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segunda-feira, 11 de março de 2024

Os Vencedores do Oscar 2024


 Ocorrido no meio do ano passado, o fenômeno conhecido como “Barbieheimer” –quando expectadores casuais em geral e fãs em particular, fizeram uma campanha para assistir ambos os filmes por conta dos dois longa-metragens, “Barbie” e “Oppenheimer”, estrearem no mesmo dia –se encerrou no último dia 10 de Março de 2024. Culminando com a vitória avassaladora de “Oppenheimer”, vencedor de 7 Oscars dentre 13 indicações. O grande sucesso “Barbie” que com isso ajudou o complexo filme de Christopher Nolan a atingir uma improvável bilheteria acabou com um único prêmio, o de Melhor Canção Original para “What Was I Made For?”, cantada por Billie Eilish, embora a apresentação de sua outra canção concorrente, “I’m Just Ken”, por um impagável Ryan Gosling, tenha sido um dos momentos mais aguardados da noite.

Em geral, todas as previsões estipuladas em premiações anteriores se confirmaram –como os favoritismos incontestes de Da’Vine Joy Randolph e Robert Downey Jr., a consagração de Cillian Murphy, do diretor Christopher Nolan (indo de encontro aos anseios de sua gigantesca fanbase) e a predominância de “Zona de Interesse” nas categorias de Filme Internacional e Melhor Som –restando somente a sensacional surpresa pela vitória do japonês “Godzilla Minus One” em Efeitos Visuais, e as conquistas do francês “Anatomia de Uma Queda” em Roteiro Original, e talvez de Emma Stone (conquistando o segundo Oscar de sua carreira), como Melhor Atriz, por “Pobres Criaturas”; embora ela já fosse, sim, uma forte candidata ao prêmio.

MELHOR FILME

"Oppenheimer"

MELHOR DIREÇÃO

"Oppenheimer", Christopher Nolan

MELHOR ATRIZ

Emma Stone, "Pobres Criaturas"

MELHOR ATOR

Cillian Murphy, "Oppenheimer"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Da’Vine Jo Randolph, "Os Rejeitados"

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Robert Downey Jr., "Oppenheimer"

MELHOR LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

"O Menino e A Garça"

MELHOR FOTOGRAFIA

"Oppenheimer"

MELHOR FILME INTERNACIONAL

"Zona de Interesse" (Reino Unido)

MELHORES EFEITOS VISUAIS

"Godzilla Minus One"

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"War Is Over! Inspired By The Music Of John & Yoko"

MELHOR FIGURINO

"Pobres Criaturas"

MELHOR SOM
"Zona de Interesse"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO

"Pobres Criaturas"

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

"Pobres Criaturas"

MELHOR DOCUMENTÁRIO

“20 Dias Em Mariupol"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

"The Last Repair Shop"

MELHOR CURTA-METRAGEM

“The Wonderful Story Of Henry Sugar"

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

"Oppenheimer"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"What Was I Made For?", de "Barbie"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

"Anatomia de Uma Queda"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

"Ficção Americana"

MELHOR MONTAGEM

"Oppenheimer"

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Os Indicados Ao Oscar 2024


 Já estão entre nós, desde a manhã desta terça-feira, 23 de janeiro, os indicados pela Academia de Artes Cinematográfica ao grande prêmio do cinema. Algumas certezas seguem se confirmando (como o favoritismo de “Oppenheimer”, com 13 indicações) enquanto vez ou outra aparece uma surpresa inesperada (como a ausência de “Barbie”, com 8 indicações, nas categorias de Melhor Direção e Atriz). No mais, os indicados são figurinhas que têm se repetido em todas as premiações. Vamos à lista:

MELHOR FILME

American Fiction

Anatomia de uma Queda

Barbie

Os Rejeitados

Assassinos da Lua das Flores

Maestro

Oppenheimer

Vidas Passadas

Pobres Criaturas

Zona de Interesse

MELHOR DIREÇÃO

Justine Triet, por Anatomia de uma Queda

Martin Scorsese, por Assassinos da Lua das Flores

Christopher Nolan, por Oppenheimer

Yorgos Lanthimos, por Pobres Criaturas

Jonathan Glazer, por Zona de Interesse

Este parece ser o ano de Christopher Nolan, se nenhum imprevisto ocorrer (como um súbito fortalecimento de “Assassinos da Lua das Flores”, de Scorsese, com 10 indicações ou do estranho “Pobres Criaturas”, com 11, seus únicos concorrentes aparentemente mais sólidos), os fãs do realizador de “A Origem” e “Interestelar”, e autor de uma das mais aclamadas versões do Cavaleiro das Trevas poderão comemorar o premio nas mãos de seu diretor favorito. Ainda na categoria de Direção, foi inesperada (ainda que merecida) a inclusão de Jonathan Glazer e da francesa Justine Triet ocupando o lugar que muitos davam como certo para Greta Gerwig.

MELHOR ATOR

Bradley Cooper, por Maestro

Colman Domingo, por Rustin

Paul Giamatti, por Os Rejeitados

Cillian Murphy, por Oppenheimer

Jeffrey Wright, por American Fiction

MELHOR ATRIZ

Annette Bening, por NYAD

Lily Gladstone, por Assassinos da Lua das Flores

Sandra Hüller, por Anatomia de uma Queda

Carey Mulligan, por Maestro

Emma Stone, por Pobres Criaturas

A disputa de ator está se afunilando entre a precisão louvável de Cillian Murphy e a competência à toda prova de Paul Giamatti –com ligeira preferência da crítica, por enquanto, para esse último –já entre as atrizes, boa parte do público ainda está tentando digerir a ausência de Margot Robbie (que, por “Barbie”, ainda concorre ao Oscar, sim, mas como produtora, na categoria principal), assim, a competição fica entre a composição austera da sensacional Lilly Gladstone e o festejado trabalho de Emma Stone que, por sua absoluta entrega, parece ganhar certa preferência. Eu ainda torço para Lilly Gladstone, uma vez que Emma Stone (de quem eu gosto muito) já tem o seu Oscar (por “La La Land”)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Sterling K. Brown, por American Fiction

Robert De Niro, por Assassinos da Lua das Flores

Robert Downey Jr., por Oppenheimer

Ryan Gosling, por Barbie

Mark Ruffalo, por Pobres Criaturas

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Emily Blunt, por Oppenheimer

Danielle Brooks, por A Cor Púrpura

America Ferrera, por Barbie

Jodie Foster, por NYAD

Da'Vine Joy Randolph, por Os Rejeitados

Os fãs não vão deixar de notar que o Homem-de-Ferro (Robert Downey Jr.) concorre na mesma categoria que o Hulk (Mark Ruffalo), ambos por filmes bem diferentes; mas, Downey Jr. goza de um prestígio junto às premiações que só está fazendo aumentar –é provável que seu único oponente de peso seja Robert De Niro. A categoria das Atrizes Coadjuvantes trouxe uma das maiores surpresas dentre os indicados que foi a inclusão de America Ferrera –ela que se manteve ausente na maior parte das premiações anteriores. Talvez, uma compensação pela quantidade relativamente tímida de indicações de “Barbie”. Nessa categoria, no entanto, Da’Vine Joy Randolhp segue muito forte.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

Justine Triet & Arthur Harari, por Anatomia de uma Queda

David Hemingson, por Os Rejeitados

Bradley Cooper & Josh Singer, por Maestro

Sammy Burch, por Segredos de um Escândalo

Celine Song, por Vidas Passadas

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Cord Jefferson, por American Fiction

Greta Gerwig & Noah Baumbach, por Barbie

Christopher Nolan, por Oppenheimer

Tony McNamara, por Pobres Criaturas

Jonathan Glazer, por Zona de Interesse

Após a surpreendente vitória no Globo de Ouro, “Anatomia de Uma Queda” desponta como inesperado favorito na categoria de Roteiro Original, embora “Os Rejeitados”, de Alexander Payne, ameace sua supremacia (os trabalhos de Payne costumam sempre ganhar esse prêmio); em Roteiro Adaptado, a forte concorrência de “Oppenheimer” bate de frente com a exaltada excelência de “American Fiction”; com o abalizamento de público de “Barbie” e certamente com a competência a exigir respeito de “Zona de Interesse”; por alguma razão, ainda não consigo simpatizar com “Pobres Criaturas” –efeito que quase todos os trabalhos de Yorgos Lanthimos têm sobre mim –mas, isso não o impede de crescer cada vez mais entre os votantes.

MELHOR ANIMAÇÃO

O Menino e a Garça

Elementos

Nimona

Meu Amigo Robô

Homem-Aranha Através do Aranhaverso

MELHOR FILME INTERNACIONAL

Io Capitano (Itália)

Dias Perfeitos (Japão)

A Sociedade da Neve (Espanha)

The Teacher's Lounge (Alemanha)

Zona de Interesse (Reino Unido)

O prêmio de Melhor Animação está, e sempre esteve, entre “O Menino e A Garça” e “Homem-Aranha Através do Aranhaverso” –resta descobrirmos se a Academia irá preferir ovacionar o retorno da aposentadoria em grande estilo de Hayao Myazaki (como fez o Globo de Ouro), ou honrar a qualidade inconteste da continuação de “Homem-Aranha no Aranhaverso”.

Em Filme Internacional, surpreendeu a ausência do francês “Anatomia de Uma Queda”, que está indicado na categoria principal, o que aumenta as chances do magistral “A Sociedade da Neve” e, sobretudo, de “Zona de Interesse” –este também indicado à Melhor Filme.

MELHOR DOCUMENTÁRIO

Bobi Wine: O Presidente do povo

A Memória Infinita

As 4 filhas de Olga

To Kill a Tiger

20 Dias em Mariupol

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM

O ABC da Proibição de Livros

The Barber of Little Rock

Island in Between

A Última Loja de Consertos

Nai Nai & Wai Po

MELHOR CURTA-METRAGEM

E Depois?

Invincible

Knight of Fortune

Red, White & Blue

A Incrível História Henry Sugar

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

Carta a um porco

95 Senses

Our Uniform

Pachyderme

War is Over (inspirado na musica de John & Yoko)

MELHOR TRILHA SONORA

American Fiction

Indiana Jones e a Relíquia do Destino

Assassinos da Lua das Flores

Oppenheimer

Pobres Criaturas

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"The Fire Inside" (Flamin' Hot-O Sabor Que Mudou A História)

"I'm Just Ken" (Barbie)

"It Never Went Away" (American Symphony)

"Wahzhazhe (A Song for My People)" (Assassinos da Lua das Flores)

"What Was I Made For?" (Barbie)

“Barbie” concorre consigo mesmo na categoria de Canção Original, a única em que aparentemente ele desponta como favorito –embora ele possa surpreender nas categorias técnicas, ainda que “Oppenheimer” seja onipresente –difícil vai ser prever qual das duas canções vai ganhar, a de Billie Eilish (ganhadora do Globo de Ouro, e minha aposta) ou a de Ryan Gosling (ganhadora do Critic’s Choice)?

MELHOR SOM

Resistência

Maestro

Missão Impossível - Acerto de Contas

Oppenheimer

Zona de Interesse

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO

Barbie

Assassinos da Lua das Flores

Napoleão

Oppenheimer

Pobres Criaturas

MELHOR FOTOGRAFIA

O Conde

Assassinos da Lua das Flores

Maestro

Oppenheimer

Pobres Criaturas

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM

Golda-A Mulher de Uma Nação

Maestro

Oppenheimer

Pobres Criaturas

A Sociedade da Neve

MELHOR FIGURINO

Jacqueline Durran, por Barbie

Jacqueline West, por Assassinos da Lua das Flores

Janty Yates, por Napoleão

Ellen Mirojnick, por Oppenheimer

Holly Waddington, por Pobres Criaturas

MELHOR MONTAGEM

Anatomia de uma Queda

Os Rejeitados

Assassinos da Lua das Flores

Oppenheimer

Pobres Criaturas

MELHORES EFEITOS VISUAIS

Resistência

Godzilla Minus One

Guardiões da Galáxia Vol. 3

Missão Impossível - Acerto de Contas

Napoleão

Os grandes blockbusters do ano surgem em peso nas categorias técnicas (em alguns casos, como franco favoritos!), como “Missão Impossível-Acerto de Contas”, ou até mesmo o esnobado “Napoleão” que só obteve reconhecimento mesmo por seus valores de produção; na categoria de Efeitos Visuais, por enquanto, é um consenso o brilhantismo de “Resistência”, embora minha torcida vá para o fabuloso “Godzilla Minus One”.

A entrega dos prêmios se dará no domingo, dia 10 de março.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2024

Os Vencedores do Globo de Ouro 2024


 Neste domingo, dia 7 de janeiro de 2024, tivemos a entrega dos Golden Globe, dando o ponta-pé inicial na sempre aguardada temporada de premiações. Vamos então aos agraciados nas categorias de cinema:

MELHOR FILME DE DRAMA

Oppenheimer

MELHOR DIREÇÃO

Christopher Nolan (Oppenheimer)

MELHOR ATOR EM FILME DE DRAMA

Cillian Murphy (Oppenheimer)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Robert Downey Jr (Oppenheimer)

MELHOR TRILHA SONORA ORIGINAL

Ludwig Göransson (Oppenheimer)

O épico político, cerebral e autoral de Christoper Nolan sobre o Pai da Bomba Atômica sagrou-se como o grande vencedor da noite. Certamente, um filme com tais características (roteiro extremamente denso, formato narrativo desafiador e mais de três horas de duração) e que ainda conseguiu –graças a uma campanha viral (o “Barbieheimer”) bastante bem-sucedida –ultrapassar um bilhão nas bilheterias haveria de ser reconhecido e enaltecido. Nessa conjuntura, os fãs podem começar a ficar ávidos para verem a possível consagração de Nolan (podendo enfim levar um Oscar por uma obra que atende as demandas convencionais da Academia) e o reconhecimento de Robert Downey Jr, como ator coadjuvante.

MELHOR ATRIZ EM FILME DE DRAMA

Lily Gladstone (Assassinos da Lua das Flores)

MELHOR ATOR EM FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL

Paul Giamatti (The Holdovers)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Da'vine Joy Randolph (The Holdovers)

Ao que parece, o reconhecimento ao grande trabalho de Martin Scorsese vai se restringir às indicações e à premiação de Lilly Gladstone –uma pena, embora a premiação tenha mirado mesmo num dos mais inabaláveis quesitos do filme; a interpretação dela é, de fato, estupenda!

Surgindo como um inesperado azarão, “The Holdovers” –ou “Os Rejeitados” –de Alexander Payne levou os prêmios de Melhor Ator Cômico (para um simpaticíssimo Paul Giamati, colaborador de Payne em “Sideways-Entre Umas e Outras”) e Melhor Atriz Coadjuvante para a ótima Da’Vine Joy Randolph. Se e temporada de prêmios não trouxer nenhuma outra surpresa, dá pra ver todos chegando com certa tranquilidade ao Oscar (e, pelo menos Lilly e Da’Vine, como favoritas!).

MELHOR ATRIZ EM FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL

Emma Stone (Pobres Criaturas)

MELHOR FILME DE COMÉDIA OU MUSICAL

Pobres Criaturas

Também o Golden Globe confirmou um favoritismo que vinha se reforçando nas últimas semanas, a da sempre querida Emma Stone como Melhor Atriz Cômica, o que auxiliou o próprio filme onde ela está, o convicto e estranho “Pobres Criaturas”, ainda inédito no Brasil, a ganhar o prêmio de Melhor Filme de Comédia. Não é certeza que esse favoritismo de Emma se mantenha nos próximos prêmios –ao contrário do Golden Globe, ela disputará diretamente com as fortes candidatas em Atriz Dramática também, o que torna as coisas mais difíceis –mas, não há dúvidas de que o filme de Yorgos Lanthimos se beneficia de um burburinho crescente.

MELHOR ANIMAÇÃO EM LONGA-METRAGEM

The Boy and The Heron

MELHOR ROTEIRO

Justine Triet & Arthur Harari (Anatomia de uma Queda)

MELHOR FILME EM LÍNGUA NÃO-INGLESA

Anatomia de uma Queda (França)

Também inesperadas foram as vitórias de Haya Miyazaki e seu “The Boy and The Heron” –ao que tudo indica, aqui no Brasil “O Menino e A Garça” –quando todos imaginavam que o prêmio iria para “Homem-Aranha Através do Aranhaverso” (será que o Miyazaki ganhará mais um Oscar, depois de vinte anos? É a pergunta que não quer calar) e Justine Triet e seu “Anatomia de Uma Queda” levando os prêmios de Roteiro e Filme em Língua Não Inglesa, embora sejam essas mesmas duas categorias aquelas que menos costumam se repetir no Oscar. Ainda assim, uma obra que acaba de ganhar novas atenções de público e crítica.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

"What Was I Made For", Billie Eilish O'Connell, Finneas O'Connell (Barbie)

CONQUISTA CINEMATOGRÁFICA E DE BILHETERIA

Barbie

Houveram os que comemoraram (rejeitando a coragem questionadora do projeto), e os que lamentaram (grande parte do público que o fez a grande bilheteria de 2023) o fato das 9 indicações de “Barbie” converterem-se em tão somente dois prêmios (o merecido Canção Original e o novo Conquista Cinematográfica e de Bilheteria, que ficou com a maior cara de prêmio de consolação). No entanto, a obra de Greta Gerwig não deve ser, deveras, subestimada nesta temporada; o Oscar virá, com suas categorias técnicas para referendá-lo –e os prêmios de Melhor Direção de Arte e Melhor Figurinos parecem ser quase certos!

domingo, 12 de novembro de 2023

Oppenheimer


 O cinema de Christopher Nolan sempre foi uma junção imprevista de gêneros comerciais. Ação e espionagem com thriller onírico em “A Origem”. Ficção científica em larga escala e drama familiar em “Interestelar”. Adaptação de histórias em quadrinhos com referência ao policial setentista em “Cavaleiro das Trevas”. Suspense rocambolesco com filme de época em “O Grande Truque”, e assim por diante. Há uma nova mescla em “Oppenheimer” e, na habilidade melindrosa e na insuspeita elegância com que tudo é feito, isso é um pouquinho mais difícil de ser dissecado.

Como sempre, no interesse irreprimível por seus personagens e suas trajetórias, Nolan distorce, torce e retorce o tempo a fim de acompanhar, justapor e refletir as várias etapas de suas vidas. “Como se resume toda uma vida?” é uma pergunta que surge, mais de uma vez, já na primeira parte de “Oppenheimer”. Nolan parece usar de seu filme para afirmar que tal feito não é virtualmente possível. Seu protagonista é J. Robert Oppenheimer (vivido com solidez metódica e competência instintiva por Cillian Murphy), o ‘pai da bomba atômica’. E quando o encontramos, Nolan o mostra contrapondo duas situações distintas no tempo. Em 1954, quando foi intimado a uma audiência de segurança pela Comissão de Energia Atômica dos Estados Unidos (AEC), e logo depois, já na qualidade de pivô para uma audiência posterior no senado norte-americano, a fim de confirmar a neutralização de sua influência política, a envolver o Almirante Lewis Strauss (Robert Downey Jr., brilhante).

O Almirante Strauss, aliás, quando surge, quase sempre nos momentos fundamentais da segunda metade da trama, parece protagonizar um outro filme à parte –e não à toa, suas cenas são mostradas por Nolan em preto & branco, numa forma de diferenciar, seus segmentos dos demais, protagonizados por Oppenheimer. Ademais, essas duas sequências de audiência (a da AEC, em cores, e a do Senado, em preto & branco) são duas circunstâncias de julgamento, onde estão em pauta questões morais que só chegaram a pesar de verdade anos depois da gênese desconcertante da bomba atômica, e do poder destrutivo que ela, por fim, revelou ao mundo. Em algum momento, desse fluxo narrativo –que Nolan converte num turbilhão de informações tecnicamente pesadas até deliberadamente harmonizar seu ritmo, num esforço de acompanhar a mente inquieta de seu personagem –o filme começa a contar, de modo um pouco mais linear, a história de Oppenheimer: Estudante de Física Quântica na Europa, onde acompanhou com entusiasmo as palestras do cientista Niels Bohr (Kenneth Brannagh), em meados da década de 1920, Oppenheimer ficou conhecido por sua dedicação e tenacidade nos círculos acadêmicos da Alemanha e da Suíça antes de voltar aos EUA, na tentativa de levar as arrojadas pesquisas no campo quântico para as universidades norte-americanas. Em Berkeley, na Califórnia, ele conhece o Prof. Ernest Lawrence (Josh Hartnett), ao lecionar no Instituto de Tecnologia, época em que suas primeiras inclinações políticas de esquerda aparecem: Ele incentiva alunos e professores para a criação de um Sindicato que representasse a categoria, e envolve-se com a ativista do Partido Comunista Jean Tatlock (Florence Pugh) para depois casar-se com a ex-comunista Kitty Puening (Emily Blunt).

Em 1942, com a Segunda Guerra Mundial em curso, e com os norte-americanos alarmados com as pesquisas avançadas em fissão nuclear dos cientistas alemães, o governo dos EUA, representado pelo General Leslie Groves (Matt Damon) convida o Dr. Oppenheimer a liderar o Projeto Manhattan com a complicada missão de ultrapassar os esforços alemães e chegar na frente da corrida armamentista para construir a primeira bomba atômica. Para tanto, Oppenheimer faz exigências inusitadas aos militares: constrói toda uma cidadezinha do zero, com infraestrutura e tudo, no vale amplo e deserto de Los Álamos, para abrigar os vários departamentos de produção que ele iria administrar a fim de que as pesquisas quânticas avançassem sem os empecilhos da sempre –como a distância dos familiares, por exemplo –e (a exigência mais difícil para o Exército Norte-Americano), fazer vista grossa às tendências comunistas deste ou daquele cientista, tido por Oppenheimer como fundamental ao projeto. Sua equipe incluía o abnegado Edward Teller (o também diretor Ben Safdie), ferrenho defensor do desenvolvimento da bomba de hidrogênio, o cauteloso e criterioso Isidor Isaac Rabi (David Krumholtz, de “Roda Gigante”), o pesquisador Enrico Fermi (Danny Deferrari) e o atencioso David L. Hill (Rami Malek).

Nos anos tumultuados entre o desenvolvimento do projeto e a criação de fato da bomba, muitas coisas acontecem –os alemães são derrotados, restando somente a oposição bélica dos japoneses no Pacífico; o presidente Dwight Eisenhower, responsável pelo início do Projeto Manhattan, morre e é substituído por Harry S. Truman (vivido por Gary Oldman); e Jean Tatlock suicida-se na banheira de sua casa –contudo, no dia 16 de julho de 1945, os esforços de Oppenheimer e sua equipe numerosa culminam no Teste Trinity, realizado num campo deserto, nas proximidades de Alamogordo, provando a viabilidade da bomba atômica, e seu poder descomunal de destruição. Na sequência, as cidades japonesas de Hiroshima e Nagazaki são escolhidas para serem os alvos da bomba, encerrando, por fim, as hostilidades da Grande Guerra.

Entretanto, os transtornos de Oppenheimer estavam longe de terminar. Quando ele –movido por temores anteriores ao Projeto Manhattan, discutidos com o sensato Prof. Einstein (Tom Conti), de que a bomba atômica seria um perigo para o mundo caso não houvesse colaboração entre as nações –busca restringir novos avanços na pesquisa de energia nuclear para fins bélicos, ele logo deixa de ser uma celebridade para, aos olhos do governo, se tornar uma figura discordante com os preceitos da Guerra Fria contra União Soviética que então se precipitou no horizonte, o que o leva à audiência de segurança da AEC, cujos depoimentos e interrogatórios (todos posicionados como ganchos pontuais dos flashbacks do roteiro), visaram descobrir as relações comunistas mantidas por Oppenheimer.

Nesse manejo assombroso que executa de uma ampla, complexa e nada simples história real e no vocabulário tecnicamente complexo que seu roteiro abraça, Nolan uma vez mais realiza cinema de gente grande, desta vez, mesclando um resgate urgente e necessário de um registro histórico imprescindível com sua evidente paixão por expedientes de suspense; Ao alterar a cronologia dos eventos como são mostrados, ele transforma a última hora (das nada modestas três que o filme possui!) num verdadeiro thrilher de mistério, para então, ao fim, regressar à intimista reflexão com Albert Einstein, e deixar o público reflexivo com as sombrias (e muito reais) possibilidades da trajetória humana.

terça-feira, 8 de novembro de 2022

Um Lugar Silencioso - Parte 2


 A continuação do inesperado sucesso “A Quiet Place” foi a primeira produção a sofrer os efeitos da pandemia: “Parte 2” estrearia na mesma semana em que foi decretado o isolamento social, bem como o fechamento de estabelecimentos como cinemas em grande parte do mundo. Algo que atrasou em um ano o acesso do público à ele. É muito curioso que também seu enredo gire em torno de um mundo onde os seres humanos se viram privados de uma vida em comunidade por um inimigo desconhecido.

Embora não deixe de começar, obviamente, no ponto crucial em que a “Parte 1” acabou, este segundo filme também aproveita –numa pequena inspiração extraída das lições deixadas em “O Poderoso Chefão-Parte 2” –para retroceder ao passado, e esboçar com mais minúcia e profundidade as circunstâncias em que se deu o surgimento dos monstros sem olhos, guiados pela audição. No prólogo que inicia “Parte 2” nos é mostrado o Dia 1 –e assim, revemos também o personagem Lee, morto ao final do filme anterior e, à propósito, interpretado pelo diretor John Krasinski –descobrimos a chegada das criaturas entre os inicialmente aturdidos seres humanos e, abrupto como muitas das guinadas da trama, retornamos ao Dia 474, quando as duas crianças, Regan (a menina surda-muda Millicent Simmonds) e Marcus (o garoto Noah Jupe) junto de sua mãe (Emily Blunt) descobrem, enfim, a grande fraqueza das implacáveis criaturas.

Destituídos do pai (que sacrificou-se para salvá-los) e com um bebê recém-nascido para cuidar, eles arriscam-se a sair do vale em que estiveram refugiados até então, para cruzarem-se com Emmett, personagem de Cillian Murphy.

Como todo sobrevivente desse mundo pós-apocalíptico –e até de outros mais –Emmett vivenciou tantas tragédias que perdeu completamente a esperança. A sobrevivência é, para ele, uma tarefa tão espiritualmente árdua, que ele próprio, na condição de sobrevivente, se pergunta do porque dedicar-se tanto à ela.

Entretanto, a descoberta ao acaso de Regan representa uma possibilidade de redenção real: Graças aos constantes reparos feitos em seu aparelho auditivo, ela encontrou uma frequência tão insuportável para a audição dos monstros que os desabilita, possibilitando matá-los. Algo antes impraticável.

Apesar de tudo, Emmett reluta muito em dar o passo seguinte: Procurar pela misteriosa fonte da única transmissão radiofônica restante –que aparentemente se encontra numa ilha! –para, através dela, transmitir a frequência que enfraquece os monstros para o mundo todo.

A partir daí o filme, que já era aflitivo e vertiginoso numa intensidade até maior do que o seu formidável antecessor, se bifurca em duas linhas narrativas paralelas. Numa delas, talvez a mais instigante, Regan e Emmett se veem na complicada missão de avançar pelo mar, num mundo onde tudo representa um perigo, não somente os ruídos que eles mesmo podem exprimir, mas também as outras pessoas, brutalizadas e selvagens, que podem encontrar pelo caminho. Na outra, a personagem de Emily Blunt, assim como o jovem Noah Jupe, tentam se manter ilesos mesmo diante de circunstâncias que insistem em deixar os monstros sempre à centímetros de trucidá-los.

Se na “Parte 1” o protagonismo era dividido entre os personagens de Krasinski e Emily Blunt (esposa dele na vida real, vale lembrar), nesta “Parte 2”, é a ótima Millicent Simmonds quem ganha mais estatura e relevância, tendo a interessante dinâmica estabelecida entre seus antagonistas melhor explorada: Ela é, afinal, a pequena heroína que pode ver, mas não ouvir, enfrentando monstros que podem ouvir, mas não ver.

Extraordinariamente enxuto e despido de tempos mortos, “Um Lugar Silencioso-Parte 2” é cirúrgico até mesmo em seu desfecho, quando se encerra subitamente tão logo atinge seu momento-clímax; o que proporciona uma forte sensação de que uma “Parte 3” é tão vindoura quanto inevitável.

Se for tão impecável e envolvente quanto os dois primeiros, que venha!

domingo, 3 de julho de 2022

O Preço do Amanhã


 No conceito futurista, mirabolante e altamente fantasioso de Andrew Niccol, o tempo é moeda de troca. Pensador reflexivo das idiossincrasias capitalistas e materialistas presentes na condição humana, Niccol, diretor e roteirista faz de “O Preço do Amanhã” o que talvez seja seu filme mais peculiar e eclético. Tendo vislumbrado os prós e contras de um futuro estéril em “Gattaca”, os absurdos palpáveis de um reallity-show em “O Show de Truman” (onde atuou apenas como roteirista), as implicações na realidade de uma mentira convincente demais em “S1mone” e o empreendedorismo implacável sob o viés do tráfico de armas mundial em “O Senhor das Armas”, Niccol voltou-se para a premissa mais fantástica que sua mente até então já concebeu: Um mundo no qual todo o ser humano já nasce com um contador digital em seu pulso. Explica-se: Até a idade de vinte e cinco anos, tal contador é zerado. Ele começa a contar a partir dessa idade pois, na fantasia imaginada em “O Preço do Amanhã”, não é de velhice que se morre, mas sim de falta de tempo.

Naquele mundo, as pessoas ganham tempo. Elas pagam por tudo que precisam com tempo. Basta que alguém vire seu pulso sobre o de outra pessoa para transferir uma determinada quantia de tempo. Se o contador do pulso zerar e a pessoa esgotar o tempo que tem, ele cai automaticamente morto. As pessoas precisam então lutar para ganhar a maior riqueza de todas, tempo de vida. E esse tempo, quando abundante, no caso dos ricos, pode ser usado para comprar outros luxos e outras pessoas. No caso dos pobres, o tempo é uma preciosidade que separa a vida da morte pela qual se deve batalhar dia-a-dia.

É nessa situação e nesse contexto que Niccol nos apresenta assim seu herói, Will Sallas (Justin Timberlake, cantor que saiu-se muito bem e suas tentativas para ser ator), um integrante da mal-fadada população pobre nesse mundo onde tempo é dinheiro. Como todos têm a mesma idade de vinte e cinco anos –lembre-se, naquele mundo não se envelhece –sua mãe tem as feições de Olivia Wilde (!), e é ela quem cai morta num dia em que sua horas de vida se esgotam. Ao mesmo tempo, Will recebe de um estranho (Matthew Bomer) uma quantidade imensurável de tempo, com o qual pode ultrapassar os dispendiosos pedágios para chegar às cidades maiores onde vivem os milionários. Ao conhecer, numa festa, a jovem Sylvia (Amanda Seyfried), Will encontra uma companheira em seu inconformismo. Com ajuda inicialmente relutante, mas logo engajada dela, Will passa a assaltar lugares que detêm quantidades desiguais de tempo –muitos dos quais, de propriedade do pai de Sylvia, vivido por Vincent Kartheiser (da série “Mad Men”) –para distribuir entre a população.

É clara a referência adotada por Niccol que transforma a dupla protagonista numa mal-disfarçada mescla de “Bonnie & Clyde”, com elementos de “Robin Hood” –talvez Niccol tenha imaginado que sua concepção, de um futuro altamente alegórico e nada realista, fosse norteada por elementos difíceis o bastante para o grande público apanhar de imediato e tenha optado por inspirações mais simples e identificáveis possíveis.

De qualquer forma, a reflexão que ele levanta é tão pertinente quanto uma aula didática, e suas boas intenções transparecem ao longo de todo o filme, quase tornando-o pedante.

No fim das contas, “O Preço do Amanhã” até equilibra bem a necessidade de entreter enquanto produção comercial com a iniciativa para fazer pensar que pulsa em todo e qualquer autor que se preze. Seus lapsos surgem quando deixamos de avaliar o trabalho sempre singular de Andrew Niccol como roteirista e focamos em sua execução como diretor: Ele confere um ritmo corriqueiro e genérico ao andamento, trata os detalhes visuais (algo sempre essencial numa ficção científica) com simplismo e adota um conceito estético para o seu mundo assim imaginado que peca pela pobreza e pela falta de elaboração em sua direção de arte, cenografia e figurino.

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

Voo Noturno


 No princípio deste usual e frenético filme de Wes Craven vemos cenas que se seguem aparentemente destituídas de uma relação (ou não): Uma carga misteriosa aparece num carregamento náutico; uma carteira (com as iniciais JR) é roubada numa casa onde vemos fotos da personagem de Rachel McAdams; essa personagem, de nome Lisa, aparece num táxi a caminho do aeroporto, ávida por pegar o voo de volta à Miami, onde trabalha como gerente em um hotel cinco estrelas.

Como num hábil suspense concebido em torno das preciosas lições do mestre Alfred Hitchcock, as impressões aleatórias dessas cenas iniciais logo desaparecerão a medida que o roteiro elaborado por Carl Ellsworth e Dan Foos une cada uma das pontas e revela todos os propósitos daquilo que vemos transcorrer.

No Hotel Lux Atlantic –no qual Lisa trabalha, com tamanha competência que sua ausência transforma as tarefas de sua substituta Cynthia (Jayma Mays, de “Feito Na América”) num inferno –haverá um evento incomum; o lugar receberá a visita de Charles Keefe (Jack Scalia), político influente e de implacável política desarmamentista.

No início, nada disso parece interferir na viagem de volta de Lisa, cujo voo parece ter atrasado. Em espera no aeroporto, ela faz amizade com alguns passageiros que estarão com ela no mesmo avião. Um deles é Jack Rippner (Cillian Murphy, sempre eficaz) que se mostra simpático, cortês e solícito –características que, num filme de suspense dirigido por Wes Craven já despertam desconfiança.

Uma série de coincidências –também elas cheias de desconfiança –colocam Lisa na poltrona lateral à de Jack, e logo eles iniciam uma conversa descontraída enquanto o avião decola.

É em pleno ar que Jack revela à Lisa todo o seu plano, sem preocupar-se em mentir: Foi ele (ou os homens em seu comando) quem roubou a carteira do pai de Lisa (Brian Cox), uma prova de que eles o têm em sua mira.

A chantagem é simples: Lisa deve pegar um telefone e usar de sua autoridade no Hotel Lux Atlantic para mudar Keefe (que logo chegará lá) de quarto –um quarto onde possa ser alvo para o atentado engendrado por Jack e seus contratantes.

Se Lisa fizer isso, estará salvando a vida de seu pai.

Praticamente toda a filmografia de Wes Craven gira em torno da premissa básica de uma mulher em apuros. Aqui, ele cerca esse plot com elementos extraídos de uma das sensações cinematográficas de então, a “Trilogia Bourne”, abrindo mão dos expedientes de terror que norteiam em geral suas obras e adotando uma narrativa dinâmica, onde os detalhes convergem a uma situação simples que centraliza a ação: A chantagem dentro de um avião em meio à uma dinâmica tensa que se mantém entre duas poltronas –para tanto, grande parte do filme se dedica aos closes expressivos da ótima Rachel McAdams, fazendo um belíssimo trabalho.

O roteiro, com algumas firulas em demasia, dedica-se  a mostrar os caminhos tortuosos que ela tomará para desvencilhar-se dessa encrenca sem ceder às imposições do mal; por conta disso, a meia hora final abandona o suspense restrito, aflitivo e verbal que vinha construindo para abraçar elementos de ação e perseguição desenfreada –terreno no qual, quando muito, Wes Craven se revela correto.

“Voo Noturno” é um filme assim divertido, tenso na medida certa e cercado de elementos mirabolantes que ora auxiliam sua apreciação, ora dificultam sua credibilidade; o resultado entre o mediano e o apetecível que obtém só é potencializado pelo seu casal protagonista central que movem um belo duelo entre algoz e refém, esbanjando química e competência.