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segunda-feira, 5 de outubro de 2020

O Mestre

Dos poucos realizadores consagrados norte-americanos a evocar a escola de Stanley Kubrick –onde estão em pauta filmes corrosivos construídos em torno de análises inquietantes e antropológicas da condição humana –Paul Thomas Anderson realizou este “O Mestre” na sequência de um de seus mais louvados trabalhos, o épico “Sangue Negro”.
Algo aproxima os dois: Se “Boogie Nights” e “Magnólia” eram registros pulsantes e abrangentes de microcosmos definidos por suas peculiaridades, “Sangue Negro” e “O Mestre” são tratados de observação moral dedicados a trajetória de um único protagonista –o filme que relaciona essas duas fases criativas distintas é “Embriagado de Amor”, com Adam Sandler.
Assim, a incorporar as questões levantadas neste filme, temos Joaquin Phoenix interpretando Freddie Quell, rapaz combatente na marinha da Segunda Guerra Mundial.
Incapaz de se adequar ao mundo à sua volta –antes mesmo dos traumas de guerra que o deixaram ainda mais instável –Freddie passa a singrar algumas cidades americanas colecionando encrencas e confusões; e a fim de materializar o estado à beira do esquizofrênico de seu protagonista, o filme de Anderson vai e vem em eventos atuais e pregressos sem maiores avisos, confundindo a percepção do público.
Em algum momento, Freddie acaba parando no navio de Lancaster Dodd (Philip Seymour Hoffman) à caminho de Nova York.
Se Freddie Quell é a figura subjetiva a narrativa, então Lancaster Dodd é seu elemento central: Envolvente e carismático, ele revela-se o guia de um culto intrigante e metodicamente mirabolante e, em última instância, perigoso –e o filme de Anderson até no improvável que registra nunca se afasta demais da realidade: “O Mestre” é, pois, fortemente baseado na figura de L. Ron Hubbard, o guru por trás da Cientologia, uma religião alternativa que tornou-se moda entre celebridades norte-americanas a partir dos anos 1990.
Dodd abraça Freddie como seu protegido, e assim, as características em torno do movimento religioso chamado “A Causa” –nome do primeiro livro escrito e publicado por Dodd –se descortinam para ele.
Dodd crê na conexão com vidas passadas, e na possibilidade da mente acessar tais ligações através de sessões que misturam elementos de hipnose, sugestão e psicanálise superficial. Ao lado de Freddie, um seguidor prontamente ferrenho, Dodd e sua esposa (Amy Adams) vão arrebanhando novos e engajados adeptos, como Clark (Rami Malek), casado com a filha de Dodd, e Helen (Laura Dern), nova-iorquina em cuja mansão Dodd e seus seguidores se instalam indefinidamente.
Eventuais vozes dissonantes do movimento são caladas com grosseria, truculência e exclusão, como é o caso do jornalista que aborda Dodd com perguntas constrangedoras e mais tarde recebe uma violenta visita em seu apartamento de Freddie e Clark, ou da própria Helen que identifica um erro contraditório no segundo livro de Dodd e acaba enxergando uma faceta intolerante e irascível que ele normalmente esconde de todos.
“O Mestre”, contudo, se dedica mesmo ao mergulho algo psicodélico no conceito montado por Lancaster Dodd, que inclui seus jogos mentais de manipulação, e na relação quase simbiótica deste com Freddie que nele enxerga uma figura paterna que jamais teve (outro tema que transcende toda a filmografia de Anderson), enquanto que Dodd o vê, em suas rachaduras psicológicas inapeláveis, uma cobaia perfeita para suas experiências de controle psíquico.
Nesse delírio coletivo capitaneado por tal mente cheia de segundas intenções, Anderson termina por realizar algo próximo do que fez em seu celebrado “Sangue Negro”: Um retrato distinto, moralmente circunspecto e cheio de maestria de uma mentalidade específica a aparecer no seio da América numa determinada hora e lugar –no caso, os EUA da década de 1950 –e um estudo cheio de propriedade e maneirismos humanos da maldade, da violência e da sordidez em gestação, por meio de ideologias atrativas aos corações atormentados como o de Freddie Quell, que termina o filme do mesmo jeito que começou: Errante num caminho que o devolve sempre às angústias de seu passado.

terça-feira, 5 de maio de 2020

Amantes

Na cena que abre o filme de James Gray, Leonard (Joaquin Phoenix) joga-se no mar no que parece ser (e certamente é) uma tentativa frustrada e gaiata de suicídio.
Os seus salvadores não entendem o ato. Suas explicações, quando muito, são hesitantes. Talvez, nem ele mesmo saiba a razão para o que tentou fazer.
Nos cem minutos seguintes, o filme tentará expor algumas dessas motivações quando Leonard retornar ao seio familiar a que pertence: Lá, ele amarga o fato de ter sido abandonado pela noiva, assim como convive com os efeitos de seu transtorno bipolar –e de toda sorte de piedade e comiseração das pessoas a sua volta.
Em família, Leonard é oprimido por escolhas que nunca tem a chance de tomar por livre e espontânea vontade.
O emprego é providenciado por seu pai, um comerciante do bairro do Brooklyn.
A vida afetiva já foi decidida pelo casamento previamente arranjado com a bela e passiva Cassandra (Vinessa Shaw). E todos à volta dele agem com tamanha naturalidade diante dessa coerção existencial que a Leonard sequer aparentam existirem razões para a angústia impronunciável que isso o faz sentir.
Hábil entendedor das mazelas psicológicas da mente humana –e encontrando em Joaquin Phoenix um intérprete afiado para cada uma dessas nuances –o diretor james Gray exercita, em “Amantes”, a verve pessoal e preciosa com a qual moldou uma das mais incomuns filmografia do cinema norte-americano moderno: Em cada um de seus trabalhos, versa uma observação sobre as inconstâncias do caráter no âmago de dilemas urbanos e pessoais que remetem à família, ao desejo e à necessidade humana de individualidade.
É por essa razão que Leonard resiste em ser aquilo que se espera que ele seja: Seu caso furtivo e sorrateiro com sua vizinha, a extraordinariamente tentadora Michelle (Gwyneth Paltrow, surpreendentemente sensual) é nem tanto uma travessura (embora seja com isso que pareça) e mais um esforço para reafirmar a si mesmo as escolhas que ele próprio almeja fazer.
Michelle representa assim um desejo inesperado, um capricho diferenciado, enquanto que Cassandra é a zona de conforto da qual ele se ressente, embora não consiga sair.
Notadamente enxuto, e tão mais espantoso pela forma com que consegue se fazer marcante na memória, “Amantes” é um conto pessimista sobre impulsos de insatisfação perante circunstâncias pré-estabelecidas. A atmosfera de suspense que a condução de Gray consegue impor em sua meia hora final é um elemento notável em meio a um filme que discorre quase todo em tom de drama –ele subverte o tempo, dilatando-o, para que o peso das escolhas presentes nesse entrecho tenham mais força do que o normal.
Tal manobra deixa certos tópicos para reflexão: Leonard, afinal, se rende à vida que planejaram para ele, porque existem possibilidades muito piores que sua insignificância de classe média não é capaz de supor; porque, afinal de contas, sua família o ama, e se confundem amor com opressão, ele nada pode fazer; e porque o que lhe pedem (desposar a bela a carinhosa Cassandra, prosseguir com o negócio da família) é infinitamente menos doloroso e árduo do que os sacrifícios que aguardam aqueles que decidem caminhar ao sabor das próprias vontades.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Os Vencedores do Oscar 2020

A cerimônia dos Oscar 2020 nos deu a chance de ver a História do Cinema sendo escrita.
Nunca antes a Academia de Artes Cinematográficas havia prestado tamanho reconhecimento à genialidade do cinema realizado na Coréia do Sul –certamente um dos melhores mananciais de cinema do mundo (senão O melhor!).
As bolsas de apostas ventilavam a possibilidade, sem no entanto agarrar-se a um sonho impossível, entretanto, nas últimas semanas, algo muito especial parecia estar acontecendo, especialmente após a vitória de “Parasita” no SAG Awards (o mais confiável de todos os termômetros do Oscar), onde o elenco principal foi praticamente ovacionado por todos os profissionais de Hollywood.
Um favoritismo inédito e até então improvável começava a se desenhar.
Alguns até cogitavam a chance de “Parasita” ganhar algumas estatuetas principais, mas, ninguém se atrevia a tecer tais garantias, alimentar tantas esperanças diante da forte competição de “1917” (vencedor da maioria das premiações anteriores).
Quando “Parasita” conquistou o prêmio de Melhor Roteiro Original e de Melhor Filme Estrangeiro, todos imaginavam que a Academia seguiria sua cartilha convencional e restringiria o filme apenas à essas honrarias.
O próprio Bong Joon-Ho quando subiu, estarrecido, ao palco para receber o prêmio de Melhor Diretor admitiu achar que, após as duas primeiras estatuetas, ele julgou que poderia relaxar e ver as outras produções ganharem os prêmios que faltavam.
Mal sabia ele o que o guardava...
O anúncio do prêmio principal pegou a todos de surpresa: Todo mundo –TODO MUNDO! –acreditava que “Parasita” e “1917” fariam, na melhor das hipóteses, uma dobradinha nas categorias de Melhor Filme e Melhor Diretor; ou seja, cada um ganharia em uma, premiando ambos os favoritos. Contudo, a Academia realizou um gesto sem precedentes em seus quase 100 anos de história ao conceder todos os prêmios principais, pela primeira vez, a um filme falado em língua estrangeira –e que, sem sombra de dúvidas, representava a melhor obra cinematográfica de todo o ano que passou.
O discurso de agradecimento do grande filme da noite, de direito e de fato, foi assim feito num emocionado idioma sul-coreano.

MELHOR FILME
"Parasita"

MELHOR DIRETOR
"Parasita", Bong Joon-Ho

MELHOR ATRIZ
Renée Zellweger, "Judy-Muito Além do Arco-Íris"

MELHOR ATOR
Joaquin Phoenix, "Coringa"

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Laura Dern, "História de Um Casamento"

MELHOR ATOR COADJUVANTE

MELHOR FOTOGRAFIA
"1917"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM
"Indústria Americana"

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
"Learning To Skateboard In A Warzone (If You’re A Girl)"

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
"Parasita" (Coréia do Sul)

MELHOR MIXAGEM DE SOM
"1917"

MELHORES EFEITOS VISUAIS
"1917"

MELHOR MAQUIAGEM E CABELO
"O Escândalo"

MELHOR FIGURINO
"Adoráveis Mulheres"

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
"Ford Vs Ferrari"

MELHOR DESIGNER DE PRODUÇÃO
"Era Uma Vez em... Hollywood"

MELHOR TRILHA SONORA
“Coringa"

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
"(I’m Gonna) Love Me Again", de "Rocketman"

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
"Parasita"

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
"Jojo Rabbit"

MELHOR LONGA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
"Hair Love"

MELHOR EDIÇÃO
"Ford Vs Ferrari"

MELHOR CURTA-METRAGEM
"The Neighboor’s Window”

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Coringa

Tirado de sua área mais assídua de atividade, o humor, segundo o que ele mesmo chamou de ‘patrulha do politicamente correto’, o diretor Todd Phillips (de “Se Beber, Não Case” e "Dias Incríveis") resolveu deixar o gênero de comédia com um filme que é diversas coisas: Uma alegoria imbuída de sarcasmo das orientações do movimento de esquerda, e paradoxalmente um símbolo improvável para as novas gerações que a defendem; uma homenagem ao cinema suburbano, cru e violento de Martin Scorsese (saltando aos olhos, com facilidade, as similaridades com “O Rei da Comédia” e “Taxi Driver”) e. acima de tudo isso, uma adaptação de histórias em quadrinhos.
Embora, também nesse quesito, “Coringa” represente uma desconstrução: Saturada pela falha de tentar conceber um universo compartilhado que trouxesse à vida os personagens da DC Comics no cinema (a exemplo do que a Marvel Studios fez com retumbante sucesso), a Warner viu seu “Batman Vs Superman” e “Liga da Justiça” converterem-se em constrangedores fracassos –até mesmo o Coringa deu as caras no mal-fadado “Esquadrão Suicida” interpretado por Jared Leto.
A saída, aparentemente, foi desencanar de repetir os passos da Marvel e investir em projetos que, se não estavam interligados, ao menos, poderiam resultar individualmente competentes.
Nesse sentido, as coisas começaram a dar mais certo para “Mulher Maravilha”, “Aquaman” e “Shazam!”.
Deles, todavia, “Coringa” foi um projeto mais radical.
Não apenas era trazido ao centro de um longa-metragem um notório antagonista de um herói que era o protagonista de fato, o Batman –e esse conceito aproxima este filme assim da premissa de “Venom” –como a incorporação de tal personagem era desafiadora; muitos bons atores tentaram, como Jack Nicholson que fez bonito no “Batman”, de Tim Burton”, ou mesmo o infeliz Jared Leto, cuja atuação como Coringa lhe acarretou uma avalanche de críticas negativas. Mas, o feito a ser superado era mesmo o de Heath Ledger que em “O Cavaleiro das Trevas” entregou a mais perfeita, empolgante e assombrosa interpretação de Coringa do cinema –e ganhou um Oscar póstumo de Melhor Ator Coadjuvante por isso!
Para dar a cara à tapa nessa empreitada foi chamado o sempre competente Joaquin Phoenix que se desvencilha muito bem da comparação com Ledger e outros atores ao concentrar sua astuciosa interpretação naquilo que o filme de Todd Phillips tem de mais particular: Uma assim esboçada trama de origem, onde as características marcantes do personagem vão sendo incorporadas e adquiridas pouco a pouco, a medida que o roteiro concebe o surgimento do vilão a partir de realismo e drama humano –nada do tonel químico ou de qualquer referência aos quadrinhos, como “Batman-A Piada Mortal”.
Assim, conhecemos o desamparo de Arthur Fleck (Phoenix), morador da decadente cidade de Gothan City em plenos anos 1980, cuja vida é um abismo de angústia que só faz piorar: Ele trabalha como palhaço de rua enquanto nutre o sonho de prosperar como apresentador de stand-up. Ao mesmo tempo, Arthur sofre de um distúrbio neurológico que o faz gargalhar descontroladamente diante de uma situação que o deixe extremamente triste, tenso ou zangado.
E tais situações se acumulam: Ele é roubado e espancado por delinquentes, a saúde de sua mãe só piora e, como se não bastasse, um de seus colegas de trabalho conspira contra ele, levando-o a perder o emprego. Até mesmo seu ídolo da TV, Murray Franklin, apresentador de um programa de auditório (Robert De Niro, na mais explícita dentre todas as referências à “O Rei da Comédia”) faz chacota dele em seu programa.
Tudo ameaça desmoronar quando o programa de assistência social que permitia a Arthur uma sessão semanal de psiquiatria e remédios que continham seus distúrbios é cortado: Sozinho em sua neurose crescente, ele termina por ceder a instintos homicidas que o levam a matar três executivos engravatados numa noite em um metrô.
Perseguido pelas autoridades, Arthur vê, nas semanas que se seguem, o seu ato violento ganhar uma repercussão entre os indivíduos mais revoltosos e indignados da população que, a partir da imagem do palhaço assassino, podem começar uma onda de destruição em Gothan.
Ao abrir mão completa e convictamente de um herói como personagem principal, o filme de Todd Phillips evoca obras transgressivas como “Laranja Mecânica” ao dar o protagonismo a um personagem que caminha irreversivelmente rumo ao abismo da loucura, e seu filme foi tão bem construído e tão incomum em sua proposta reflexiva que houve muita gente que acabou defendendo a suposta viabilidade da mensagem “Morte aos ricos” difundida pelo Coringa, sem perceber que disso se trata a crítica e a sátira que o diretor procurar fazer do extremismo esquerdista.
“Coringa” é assim uma obra para cabeças e estômagos fortes, bem longe da normalidade convencional e da superficialidade genérica do que muitos podem esperar em uma adaptação de histórias em quadrinhos.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Indicados Ao Oscar 2020

E está dada a largada ao que ainda é considerado o grande prêmio do cinema:

Melhor Filme
1917
Adoráveis Mulheres
Coringa
Era Uma Vez em... Hollywood
Ford vs Ferrari
História de Um Casamento
O Irlandês
Jojo Rabbit
Parasita

“Coringa” lidera o número de indicações, com 11, seguido por “Era Uma Vez em... Hollywood” e “O Irlandês”, com 10 cada, contudo, há tempos que o número de indicações não quer dizer favoritismo na premiação –colocando as demais premiações em perspectiva, muito se aposta na obra de Quentin Tarantino que parece usufruir de fatores muito favoráveis junto ao prêmio.
E que felicidade é ver “Parasita” gozando de tantas honrarias!

Melhor Atriz
Scarlet Johansson – História de Um Casamento
Renée Zellweger – Judy-Muito Além do Arco-Íris
Charlize Theron – O Escândalo
Saoirse Ronan – Adoráveis Mulheres
Cynthia Erivo – Harriet

Melhor Ator
Joaquin Phoenix – Coringa
Adam Driver – História de Um Casamento
Antonio Banderas – Dor e Glória
Jonathan Pryce – Dois Papas
Leonardo DiCaprio – Era Uma Vez em... Hollywood

Os favoritos: Renée Zellweger e Joaquin Phoenix, sem discussão!
Quem pode ameçar a supremacia de cada um deles é, respectivamente, Charlize Theron e Adam Driver.
A inclusão de Antonio Banderas entre os melhores atores é certamente uma daquelas alegrias que vez ou outra o Oscar nos proporciona; pena elas não serem mais frequentes...

Melhor Atriz Coadjuvante
Laura Dern – História de Um Casamento
Margot Robbie – O Escândalo
Scarlett Johansson – Jojo Rabbit
Florence Pugh – Adoráveis Mulheres
Kathy Bates – Richard Jewell

Melhor Ator Coadjuvante
Brad Pitt – Era Uma Vez em... Hollywood
Anthony Hopkins – Dois Papas
Tom Hanks – Um Lindo Dia na Vizinhança
Al Pacino – O Irlandês
Joe Pesci – O Irlandês

Antes de falar sobre os possíveis ganhadores, deixem-me expressar minha felicidade pela dupla indicação de Scarlett Johansson, na categoria principal (por “História de Um Casamento”) e na de coadjuvante pelo belo trabalho de Taika Waikiki; demorou para que a Academia reconhecesse seu já comprovado talento, acima da linda mulher (e símbolo sexual) que ela é, mas quando o fez, foi com pompa e circunstância!
Como no Globo de Ouro, as presenças de Al Pacino e Joe Pesci (com destaque para o segundo) parecem ameaçar tremendamente o favoritismo de Brad Pitt que vem (merecidamente) se consolidando ao longo da temporada. Eu prefiro (inclusive em outras categorias!) infinitamente mais a homenagem esperta e camarada de Tarantino à Hollywood do que o estudo sobre o tempo, o envelhecimento e a resiliência conduzido por Scorsese. Entre as atrizes coadjuvantes, a bela surpresa na inclusão de Kathy Bates, Margot Robbie e Florence Pugh não tira a liderança nas apostas de Laura Dern, vencedora em praticamente todos os prêmios que disputou até agora –este parece ser o ano da musa de David Lynch!

Melhor Diretor
Martin Scorsese – O Irlandês
Quentin Tarantino – Era Uma Vez em... Hollywood
Sam Mendes – 1917
Bong Joon Ho – Parasita
Todd Phillips – Coringa

Melhor Roteiro Original
História de Um Casamento – Noah Baumbach
Era Uma Vez em... Hollywood – Quentin Tarantino
Parasita – Bong Joon Ho, Han Jin Won (História por Bon Joon Ho)
Entre Facas e Segredos – Rian Johnson
1917 – Sam Mendes e Krysty Wilson-Cairns

Melhor Roteiro Adaptado
Jojo Rabbit – Taika Waititi
O Irlandês – Steven Zaillian
Dois Papas – Anthony McCarten
Coringa – Todd Phillips e Scott Silver
Adoráveis Mulheres – Greta Gerwig

Um prazer ver Bong Joon-Ho e seu “Parasita” em tantas categorias, é bem provável que todas essas indicações se concretizem no único prêmio de Filme Estrangeiro, mas já está bom demais!
Com Scorsese perdendo terreno na temporada de prêmios, é de se imaginar o Oscar de Melhor Diretor ficando mesmo entre Sam Mendes (até então o favorito) e Quentin Tarantino, que deve mesmo prevalecer na categoria de Roteiro Original.
Já, entre os roteiros adaptados, “O irlandês” deve competir direto com a delicadeza e qualidade de “Adoráveis Mulheres” –e com o imenso apreço que a Academia parece nutrir pelas obras de Greta Gerwig –e com a larga aceitação de púlbico e crítica de “Coringa”, fatores que podem influenciar numa categoria sem tantos favoritos como esta.

Melhor Figurino
Jojo Rabbit
Era Uma Vez em... Hollywood
O Irlandês
Coringa
Adoráveis Mulheres

Melhor Maquiagem & Cabelo
O Escândalo
Coringa
Judy-Muito Além do Arco-Íris
Malévola-Dona do Mal
1917

Melhor Direção de Arte
Era Uma Vez em... Hollywood
1917
Jojo Rabbit
O Irlandês
Parasita

Melhor Trilha Sonora Original
Coringa
Adoráveis Mulheres
História de um Casamento
1917
Star Wars-A Ascensão Skywalker

Melhor Canção Original
“I’m Standing With You” de Superação-O Milagre da Fé
“Into the Unknown” de Frozen 2
“Stand Up” de Harriet
“(I’m Gonna) Love Me Again” de Rocketman
“I Can’t Let You Throw Yourself Away” de Toy Story 4

Melhor Fotografia
1917
Coringa
O Irlandês
O Farol
Era Uma Vez em... Hollywood

Melhor Montagem
O Irlandês
Ford vs Ferrari
Coringa
Jojo Rabbit
Parasita

Melhor Edição de Som
1917
Coringa
Ford vs Ferrari
Star Wars-A Ascensão Skywalker
Era Uma Vez em... Hollywood

Melhor Mixagem de Som
Coringa
Ad Astra
1917
Ford vs Ferrari
Era Uma Vez em... Hollywood

Melhores Efeitos Visuais
Vingadores-Ultimato
O Irlandês
O Rei Leão
1917
Star Wars-A Ascensão Skywalker

De modo geral, as categorias técnicas têm, em “1917”, seu grande favorito –até mesmo em efeitos visuais, onde se destaca o fenômeno “Vingadores-Ultimato”.
Entre surpresas de última hora (“Ad Astra” em Mixagem de Som e “O Farol” em Fotografia) e esnobadas intrigantes (sobretudo, a ausência de “Era Uma Vez em... Hollywood” em Melhor Montagem, vaga que provavelmente ficou com “Ford vs Ferrari”), temos “Rocketman”, cujo favoritismo em Melhor Canção Original terá de compensar seu esquecimento em praticamente todas as outras categorias.

Melhor Documentário
Democracia em Vertigem
American Factory
The Cave
For Sama
Honeyland

Melhor Animação
Toy Story 4
I Lost My Body
Link Perdido
Como Treinar Seu Dragão 3
Klaus

Melhor Filme Estrangeiro
Honeyland – Macedônia
Corpus Christi – Polônia
Parasita – Coreia do Sul
Les Misérables – França
Dor e Glória – Espanha

Como é até habitual, a Academia reconhece o valor do cinema brasileiro com mais frequência entre os documentários –e este ano, é “Democracia em Vertigem” que ganha a honraria –entre as animações, a grande surpresa foi a ausência de “Frozen 2”, que restrige ao peso-pesado “Toy Story 4” a tarefa de superar a súbita preferência nas premiações conquistada (sem muito mérito) por “Link Perdido” e (com largo merecimento) por “Klaus”.
Já, o prêmio de Melhor Filme Estrangeiro já tem dono, embora seja sempre bacana ver uma obra de Pedro Almodovar reiterar a relevância do diretor espanhol: Será o absurdo dos absurdos se a Academia negar esse Oscar ao sul-coreano “Parasita”.

Melhor Curta Animado
Dcera (Daughter)
Hair Love
Kitbull
Memorable
Sister

Melhor Curta em Documentário
In the Absence
Learning to Skateboard in a Warzone (If You’re a Girl)
A Vida em Mim
St. Louis Superman
Walk Run Cha-Cha

Melhor Curta em Live-Action
Brotherhood
Nefta Football Club
The Neighbors’ Window
Saria
A Sister

A confirmação dos favoritos ou a invalidação das maiores apostas se dará no dia 9 de fevereiro, na 92ª Cerimônia do Oscar, a ser realizada no Teatro Dolby, em Los Angeles.

segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

Vencedores do Globo de Ouro 2020

O que podemos extrair do 77º Globo de Ouro? Acima de tudo, que as premiações estão fazendo um esforço algo vazio para serem surpreendentes –e ainda é cedo para dizer se isso é bom ou ruim.
No caso do Globo do Ouro, o inesperado já deu as caras com o implacável discurso do apresentador Ricky Gervais que não deixou pedra sobre pedra: Ele alfinetou praticamente a tudo e a todos em Hollywood, estúdios, atores, diretores, produtores (pedindo, a certa altura, que os premiados se recolhessem em sua insignificância e evitassem a hipocrisia de seus discursos políticos!), restando às câmeras apenas flagrar a perplexidade das celebridades presentes.
Mas, vamos aos prêmios: Diferente do que foi esboçado ano passado, o Globo de Ouro deu um passo atrás em relação à aceitação dos filmes da Netflix deixando sem qualquer prêmio o filme “O Irlandês”, de Martin Scorsese, até então um dos favoritos da noite –resta saber se o Oscar e outros prêmios seguirão essa postura.
Com efeito, a surpreendente esnobada de um favorito significa a igualmente inesperada consagração de uma zebra; não que o épico “1917” não fosse digno dos prêmio de Melhor Filme Dramático e Melhor Direção.
A surpresa apenas ofuscou o merecimento.

Melhor Filme Dramático
“1917” – VENCEDOR
“Irlandês”
“História de Um Casamento”
“Coringa”
“Dois Papas”

Melhor Ator – Drama
Joaquin Phoenix por “Coringa” – VENCEDOR
Christian Bale por “Ford v Ferrari”
Antonio Banderas por “Dor e Glória”
Adam Driver por “História de Um Casamento”
Jonathan Pryce por “Dois Papas”

Melhor Atriz – Drama
Renée Zellweger por “Judy-Muito Além do Arco-Íris” – VENCEDORA
Cynthia Erivo por “Harriet”
Scarlett Johansson por “História de Um Casamento”
Saoirse Ronan por “Adoráveis Mulheres”
Charlize Theron por “O Escândalo”

Um dos poucos favoritismos confirmados foram os de Joaquin Phoenix e Renée Zellwegger que arrebataram sem maiores problemas os prêmios de intérpretes dramáticos (embora no caso de Phoenix, eu ainda considere o trabalho de Adam Driver mais perfeito).
Foram os dois também os mais prejudicados, no momento de seus discursos, pela interrupção, às vezes bem rude, da orquestra musical, podando inclusive um comentário bastante audacioso de Phoenix sobre o teor político da própria premiação.

Melhor Filme Cômico ou Musical
“Era uma Vez em… Hollywood” – VENCEDOR
“Jojo Rabbit”
“Entre Facas e Segredos”
“Rocketman”
“Meu nome é Dolemite”

Melhor Diretor
Sam Mendes por “1917” – VENCEDOR
Todd Phillips por “Coringa”
Bong Joon-Ho por “Parasita”

Martin Scorsese por “O Irlandês”
Quentin Tarantino por “Era uma Vez em… Hollywood”

Melhor Roteiro 
Quentin Tarantino por “Era uma Vez em… Hollywood” – VENCEDOR
Noah Baumbach por “História de Um Casamento”
Bong Joon-ho e Han Jin-won por “Parasita”
Anthony McCarten por “Dois Papas”
Steven Zaillian por “O Irlandês”

Melhor Atriz – Musical ou Comédia
Awkwafina por “The Farewell” – VENCEDORA
Ana de Armas por “Entre Facas e Segredos”
Cate Blanchett por “Cadê Você, Bernadette?”
Beanie Feldstein por “Fora de Série”
Emma Thompson por “Late Night”

Melhor Ator – Musical ou Comédia
Taron Egerton por “Rocketman” – VENCEDOR
Daniel Craig por “Entre Facas e Segredos”
Roman Griffin Davis por “Jojo Rabbit”
Leonardo DiCaprio por “Era uma Vez em… Hollywood”
Eddie Murphy por “Meu Nome é Dolemite”

Melhor Ator Coadjuvante 
Brad Pitt por “Era uma Vez em… Hollywood” – VENCEDOR
Tom Hanks por “Um Lindo Dia na Vizinhança”
Anthony Hopkins por “Dois Papas”
Al Pacino por “O Irlandês”
Joe Pesci por “O Irlandês”

Melhor Atriz Coadjuvante
Laura Dern por “História de Um Casamento” – VENCEDORA
Kathy Bates por “O Caso Richard Jewell”
Annette Bening por “O Relatório”
Jennifer Lopez por “As Golpistas”
Margot Robbie por “O Escândalo”

Talvez o grande vencedor da noite, “Era Uma Vez Em... Hollywood” saiu com três prêmios, Melhor Filme de Comédia ou Musical, Melhor Roteiro e Melhor Ator Coadjuvante, no qual Brad Pitt superou concorrentes peso-pesados para conquistar uma de suas primeiras honrarias como intérprete; e seu trabalho é realmente tão bom que eu espero que isso se repita no Oscar.
Também surpreendente foi a vitória da jovem asiática Awkwafina entre as atrizes de musical ou comédia e de Taron Egerton entre os atores –pareceu apontar uma tendência no Globo de Ouro de, ao mesmo tempo em que homenageou respeitosamente os veteranos (os prêmios especiais foram para Tom Hanks e Ellen Degeneres), deu espaço e reconhecimento aos talentos dessa nova geração.

Melhor Animação
“O Elo Perdido” – VENCEDOR
“Frozen 2”
“Como Treinar seu Dragão 3”
“Toy Story 4”
“O Rei Leão”

Melhor Filme em Língua Estrangeira
“Parasita” – VENCEDOR
“The Farewell”
“Dor e Glória”
“Retrato de Uma Jovem em Chamas”
“Les Misérables”

Entre favoritismos confirmados e outros esnobados, a animação “Missing Link” tirou de “Frozen 2” e “Toy Story 4” o prêmio de animação –ainda que eu duvide que isso se mantenha no restante da temporada de prêmios.
Já a categoria de Melhor Filme Estrangeiro não tinha espaço para surpresas: Na falta de um prêmio de Melhor Diretor (que seria bastante justo) não havia como negar à obra-prima “Parasita” o Globo de Ouro; e o discurso de agradecimento de Bong Joon-Ho foi perfeito ao ratificar a todos os presentes e ao público expectador que filmes maravilhosos e espetaculares estarão à disposição deles se superarem a mera barreira linguística das legendas.

Melhor Canção Original
(I’m Gonna) Love Me Again, de “Rocketman” – VENCEDOR
Into the Unknown, de “Frozen 2”
Beautiful Ghosts, de “Cats”
Spirit, de “O Rei Leão”
Stand Up, de “Harriet”

Melhor Trilha Sonora Original
Hildur Guðnadóttir por “Coringa” – VENCEDORA
Daniel Pemberton por “Brooklyn – Sem Pai Nem Mãe”
Alexandre Desplat por “Adoráveis Mulheres”
Thomas Newman por “1917”
Randy Newman por “História de Um Casamento”

Ao fim, tivemos três prêmios para “Era Uma Vez Em... Hollywood” (fazendo a belíssima ode de Tarantino à Hollywood seguir forte), dois para “Coringa” (sendo que o de trilha sonora foi o primeiro concedido à uma mulher!), dois para “Rocketman” (irá Taron Egerton repetir o feito de Rami Malek ano passado?) e dois para “1917” que, apesar de estranhamente não ter estreado em solo americano (lembre-se o Globo de Ouro é escolhido pela imprensa estrangeira), subiu consideravelmente nas apostas.
O olhar dos votantes do careca dourado repousa atento sobre todos esses eventos.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Os Indicados Ao Globo de Ouro 2020

Nem bem a CCXP acabou e eis que a Imprensa Estrangeira divulgou hoje os indicados ao Globo de Ouro. Segue a lista:

MELHOR FILME: DRAMA
1917
O Irlandês
Coringa
História de Um Casamento
Dois Papas

MELHOR FILME: MUSICAL OU COMÉDIA
Meu Nome É Dolemite
Jojo Rabbit
Entre Facas e Segredos
Rocketman

Curiosa e até irônica a inclusão da nova obra de Quentin Tarantino entre as comédias; mas, “Era Uma Vez... Em Hollywood” está disputando com títulos elogiadíssimos, em especial, “Meu Nome É Dolemite” e “Jojo Rabbit”, todos exigindo respeito e reconhecimento.
Na categoria drama as coisas estão ainda mais acirradas: Se “O Irlandês” e “Coringa” chegam com a força do sucesso simultâneo de público e crítica, tanto o épico de guerra “1917” quanto “História de Um Casamento”, em seus recentes lançamentos, demonstraram vigor suficiente para atingirem status de favoritos!
Como no ano passado, uma predominância de títulos oriundos de streaming se percebe entre as obras exclusivamente cinematográficas: “O Irlandês”, “História de Um Casamento”, "Dois Papas" e “Meu Nome É Dolemite” são da NetFlix.

MELHOR DIRETOR
Bong Joon-HoParasita
Sam Mendes1917
Todd Phillips, Coringa
Martin ScorseseO Irlandês
Quentin Tarantino, Era Uma Vez… Em Hollywood

Uma maravilha poder testemunhar o reconhecimento sem precedentes ao cinema sul-coreano até então. Está certo que o magistral “Parasita” pode acabar ficando só nas indicações –afinal, ele concorre com a técnica impecável e implacável de Sam Mendes (que alguns estão comparando com o virtuosismo já lendário de “O Resgate do Soldado Ryan”); com a aclamada realização de Todd Philips (a quem o Globo de Ouro já premiou em 2009 por “Se Beber Não Case”); e os trabalhos maiúsculos dos gênios Martin Scorsese e Tarantino –mas é um deleite ver o nome de Bong Joon-Ho (de obras como “O Expresso do Amanhã” e “O Hospedeiro”) ao lado de medalhões do cinema hollywoodiano.

MELHOR ATRIZ EM FILME: DRAMA
Cynthia ErivoHarriet
Scarlett JohanssonHistória de Um Casamento
Saoirse RonanAdoráveis Mulheres
Charlize TheronO Escândalo
Renée ZellwegerJudy

MELHOR ATOR EM FILME: DRAMA
Christian Bale, Ford vs. Ferrari
Antonio BanderasDor & Glória
Adam DriverHistória de Um Casamento
Joaquin PhoenixCoringa
Jonathan PryceDois Papas

Os intérpretes de drama surgem com alguns favoritismos aparentes: Entre as atrizes, o trabalho que goza, por ora, de maior aclamação junto à crítica é o de Renée Zellweger, onde ela traz Judy Garland à vida, mas há de se lembrar de Scarlett Johansson, uma atriz sempre capaz, talentosa e relevante, dona de poucas indicações ao longo de sua carreira (e nenhuma indicação ao Oscar!) num trabalho que parece ser o ponto de virada para essa injustiça.
Já, entre os atores, a ausência de Robert De Niro (por "O Irlandês") e de Adam Sandler (pelo premiado “Uncut Gems”) e o encaixe de Leonardo DiCaprio e Taron Egerton entre os intérpretes de comédia ou musical deixa a situação bastante propícia para a consagração de Joaquin Phoenix e sua ovacionada atuação em “Coringa”, seu maior competidor é, quando muito, a excelência de Adam Driver em “História de Um Casamento”.

MELHOR ATRIZ EM FILME: MUSICAL OU COMÉDIA
Ana de ArmasEntre Facas e Segredos
AwkwafinaThe Farewell
Cate BlanchettCadê Você, Bernadette?
Beanie FeldsteinFora de Série
Emma ThompsonLate Night

MELHOR ATOR EM FILME: MUSICAL OU COMÉDIA
Daniel CraigEntre Facas e Segredos
Roman Griffin DavisJojo Rabbit
Leonardo DiCaprioEra Uma Vez… Em Hollywood
Taron EgertonRocketman
Eddie MurphyMeu Nome É Dolemite

O grande problema na categoria das atrizes em comédia ou musical é a completa ausência de um nome que tenha se destacado nas bolsas de apostas até então: Emma Thompson e Cate Blanchett levam vantagem pela consagração da carreira pregressa, mas as jovens Ana de Armas e Awkwafina chegam apresentando trabalhos surpreendentes em obras que prontamente conquistaram a crítica.
Com os atores, meu gosto pessoal me leva a torcer pela performance brilhante de DiCaprio, embora os críticos tenham se rendido ao talento de Eddie Murphy que, de tempos em tempos, encontra um filme capaz de evidenciar o grande ator que é (como ocorreu em meados de 2006 com “Dreamgirls”).
De resto, é muito bom ver o reconhecimento prestado ao grande ator que Daniel Craig consegue ser quando sai de sua zona de conforto; à sensibilidade precoce do pequeno e notável Roman Griffin Davis (lembrando ser ele uma das poucas menções ao grande trabalho de Taika Waititi, “Jojo Rabbit”); e ao desempenho louvável de Taron Egerton como Elton John –cujos planos de repetir a trilha vitoriosa de Rami Malek no ano passado esbarraram na concorrência bem mais pesada deste ano!

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Kathy BatesO Caso Richard Jewell
Annette BeningO Relatório
Laura DernHistória de Um Casamento
Jennifer LopezAs Golpistas
Margot RobbieO Escândalo

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Tom HanksUm Lindo Dia na Vizinhança
Anthony HopkinsDois Papas
Al PacinoO Irlandês
Joe Pesci, O Irlandês
Brad PittEra Uma Vez… Em Hollywood

Por mais que a presença de Brad Pitt entre os indicados a Melhor Coadjuvante me encha de felicidade, é preciso admitir que Al Pacino e Joe Pesci, por “O Irlandês”, formam uma dobradinha difícil de ser superada –com a possível predileção dos votantes para o segundo.
A categoria de atrizes coadjuvantes foi uma oportunidade para o Globo de Ouro incluir grandes trabalhos esquecidos nas categorias principais, como “As Golpistas”, filme-sensação no Festival de Toronto, cuja indicação para Jennifer Lopez causou estranhamento por não ser entre as atrizes principais –é exatamente esse detalhe que pode fazer dela a favorita da categoria.
Contudo, as esplêndidas presenças de Margot Robbie e de Laura Dern não devem ser subestimadas.

MELHOR ROTEIRO
História de Um Casamento
Parasita
Dois Papas
Era Uma Vez… Em Hollywood
O Irlandês

MELHOR ANIMAÇÃO
Frozen II
Como Treinar Seu Dragão 3
O Elo Perdido

Causou surpresa a ausência de “Entre Facas e Segredos” entre os indicados à Melhor Roteiro –justamente esse que era apontado como um dos quesitos mais fascinantes do filme de Rian Johnson –o que deve deixar a disputa mais equilibrada, visto que todos são obras magistrais que primam pela mágica de uma história bem contada.
Por incrível que possa parecer, é aqui que “O Irlandês” ostenta menos favoritismo (mas, ele pode levar conforme sua premiação seja indulgente demais), deixando margem para praticamente todos os concorrentes: A sensibilidade singular de “História de Um Casamento”; a energia cinematográfica incomum de “Parasita”; o refinamento inquestionável de “Era Uma Vez... Em Hollywood”; e a primazia dramática de “Dois Papas”.
Entre as animações a briga certamente será de cachorro grande com as sequências de duas das mais bem-sucedidas animações de todos os tempos (“Frozen” e “Toy Story”) disputando diretamente.

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Beautiful Ghosts”Cats
“I’m Gonna Love Me Again”Rocketman
“Into the Unknown”Frozen II
“Spirit”O Rei Leão
“Stand Up”Harriet

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
The Farewell
Os Miseráveis
Dor & Glória
Parasita
Retrato de Uma Jovem em Chamas

Dificilmente o prêmio de filme estrangeiro será tirado das mãos mais do que merecedoras dos realizadores de “Parasita” –e essa premiação deve ser uma compensação pelas demais indicações que permanecerão sendo indicações (embora surpresas desagradáveis dessa natureza sejam até um hábito do Globo de Ouro).
Entre as canções, apesar das prováveis esperanças de alguns fãs que “Rocketman” ou mesmo o incompreendido “Cats” levem alguma coisa, a nova canção clássica de “Frozen II” deve prevalecer; não acredito que a música inédita de Beyoncée para “O Rei Leão” tenha grandes chances.

Estes são, pois, os indicados (lembrando que só falei dos prêmios referentes à cinema), a entrega dos Golden Globes será dia 5 de Janeiro de 2020.