(Muito legal o reconhecimento de George Miller -é sempre bom lembrar -é bem provável que seja ele o dono da imensa torcida do público. Para mim, será uma vitória se ele chegar ao Oscar. Esta categoria revela a ausência de nomes como o de Steven Spielberg e seu elogiadíssimo "Ponte de Espiões", mas os favoritos parecem ser mesmo Ridley Scott, com seu trabalho magnífico em "Perdido em Marte" ao orquestrar efeitos especiais 3D, e mostrar desenvoltura numa trama que une drama, aventura, ficção, comédia e ciência, e Alejandro Gonzales Iñarritu com a poderosa experiência cinematográfica chamada "O Regresso". Contudo, Todd Haynes e seu premiado "Carol" surgem como um coringa que pode ludibriar a todos)
Melhor Ator em Filme Drama
Bryan Cranston  Trumbo
Leonardo DiCaprio  O Regresso
Michael Fassbender  Steve Jobs
Eddie Redmayne  A Garota Dinamarquesa
Will Smith  Um Homem entre Gigantes
(Como na maioria das categorias, ainda é cedo para apontar um favorito, mas muitos são os que engrossam o coro de que este é o ano de Leonardo DiCaprio: Há quem diga, inclusive, que a campanha de premiação do estúdio irá concentrar-se na tentativa de fazê-lo levar os prêmios de intérprete da temporada. Seu maior adversário, possivelmente, será o mesmo vencedor do ano passado, Eddie Redmayne, no impressionante papel título de "A Garota Dinamarquesa". Já, Will Smith é surpresa até que esteja entre os indicados!)
Melhor Atriz em Filme Drama
Cate Blanchett  Carol
Brie Larson  O Quarto de Jack
Rooney Mara  Carol
Saoirse Ronan  Brooklyn
Alicia Vikander  A Garota Dinamarquesa
(Particularmente, acho as categorias de atrizes as mais interessantes, pois nelas normalmente há competidoras boas de verdade, e este ano não é diferente! Cate Blanchett e sua colega de cena, Rooney Mara, com seu corajoso trabalho em "Carol" chegam exigindo respeito: Este é um filme potencialmente favorito nas premiações, já que os prêmios podem convergir para ele em razão da recente permissão na lei americana para casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Dito isto, curiosamente, não foi lembrada a grande atuação de Julianne Moore em "Freeheld", talvez por se assemelhar um pouco à proposta de "Carol"; Brie Larson, uma das surpresas do ano parece evocar o mesmo fascínio de Jennifer Lawrence em 2011, na época de "Inverno da Alma", na verdade, tanto ela, como Saiorse Ronan e Alicia Vikander representam de modo geral, um sopro de renovação no cinema americano. Está aí, de fato, uma das categorias mais interessantes da premiação)
Melhor Ator em Filme Comédia/Musical
Christian Bale  A Grande Aposta
Steve Carell  A Grande Aposta
Matt Damon  Perdido em Marte
Al Pacino  Não Olhe para Trás
Mark Ruffalo  Sentimentos que Curam
(Há que se admirar a versatilidade de Christian Bale. Aqui está ele, mostrando que seu potencial vai muito além de Batman. Ele está acompanhado de gente muito boa: Steve Carell, seu companheiro de cena no inesperado "A Grande Aposta"; Matt Damon, perfeito como o astronauta piadista de "Perdido em Marte"; Mark Ruffalo, sempre talentoso, num filme que passou em brancas nuvens, o singela "Sentimentos Que Curam"; mas, a surpresa talvez seja Al Pacino no ainda mais inesperado "Não Olhe Para Trás". As chances de Damon aqui são grandes, mas não tanto...)
Melhor Atriz em Filme Comédia/Musical
Jennifer Lawrence  Joy: O Nome do Sucesso
Melissa McCarthy  A Espiã que Sabia de Menos
Amy Schumer  Descompensada
Maggie Smith  A Senhora da Van
Lily Tomlin  Grandma
(É provável que seja Jennifer Lawrence o nome a ser batido nesta categoria, talentosa, sempre muito querida do público e também da crítica, ela faz com O' Russel, seu diretor, uma parceria matadora -sob a direção dele, ela já colecionou prêmios, incluindo o Oscar, pelos filmes anteriores que fizeram -e "Joy" pode continuar nesse ritmo, até porque suas competidoras aqui não são das mais vultuosas: Todas -exceto, talvez, Amy Schumer - oferecem trabalhos mais graciosos do que memoráveis. Mas, não vamos nos esquecer da dama e veterana Maggie Smith, que tem enfileirado um prêmio atrás do outro com a série de TV "Downton Abbey", pode ser que agora, a Imprensa Estrangeira queira estender essa consagração para o prêmio de cinema!)
Melhor Ator Coadjuvante
Paul Dano – Love & Mercy
Idris Elba – Beasts Of No Nation
Mark Ruffalo – Spotlight – Segredos Revelados
Mark Rylance  Ponte dos Espiões
Michael Shannon  99 Homes
Sylvester Stallone – Creed: Nascido Para Lutar
(A grande surpresa dos indicados! Talvez, nem mesmo Stallone estivesse esperando por sua indicação. Seria no mínimo engraçado se ele conseguir chegar ao Oscar. Veremos... Dentre os cinco, as presenças mais respeitáveis -até porque os demais pouco se conhece dos filmes! -são mesmo Mark Rylance, elogiadíssimo e a única lembrança para o filme de Spielberg; Idris Elba, com seu vigoroso trabalho em "Beast Of No Nation" e uma segunda menção à Mark Ruffalo)
Melhor Atriz Coadjuvante
Jane Fonda – Youth
Jennifer Jason Leigh – 
Os 8 Odiados
Helen Mirren  Trumbo
Alicia Vikander  ExMachina
Kate Winslet  Steve Jobs
(Jennifer Jason Leight surge como uma das únicas -dentre duas indicações -menções ao filme de Quentin Tarantino, mas seu trabalho, como sempre, é sensacional. Ela tem pela frente a presença da grande Jane Fonda no belíssimo "Youth" de Paolo Sorrentino -outro esquecido pelo Globo de Ouro -, a sempre competente Kate Winslet no pouco visto, mas muito agraciado "Steve Jobs" e outra grande veterana, Helen Mirren por "Trumbo" Mas, o que me maravilhou foi a segunda menção da jovem e talentosa Alicia Vikander, nesta categoria por um dos melhores filmes do ano, a ficção científica "Ex-Machina". Minha torcida está toda com ela!)
Melhor Animação
Anomalisa
O Bom Dinossauro
Divertida Mente
Snoopy e Charlie Brown: Peanuts, 
O Filme
Shaun, o Carneiro
(Entre lembranças óbvias -"Shaun, o Carneiro" -francamente, inesperadas -"Peanuts, O Filme" -e até audaciosas -"Anomalisa" - lá está a grande animação de 2015: o belo, genial e surpreendente "Divertidamente". Todos os outros -incluindo aí "O Bom Dinossauro", seu irmão de estúdio -estão ali, única e exclusivamente para tentar superar seu favoritismo)
Melhor Roteiro
O Quarto de Jack
Spotlight Segredos revelados
A Grande Aposta
Steve Jobs
Os 8 Odiados
(O novo faroeste de Quentin Tarantino concorre em Atriz Coadjuvante e nesta categoria aqui. O quê o torna um provável favorito à este prêmio. Mas, ele tem pela frente muitos trabalhos que se destacam essencialmente por seus roteiros bem construídos, caso de "Spotlight" e "A Grande Aposta", mas é "Steve Jobs" roteirizado por outra estrela, Aaron Sorkin, quem deve fazer frente à Tarantino. No meio disso tudo, "O Quarto de Jack" pode surpreender a todos eles)
Melhor canção original
“Love Me Like You Do” – Cinquenta Tons de Cinza
“One Kind of Love” – Love and Mercy
“See You Again” – Velozes e Furiosos 7
“Simple Song No. 3” – Youth
“Writing’s on the Wall” – 007 Contra Spectre

(A última categoria de cinema -há também as de TV -deu espaço para alguns filmes bastante discutíveis. Qual outra categoria, senão a de Canção Original, poderia concorrer uma obra pífia como "Cinquenta Tons de Cinza"? Curioso é que muitas dessas características colocam justamente o  irregular "Velozes e Furiosos 7" como possível favorito -com a já famosa música composta em homenagem ao falecido Paul Walker -já que o tema de "007 Contra Spectre" está longe de ser memorável como a canção que Adele fez para "Skyfall", e os demais concorrentes são filmes muito pouco vistos)