Mostrando postagens com marcador Andrew Nicoll. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Andrew Nicoll. Mostrar todas as postagens

domingo, 3 de julho de 2022

O Preço do Amanhã


 No conceito futurista, mirabolante e altamente fantasioso de Andrew Niccol, o tempo é moeda de troca. Pensador reflexivo das idiossincrasias capitalistas e materialistas presentes na condição humana, Niccol, diretor e roteirista faz de “O Preço do Amanhã” o que talvez seja seu filme mais peculiar e eclético. Tendo vislumbrado os prós e contras de um futuro estéril em “Gattaca”, os absurdos palpáveis de um reallity-show em “O Show de Truman” (onde atuou apenas como roteirista), as implicações na realidade de uma mentira convincente demais em “S1mone” e o empreendedorismo implacável sob o viés do tráfico de armas mundial em “O Senhor das Armas”, Niccol voltou-se para a premissa mais fantástica que sua mente até então já concebeu: Um mundo no qual todo o ser humano já nasce com um contador digital em seu pulso. Explica-se: Até a idade de vinte e cinco anos, tal contador é zerado. Ele começa a contar a partir dessa idade pois, na fantasia imaginada em “O Preço do Amanhã”, não é de velhice que se morre, mas sim de falta de tempo.

Naquele mundo, as pessoas ganham tempo. Elas pagam por tudo que precisam com tempo. Basta que alguém vire seu pulso sobre o de outra pessoa para transferir uma determinada quantia de tempo. Se o contador do pulso zerar e a pessoa esgotar o tempo que tem, ele cai automaticamente morto. As pessoas precisam então lutar para ganhar a maior riqueza de todas, tempo de vida. E esse tempo, quando abundante, no caso dos ricos, pode ser usado para comprar outros luxos e outras pessoas. No caso dos pobres, o tempo é uma preciosidade que separa a vida da morte pela qual se deve batalhar dia-a-dia.

É nessa situação e nesse contexto que Niccol nos apresenta assim seu herói, Will Sallas (Justin Timberlake, cantor que saiu-se muito bem e suas tentativas para ser ator), um integrante da mal-fadada população pobre nesse mundo onde tempo é dinheiro. Como todos têm a mesma idade de vinte e cinco anos –lembre-se, naquele mundo não se envelhece –sua mãe tem as feições de Olivia Wilde (!), e é ela quem cai morta num dia em que sua horas de vida se esgotam. Ao mesmo tempo, Will recebe de um estranho (Matthew Bomer) uma quantidade imensurável de tempo, com o qual pode ultrapassar os dispendiosos pedágios para chegar às cidades maiores onde vivem os milionários. Ao conhecer, numa festa, a jovem Sylvia (Amanda Seyfried), Will encontra uma companheira em seu inconformismo. Com ajuda inicialmente relutante, mas logo engajada dela, Will passa a assaltar lugares que detêm quantidades desiguais de tempo –muitos dos quais, de propriedade do pai de Sylvia, vivido por Vincent Kartheiser (da série “Mad Men”) –para distribuir entre a população.

É clara a referência adotada por Niccol que transforma a dupla protagonista numa mal-disfarçada mescla de “Bonnie & Clyde”, com elementos de “Robin Hood” –talvez Niccol tenha imaginado que sua concepção, de um futuro altamente alegórico e nada realista, fosse norteada por elementos difíceis o bastante para o grande público apanhar de imediato e tenha optado por inspirações mais simples e identificáveis possíveis.

De qualquer forma, a reflexão que ele levanta é tão pertinente quanto uma aula didática, e suas boas intenções transparecem ao longo de todo o filme, quase tornando-o pedante.

No fim das contas, “O Preço do Amanhã” até equilibra bem a necessidade de entreter enquanto produção comercial com a iniciativa para fazer pensar que pulsa em todo e qualquer autor que se preze. Seus lapsos surgem quando deixamos de avaliar o trabalho sempre singular de Andrew Niccol como roteirista e focamos em sua execução como diretor: Ele confere um ritmo corriqueiro e genérico ao andamento, trata os detalhes visuais (algo sempre essencial numa ficção científica) com simplismo e adota um conceito estético para o seu mundo assim imaginado que peca pela pobreza e pela falta de elaboração em sua direção de arte, cenografia e figurino.

segunda-feira, 26 de julho de 2021

O Senhor das Armas


 Sob sua direção, Andrew Niccol havia então realizado dois filmes: O cultuado “Gattaca-A Experiência Genética” e o irregular, porém, promissor “S1mone”. Entretanto, não passou despercebido da crítica –e talvez nem do próprio Niccol –que seus roteiros, quando filmados por outros diretores (caso do fabuloso “Show de Truman”, dirigido por Peter Weir) obtinham excelência cinematográfica maior do que quando tratados por seu próprio autor.

Em “O Senhor das Armas”, nota-se um esforço digno e intermitente de Niccol em corresponder a esse anseio e fazer um filme, por assim dizer, mais vívido e menos artificial, lapsos que assolavam suas outras obras, em especial, “S1mone”.

E ele já entrega virtuosismo e originalidade em seu prólogo –uma sequência ininterrupta onde a câmera acompanha a trajetória de um cartucho de bala, desde a confecção, passando pelas idas e vindas de seu comércio até o momento em que por fim é usado no campo de batalha para tirar uma vida. Na esteira desse momento um tanto quanto impactante, é deveras uma trajetória –só que, desta vez, de um personagem de carne e osso –que o restante do filme também se prestará a acompanhar: A do mercador de armas Yuri Orlov, vivido por Nicolas Cage. Numa narração em off –à qual Cage acrescenta toda a fina ironia com a qual moldou diversos personagens –somos informados que Yuri é descendente de imigrantes ucranianos que, em plena Nova York dos anos 1970, fingem-se passar por judeus a fim de evitar problemas.

Diferente do irmão mais novo, Vitaly (Jared Leto), para quem o restaurante da família já comportava as medíocres aspirações, Yuri almeja alguma grandeza. Nem que o seja por meios um tanto quanto ilícitos: Ao testemunhar uma fracassada tentativa mafiosa de execução, algo nele desperta para a utilidade crucial das armas de fogo e, munido desse entendimento algo filosófico da propensão à auto-destruição do ser humano, Yuri se torna um traficante de armas.

Iniciando de forma tímida, ele vai aprimorando sua lábia de vendedor à medida que os anos 1980 vão chegando e avançando –e entregando assim, circunstâncias sócio-políticas propícias ao surgimento de mercadores negros como ele próprio. Yuri –em princípio, ao lado de Vitaly, até que o vício em cocaína dele o obriga a internar-se –passa a sucatear arsenais de repúblicas destituídas, espólios de guerras civis reaproveitados onde outros conflitos emergiram, e vai aos mais variados cantos do mundo, do Leste Europeu ao Sul da Àfrica, fornecendo armas para que as guerras assim travadas continuem ocorrendo, sempre convencendo a si mesmo que, no papel de mero intermediário entre o armamento e seus usuários, ele não tem qualquer participação na carnificina assim deflagrada.

Dois personagens representam, de certa maneira, o caminho de Yuri rumo ao fim: Um está lá desde o começo, e vem a ser a bela Ava Fontaine (Bridget Moynaghan, de “Eu, Robô”, “O Novato” e “John Wick-DeVolta Ao Jogo”), modelo e objeto de desejo de Yuri desde os tempos de classe média, ela cai em seus braços quando ele já tem dinheiro o suficiente para ostentar riqueza de sobra (e para fazer dela sua esposa-troféu); o outro personagem surge em consequência das atividades ilegais de Yuri: O incorruptível agente da Interpol Jack Valentine (Ethan Hawke, que trabalhou com Niccol em “Gattaca”).

Sempre um passo a frente de Valentine justamente por valer-se das pequenas brechas da lei que lhe permitem escapar ileso sem provas circunstanciais que o incriminem, Yuri vai constituindo seu império enquanto fornece armas às guerras do mundo inteiro. Sua situação chega perto de complicar-se quando ele se envolve com o psicótico ditador de uma república sul-africana, que o faz sentir-se bem próximo da mortandade que julga tão longe de si –e planta pequenos indícios que permitem a Valentine finalmente aproximar-se dele, não sem contar com ajuda indireta de Ava, aos poucos, consciente da atividade do marido.

Embora lembre um pouco o posterior “Feito Na América”, com Tom Cruise” –e como ele seja alardeadamente baseado num suposto fato real –“O Senhor das Armas” persegue, do início ao fim, a referência primordial do cinema de Martin Scorsese: O diretor Niccol emprega uma câmera inquieta, uma montagem tão minuciosa quanto frenética, um roteiro meticuloso e hábil na junção entre seriedade e farsa, usando de tudo isso para enfatizar o êxtase embriagante em que se transforma a via-crucis de seu protagonista antes dela ganhar os ares sombrios da inevitável derrocada –que surge quando, já nos anos 1990, o perfil geopolítico mundial acirra ainda mais as guerras ao redor do mundo, tornando seu trabalho um pântano de areia movediça do qual não existem mais chances de escapar.

A justaposição cruelmente irônica que o filme de Niccol coloca ante seu personagem principal é que, no fim das contas, o meio em que vive, e no qual tanto fez por se inserir, terminou se tornando o inferno que tragou toda sua vida pessoal, e do qual já não há mais oportunidades de escapatória.

É claro que falta nele o manejo habilidoso que faz de Martin Scorsese um mestre (pois, se fosse fácil fazer, qualquer um faria...), mas Andrew Niccol não deixa de entregar um espetáculo cheio de credibilidade e astúcia, um produto de entretenimento que tem a sublime intenção de levar alguma fagulha de consciência ao expectador, mesmo que o faça focando num protagonista que não possui nenhuma.

terça-feira, 27 de março de 2018

Gattaca - A Experiência Genética

Para o roteirista Andrew Niccol a fama veio pelo roteiro de “O Show de Truman”, estrelado por Jim Carrey e dirigido pelo australiano Peter Weir, mas Niccol sempre foi um autor completo, inclusive encarando também a direção de suas obras, como foi o caso de “Gattaca”, lançado um ano antes de “Truman”.
Há um visível paralelo a ser estabelecido entre esses dois filmes e os demais que integram sua filmografia; que incluem “S1mone”, “O Senhor das Armas” e “O Preço do Amanhã”.
Todos, de uma forma ou de outra, versam sobre a manipulação da vida, sobre as mazelas que o artificialismo pode impor à condição humana e, de uma certa maneira, essa postura aproxima seu cinema de um estilo de pesadelo pós-moderno que remete, em muitos aspectos, à obra literária do escritor Phillip K. Dick.
É sintomático, portanto, que “Gattaca” seja uma ficção científica.
O futuro que Andrew Niccol materializa em seu filme é esteticamente monocromático, estéril e impessoal, as pessoas não manifestam –e, por vezes, nem mesmo têm –sentimentos, e a própria tecnologia (predominante na questão genética) já fez das trajetórias humanas algo pré-determinado: Nesse futuro, os nascimentos não ocorrem por meio de concepção natural, são em sua maioria bebês gerados em laboratório com aprimoramento genético fazendo deles mais forte, mais inteligentes, mais saudáveis e, no instante do nascimento, com sua aptidão futura já definida em seu DNA.
As crianças nascidas de maneira normal são os chamados “filhos da fé” e por carregarem as imperfeições inerentes à natureza sofrem discriminação.
“Gattaca” é, pois, a história de Vincent (Ethan Hawke) um desses “filhos da fé” –ele sofreu desde pequeno a comparação com o irmão mais novo, este sim, gerado em laboratório e fonte de orgulho para os pais. Até o dia em que disse basta e saiu de casa em busca de seu sonho: Tornar-se astronauta e ir para o espaço.
O problema é que tal ofício é restrito aos aprimorados geneticamente, deixando Vincent de fora. A saída é apelar para a clandestinidade: Vincent faz um arranjo com negociadores de uma espécie de mercado negro e se propõe a protagonizar uma arriscada e arrojada farsa. Ele passa a dividir sua morada com o aprimorado Jerome (Jude Law, num dos papéis que o revelaram), que um acidente deixou em cadeira de rodas, e após uma série de pequenas cirurgias, fica com o aspecto físico, a altura e o peso idênticos aos dele.
A jogada é que, nesse mundo automatizado onde os fios de cabelo, os resquícios de pele e até a urina coletada servem de registros de identidade, Vincent pode se passar por Jerome, usando seus vestígios genéticos, e enganar a todos, para que o considerem um aprimorado e permitam que ingresse na Corporação Gattaca, onde poderá viajar ao espaço.
A armação de Vincent e Jerome funciona maravilhosamente bem –tão bem que, Vincent até arrisca envolver-se com a linda e aprimorada Irene Cassini (Uma Thurman) –até que ocorre um assassinato dentro da corporação, e as investigações movidas pelos detetives Hugo (Alan Arkin, sempre sensacional) e Anton (Loren Dean) apontam para a possibilidade de um não-aprimorado estar entre eles e ser, além de tudo, autor do crime.
Imprimindo ao seu filme um ritmo deliberadamente lento e um distanciamento que, na opinião de alguns, obstrui o envolvimento do expectador com os personagens, o diretor Andrew Niccol faz de “Gattaca” um exemplar de ficção científica em seus termos mais radicais e espartanos –uma obra brilhante de fantasia que reflete as inquietações do mundo real por meio da construção estupenda de um futuro provável e engenhoso.
Um grande e fascinante trabalho que merecia ser mais conhecido do público.

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

S1mone

Alçado à categoria de gênio depois da grande surpresa causada por seu roteiro em “O Show de Truman” (embora muito da excelência daquele resultado se deva também à direção de Peter Weir), o escritor Andrew Nicoll resolveu partir, ele próprio, para trás das câmeras, tornando ainda mais pessoais as transições de suas histórias como as imaginou para a tela.
A primeira e amplamente interessante experiência nesse sentido foi o injustamente pouco conhecido “Gattaca”.
A segunda, quando as fragilidades como realizador de Nicoll se revelaram bem mais nítidas, foi este “S1mone”. E olha que Nicoll ainda conta aqui com a habitual maestria de Al Pacino.
Ele interpreta Viktor Taransky, veterano produtor de cinema de Hollywood que, à beira de um ataque de nervos e indignado com os constantes chiliques de seus astros e estrelas, recebe o que, à princípio, ele considera uma dádiva: um arquivo com um programa no qual ele é capaz de criar por computação gráfica uma atriz perfeita (a quem dá o nome de S1mone), linda, totalmente convincente como ser humano, e obediente a todas as suas ordens. Ele insere S1mone (vivida com artificialidade excessiva por Rachel Roberts) nos filmes que pretendia fazer –e que estavam sendo arruinados pelas complicações das atrizes humanas –dizendo a todos tratar se de alguém de verdade, e que, num compromisso excêntrico com sua arte deseja desempenhar suas cenas à parte para que sejam inseridas no filme posteriormente.
O imbróglio dá certo, sem que ninguém desconfie da falta de veracidade de sua atriz digital.
Entretanto, S1mone torna-se uma grande estrela, atraindo a atenção e curiosidade de milhões, inclusive pessoas da própria indústria. Manter essa farsa logo, torna-se uma tarefa cada vez mais difícil.
Se “O Show de Truman” e “Gattaca” mostravam a preocupação de Nicoll com a manipulação da vida num viés ao estilo ‘Phillip K. Dick’, em “S1mone”, ele parece interessado em mostrar quão ineficiente é nossa capacidade de distinção entre o autêntico e o fabricado, numa narrativa que força uma ausência de calor humano em muitas ocasiões –um recurso que funcionou às mil maravilhas em “Gattaca”, onde um futuro estéril era representado, mas que neste filme aqui, onde Nicoll inclusive manifesta pretensões nunca devidamente concretizadas de fazer comédia, soa mesmo como uma direção limitada e inexperiente, incapaz de suscitar em sua narrativa mais do que um único tipo de atmosfera.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

O Show de Truman

Um estudo dos reality show muito, muito antes da era dos reality show começar, "O Show de Truman" é um feito e tanto: Um roteiro primoroso, astuto e audaz de Andrew Niccol, versando sobre ganchos, paradigmas e reflexos de narração que ainda soavam inéditos naqueles saturados anos 1990; um projeto onde o comediante Jim Carrey abraçou a oportunidade para mostrar o ator brilhante que é de fato, num personagem carregado de camadas, através das quais o ator permite vislumbrar o lado a um só tempo patético, destemido, vulnerável e beligerante do ser humano; e, sobretudo, uma obra de cinema singular perpetrada pelo sempre talentoso Peter Weir, que a exemplo de seus magníficos "A Testemunha" e "Sociedade dos Poetas Mortos" adentra um gênero para distorcê-lo, transmutá-lo com seu agudo estilo e diferenciação, e dele extrair algo absolutamente novo.
E é, definitivamente algo novo, que encontramos aqui, na história de Truman Burbank, um rapaz que, sem saber, é o centro do programa de TV mais assistido de todo o mundo: o "Truman Show", que é exibido desde que nasceu –e do qual, ele não tem o menor conhecimento!
Todos ao redor dele, portanto, seus amigos, conhecidos e familiares, são atores contratados para fingir que fazem parte de sua vida.
Aos poucos porém, Truman começa a detectar indícios de que sua realidade é diferente aquela que ele pensa (por meio de pequenos acidentes técnicos que se sucedem ao longo dos anos, pelos ocasionais erros de continuidade dos atores a sua volta, e pela determinação de uma jovem vivida por Natascha McElhone disposta a livra-lo de sua ‘novela-prisão’), e isso tudo pode levar Truman a tentar algo que foi basicamente educado para não fazer: Arriscar-se a deixar a vida que conhece para trás a fim de ser dono do próprio destino, e com isso, defrontar-se com o homem responsável por tudo o que representa o “Truman Show”, o controlador e paternalista Cristof (o magistral Ed Harris).
Não são somente o roteiro de Niccol, nem a direção soberba de Weir as grandes estrelas deste achado cinematográfico: Também o são as atuações de Jim Carrey e de Ed Harris.
Harris, aliás, é o responsável pelo grande momento do filme, quando já no desfecho, ao alcançar o que certamente é o limite final de seu mundo idealizado e construído (e portanto, o início do assustador mundo real), Truman e Cristof (seu pai, criador e, de certa forma, o deus de seu mundo; e a encenação cuida para que essa metáfora fique clara e poderosa) ficam pela primeira –e, provavelmente única vez –em contato um com o outro, para ambos poderem esclarecer dúvidas (sobretudo Truman) e descobrirem quem passarão a ser dali em diante.
Um trabalho poderoso, sem dúvidas, um dos melhores dos anos 1990.